(Judas 1- 2)
Judas identifica-se aos destinatários
da carta e demonstra ser irmão na carne de Jesus. Perceba que ele
não utiliza o fato de ter sido irmão na carne de Cristo para se
arrogar no direito de escrever na qualidade de apóstolo.
Judas e Tiago eram filhos de Maria e
José, e por sua vez, irmãos de Cristo "Não é
este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus
irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?" (Mateus 13: 55).
Observe que Judas não se arroga no
direito de ser tido por apóstolo de Cristo (v. 17), porém, demonstra
que submeteu-se ao senhorio de Cristo como todos os outros cristãos "Judas,
servo de Jesus Cristo..." (v. 1).
Foi na condição de servo (um dos
seguidores de Cristo), que Judas escreveu aos 'chamados', ou seja,
àqueles que ouviram a mensagem do evangelho.
Através da mensagem do evangelho os
cristãos foram chamados para pertencer ao Senhor Rm 1: 6. Por
pertencerem ao Senhor Jesus, os cristãos passaram a ser nomeados
santos, nome este que decorre da nova condição em Cristo Rm 1: 7.
Os homens que aceitam a proposta do
evangelho (chamado) por intermédio da fé, são santificados em Deus
Pai. Como se dá a santificação em Deus Pai? Os que são chamados, ou
seja, que ouvem a mensagem do evangelho, recebem poder para serem
feitos (criados) filhos de Deus Jo 1: 12.
Esta nova criatura proveniente do
poder criativo de Deus pertence e é de uso exclusivo de Deus Ef 4: 24; II Co
5: 17. Enquanto a velha criatura proveniente da semente corruptível
de Adão é toda em pecado, a nova criatura é proveniente da semente
incorruptível, que é a palavra de Deus, toda em justiça e santidade I Pe 1: 23;
Ef 4: 24.
A raiz da qual se origina a palavra
'santificados' e outras correlatas, é proveniente do vocábulo grego
"hágios", e significa 'o sublime', 'o consagrado', 'o venerável',
sem qualquer referência a moral ou ao comportamento.
Quando o 'servo' de Jesus, Judas,
escreveu que os cristãos 'são santos', ele utilizou a raiz do vocábulo
grego 'hagios', demonstrando que os cristãos eram verdadeiramente santos
por terem sido de novo criados participantes da natureza divina II
Pe 1: 4, em verdadeira justiça e santidade.
Em momento algum vemos a idéia de
gradação na santificação, ou que a santificação é um processo. A
idéia de que a santificação é um processo decorre do trabalho de
lexicógrafos, que ao longo dos anos vêm 'amalgando' ao significado da
palavra santidade 'aquilo que merece e exige reverência moral e
religiosa'.
Na salvação não há qualquer
participação do homem, visto que, para a salvação é preciso nascer
de novo. Para ser salvo, basta ao homem crer na mensagem do
evangelho, e Deus há de operar o milagre da Regeneração, a sua obra
perfeita Jo 6: 29.
Desta forma, segue-se que os de novo
nascidos segundo a semente de Deus são guardados em Jesus Cristo,
como bem demonstrou o apóstolo Paulo: "E o
Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna
glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos
aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá" (I Pedro
5: 10).
É Deus quem chamou os cristãos à sua
eterna glória por intermédio do evangelho de Cristo, e ele mesmo há
de conservá-los irrepreensíveis até a vinda de Cristo I Ts 5: 23-
24.
Quando Judas saudou os cristãos nos
mesmos moldes que os apóstolos, eles o fez confiado em Deus que
haveria de multiplicar misericórdia, paz e amor.
A misericórdia, a paz e o amor
decorrem do evangelho de Cristo. Quando Judas solicita a Deus que se
multipliquem estas benesses presente no evangelho, ele tem em mente
a mesma oração do apóstolo Paulo: "E oro para
que, estando arraigados e fundados em amor, possais perfeitamente
compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o
comprimento, e a altura, e a profundidade" (Efésios 3: 18).
O amor de Cristo já foi derramado
sobre os cristão em misericórdia, paz e caridade, porém, é preciso
compreender qual a dimensão deste amor. A compreensão revelará as
benesses que foram concedidas sem medida.
Claudio Crispim