Observe nestes versículos
seguintes a luta de Paulo como
remetente de uma carta:
(1) Muito trabalho e cansaço, com a finalidade de não viver as custas daqueles
que estavam sendo
evangelizados I Ts 2: 9;
(2) O ministério de evangelismo era cumulativo, junto com o trabalho
secular I Ts 2: 2;
(3) Ele tinha autoridade para evocar estas lembranças;
(4) Pois: foi comissionado
por Deus sendo que o evangelho apregoado não era
de engano, impuro ou com dolo (I Ts 2: 2– 10).
O objetivo de uma carta é
difuso, onde o remetente envia noticias ou esta
sequioso delas; o remetente talvez queira amenizar
saudades; o conteúdo pode ser orientador ou com outras finalidades.
Desta forma é preciso saber qual a pretensão do
remetente da carta para que o interprete abstraia a
idéia principal do escritor. Por exemplo: qual a diferença entre a Primeira e a
Segunda carta escrita aos Tessalonicenses?
Só é possível ver alguma diferença
entre estas duas cartas ao descobrir qual a pretensão do
escritor.
Na primeira carta aos Tessalonicenses, o
apóstolo Paulo tem um tom
saudosista sem aplicar-se à defesa do evangelho I Ts 2: 17. Ele somente se ocupa
em demonstrar que
não se esqueceu dos irmãos I Ts 1: 3, e que a esperança de todos os cristãos são idênticas:
aguardar a volta de cristo I Ts 1: 10.
Paulo aponta qual foi a missão de Timóteo entre
eles I Ts 3. 2, e a única questão doutrinaria abordada foi só uma lembrança do que foi instituído
no Concílio de Jerusalém I Ts 4: 3- 4; At 15: 28- 29.
Paulo dá a entender que os
irmãos desconheciam alguns pontos acerca da esperança futura,
ou seja, a esperança de quem já morreu I Ts 4:
13.
Na II carta aos Tessalonicenses Paulo procura desfazer um engano que surgiu em
decorrência da primeira carta. Quando ele tratou sobre a esperança de quem
partiu com Cristo, exortou aos irmãos que consolassem um aos outros, a quem tivesse um
familiar que houvesse partido com Cristo, falando da esperança futura “Dizemos vos isto
pela palavra do Senhor” I Ts 4: 14- 17.
Esta nova carta tinha o objetivo
de desfazer o
engano causado por alguém que utilizou a Primeira carta de Paulo “Ninguém de
maneira alguma vos engane” II Ts 2: 3a. Paulo demonstra que o ensinado não era para ser
esquecido ou substituindo quando da chegada de uma nova carta.
Por mais que se pretenda expor
uma idéia de maneira completa através de
uma carta, o remetente acaba por utilizar fragmentos de idéias, que, por si só trazem a tona
algumas lembranças
especificas do destinatário da carta, visto que, já tivera
um contato com a idéia em questão.
Quem lê as cartas de Paulo deve
ter em mente que ele não estava evangelizando por carta, pois isso ele
já tinha feito pessoalmente em muitas igrejas “... para vos falar o evangelho de Deus, no meio de grande
combate (...) enquanto vos pregamos o evangelho” I Ts 2: 2 e 9.
As cartas contêm o evangelho
fragmentado em seus vários aspectos, ou seja, não
encontramos todas as doutrinas abordadas
sistematicamente em uma única carta.
O evangelho em sua plenitude somente
é possível
alcançar se o leitor da bíblia analisá-la como um todo. É preciso ler o Antigo Testamento,
os evangelhos e as cartas do Novo Testamento para se chegar ao evangelho que foi pregado pessoalmente
aos cristãos primitivos.
Quem escreve uma carta, como foi o caso do apóstolo Paulo, tem o objetivo
de alcançar contemporâneos, e não pessoas além de sua época, e por isso,
não havia a necessidade dele ficar explicando o sentido exato das palavras utilizadas.
Aliado a isto, temos que o
evangelho era um tema de conhecimento comum entre os cristãos
instruídos pelos apóstolos.
Na antiguidade não havia as facilidades e meios para a escrita como
possuímos hoje. Como conseqüência direta a esta escassez de meios, os apóstolos utilizaram uma linguagem sintética,
sem ser prolixo, rica em figuras e exemplos e de poucas palavras. Era necessário
aos apóstolos escrever pouco e dizer muito.
Com estas idéias básicas, podemos, com a ajuda do Espírito Santo de Deus,
buscar os sentidos mais profundos contidos nas escrituras sagradas.
Aplicação Prática
Os conceitos desenvolvidos apresentam
conceitos essenciais sobre como interpretar uma carta, e por isso, demonstraremos como
observar estar regras aos ler as cartas de Paulo, e como tirar um melhor
proveito da leitura.
A carta aos Colossenses será
alvo de uma análise, levando-se em conta o que vimos
anteriormente.
A epístola do apóstolo Paulo aos Colossenses foi escrita em um
momento crucial para o evangelho. Momento este caracterizado pela rápida
expansão do evangelho no mundo à época e pela introdução de heresias e
conceitos errôneos nas igrejas.
Com a rápida expansão do evangelho não havia como o apóstolo
visitar todas comunidades evangélicas.
Muitas regiões, nem mesmo haviam visto o apóstolo,
e este é o caso da igreja de Colossos.
Por não conhecerem a pessoa de Paulo, muitos
cristãos não sabiam da intensa luta
do apóstolo em defesa do evangelho, e nesta carta, o apóstolo destaca o seu
cuidado em preserva a fé dos cristãos intocada por
ventos de doutrinas. Paulo demonstra como ele estava
envolvido na batalha em defesa do evangelho.
Em outras comunidades que Paulo fundou ou
visitou, ele lançou mão de sua autoridade de pai na fé ao ensinar e exortar os
cristãos. Entretanto, por
não ter esta autoridade pessoal diante dos cristãos de colossenses, ele lembra
aos irmãos que o evangelho chegou até eles através de Epafras, um dos
filhos de Paulo na fé.
Paulo, no início da carta, demonstra que o evangelho que ele
estava defendendo havia sido ensinado por Epafras. Mas, quem era Epafras? Segundo
Paulo, Epafras é descrito como:
-
Conservo: Paulo demonstra que Epafras tinha os mesmos encargos que
ele e Timóteo. Todos eles eram servos de Cristo. Tanto Paulo quanto Epafras
estavam sujeitos a um mesmo Senhor.
-
Fiel ministro: Paulo reconhece que em favor dos colossenses,
Epafras executava o seu trabalho fidedignamente.
O evangelho havia sido levado aos
Colossenses por intermédio
de Epafras. O evangelho que Paulo anunciou que estava se expandindo pelo mundo de então, era o
mesmo evangelho que Epafras tinha ensinado àquela igreja.
Ao escrever, Paulo tinha pleno conhecimento
de que:
Que somente estaria relembrando
aquilo que os irmãos já conheciam
“...aprendestes isto com Epafras...” Cl 1.7a;
O que podemos concluir com a introdução desta epístola?
Que a carta de Paulo aos
cristãos de Colossos é uma alerta, trazendo
à lembrança dos leitores muito do que foi ensinado por Epafras. Paulo desejava aumentar
o cuidado daqueles irmãos, para que não fossem
enganados.
Ao fazermos uma interpretação dos argumentos apresentados na
epístola aos Colossenses devemos ter em mente que:
-
O apóstolo Paulo não estava ensinando os conceitos
rudimentares do evangelho
aos Colossenses;
-
Que
a carta é uma defesa do evangelho, ou seja, daquilo que eles
já conheciam através de Epafras;
-
Que não há nada de novo concernente ao
evangelho. Paulo não acrescentou nada novo à doutrina do evangelho;
-
N
esta defesa Paulo utiliza uma linguagem peculiar, que somente
os cristãos que haviam aprendido o evangelho de uma fonte
sadia compreenderiam.
Mesmo não conhecendo os irmão da igreja em Colossos, Paulo
tinha recebido notícias a respeito da atitude de fé de seus membros. “...desde
que ouvimos falar da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com
todos os santos...”; “... e que também nos declarou o vosso amor no Espírito” Cl
1: 4 e 8.
Por conhecer Epafras, ele sabia
o grau de conhecimento do evangelho que os cristãos
de Colossos possuíam. Ou melhor, Paulo sabia que o
conhecimento que Epafras passou aos cristãos era o
evangelho genuíno.
A carta é direcionada à igreja, e portanto, a uma coletividade.
Ela apresenta argumentos que engloba as igrejas ao
longo dos tempos, tanto que a carta deveria ser lida também entre os
irmãos da igreja de Laodicéia Cl 4: 16.
Como perceber que nas cartas de Paulo temos fragmentos do
evangelho, e não um evangelho sistematizado como encontramos nos livros de
teologia?
Em várias passagens Paulo faz referência ao evangelho na sua
totalidade. Ex: “.. da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do
evangelho...” Cl 1: 5; “ em todo mundo este evangelho vai frutificando” Cl 1: 6;
“...do evangelho que ouvistes..” Cl 1: 23.
Entretanto, em suas cartas só foi
possível demonstras alguns aspectos do evangelho, ou os pontos mais relevantes,
trazendo à lembrança dos leitores toda uma verdade anunciada anteriormente, como bem fica descrito na
carta aos Corinto. “Ora, irmãos, desejo lembrar-vos o evangelho que já vos
tenho anunciado...” I Co 15: 1.
Certa feita o apóstolo Paulo teve a oportunidade de falar do
evangelho ao governador Félix e a sua mulher, Drusila. Paulo, naquela
oportunidade, só conseguiu falar sobre a justiça, o domínio próprio e o juízo
vindouro At 24: 25, momento em que foi interrompido pelo governador.
Daí conclui-se que em suas cartas Paulo não faz uma exposição
completa do evangelho, antes trás a lume o que era de maior relevância a ser
preservado na memória dos leitores: não esquecerem do que haviam ouvido e
aprendido através dos apóstolos I Co 1: 23.
De todas estas características presentes em uma carta, a mais
importante é a linguagem utilizada para transmitir o conhecimento do evangelho.
Isto veremos a seguir.
Claudio Crispim