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Como Interpretar as Carta da Bíblia

 

  • Como Interpretar uma Carta

  • Os Destinatários

  • O Remetente

  • Aplicação Prática

  • O Ensino

  • Uma Linguagem Própria

  • Comparando as Cartas

  • Abordagem Histórica das Transformações Lingüísticas

 

 

 

Como Interpretar uma Carta

 

“Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou também reconheceis; e espero que até o fim as reconhecereis...” II Co 1: 13.

 

Destacaremos vários parâmetros importantes e necessários para uma boa interpretação das cartas bíblicas.

 

Este estudo é progressivo para que o leitor possa acompanhar o raciocínio, e que, ao final da leitura, tenha meios para desenvolver uma leitura mais proveitosa dos textos bíblicos.

 

Os parâmetros aqui destacados diferem um pouco daqueles utilizados na interpretação de textos históricos, literários, científicos, etc.  

 

Destacaremos os pontos primordiais a serem observados quando da leitura de uma carta, principalmente porque o Novo Testamento é composto em sua maioria em cartas.

 

 

O Destinatário

 

O primeiro ponto a ser identificado em uma carta é o destinatário, ou seja, para quem a carta foi escrita. Parte da interpretação depende muito desta identificação prévia.

 

Em um livro não temos a figura do destinatário, antes o seu público alvo é determinado pelo tema que aborda. Porém, uma carta possui um publico alvo específico e restrito, delimitado pelo próprio remetente. Por isso é de suma importância identificar os destinatários da carta.

 

Quando se identifica o destinatário de uma carta, isto facilita as pesquisas históricas, socioeconômica, políticas e sociológicas na qual o receptor da mensagem que a carta contém esta inserido.

 

Todas as cartas do Novo Testamento têm uma característica em comum: os destinatários das cartas eram cristãos.

 

Uma vez que as cartas do Novo Testamento foram destinadas a um público cristão, elas não apresentam uma mensagem evangelística de per si, antes, elas foram escritas para trazer à lembrança dos destinatários alguns aspectos da mensagem do evangelho, ou fazer uma defesa do evangelho.

 

Isto porque os destinatários das cartas do Novo Testamento já eram conhecedores do evangelho, e a função precípua das cartas eram trazer a lembrança dos cristãos o que eles já conheciam “Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou também reconheceis; e espero que até o fim as reconhecereis...”  II Co 1- 13.

 

Através deste verso fica claro que Paulo não queria que os cristãos de Coríntios não esquecessem o que aprenderam. Ou seja, as cartas do N. T. não são evangelística. Elas não foram escritas com o fito de ensinar o evangelho.

 

Uma carta pode ter desde um destinatário ou vários destinatários. Com relação as cartas bíblicas o público alvo é pré-determinado, e estes por sua vez cristãos.

 

A carta aos Romanos foi direcionada a uma coletividade de cristãos “Paulo, servo (...) a todos que estais em Roma, amados de Deus...” Rm 1 1-7, da mesma forma que a carta aos Coríntios “Paulo, (...) à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo...” I Co 1: 1-2.

 

Já a carta de Timóteo é pessoal, e direcionada a uma única pessoa, Timóteo:  “Paulo (...) a Timóteo meu verdadeiro filho...” I Tm 1. 2.

 

Dentre os cristãos que receberiam as cartas dos apóstolos tinha uma grande variedade de conceitos a serem relembrados, e que, por sua vez, influenciou os escritores das cartas.

 

Dentre estes agentes influenciadores destacam-se os seguintes:

 

·    Uma carta destinada à igreja ou a uma coletividade – Ex: Carta aos Romanos e carta aos Efésios;

·    Uma carta destinada a um irmão ou a um indivíduo – Ex: Carta a Filemom; Carta a Timóteo;

·        Carta destinada a quem tinha o dever de cuidar de uma coletividade – Ex: As cartas a Timóteo e Tito;

·       Nas cartas destinadas à igreja ou a coletividade observa-se o cuidado do escritor em demonstrar que todo e qualquer ser humano, independente de raça, condição social ou sexo torna-se um só povo em Cristo “Desta forma não há judeu nem grego, não há servo nem livre, não há macho nem fêmea, pois todos vos sois um em Cristo” Gl 3. 29;

 

 

Claudio Crispim

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