A Carta de Paulo aos

Gálatas

 

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Capítulo III (v. 8- 14)

 

A Primeira Pregação da Fé

 

8 Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.

Paulo refere-se ao Antigo Testamento como sendo a Escritura.

Neste versículo ele faz referência ao livro de Gênesis, quando Deus diz: "...e em ti serão benditas todas as famílias da terra" Gn 12: 3. Este versículo é uma profecia acerca da justificação pela fé que seria concedida aos gentios, e que agora, através da igreja estava se cumprindo.

Por que o que Deus anunciou a Abraão era o evangelho? Porque a mensagem de Deus a Abrão é idêntica, em substância, ao evangelho do Novo Testamento:

a) É promessa de Deus;

b) A promessa independe da circuncisão;

c) Alcançada pela fé;

d) Todos morrem na fé, e passam a viver para Deus;

e) Decorre do poder e da fidelidade de Deus;

f) Abraão julgou que Deus era poderoso para, até dentre os mortos, trazer o seu descendente.

Todos estes elementos são apresentado no evangelho ao crente. O evangelho é promessa de Deus a todos que creem, sem distinção alguma quanto a origem e condições sociais. Por meio da fé todos morrem e ressurgem com base no poder e fidelidade de Deus, poder este que fez Cristo ressurgir dentre os mortos, e que opera nos cristãos Ef 2: 19- 20.

Todas as nações são benditas em Abraão por causa do descendente, que é Cristo Gn 3. 15.

Se os judaizantes entendessem a 'linguagem' de Jesus e cressem somente no descendente, ai sim, eles seriam de fato livres e filhos de Abraão (filhos de Deus) Jo 8. 43.

 

9 De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão.

Deus não faz acepção de pessoas: se Abraão foi justificado por meio da fé em Deus, todos aqueles que crerem na promessa divina, estarão debaixo da mesma bem-aventurança: serão benditos conforme o pai Abraão, ou seja, são igualmente justificados.

 

10 Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.

Aqueles que se diziam cristãos, mas que transtornavam o evangelho de Cristo ao fazerem referência a elementos da lei para alcançar a salvação, permaneciam sob maldição.

Estes não atinavam que a natureza da lei é diversa da natureza humana sem Deus: a lei é espiritual e o homem é carnal. Esqueciam que é impossível cumprir a lei, uma vez que o não cumprimento de um único quesito, torna o homem culpado de toda a lei.

Para ser justificado por meio da lei, o homem necessariamente deveria cumprir todas as coisas estipuladas na lei. Os judaizantes esqueciam que na lei não há promessas de bênçãos, antes, faz referência à maldição para quem não cumpri-la.

Como já demonstramos anteriormente, na lei é preciso ao homem realizar. Na fé, é Deus que se propõe realizar, e recomenda ao homem descansar nele.

 

11 E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé.

Por que Paulo alega que é evidente que ninguém pode ser justificado pela lei, e cita um verso de Habacuque?

“O justo viverá da fé” Hb 2. 4.

O versículo retirado do Livro de Habacuque demonstra que não há como ser justo à parte da vida que se alcança por meio da fé. A condição de justo é proveniente da vida e comunhão com Deus.

Observe que a condição de justo é invariável, conforme se lê: "Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito" (Provérbios 4: 18). O que sofre transformação é a vereda do justo, e não a sua condição. O que se compara à luz da aurora é o caminho do justo, e não a sua condição.

Segue-se que, para ser justo o homem, necessariamente, precisa nascer de novo: após regenerado o novo homem que surge em Cristo é declarado justo, ou seja, é justificado!

A justificação fala da declaração que o homem recebe de Deus. Tal declaração só é  concedida após a regeneração, sendo que, só o novo homem criado em Cristo recebe tal declaração.

A justiça de Deus se alcança pela fé, visto que, para ser justo, há a necessidade do novo nascimento, e a partir do novo nascimento é que o justo passa a  viver.

 

12 Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá.

A lei impõe obrigações, a fé promessa. Esta é só esperar que se alcança, enquanto aquela depende do homem cumprir todas as determinações. Se o homem fizer o que a lei diz, pela lei terá vida – o que é impossível, visto que a lei estava enferma pela carne Rm 8. 3.

Se o homem crer em Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos, este passará a ter vida, ou seja, viverá da fé.           

 

13 Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;

Cristo ao morrer na cruz (pendurado no madeiro) tomou sobre si a nossa maldição, e se fez maldição por nós. O resgate da humanidade se deu através da entrega de Cristo.

Aquele que é sem pecado cumpriu a lei e ao assumir a condição de maldito, estabeleceu um novo e vivo caminho de acesso dos homens a Deus: adquirimos em Cristo a condição de bem-aventurados prometido a Abraão.

Cristo nos resgatou com um objetivo bem definido:

 

14 Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito.

A entrega de Cristo foi necessária para que a bênção de Deus prometida a Abraão pudesse chegar aos gentios. Da mesma forma que Abraão recebeu a promessa por meio da fé e também a justificação, pela fé o cristãos recebem a promessa do Espírito, que Deus prometeu a Abraão acerca do descendente.

 

 

Claudio Crispim

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