A Carta de Paulo aos

Gálatas

 

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Capítulo III (v. 15- 21)

 

Argumentos Fraternos

 

15 Irmãos, como homem falo; se a aliança de um homem for confirmada, ninguém a anula nem a acrescenta.

Paulo demonstra que, segundo as leis humanas, não há como anular ou acrescentar o que foi estabelecido em um testamento. Paulo deixa a argumentação bíblica e passa a argumentar segundo o conhecimento que lhes era próprio (como homem falo): a aliança, o trato, o testamento.

A aliança que um homem confirmou não pode ser anulada ou acrescentada, que dirá a aliança estabelecida por Deus?

 

16 Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo.

O apóstolo procura evidenciar qual a leitura correta a se fazer da Escritura, ou seja, quando se lê que a promessa foi feita a Abraão e à sua descendência, isto não quer dizer que todos os seus descendentes seriam benditos em Abraão.

Eles precisavam observar que a Escritura não fala da descendência de Abraão como sendo muitos, mas de um descendente, alguém em específico "A tua descendência tomará posse das cidades dos teus inimigos, e em tua descendência serão benditas todas as nações..." Gn 22: 17- 18. A promessa de Deus a Abraão refere-se ao descendente, que é Cristo.

Para que o homem possa ser participante das bênçãos de Abraão, é preciso ter a mesma fé que teve Abraão, pois através da fé, os que crêem, passam a ser participantes de Cristo, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo "E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados" (Romanos 8: 17).

O cristão é descendentes de Abraão segundo a promessa quando está em Cristo, isto é, quando é nova criatura. Ao crer no evangelho, o homem recebe de Deus poder para ser feito, criado filho de Deus Jo 1. 12, recebendo de Deus em em Cristo a natureza divina Cl 2. 10; II Pe 1: 4.

 

17 Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa.

O apóstolo demonstra que a aliança de Deus com os homens foi confirmada por Deus em Cristo (ou seja, no descendente). Mesmo a lei, que foi concedida por Deus ao povo, tem poder para abolir ou invalidar a aliança estabelecida por Deus a Abraão.

Todo evento posterior a aliança não pode invalidá-la, ou seja, sendo a lei posterior a promessa, de maneira alguma ela poderia invalidá-la.       

 

18 Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão.

O raciocínio é simples! A lei e a promessa são excludentes: se a herança provém da lei, automaticamente a outra é excluída.

Mas todos sabiam que a herança foi dada a Abraão gratuitamente, sem qualquer vinculo com a lei, por causa da promessa.

 

19 Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro.

Em ultima instância: qual a razão de ser da lei?

A lei foi estabelecida até que Cristo viesse ao mundo, por quem a herança é concedida. Ele é o herdeiro da promessa.

Porém, a lei foi estabelecida para:

a) evidenciar a natureza de Deus;

b) servir de ‘aio’ para conduzir os homens a Cristo;

c) ela torna evidente a na natureza pecaminosa do homem;

d) faz com que o homem perceba que é impossível salvar-se a si mesmo.

Através da lei o homem se dá conta de que é pecador e da sua impossibilidade de escapar da condenação estabelecida em Adão. Somente por intermédio da cruz de Cristo o pecador passa a ter acesso a Deus por um novo e vivo caminho, que é o corpo de Cristo.

Houve um evento na história do povo de Israel, logo após terem sido resgatados do Egito, que esclarece o motivo da lei.

Deus determinou a Moisés que o povo fosse reunido, porque Ele falaria ao povo Ex: 19: 9. Quando o povo viu os trovões e os relâmpagos, e o barulho das buzinas, e o monte fumegando, temeram, e se afastaram. Pediram a Moisés que ouvisse a voz de Deus e que a repassasse a eles Ex 20: 19- 20.

O povo não confiou em Deus, antes temeram, pensando que seriam mortos. Moisés, por sua vez, seguiu e adentrou nas densas trevas, onde Deus estava. Mesmo após eles terem sido salvos do Egito, ainda não confiavam em Deus. Que Deus seria este, que após resgatá-los da escravidão, os mataria em seguida?

A lei foi concedida ao povo para que aprendessem mais sobre a natureza divina. Elem precisavam aprender a confiar, e não temer. O temor do Senhor é o principio da sabedoria, mas ter medo, demonstra falta de confiança Naquele que é amor eterno Ex 21: 1.

O povo não confiava em Deus que lhes resgatara do Egito. Eles solicitaram a Moisés que intermediasse a conversa entre eles e Deus, e, por isso, pereceram, visto que não confiaram em Deus.

Solicitaram a Moisés que falasse com eles, e proibiram que Deus lhes falasse, com medo da morte. Moises demonstra que Deus veio ao povo não para os matar, mas para provar, e se ouvissem a voz de Deus, viveriam Ex 20: 19.

Com medo dos raios e trovoes, o povo se afastou de Deus e se pos ao longe, demonstrando que não confiavam na palavra de Deus que anteriormente foi dada: “Faço misericórdia...”, e nem mesmo consideram que, se Deus os havia resgatado do Egito, era para os preservar em vida, e não para matá-los Hb 12 .18- 28.

A lei foi dada até que viesse o descendente (Cristo), a quem foi feita a promessa. Ela foi promulgada por causa das transgressões do povo, e entregue a Moisés por mãos de um mensageiro de Deus At 7: 38. A lei não foi entregue por anjos, antes, Moisés a recebeu do Anjo do Senhor, que falava com ele no monte Sinai e com os pais de Israel.

Não foram os anjos que entregaram a lei a Moisés, e sim, o Anjo do Senhor, que é Cristo. Somente o Anjo do Senhor tem a semelhança divina "Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?" (Números 12: 8). Somente o Anjo do Senhor é onipresente, e acampa ao redor dos que o temem e o livra "O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (Salmos 34: 7).

A função de entrega da lei a Moisés coube ao Anjo do Senhor, e não aos seus santos anjos, que são ministros de Deus e não possuem a onipresença. É o Anjo do Senhor que se acampa ao redor dos que o temem. Somente Ele deve ser temido, e não os anjos, que são ministros de Deus.

Moisés foi constituído como Mediador no processo de entrega da lei ao povo, visto que o povo não confiou em Deus para ouvi-Lo Ex 19: 9.

 

20 Ora, o medianeiro não o é de um só, mas Deus é um.

O medianeiro não foi estabelecido a favor de uma só pessoa, antes de muitos, no entanto Deus é um só, tanto na Antiga como na Nova aliança.

Com a vinda de Cristo, mudou-se o mediador Hb 12: 24. Enquanto Moisés "...foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar" Hb 3: 5, (o que se havia de anunciar é o evangelho de Cristo), ele entregou ao povo a lei (aio), que teve a função de conduzir o povo a Cristo, porém, o povo estava assombrado com a visão do monte Sinai ardente, tempestades, trevas e ressoar das buzinas Hb 12: 18- 21.

Cristo é mediador entre Deus e os homens, e dá acesso ao Pai. Por meio d'Ele os homens chegam-se a Deus e tem entrada à Jerusalém Celestial e seus milhares de anjos. O homem passa a fazer parte da universal assembléia e igreja dos primogênitos que ressurgiram com Cristo dentre os mortos e estão inscritos nos céus Hb 12. 22- 28.

 

21 Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei.

Paulo espera que os leitores da sua carta respondessem que a lei não invalida a promessa de Deus, visto que, a lei veio depois da promessa. A promessa é firme em Deus, e não depende do homem. A lei, sendo posterior a promessa, apenas evidencia que o homem esta aquém da natureza divina. Tudo o que a lei determina  depende do homem realizar.

Observe que o objetivo da promessa está intimamente ligado à justiça e à vivificação em Deus. A lei nada pode fazer pelo homem, visto que o homem é que precisava guardá-la.

De Deus temos a promessa de que por meio da fé Ele vivifica e justifica, pois o justo viverá da fé. Primeiro o homem alcança a vida que Deus lhe concede, e em seguida, é declarado justo. O que remete à doutrina da justificação.

 

 

  

 

Claudio Crispim

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