(Judas 12- 16)
Judas compara os homens
que se introduziram entre os cristãos com as ondas do mar. Da mesma
forma que as ondas do mar quando em fúria, eles são agitados, tornando
evidente a sujidade que contém.
O apóstolo Tiago compara
os duvidosos com a onda do mar que é impelida e agitada pelo vento
Tg 1: 6. Paulo falou do mesmo assunto: "Para
que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo
o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam
fraudulosamente" (Efésios 4: 14).
A astucia e o engano
proveniente da doutrina errônea dos fraudadores da palavra é
comparado com o vento, revelando inconstância e sujidade.
Eles são comparados a
estrelas errantes, ou seja, embora percorram um caminho, eternamente
permanecem nas trevas. Assim são os homens sem Deus, percorrem
caminhos que aos seus olhos parecem conduzir a Deus, porém, ainda
permanecem no caminho largo que conduz a perdição.
Por não nascerem de
novo, seguem caminhos variados, porém, por serem descendentes de
Adão, o caminho largo, todos os caminhos que seguem são contemplados
pela perdição. Continuam errantes, pois está reservado para eles a
perdição eterna decorrente da natureza pecaminosa herdada em Adão.
Judas lembra que, acerca
dos homens ímpios, profetizou Enoque, o sétimo após Adão
"E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais,
porquanto Deus para si o tomou" (Gênesis 5: 24).
No Canon sagrado não encontramos qualquer referência a esta profecia
de Enoque. Porém, não podemos inferir que o Espírito de Deus não tenha
inspirado o teor desta carta a Judas.
Como é sabido, tal
profecia aparece inclusa em um livro, que foi localizado em uma
bíblia Etíope, por volta de 1773, chamado de 'Livro de Enoque'. Há
na literatura do segundo século a. D referência ao livro de Enoque,
porém, tal livro perdeu-se no decurso do tempo, sobrando pequenos
fragmentos.
Não é alvo deste estudo
tentar descobrir a origem desta citação de Judas, porém, podemos
analisá-la através de outros textos bíblicos verificando a sua
veracidade.
Sobre Enoque, o escritor
aos Hebreus nos disse: "Pela fé Enoque foi
trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o
trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho
de que agradara a Deus" (Hebreus 11: 5).
Perceba que o escritor
da carta aos Hebreus infere do texto do Gênesis que Enoque andou com
Deus através da fé, pois só pela fé é possível 'andar' com Deus. De igual modo, ele foi tirado da terra dos
viventes, e não foi mais localizado, por ação exclusiva de Deus. O
testemunho das escrituras de que Enoque andou com Deus é um
testemunho do próprio Deus de que Enoque O agradara.
Primeiro a Escritura diz
que Enoque andou com Deus "Andou Enoque com
Deus..." (Gênesis 5: 22), para depois Enoque ser tomado:
"...e já não era, porque Deus para si o tomou"
(Gênesis 5: 24). Ou seja, isto demonstra que Enoque agradou a Deus.
Através da revelação do
Novo Testamento, sabemos que o homem tornou-se desagradável a Deus
por causa da queda de Adão, ou seja, todos os homens gerados de Adão são filhos da
desobediência e da ira. Porém, aqueles que crêem em Deus são de novo
gerados segundo a sua palavra, tornando-se agradáveis.
A profecia de Enoque é
uma exortação: "Vede...". Ora, os seus ouvintes deveriam manter-se
alerta, pois o Senhor estava por vir juntamente com os seus milhares
anjos. A bíblia é um compêndio de livros que enfatizam a vinda de
Deus acompanhado de seus anjos, e a necessidade do homem aguardar a
sua vinda "Então virá o Senhor meu Deus e
todos os santos com Ele" (Zacarias 14: 5b).
A profecia de Enoque
aponta o motivo da vinda do Senhor: "... para
fazer juízo contra todos, e para fazer convictos todos os ímpios..."
(Judas 15). Do mesmo modo disse o Senhor ao povo de Israel:
"Se eu afiar a minha
espada reluzente, e se a minha mão travar o juízo,
retribuirei
a vingança sobre os meus adversários, e recompensarei aos que me
odeiam" (Deuteronômio 32: 41).
O
apóstolo Paulo enfatiza:
"Deus recompensará a
cada um segundo as suas obras"
(Romanos 2: 6). Ora,
sabemos que toda a humanidade foi julgada e condenada em Adão, mas
os ímpios pecadores não sabem desta verdade. Porém, no dia da ira de
Deus, ele tornará manifesto o seu juízo. Dará vida eterna aos que
procuraram honra e glória e perseveraram fazendo o bem. Mas, trará
indignação e ira aos desobedientes à verdade, e que obraram o
mal Rm 2: 7-10.
Ao
retribuir a cada um segundo as suas obras, Deus fará juízo Ap 20:
12, e conhecerão (convictos) que estavam condenados segundo a
condenação de Adão Rm 5: 18.
Perceba
que a profecia de Enoque não destoa do restante das Escrituras,
sendo assente que é uma profecia verdadeira. A citação de Judas não
contradiz as Escrituras.
Claudio Crispim