8 Ora, tendo a
Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios,
anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações
serão benditas em ti.
Paulo refere-se ao Antigo Testamento como sendo a
Escritura.
Neste versículo ele faz referência ao livro de
Gênesis, quando Deus diz: "...e em ti serão benditas todas as famílias da terra"
Gn 12: 3. Este versículo é uma profecia acerca da justificação pela fé que seria
concedida aos gentios, e que agora, através da igreja estava se cumprindo.
Por que o que Deus anunciou a Abraão era o
evangelho? Porque a mensagem de Deus a Abrão é idêntica, em substância, ao
evangelho do Novo Testamento:
a) É promessa de Deus;
b) A promessa independe da
circuncisão;
c) Alcançada pela fé;
d) Todos morrem na fé, e passam a
viver para Deus;
e) Decorre do poder e da
fidelidade de Deus;
f) Abraão julgou que Deus era
poderoso para, até dentre os mortos, trazer o seu descendente.
Todos estes elementos são apresentado
no evangelho ao crente. O evangelho é promessa de Deus a todos que
creem, sem distinção alguma quanto a origem e condições sociais.
Por meio da fé todos morrem e ressurgem com base no poder e
fidelidade de Deus, poder este que fez Cristo ressurgir dentre os
mortos, e que opera nos cristãos Ef 2: 19- 20.
Todas as nações são benditas em Abraão por causa
do descendente, que é Cristo Gn 3. 15.
Se os judaizantes entendessem a 'linguagem' de Jesus e cressem
somente no
descendente, ai sim, eles seriam de fato livres e filhos de Abraão (filhos de
Deus) Jo 8. 43.
9 De sorte que os
que são da fé são benditos com o crente Abraão.
Deus não faz acepção de pessoas: se Abraão foi
justificado por meio da fé em Deus, todos aqueles que crerem na
promessa divina, estarão debaixo da mesma bem-aventurança: serão benditos
conforme o pai Abraão, ou seja, são igualmente justificados.
10 Todos aqueles,
pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque
está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as
coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.
Aqueles que se diziam cristãos, mas que
transtornavam o evangelho de Cristo ao fazerem referência a elementos da lei
para alcançar a salvação, permaneciam sob maldição.
Estes não atinavam que a natureza da
lei é diversa da natureza humana sem Deus: a lei é espiritual e o
homem é carnal. Esqueciam que é impossível cumprir a lei, uma vez
que o não cumprimento de um único quesito, torna o homem culpado de toda a lei.
Para ser justificado por meio da lei, o homem necessariamente
deveria cumprir todas as coisas estipuladas na lei. Os judaizantes esqueciam que
na lei não há promessas de bênçãos, antes, faz referência à maldição para quem
não cumpri-la.
Como já demonstramos anteriormente, na lei é
preciso ao homem realizar. Na fé, é Deus que se propõe realizar, e recomenda ao
homem descansar nele.
11 E é evidente que
pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo
viverá da fé.
Por que Paulo alega que é evidente que ninguém pode ser justificado pela lei,
e
cita um verso de Habacuque?
“O justo
viverá da fé” Hb 2. 4.
O versículo retirado do Livro de Habacuque demonstra que não há como ser justo
à parte da
vida que se alcança por meio da fé. A condição de justo é proveniente da vida e
comunhão com Deus.
Observe que a condição de justo é invariável,
conforme se lê: "Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai
brilhando mais e mais até ser dia perfeito" (Provérbios 4: 18). O que sofre
transformação é a vereda do justo, e não a sua condição. O que se compara à luz
da aurora é o caminho do justo, e não a sua condição.
Segue-se que, para ser justo o homem,
necessariamente, precisa nascer de novo: após regenerado o novo homem que surge
em Cristo é declarado
justo, ou seja, é justificado!
A justificação fala da declaração que o homem recebe de Deus. Tal declaração só
é concedida após a regeneração, sendo que, só o novo homem criado em Cristo recebe tal declaração.
A justiça de Deus se alcança pela fé, visto que, para ser justo, há a necessidade
do novo nascimento, e a partir do novo nascimento é que o
justo passa a viver.
12 Ora, a lei não é
da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá.
A lei impõe obrigações, a fé promessa. Esta é só esperar que se alcança,
enquanto aquela depende do homem cumprir todas as determinações. Se
o homem fizer o que a lei diz, pela lei terá vida – o que é impossível, visto
que a lei estava enferma pela carne Rm 8. 3.
Se o homem crer em Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos,
este passará a ter vida, ou seja, viverá da fé.
13 Cristo nos
resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque
está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;
Cristo ao morrer na cruz (pendurado no madeiro) tomou sobre si a nossa maldição, e se
fez maldição por nós. O resgate da humanidade se deu através da entrega de
Cristo.
Aquele que é sem pecado cumpriu a lei
e ao assumir a condição de maldito, estabeleceu um novo
e vivo caminho de acesso dos homens a Deus: adquirimos em Cristo a
condição de bem-aventurados prometido a Abraão.
Cristo
nos resgatou com um objetivo bem definido:
14 Para que a
bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que
pela fé nós recebamos a promessa do Espírito.
A entrega de Cristo foi necessária para que a
bênção de Deus prometida a Abraão pudesse chegar aos gentios. Da
mesma forma que Abraão recebeu a promessa por meio da fé e também a
justificação, pela fé o cristãos recebem a promessa do Espírito, que Deus prometeu a Abraão acerca do
descendente.