(Judas 8- 12)
Judas passa a descrever os homens
ímpios que haviam se infiltrado entre os cristãos dissimuladamente.
Eles queriam se firmar entre os
cristãos como mestres. Eram sonhadores, porém, tudo que viam em
sonhos não passava de alucinações. Voltaram a condição de carnais,
destituídos do Espírito de Deus.
Como resultado das suas pretensões,
rejeitavam toda autoridade e blasfemavam das dignidades.
Acerca deste impuros, bem falou o
apóstolo Paulo a Timóteo: "Ninguém vos domine
a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos,
envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua
carnal compreensão" (Colossenses 2: 18).
Os falsos mestre queriam a posição de
mestres para poderem dominar os cristãos. Através do pretexto de
humildade e reverência ao que diziam ser sagrado, anunciavam ter
sonhos e visões, porém, tudo era fruto de uma carnal compreensão.
Judas demonstra que os falsos mestres
não observam o que preceitua a Escritura, quando ela demonstra que o
arcanjo Miguel não ousou pronunciar juízo de maldições contra o
diabo Zc 3: 2.
Embora tenhamos uma alusão ao nome do
arcanjo Miguel em uma suposta disputa pelo corpo de Moisés
proveniente de uma antiga tradição judaica, podemos compará-la com o
texto de Zacarias, onde temos: "Mas o SENHOR
disse a Satanás: O SENHOR te repreenda, ó Satanás, sim, o SENHOR,
que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado do
fogo?" (Zacarias 3: 2).
Talvez Judas tenha se equivocado ao
citar a tradição judaica, sendo que o texto base que queria citar
fosse o de Zacarias. Ou, de igual modo, alguém que tenha copilado a
carta, tenha substituído o texto de Zacarias pelo texto da tradição
judaica.
Porém, a idéia que o texto procurou transmitir
foi preservada, mesmo com a alusão a tradição judaica, visto que, o
Senhor não proferiu juízo infamatório contra Satanás, quando este se
opunha acerca do Sumo Sacerdote Josué, antes disse:
"O Senhor te repreenda, ó Satanás, sim, o
Senhor que escolheu Jerusalém..." Zc 3: 2.
Devemos ter em mente que Miguel é um
dos anjos de Deus, porém, não podemos confundi-lo com o Anjo do
Senhor que é Cristo "O anjo do SENHOR
acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (Salmos 34:
7). Diferente de Miguel, o Anjo do Senhor é onipresente (acampa-se
ao redor de todos que o temem, e deve ser temido (o temem). É de
Cristo que Paulo disse: "Porque esta mesma
noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo"
(Atos 27: 23).
Os pretensos mestres não consideravam
nem mesmo o exemplo do Senhor quando Satanás se opunha a Ele acerca
de Josué. Eles difamavam o que não entendiam por se arrogarem
mestres. Até mesmo o que é possível compreender naturalmente
pervertem.
O escritor declina três 'ais' sobre
os seguidores do anticristo.
Através das heresias que estavam
introduzindo dissimuladamente, os falsos mestres estavam percorrendo
o caminho de Caim, que matou o seu irmão. Através das heresias
procuravam matar os que alcançaram vida em Cristo.
A ganância cegou-lhes o
entendimento, e seguiram o mesmo erro de Balaão. Em busca de
recompensas materiais, resolveram transtornar a verdade do
evangelho.
Ao falarem contra as
autoridades superiores, agiram da mesma forma que Coré, atitude que
os condenou a perecer conforme os revoltosos que se levantaram contra
Moisés.
Embora estes homens
estivessem se reunindo com os cristãos, na verdade eram pastores de
si mesmos. São os mesmos que tem o ventre na conta de seu deus
"Cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre,
e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas
terrenas" (Filipenses 3: 19).
Judas demonstra que tais
homens banqueteavam-se nas festas fraternas dos cristãos, porém, sem
recato algum. Nada deve se esperar deles.
Alguns teólogos
classificam estes homens que Judas fez referência como sendo
apóstatas gnosticistas denominados antinominianos ou libertinos.
É de consenso comum que
a legalidade promovida pelos judaizantes é contrária a graça de
Deus. Porém, também é temerário dizer conforme J. I. Packer:
"Essa é a resposta final ao antinomianismo: a
graça estabelece a lei" Vocábulos de Deus, Packer, J. I,
Editora Fiel.
No afã de combater os
heréticos que acham por bem cometerem toda sorte de torpeza, não
podemos nos socorrer da lei Mosaica como se ela complementasse a
graça de Cristo, ou que a graça a estabelece.
É de conhecimento que
Paulo apregoava a moderação em tudo, sem fazer qualquer referência a
lei Mosaica como parâmetro de conduta. Para saber qual a
relação entre graça e lei, leia os artigos:
Vinho Novo somente em Odres Novos,
Lei e Graça e
O Evangelho anunciado.
Claudio Crispim