22 Mas a Escritura
encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em
Jesus Cristo fosse dada aos crentes.
A escritura aqui se refere ao Antigo Testamento, visto que, quando
Paulo escreveu esta carta, os evangelhos e as cartas dos apóstolos ainda não
pertenciam a Escritura como hoje entendemos.
Observe que não foi a lei que encerrou a
humanidade debaixo do pecado, e sim, a Escritura. A lei somente evidencia qual é
a natureza do homem.
Há vários versículos no Antigo Testamento que demonstram que todos
os homens estão debaixo do pecado, como o apóstolo Paulo demonstra aos cristãos
em Roma Rm 3. 11- 18.
A promessa acerca do descendente, feita a Abraão,
é concedida àqueles que crêem. Todos os homens estavam presos ao pecado, e por
isso, malditos. Os que têm fé em Cristo livram-se da maldição, tornando-se
benditos como o crente Abraão, pois a promessa diz: "...em tua descendência
serão benditas todas as nações da terra..." Gn 22: 18.
Quando a Escritura diz que na
descendência de Abraão as nações haveriam de ser benditas,
demonstra que, antes do Descendente, todos eram malditos por causa
do pecado.
23 Mas, antes que a
fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para
aquela fé que se havia de manifestar.
Antes que Cristo se
manifestasse, os homem de Israel estavam guardados pelo curador, ou
tutor, que é a lei. Mas, não deviam confiar no tutor (lei), como se ele
pudesse dar a herança (justificar), antes, deveriam crer, como o crente Abraão, e
esperar o tempo determinado pelo Pai, confiando em Deus que
prometeu. A promessa somente cumprir-se-ia, na plenitude dos tempos,
com a vindo do Descendente.
Agora que foi
manifesto aos homens a graça de Deus por intermédio do evangelho, o
homem não pode permanecer debaixo da lei, antes deve tomar posse do
que foi proposto pela fé.
24 De maneira que a
lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé
fôssemos justificados.
Paulo demonstra a utilidade da lei: levar
os homens a
Jesus, aquele que tem poder para justificar o homem.
Pela fé o homem é
justificado, e a função da lei deixou de existir. Não é mais preciso
manter-se guiado pelo 'aio', uma vez que já alcançamos o
descendente.
25 Mas, depois que
veio a fé, já não estamos debaixo de aio.
Após a chegada da fé, não há lugar
para a lei, visto que a fé promove a promessa, que é anterior à
lei.
Paulo passa a tratar
da nova condição dos cristãos, ao dizer: "...já não estamos debaixo
de aio". Tanto Paulo quanto os cristãos da Galácia não precisavam da
lei.
26 Porque todos
sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.
Este verso complementa o anterior: "Mas, depois
que veio a fé, já não estamos debaixo de aio, porque todos sois filhos de Deus
pela fé em Cristo". O verso 26 é o motivo pelo qual os cristãos não mais estavam
debaixo da lei.
Os judaizantes acreditavam ter alcançado a filiação divina por
serem descendentes de Abraão, que a entrega da lei tornava-os diferentes diante
de Deus, ou que Deus tinha-os em preferência aos gentios.
Paulo enfatiza
que a lei não tinha razão de ser na vida dos cristãos, uma vez que todos eram filhos de Deus, por estarem unidos ao descendente
(Cristo) de
Abraão. Em Cristo os cristãos são idôneos para participar da herança dos santos,
e não necessita de curador Cl 1: 12.
Mesmo após Abraão ser justificado por Deus por
intermédio da fé, os seus filhos segundo a carne não eram provenientes de Deus.
Eles continuaram a ser gerados segundo a carne, da vontade do varão e da vontade
da carne Jo 1: 13, e portanto, os descendentes de Abraão não eram e não são
filhos de Deus.
A promessa de se tornar filho de Deus somente
tornou-se possível através do descendente, que é Cristo. Somente Ele pode levar muitos filhos a Deus. (vide comentário sobre a Regeneração). Por meio da fé o homem alcança a filiação divina.
27 Porque todos
quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo.
Paulo demonstra que o batismo em Cristo
representa o revestir-se de d'Ele.
Todos os cristãos já havia sido batizados, e
Paulo faz com que eles lembrem o significado do batismo.
Por que o homem é batizado? Porque ele creu e
conformou-se com Cristo na sua morte. Foi sepultado com Cristo, por se tornar
participante do corpo e do sangue, e ressurgiu com Cristo, para a gloria de Deus
Pai. É preciso ser sepultado com Cristo (o batismo representa esta verdade),
para depois se revestir dele, ou seja, adquirir a plenitude n'Ele.
Como se alcança a filiação? Por meio da morte e ressurreição
com Cristo. O cristão morre e
ressurge com Cristo para a glória de Deus Pai.
Se o cristão foi batizado, é porque morreu para
aquilo que estava retido: a lei. Ao morrer, o cristão não está mais
preso ao que o retinha: o pecado Rm 7: 6.
A força do pecado é a lei, e por isso o homem
precisa morrer com Cristo, porque aquele que está morto está justificado do
pecado Rm 6: 7. O pecado é o aguilhão da morte, ao morrer com Cristo,
o homem adquire nova vida, livrando se da condição do velho homem "Ora, o
aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei" (I Coríntios 15: 56).
Ao se revestir de Cristo, o cristão não mais pertence ao pecado, agora pertence
a
outro Senhor!
28 Nisto não há
judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea;
porque todos vós sois um em Cristo Jesus.
Quando se reveste de Cristo, o homem passa a
fazer parte do
corpo de Cristo, que é a igreja.
As distinções criadas
na lei não há razão de ser diante da promessa, que é anterior a lei.
Segue-se que em Cristo não há qualquer distinção entre macho e fêmea; escravo ou livre, etc...
Isto porque todos os cristãos são um corpo em Cristo.
29 E, se sois de
Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a
promessa.
Enquanto os
judeus pensavam ter alcançado a filiação divina por meio da carne e do sangue
por serem descendentes de Abraão, os cristãos
alcançaram a filiação divina por meio da união com Cristo.
Conforme a promessa, os cristãos
passaram a ser herdeiros de Deus. Por serem propriedade do
descendente, os cristãos passaram a ser descendentes de Abraão, e
conforme a promessa, herdeiros. O cristão é herança e tem uma
herança Ef 1: 11 e 14.
Temos três aspectos
a observar: