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A
mensagem que o apóstolo ouviu e retransmitiu
5 E esta é a mensagem
que dele ouvimos, e vos anunciamos:
que Deus é luz, e não há
nele trevas nenhumas. 6
Se dissermos que temos
comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a
verdade. 7 Mas, se
andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os
outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo
o pecado. 8
Se dissermos que não temos
pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. 9
Se confessarmos os nossos
pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos
purificar de toda a injustiça. 10
Se dissermos que não
pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.
O apóstolo João passa a retransmitir,
nestes cinco versículos, a mensagem que ele havia ouvido da parte de
Jesus, e que, anteriormente já havia sido anunciada aos 'agora'
cristãos.
É sabido que todas as cartas do Novo
Testamento foram escritas a Cristãos. É plenamente razoável inferir que
João também escreveu suas cartas a cristãos.
Mas, a quem a mensagem do evangelho
de Cristo é direcionada? Qual a condição dos ouvintes quando ouviram a
mensagem de Cristo? A mensagem do evangelho é direcionada aos não
cristãos, e as cartas são direcionadas aos cristãos e geralmente contem
uma defesa do evangelho.
João enfatiza que ouviu a mensagem de
Cristo e que a mesma mensagem foi retransmitida aos
cristãos, isto demonstra que todos eles (tanto João quanto os seus
ouvintes) quando tiveram contato com a mensagem do evangelho, ainda não
eram cristãos.
A mensagem do evangelho é anunciada
aos não cristãos, e João ao ouvi-la de Cristo, ainda era seguidor do
judaísmo. De igual maneira, ao ser retransmitida a mensagem do evangelho
(e vos anunciamos), os ouvintes de João eram descrentes.
Após determinarmos o público alvo da
mensagem de Cristo torna-se possível entendermos algumas das declarações
contidas nesta primeira epistola de João.
"Deus
é luz, e não há nele trevas nenhumas"
Qual é a mensagem anunciada aos não
cristãos? "Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas" (v. 5). A
proposição inicial 'Deus é luz' conduzirá o ouvinte às idéias seguintes.
Perceba que a frase "Deus é luz" não é uma definição que encerre ou
comporte toda grandeza de Deus. Esta frase é uma proposição lógica, que
será trabalhada argumentativamente para fazer o leitor chegar a um
entendimento da idéia que a mensagem do evangelho propõe.
A proposição "Deus é luz", revela a
impossibilidade do pecador ter comunhão com Deus, visto que, quem está
no pecado, anda em trevas.
Cristo se apresentou aos seus
ouvintes com proposições simples: "Eu sou o pão da vida..." Jo 8: 16;
"Eu sou a porta" Jo 9: 9; " Eu sou o bom Pastor" Jo 10: 11; "Eu sou o
caminho, a verdade e a vida" Jo 14: 6; "Eu sou a videira" Jo 15: 5, etc.
Ao revelar o Pai ao homens, Jesus também o apresenta através de uma
proposição simples: "Deus é luz".
Dentro da afirmativa "Deus é luz", o
homem deve compreender também que 'em Deus não há trevas alguma'. Não há
variação em Deus. Ele é luz, sem qualquer vínculo com as trevas. Não há
como o homem estar em Deus sendo proveniente das trevas. Para estar na
luz (estar em Deus), o homem precisa ser luz, ou seja, ser nascido de
Deus.
"Se dissermos que
temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não
praticamos a verdade"
Muitos que ouviram a mensagem de
Cristo, entendiam que já tinham comunhão com Deus. O público inicial da
mensagem do evangelho foram os judeus, pessoas que detinham um alto grau
de religiosidade; que se apoiavam em suas origens ao afirmarem que
detinham comunhão com Deus "Nosso pai é Abraão" Jo 8: 3 9.
Qual foi a mensagem que as pessoas
ouviram de Cristo? Que se quisessem ter comunhão com Deus era preciso
ser nascido dele. Este nascimento tornou-se possível por meio da fé em
Cristo. Daí, a argumentação: se dissermos que temos comunhão com Deus, e
não aceitamos a Cristo como Senhor, andamos em trevas, segundo o curso
dos nossos corações e pensamentos.
Se o homem anda sem Cristo, não tem
comunhão com Deus, ainda que diga ter. Este homem mente, e não pratica a
verdade.
Novamente: qualquer pessoa que diga
ter comunhão com Deus, no entanto anda em trevas (está sem
Cristo), profere mentiras, e não pratica o que é verdadeiro. Isto porque
Deus é luz, e somente aqueles que são filhos da luz têm comunhão com
Deus, e não andam em trevas.
Quando no mundo, muitas pessoas
alegam estar em Deus, mas ainda não aceitaram a Cristo como
Senhor, andam em trevas, não praticam a verdade. A comunhão com Deus
somente é possível por intermédio da palavra da Vida, que é Cristo.
"Mas, se andarmos na luz,
como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue
de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado"
O descrente que ouvir a mensagem de
Cristo, após satisfeita a condição proposta no evangelho, que é andar na
luz, ou seja, aceitar a Cristo como Senhor, ele passa a ter comunhão com
Deus (como Ele na luz está). Aquele que se converte ao Senhor passa a
ter comunhão juntamente com outros agraciados com a luz de Deus, pois é
certo que o sangue de Cristo o purificou de todo pecado.
João é categórico e não deixa
dúvidas: o cristão que aceita a oferta de andar na luz é purificado de
todo pecado. Por que o homem que aceita a Cristo é purificado de TODO
pecado? Porque o sacrifício de Jesus contém os elementos necessários
para purificar o homem do pecado de Adão, que o deixou na morte Rm 5:
15, e também livra o homem dos pecados decorrente de suas ações que
seriam julgados no dia da Ira Ap 20: 11- 14.
Quando se adquire a comunhão com
Deus, aquele que anda na luz deve livrar-se da idéia de que ainda é
pecador Gl 2: 17. Isto porque, o sacrifício de Cristo na cruz do
calvário foi realizado para livrar o homem da condição adquirida em
Adão: a condenação eterna. Esta condenação, que aprisionou o homem,
também é denominada pecado, e comprometeu a essência do homem, que
passou à condição de 'escravo' do pecado.
O sangue de Cristo liberta o homem do
pecado (o pecado é que deixa o homem debaixo de condenação e destituído
da glória de Deus), e das suas ações perniciosas (demais pecados).
Não há pecado algum que fique vinculado à nova criatura em Cristo.
Deus é luz, e todo os que são
recebidos por seu, na comunhão do corpo de Cristo, não podem conter
trevas alguma. Nenhuma mancha deve restar naquele que se uniu a Cristo e
passou a andar na luz.
Como fazer parte do corpo de Cristo,
contendo alguma treva (pecado) se em Deus não há treva nenhuma?
"Se dissermos que não temos pecado,
enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós"
Qualquer que ouça a mensagem do
evangelho e alegue que não tem pecado, está enganando a si próprio.
Um exemplo clássico desta negativa de
pecado encontramos no evangelho de João. Alguns dos judeus que criam em
Cristo, ao ouvirem que a verdade de Cristo havia de libertá-los,
declararam jamais terem sido escravos de ninguém. Jesus, por sua vez,
demonstra que eles eram pecadores (escravos do pecado), visto que,
viviam na prática de inúmeros pecados Jo 8: 31- 34.
Por que eles negaram ser escravos do
pecado? Por acharem que eram filhos de Deus pelo fato de serem
descendentes de Abraão Jo 8: 39 e 41.
Diante da mensagem do evangelho, se
alguém alega que não tem pecado nenhum, engana-se a si mesmo, e não diz
a verdade, da mesma forma que os judeus que criam em Jesus Jo 8: 31.
A mensagem do evangelho demonstra que
todos os homens são pecadores, e que todos carecem da glória de Deus
"Necessário vós é nascer de novo" Jo 3: 7. Qualquer um que ouvir a
mensagem que João ouviu de Cristo, e que posteriormente ele retransmitiu
aos cristãos (eles não eram cristãos quando ouviram tal mensagem), e
digam: não sou pecador; estou isento de pecado, estes estão enganados e
não há verdade neles.
"Se confessarmos os nossos
pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos
purificar de toda a injustiça"
Todos quantos ouvirem a mensagem do
evangelho e confessarem os seus pecados, serão perdoados (livre da
condenação em Adão) e serão purificados de todas as injustiças (transgressões).
O perdão é possível em Cristo, visto
que ele é fiel e justo. Observe que o perdão dos pecados está vinculado
a fidelidade e a justiça em Cristo, e não as qualidades e ações dos
homens.
"Se dissermos que não
pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós"
O homem que descansa na idéia de que
não está em pecado e que não precisa da salvação presente em Deus,
contraria a palavra do evangelho. Este não está em Cristo, que é a palavra da
Vida, e Cristo não está nele.
Quem é nascido de novo não precisa
confessar pecados para alcançar a salvação. Esta necessidade não é pertinente a quem
é nascido de novo. Que é nascido de novo, é nascido da semente
incorruptível, que é a palavra de Deus, e não necessita reconhecer que é
pecador, pois já alcançou a salvação em Cristo.
Para aqueles que estão em Cristo, que
anda na luz e tem comunhão com Deus, não é preciso dizer que tem pecado,
isto porque, nenhuma condenação há para aqueles que estão em
Cristo Jesus I Jo 5: 18 e 3: 5- 7 e 9.
"Aquele que é
nascido de Deus não vive na prática do pecado, porque a semente de
Deus permanece nele; não pode continuar pecando, porque é nascido de
Deus" Jo 3: 9.
Claudio Crispim
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