A Primeira Epístola do Apóstolo

João 

 

 

   

 

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"Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou"
I Jo 3: 23.

 

O Amor de Deus nos Cristãos

7 Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que desde o princípio ouvistes. 8 Outra vez vos escrevo um mandamento novo, que é verdadeiro nele e em vós; porque vão passando as trevas, e já a verdadeira luz ilumina. 9 Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. 10 Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo. 11 Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos.

O apóstolo João demonstra que não há uma proposta inovadora em sua carta. A imutabilidade é marca da mensagem do evangelho Gl 1: 9.

Ao instruir os cristãos, João não se utiliza da autoridade de ser um dos apóstolos que conviveu com Cristo. Ele instrui chamando os seus 'filhinhos' de irmãos "Irmãos, não vos..." (v. 7).

Os 'irmãos' deveriam perceber que em momento algum o apóstolo apresentou-lhes um outro mandamento além do anunciado por Cristo I Jo 1: 5- 10. João enfatiza que não estava escrevendo mandamento novo, pois já estava sendo comum aparecer pretensos apóstolos com mensagem inovadoras.

Qual o 'mandamento antigo', que desde o princípio os 'irmãos' tiveram? O mandamento antigo refere-se a palavra que desde o princípio ouviram. Qual a palavra que desde o princípio ouviram, e que agora estava sendo relembrado? A resposta encontra-se no capítulo um: "Esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz (...) se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" I Jo 1: 5- 10. Ou seja, a palavra que desde o princípio os cristãos ouviram foi sintetizado em poucas palavras nos versos 5 a 10 do capítulo 1.

A 'palavra' que os cristãos ouviram, em suma é 'guardar os mandamentos' de Cristo: "...Que creiais naquele que Ele enviou" Jo 6: 29.

O mandamento antigo refere-se àquilo que os cristãos ouviram de Cristo, e o 'mandamento novo' do verso 8 refere-se ao mandamento de Cristo, que é diferente do mandamento do Antigo Testamento "Outra vez vos escrevo um mandamento novo..." ( v. 8).

O 'mandamento novo' só é verdadeiro por causa de Cristo (n'Ele). Quem dá valor ao mandamento novo (N. T.) é o Verbo da Vida (v. 8). Cristo é o fim da lei, pois introduz um mandamento melhor Rm 10: 4.

Por que o mandamento de Cristo é descrito como sendo verdadeiro também nos cristãos (em vós)? Visto que o evangelho é verdadeiro em Cristo (a base do evangelho), por ser Ele a palavra da Vida, segue-se que, o Cristão, passa a condição de 'verdadeiro' diante de Deus, pois este é o efeito do evangelho no crente. Em Cristo os cristãos são criados em verdadeira justiça e santidade Ef 4: 24.

Sobre este assunto, verifique o comentário à carta aos Romanos, quando Paulo diz: "Mas, se por causa da minha mentira sobressai a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda julgado como pecador?" Rm 3: 7.

O novo mandamento é verdadeiro 'em Cristo e em vós' porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz. Cristo apregoou novo mandamento que é verdadeiro nele, pois Ele é a luz verdadeira que já bilha entre os homens. Qual o novo mandamento verdadeiro em Cristo? "Novo Mandamento vos dou: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei a vós, assim também deveis amar uns aos outros" Jo 13: 34.

Observe que o mandamento de Deus é duplo: "Ora, o seu mandamento é este, que creiais no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou" I Jo 3: 23.

Somente após passar as trevas e brilhar a verdadeira luz no homem "Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz" (Efésios 5: 8), torna-se possível cumprir o mandamento do Senhor: que nos amemos uns aos outros, ou andar na luz.

Este novo mandamento (amemos uns aos outros) só é verdadeiro em Cristo, ou seja, quem não estiver em Cristo, não se torna verdadeiro simplesmente por ter afeição por seu semelhante. Amar uns aos outros é mandamento verdadeiro para aqueles que são uma nova criatura, ou seja, que estão em Cristo.

As recomendação de lideres religiosos como Maomé, Buda, Confúcio, etc, que recomendam fazer boas ações aos semelhantes, visa alcançar um estado de perfeição, porém, a bíblia demonstra que a perfeição só é possível em Cristo "E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade" (Colossenses 2: 10).

Paulo e João abordam o mesmo tema, porém com uma linguagem diferenciada:

  • Paulo fala de um outro tempo, quando os cristãos eram trevas, mas destaca que agora, em Cristo Jesus, eles são luz Ef 5: 8. João, por sua vez, destaca que o novo mandamento, que ele estava escrevendo, é verdadeiro em Cristo, e nos cristãos I Jo 2: 8.

  • Paulo enfatiza que, a condição de filhos da luz já foi alcançada, porém, os filhos da luz devem andar como filhos da luz, ou seja, ter comportamento de filho da luz. O apóstolo João, após demonstrar a condição dos cristãos através do novo mandamento (I Jo 3: 23), demonstra também que qualquer pessoa que diz estar na luz, mas que odeia o seu irmão  ainda continua em trevas.

Observe que os versículos 9 a 11 deste capítulo tem um alvo fixo, porém, João usa de discrição para não ofender a quem quer que seja. Possivelmente, entre os cristãos, houve alguém que se autodenominava mestre, querendo ensinar os cristãos, e talvez dissesse que João era mentiroso I Jo 2: 22 e 27 ou III Jo 9- 10.

O zelo de João compara-se ao de Paulo, quando utiliza figuradamente a sua pessoa e a de Apolo, para falar das dissensões que havia na igreja de Coríntios I Co 4: 6.

O apóstolo João, além de deixar o seu recado a alguém em específico, acaba por deixar um parâmetro aos cristãos para analisar qual é o seu 'andar' com Cristo. O ódio ao irmão é uma evidência externa de que o interior do homem ainda está em trevas.

O 'estar em trevas' refere-se a condenação do pecado, e o 'andar nas trevas' ao comportamento pernicioso dos que não têm Cristo. Paulo faz referência a estes aspectos ao falar da condição do Cristão em Cristo: "Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito" Gl 5: 25.

O 'estar em trevas' é o mesmo que estar na carne, e o 'andar em trevas' é o mesmo que andar na carne.

Observe que o comportamento do cristão é causa de tropeço para os que estão de fora (para os não cristãos), e até mesmo para os cristãos neófitos. Aqueles que estão na luz e cumpre o mandamento de amar os irmãos, têm em si verdadeiramente aperfeiçoado o amor de Deus I Jo 2: 5. O essencial foi alcançado, o estar em Cristo, e o acessório, comportamento digno da vocação para qual foram chamados, remove qualquer tipo de tropeço aos que observarem o comportamento do cristão.

O ódio ao irmão é um comportamento de que anda em trevas, o que revela a condição real deste homem: estar em trevas I J o 2: 11.

12 Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados. 13 Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai. 14 Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno. .

Ao seus filhos na fé (filhinhos), João demonstra que lhes escreveu por terem sido gerados em Cristo, quando os seus pecados foram perdoados pelo nome de Cristo.

Estes mesmos 'filhinhos' são nomeados 'Pais', porque eles conheceram, ou antes, foram conhecidos pelo Senhor.

Os 'filhinhos' e 'pais', também são nomeados de 'Jovens', por que a malignidade do mundo foi vencida em Cristo.

Perceba que a condição de filhinhos, pais e jovens referem-se aos leitores de João. Estes títulos não fazem referência a idade dos leitores.

Observe que João apresenta os porquês de ter nomeados os cristãos de filhinhos, pais e jovens.

Eles eram filhos por terem conhecido o Pai (v. 14), ou seja, João escreve acerca da mesma matéria que Paulo escreveu aos Gálatas: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?" Gl 4: 4- 9.

Todos quantos conheceram a Cristo reúnem em si a condição de serem pais, pois podem, através do nome de Cristo, sentirem 'as dores de parto' até que Cristo seja formado em outros homens.

Os cristãos são jovens, visto que a palavra de Deus neles está; eles já venceram o maligno, por estarem na força que provem do Senhor: a palavra de Deus que neles estava.

Perceba que os 'filhinhos' não se refere aos novos na fé (neófitos), antes refere-se a todos os que são filhos do apóstolo na fé. Da mesma forma, os pais não se refere ao tempo que os cristãos têm na fé, visto que todos são idôneos em Cristo. Jovens não se refere aos 'fortes' na luta contra o diabo e o mal, antes todos os cristãos são fortes, visto que, ao receber a palavra da vida, todos venceram o maligno, e portanto, são jovens em Cristo.

 

Claudio Crispim

 

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