Esta é uma pergunta complexa
e não há como respondê-la a
contento com um simples ‘sim’ ou ‘não’.
Se
a pergunta fosse: “Deus imutável muda?”,
a resposta seria
simples: Não! Ou seja, Deus é imutável por natureza.
Deus santo é santo
pela eternidade! Deus poderoso é poderoso por toda eternidade. Ele é eterno e
sempre será eterno. Ele é santo e jamais oprimirá alguém. Ele é
justo e jamais cometerá injustiça. Os atributos da
divindade não são passiveis de mudança.
Para a pergunta
simples: "Deus imutável muda?", a resposta é simples: Não!
No entanto, a pergunta: 'Deus imutável muda de
decisão?' é complexa e a resposta também. Ou seja, não é possível respondê-la
com um simples 'sim', ou um 'não'.
Somente após analisar os elementos que compõe a pergunta
será possível ao leitor concluir porque a pergunta é descabida. Esta
pergunta relaciona dois elementos distintos sobre a divindade: a) a
natureza imutável de Deus, e; b) as
decisões de Deus, o que torna
complexa a resposta.
a)
Sobre a natureza de Deus sabemos através da
bíblia que Ele é imutável. Estamos
falando especificamente da natureza divina. Deus não muda, pois Ele sempre foi e será onipresente,
onipotente, onisciente, verdadeiro, santo, etc. Quanto à natureza divina são
estes elementos que o torna único! Não há outro ser que um só destes
atributos faça parte de sua essência
"Toda boa dádiva e todo dom perfeito são
lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de
mudança" Tg
1: 17.
É sobre estes atributos que Tiago fez alusão neste versículo!
b)Se alguém perguntar: “Há alguma possibilidade
de Deus mudar em sua essência?” A resposta sempre será negativa! Deus é
Espírito Eterno, Criador e não criatura. Da mesma forma que as criaturas de Deus
não podem mudar a sua própria natureza, o Criador não muda em sua essência. Como
não há ninguém acima de Deus que possa promover uma mudança em sua natureza, pela eternidade não haverá mudança em sua
essência.
Voltemos a pergunta
feita. "Deus imutável muda de decisão?" possui um pequeno entrave! Ela
contém uma afirmação sobre à natureza divina (Deus imutável...), e uma pergunta
de cunho comportamental (... muda de decisão?).
Ou seja, a pergunta procura conciliar
uma afirmação sobre a natureza de Deus (imutável), e se Ele pode
mudar de decisão (comportamento).
Por tentar conciliar em uma só pergunta
elementos diferentes a resposta é complexa, e não é possível
respondê-la com um simples 'sim', ou um 'não'. Já dissemos: 'Deus imutável pode mudar?',
a resposta é: não!.
Da mesma forma
que a pergunta anterior, temos: Deus onisciente poderia não conhecer alguma coisa? A resposta também
é 'Não'! Há alguma coisa impossível para Deus? Não!
Mas, diante da
pergunta: 'Deus imutável muda de decisão?', a resposta imediata é: depende!
Para responder a pergunta é preciso
considerar que:
1º) Deus imutável é conhecedor de todas as coisas e nunca mudou
os seus propósitos, e;
2º) Deus imutável é conhecedor de todas as coisas e também
decide segundo as circunstâncias.
É
preciso muito cuidado ao
formular perguntas! Veja a seguinte pergunta de um agnóstico: “Pode Deus
todo poderoso criar uma pedra que nem ele mesmo possa levantar?”.
A pergunta é
contraditória em si mesma! De quanto 'poder' seria necessário? A questão deste
agnóstico tenta colocar o poder de Deus em contradição (choque) com a sua força.
A bíblia
é clara: Deus não pode negar a si mesmo! Porém, Deus pode mudar de
decisões! Observe:
“Então,
se arrependeu
o SENHOR do mal que dissera havia de fazer ao povo. E,
voltando-se, desceu Moisés do monte com as duas tábuas do
Testemunho nas mãos, tábuas escritas de ambos os lados; de um e
de outro lado estavam escritas"
Ex 32: 9- 15.
-
O propósito imutável em Deus – Deus deseja que todos se salvem e que
venham ao conhecimento da verdade
“...o qual deseja que todos os homens
sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” I Tm 2: 4. Este é um propósito imutável em Deus!
Antes mesmo da fundação do mundo Deus providenciou o Cordeiro (Cristo), o qual foi morto
e entregue por toda a humanidade. Na questão relativo à salvação dos
homens Deus é imutável em seu propósito! Ele é poderoso em salvar, quer salvar
e efetua a salvação dos homens Fl 2: 13;
-
O comportamento de Deus – Deus comporta-se em conformidade com a sua
santidade, justiça e amor. Através destes atributos eternos e imutáveis Deus
relaciona-se com suas criaturas. Deus é santo e não compactua com o mal; Deus
é santo e não oprime ninguém; Deus tem todas as criaturas como objeto do
seu amor, mas a ninguém favorece; ao culpado Deus não toma por inocente; Ele não faz
acepção de pessoas, etc;
-
Deus soberano e o livre arbítrio
– parece conflitante Soberania X
Livre arbítrio, no entanto, em Deus não há contradição alguma em criar criaturas
livres para tomarem decisões. É por isso que os serafins
louvam a Deus, o Senhor dos Exércitos com um coro de Santo, Santo, Santo, em lugar de o
louvarem como Poderoso. Ou seja, Deus Todo Poderoso não utiliza o seu poder para
oprimir ou obrigar que as suas criaturas o sirvam;
-
Deus altera as suas decisões quando age segundo o seu amor e justiça – O
propósito imutável de Deus é quanto a salvação. Por meio do seu amor Deus propõe
vida àqueles que diante da Sua justiça estão mortos (em delitos e pecados). Deus
age e comporta-se segundo estes três atributos. Deus em amor oferece
oportunidade impar de salvação; mas, quanto a sua justiça, o mesmo pecador
que é alvo do seu amor, caso não se arrependa, receberá de Deus o que estipula a
sua retidão;
-
Deus relaciona-se com as suas criaturas – Com Adão Deus procurou
estabelecer uma relação pautada na confiança mútua; com os seus servos, ele
procura relacionar-se não como Senhor e servo, antes como amigos. Por isso
Abraão foi chamado amigo de Deus! Jesus deixou isto bem claro:
“Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o
que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto
ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer” Jo 15: 15.
Quando Deus conversou com Moisés no cume do monte, não foi uma conversa de
divindade e adorador, antes uma conversa entre amigos. Pautado em uma relação de
confiança Deus conversa com o seu amigo esclarecendo-lhes o que haveriam de
fazer;
-
As suas criaturas precisam conhecê-lo –
Deus quis revelar-se as suas
criaturas (e se revelou), tanto que se fez homem e habitou entre nós. Deus
demonstra que é imutável quanto a sua natureza, mas demonstra-se flexível quanto
as suas decisões! As decisões de Deus frente as suas criaturas são
condicionadas, e não inflexíveis. Quando o homem arrepender-se, ele perdoa e
restaura; Quando o homem é de dura cerviz, receberá o que é concernente a justiça
e retidão divina. As decisões de Deus são condicionadas à
natureza de suas criaturas. No
entanto, estas decisões são imutáveis: diante do culpado ele é imutável segundo
a sua essência: Não terá o culpado por inocente! Diante do inocente, é
impossível Deus mudar e condená-lo: Deus não terá o inocente por culpado!
-
Deus e Moisés – Deus relaciona-se com as suas criaturas e quer que
O conheçam e também conheçam os seus propósitos, pois Ele deseja nos chamar de amigos.
Quando Deus disse a Moisés: “Agora,
pois, deixa-me, para que o meu furor se acenda contra eles, e os consuma” Ex 32:
10, Ele estava dando a conhecer qual era a sua decisão diante de um
povo culpado! Se o povo não houvesse pecado, estranho seria Deus avisar Moisés
que haveria de destruir o povo. Se Deus agisse contrário a sua justiça, ai sim,
haveria uma mudança quanto a sua natureza; Ele não seria imutável. Mas, quando
Deus deu a conhecer a sua justiça, Moisés clamou por misericórdia, e Deus passou
a agir segundo o seu propósito Eterno:
“Ele é
longânime para convosco, não querendo que
ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se” II Pe
3: 9. Moisés já havia
experimentado a longanimidade de Deus no início de sua vida com Deus quando ele
não circuncidou o seu filho conforme Deus ordenara. Ele poderia ter sido destruído
instantaneamente, porém, Deus foi longânime
com Moisés. Deus imutável não mudou, antes passou a agir segundo o seu propósito
eterno: “...ignorando que
a bondade de Deus te leva ao arrependimento?” Rm
2: 4. Deus em momento algum mudou! Ele sempre agirá segundo o seu
propósito Eterno: salvar o pecador. Frente à intercessão de Moisés, Deus
demonstra a sua bondade e concede o desejo de Moisés. Nisto está à imutabilidade
de Deus: “Aquele que
pecar contra mim, a este riscarei do meu livro” Ex 32:
33, mas aquele que arrepender dos seus
conceitos, verá a bondade do Senhor Rm 2: 4;
-
Deus é imutável quanto ao que propôs fazer na eternidade
-
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”
Gn 1: 26.
Deus propôs fazer o homem, e isto não mudou. Deus propôs salvar o homem, e
nem mesmo a necessidade de oferecer o seu Filho em sacrifício foi empecilho
para por em prática a salvação dos homens. Para que o homem entenda que os
propósitos de Deus são firmes N’Ele, por várias vezes
Ele comunicou a sua vontade segundo a sua justiça ao povo: Vou destruir o
povo caso não se arrependam, mas, caso o homem coloque a sua casa em ordem, será
salvo, etc.
Segundo a justiça de Deus, um povo de dura servis seria destruído, mas, segundo o seu amor, ele
retarda a sua ira para que os homens venham ao conhecimento da verdade:
"Disse
mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto este povo, e eis que é povo de dura cerviz.
Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os
consuma; e de ti farei uma grande nação. Porém Moisés suplicou ao SENHOR, seu
Deus, e disse: Por que se acende, SENHOR, a tua ira contra o teu povo, que
tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão?”
Ex 32: 9- 11.
Enquanto Moises estava
com Deus, ele estava
cheio de compaixão. Mas, ao descer do monte e deparar-se com o que Deus conhecia
plenamente, irou-se e passou a realizar o que Deus havia dito que faria:
“Passai e tornai pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão” Ex
32: 27.
Depois Moisés apresenta-se diante
de Deus é intercede: “Agora, peço-te, perdoa o seu pecado; ou,
se não, risca-me do livro que escreveste” Ex 32: 32.
Diante deste pedido não há uma
mudança na essência de Deus, visto que, quanto as suas decisões frente as suas
criaturas, não consentiu com Moisés. Antes, disse:
“Aquele que pecar contra mim,
a este riscarei do meu livro” (v. 33). Ou seja, nunca
Deus riscaria o nome de Moisés por causa do pecado do povo.
Talvez Moisés não tenha
percebido, mas ele pediu o impossível! Ele pediu que Deus imutável (que não toma
o culpado por inocente), mudasse a sua maneira de agir com as suas criaturas
(condenando Moisés, um inocente, em lugar de um povo culpado).
Diante destes vários aspectos
podemos afirmar: Deus não muda em sua essência, mas decide de maneira diferente
frente à conduta de suas criaturas! O Eterno não pode morrer! O imutável não
pode mudar. Mas o imutável pode decidir de maneira diferente frente ao culpado e ao inocente.
Por
não entenderem estes textos bíblicos sobre o arrependimento de Deus
é que muitos questionam a imutabilidade de
Deus. Mas, quando
Deus realiza um milagre, porventura ele não muda?
Há leis pré-estabelecidas segundo
o eterno poder de Deus, mas não questionamos quando Ele invalida estas leis para fazer um
milagre as suas criaturas! Quando o tempo parou na batalha travada por Josué,
Deus não estava alterando as suas leis?
Se Deus não fosse flexível quanto
as suas decisões, ai sim, existiria destino, predestinação, etc.
O que vemos
através desta análise? Deus é imutável na
sua essência, mas ao culpado não tem por inocente. Isto demonstra por si só que
Deus é flexível com suas criaturas, porém, Ele não muda em sua natureza: Ele é
santo, justo e bom, mas também é fogo consumidor para aqueles que provocam a
sua ira.
Deus imutável trata o culpado de
uma maneira e o inocente de outra. Por isso, quando a bíblia diz que Deus
arrependeu-se do mal que havia intentado, simplesmente a bíblia
utilizou um conceito humano (linguagem) para descrever a maneira que
Deus tratou aquele caso específico Ex 32: 14.
Frente ao pecado Deus agiria com retidão e justiça na decisão de
destruir o povo. Após a intercessão de Moisés, Deus longânime
concedeu ao povo outra grande oportunidade de salvação. Porém, o
tempo passou, e Moisés também, e todo o povo pereceu no deserto.