(Judas 17- 20)
Judas
reforça o seu posicionamento de servo de Cristo (Judas 1), quando
aponta a necessidade de terem na lembrança as predições dos
apóstolos.
Através
deste posicionamento Judas demonstrou que as palavras anunciadas
pelos apóstolos são equivalentes ao anunciado pelos profetas do
Antigo Testamento.
Observe
que ele apresentou vários personagens do Antigo Testamento para dar
peso aos seus argumentos, e por fim, demonstrou que as suas palavras
não destoam dos apóstolos.
Ora,
mesmo sendo irmão de Jesus na carne, irmão de Tiago, ele não se
arrogou no direito de se auto intitular apóstolo, ou utilizar de uma
autoridade que não possuía.
Em
nossos dias há inúmeros lideres que se auto intitulam apóstolos, e
não consideram o exemplo de Judas. Se considerassem o exemplo de
Judas e o de Paulo, jamais utilizariam este título que inspira
autoridade
"Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser
chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus" (I
Coríntios 15: 9).
Ao fazer
referência as palavras dos apóstolos, Judas não as cita 'ips
literis',
e nem atribui a idéia a algum apóstolo específico. Isto demonstra
que as palavras preditas pelos apóstolos eram de consenso comum, e
que não consideravam um apóstolo superior aos outros.
O alerta
é específico: "No
último tempo haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias
concupiscências"
(Judas 18). Tal alerta foi feito por Pedro:
"Sabendo primeiro
isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as
suas próprias concupiscências" (II Pedro 3: 3).
Os
escarnecedores promovem divisões entre os cristãos. O que se observa
é que, quem não compreende (discernir) o que é o corpo do Senhor
(união de servos, livres, judeus, gregos, pobres, ricos), acaba
promovendo divisão como a que Paulo teve que abordar com a igreja de
Coríntios (I Coríntios 6: 1- 8 e 11: 18).
As
pessoas que causam divisões são carnais, ou seja, não tem o
Espírito. Somente aqueles que tem o Espírito de Deus são
espirituais. Ou seja, para ter o Espírito de Deus é preciso ser
nascido dele (João 3: 6), pois ele habita somente o novo homem
criado em Cristo, em verdadeira justiça e santidade (Efésios 2: 21;
4: 24; I Pedro 2: 5).
Para ser
Espiritual é preciso tão somente cumprir com o mandamento de Deus,
que é: "...que
creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos
outros, segundo o mandamento que nos ordenou"
(I João 2:3: 23). Basta
crer em Cristo conforme diz as Escrituras, que o homem é gerado de
novo, deixa de ser carnal pois o velho homem é crucificado com
Cristo (sensual) e passa a ser Espiritual por ressurgir com Cristo.
Judas
encera a exortação acerca da necessidade de se batalhar pela fé que
uma vez foi dada aos santos, e passa a falar da fé que lhes é comum,
o que inicialmente ele queria fazer diligentemente
"Amados, enquanto eu
empregava toda diligência para vos escrever acerca da salvação que
nos é comum..."
(Judas 3).
Os
homens ímpios que foram descritos até aqui, todos são carnais:
destituídos de Deus.
Diferentemente dos homens ímpios que convertem em dissolução a graça
de Deus, os cristãos precisam crescer no conhecimento da graça de
Deus contida no evangelho. Enquanto os ímpios transtornam o
evangelho, os cristãos deve se inteirar para defendê-lo.
Claudio Crispim