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A Justificação

 

 

O homem é justificado, declarado justo por Deus pela fé através do sangue de Jesus. Esta nova condição é alcançada por meio da fé, algo que não vem do homem, mas é dom de Deus, pois só ele pode justificar o homem.

Após analisarmos os versículos acima, podemos concluir que, a palavra justificação não é um termo técnico forense. Justificação não é uma declaração de absolvição do ímpio ou uma anistia do pecador, visto que o pecador morre com Cristo.

Justificação não é uma declaração de cunho jurídico, ou que as obrigações do pecador foram cumpridas por outra pessoa, visto que a pena não pode passar da pessoa do transgressor.

A justificação divina não se confunde às sentenças pronunciadas em tribunal secular.

Da mesma forma a justificação não se apóia na soberania de Deus. A justificação não é ato soberano, onde por decreto se faz uma declaração libertando o pecador da culpa do pecado. Deus justo não absolve o pecador da culpa, se o fizesse, não seria justo.

Da mesma forma a justificação não é a imputação de justiça de alguém em outrem, possibilitando contar o pecador como justo, sendo que interiormente não o é. Deus não pode ser condescendente com o pecado.

Justificação não significa simplesmente classificar alguém como justo. Também não é um veredicto de justo a quem é ímpio.

 

Justificação: uma declaração

 

Vimos no início que a palavra justificação, quando empregada por Paulo, diz do que é verdadeiro. Deus é declarado justo (justificado) porque ele é verdadeiramente justo Rm 3. 4.

Da mesma forma, quando Deus justifica o homem, ele declara o que é verdadeiro, pois não pode mentir. Deus não declara que o homem é justo hoje tendo em vista algo que se efetivará no futuro.

É certo que o justificado do pecado está morto, fato inegável, como bem descreve o apóstolo Paulo Rm 6. 2- 7. Se a primeira proposição é verdadeira, a segunda também o é, visto que a segunda depende da primeira.

Desta forma a palavra ‘justificado’ traduzir uma idéia verdadeira.

Quando o apóstolo Paulo utiliza a palavra justificação tem em mente algo que é verdadeiro: aquele que está morto está plenamente justificado do pecado!

 

Se o velho homem foi crucificado com Cristo, quem é justificado (declarado justo) por Deus?

Sabemos que Cristo foi entregue por causa de nossos pecados, e que, ao crermos nele, morremos e somos sepultados.

Sabemos que Jesus ressurgiu dentre os mortos, e que com ele ressurgimos Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus” Cl 3. 1.

A justificação (declaração de justo) recai sobre o novo homem que ressurgiu com Cristo dentre os mortos. Somente a nova criatura é declarada justa perante Deus.

O pecador não é declarado justo, pois o velho homem, que é o pecador, foi crucificado com Cristo “Pois sabemos isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado...” Rm 6. 6. O pecador nunca será justificado perante Deus, antes morre através da cruz de Cristo.

O pecador que aceita o sacrifício de Cristo morre juntamente com Ele e quando ressurge, ressurge uma nova criatura (criada) segundo Deus em verdadeira justiça e santidade. Este novo homem é declarado justo diante de Deus.

As palavras traduzidas por ‘justificar’ e ‘justificação’ não significa ‘tornar justo’, antes significa ‘declarar justo’, ‘declarar reto’ ou ‘declarar livre de culpa e de merecimento de castigo’.

Somente aquele que é justo pode receber esta declaração da parte de Deus, ou seja, só o novo homem, criado segundo Deus pode receber de Deus a declaração: este é justo.

 

“E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade...” Ef 4. 24.

 

O novo homem que é criado por Deus, por meio de Cristo Jesus e que ressurgiu dentre os mortos, é criado em verdadeira justiça e santidade, portanto, quando Deus o declara justo, fala do que é verdadeiro, de uma condição que é efetiva hoje.

 

“Ele foi entregue por nossos pecados, e ressuscitou para a nossa justificação Rm 4. 25”

“... porque aquele que está morto está justificado do pecado” Rm 6. 7.

 

Ao observar estes dois versículos percebe-se que Jesus foi entregue por causa dos nossos pecados (se não houvéssemos pecado não haveria a necessidade de Cristo morrer), e ao morrermos com ele cumprimos a justiça de Deus, o pecador recebe o que estava determinado pela justiça de Deus: a morte. Neste ponto Deus é justo.

Em seguida, aquele que está morto é gerado de Deus e ressurge para a glória de Deus Pai, uma vez que os que crêem ressurgem com Cristo. Desta forma somos justificados, ou declarados justos, pois para esse fim Cristo ressurgiu dentre os mortos: ressurgiu par a nossa justificação.

Se não aceitarmos a argumentação de que os cristãos são de fato justos, deve-se concluir também que Cristo não ressurgiu. Se Cristo ressurgiu, é fato que os cristãos ressurgiram com Ele, e somos declarados justos.

Quando Deus cria o novo homem Ele é justificador. Quando o velho homem morre com Cristo, Deus é justo. Sem contradição alguma entre ser justo e justificador.

 

A bíblia diz que todos quantos crêem em Jesus recebem poder para serem feitos, criados, filhos de Deus. O velho homem foi crucificado e dente os mortos ressurge um novo homem. Este novo homem é declarado justo.

Paulo expressou que 'aquele que está morto para o pecado é justo diante de Deus' porque a condição de morto para o pecado é o mesmo que estar 'vivo' para Deus. Aquele que é criado de novo por meio do evangelho, que é poder de Deus para todo aquele que crê, é justificado (declarado justo), pois é uma nova criatura criada em verdadeira justiça e santidade.

Pois isso mesmo Paulo declara:

 

“O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” Rm 4. 25.

 

O homem que é declarado justo diante de Deus não é aquele que morreu, antes é a nova criatura, que foi gerada de novo em Cristo, que é declarada justa diante de Deus.

Quando o apóstolo Paulo fala que aquele que está morto está justificado do pecado, ele tem em mente a idéia do versículo seguinte: “Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” Rm 8. 34.

Quem está morto para o pecado, (ou antes) aquele que ressurgiu com Cristo é justificado: declarado justo perante Deus.

Alguns pensam que a declaração de justiça por parte de Deus haverá de se efetivar no futuro, e que no presente, o homem só possui uma declaração do que posteriormente se dará. Não é assim a justificação.

 

A justificação é uma declaração de Deus a respeito da condição da nova criatura perante Ele.

 

Todos quantos crerem recebe poder para serem feitos filhos de Deus, filhos nascidos não da vontade da carne, nem da vontade do varão ou do sangue. Estes são nascidos do Espírito, criados segundo Deus em verdadeira Justiça e Santidade Jo 1. 12- 13.

Visto que somente aqueles que nascem em justiça e santidade são verdadeiros, estes são declarados justos diante de Deus Ef 4. 24.

Deus é justificador daquele que crêem em Cristo.

O salmista só podia reconhecer os seus erros como forma de declarar a justiça de Deus. O homem não pode ir além.

Deus, porém faz algo extraordinário antes de nos declarar justo. Ele nos julga culpados, aplica a pena predeterminada, gera uma nova criatura por meio do seu poder (o evangelho) e aí nos declara justos diante Dele.

Através da justificação temos contato com a multiforme sabedoria de Deus!

 

Claudio Crispim

 

continua...

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