A Carta de Paulo aos

Gálatas

 

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Capítulo III (v. 22- 29)

 

A Escritura, a Lei e a Fé

22 Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes.

A escritura aqui se refere ao Antigo Testamento, visto que, quando Paulo escreveu esta carta, os evangelhos e as cartas dos apóstolos ainda não pertenciam a Escritura como hoje entendemos.

Observe que não foi a lei que encerrou a humanidade debaixo do pecado, e sim, a Escritura. A lei somente evidencia qual é a natureza do homem.

Há vários versículos no Antigo Testamento que demonstram que todos os homens estão debaixo do pecado, como o apóstolo Paulo demonstra aos cristãos em Roma Rm 3. 11- 18.

A promessa acerca do descendente, feita a Abraão, é concedida àqueles que crêem. Todos os homens estavam presos ao pecado, e por isso, malditos. Os que têm fé em Cristo livram-se da maldição, tornando-se benditos como o crente Abraão, pois a promessa diz: "...em tua descendência serão benditas todas as nações da terra..." Gn 22: 18.

Quando a Escritura diz que na descendência de Abraão as nações haveriam de ser benditas, demonstra que, antes do Descendente, todos eram malditos por causa do pecado.

 

23 Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar.

Antes que Cristo se manifestasse, os homem de Israel estavam guardados pelo curador, ou tutor, que é a lei. Mas, não deviam confiar no tutor (lei), como se ele pudesse dar a herança (justificar), antes, deveriam crer, como o crente Abraão, e esperar o tempo determinado pelo Pai, confiando em Deus que prometeu. A promessa somente cumprir-se-ia, na plenitude dos tempos, com a vindo do Descendente.

Agora que foi manifesto aos homens a graça de Deus por intermédio do evangelho, o homem não pode permanecer debaixo da lei, antes deve tomar posse do que foi proposto pela fé.

 

24 De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.

Paulo demonstra a utilidade da lei: levar os homens a Jesus, aquele que tem poder para justificar o homem.

Pela fé o homem é justificado, e a função da lei deixou de existir. Não é mais preciso manter-se guiado pelo 'aio', uma vez que já alcançamos o descendente.

 

25 Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio.

Após a chegada da fé, não há lugar para a lei, visto que a fé promove a promessa, que é anterior à lei.

Paulo passa a tratar da nova condição dos cristãos, ao dizer: "...já não estamos debaixo de aio". Tanto Paulo quanto os cristãos da Galácia não precisavam da lei.

 

26 Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

Este verso complementa o anterior: "Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio, porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo". O verso 26 é o motivo pelo qual os cristãos não mais estavam debaixo da lei.

Os judaizantes acreditavam ter alcançado a filiação divina por serem descendentes de Abraão, que a entrega da lei tornava-os diferentes diante de Deus, ou que Deus tinha-os em preferência aos gentios.

Paulo enfatiza que a lei não tinha razão de ser na vida dos cristãos, uma vez que todos eram filhos de Deus, por estarem unidos ao descendente (Cristo) de Abraão. Em Cristo os cristãos são idôneos para participar da herança dos santos, e não necessita de curador Cl 1: 12.

Mesmo após Abraão ser justificado por Deus por intermédio da fé, os seus filhos segundo a carne não eram provenientes de Deus. Eles continuaram a ser gerados segundo a carne, da vontade do varão e da vontade da carne Jo 1: 13, e portanto, os descendentes de Abraão não eram e não são filhos de Deus.

A promessa de se tornar filho de Deus somente tornou-se possível através do descendente, que é Cristo. Somente Ele pode levar muitos filhos a Deus. (vide comentário sobre a Regeneração). Por meio da fé o homem alcança a filiação divina.

 

27 Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo.

Paulo demonstra que o batismo em Cristo representa o revestir-se de d'Ele.

Todos os cristãos já havia sido batizados, e Paulo faz com que eles lembrem o significado do batismo.

Por que o homem é batizado? Porque ele creu e conformou-se com Cristo na sua morte. Foi sepultado com Cristo, por se tornar participante do corpo e do sangue, e ressurgiu com Cristo, para a gloria de Deus Pai. É preciso ser sepultado com Cristo (o batismo representa esta verdade), para depois se revestir dele, ou seja, adquirir a plenitude n'Ele.

Como se alcança a filiação? Por meio da morte e ressurreição com Cristo. O cristão morre e ressurge com Cristo para a glória de Deus Pai.

Se o cristão foi batizado, é porque morreu para aquilo que estava retido: a lei. Ao morrer, o cristão não está mais preso ao que o retinha: o pecado Rm 7: 6.

A força do pecado é a lei, e por isso o homem precisa morrer com Cristo, porque aquele que está morto está justificado do pecado Rm 6: 7. O pecado é o aguilhão da morte, ao morrer com Cristo, o homem adquire nova vida, livrando se da condição do velho homem "Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei" (I Coríntios 15: 56). Ao se revestir de Cristo, o cristão não mais pertence ao pecado, agora pertence a outro Senhor!    

 

28 Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

Quando se reveste de Cristo, o homem passa a fazer parte do corpo de Cristo, que é a igreja.

As distinções criadas na lei não há razão de ser diante da promessa, que é anterior a lei. Segue-se que em Cristo não há qualquer distinção entre macho e fêmea; escravo ou livre, etc... Isto porque todos os cristãos são um corpo em Cristo.

 

29 E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.

Enquanto os judeus pensavam ter alcançado a filiação divina por meio da carne e do sangue por serem descendentes de Abraão, os cristãos alcançaram a filiação divina por meio da união com Cristo.

Conforme a promessa, os cristãos passaram a ser herdeiros de Deus. Por serem propriedade do descendente, os cristãos passaram a ser descendentes de Abraão, e conforme a promessa, herdeiros. O cristão é herança e tem uma herança Ef 1: 11 e 14.

Temos três aspectos a observar:

 

a)      pertencemos a Cristo: somos propriedade exclusiva de Deus I Pd 2. 9;

b)      Por Cristo ser o descendente, passamos a descender de Abraão, não segundo a carne, mas por meio da vontade de Deus, que nós gerou para uma viva esperança Jo 1: 12- 13;

c)      Em Cristo o cristão obteve herança (herdeiros) Cl 1: 12.

Quando a bíblia fala que o cristão obteve herança, ela fala das garantias que Deus propõe a todos aqueles que crêem em Cristo.

O direito que o cristão obtém refere-se a herança dos santos na luz Cl 1. 12, e não a bens materiais. As bênçãos que os cristão receberam estão enumeradas em Efésios capítulo um.

Paulo disse que o cristão recebeu 'todas' bênçãos espirituais. Da mesma forma, Pedro reiterou: "O seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito a vida e à piedade" II Pe 1: 3.

Não é correto a idéia de que o cristão pode exigir bens materiais de Deus por ser herdeiros com Cristo. As promessas de Deus referem-se as bênçãos eternas, desvinculadas de bens terrenos.

 

 

Claudio Crispim

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