15 Irmãos, como
homem falo; se a aliança de um homem for confirmada, ninguém a anula
nem a acrescenta.
Paulo demonstra que, segundo as leis humanas, não há como anular ou acrescentar o
que foi estabelecido em um testamento. Paulo deixa a argumentação bíblica e passa
a argumentar segundo o conhecimento que lhes era próprio (como homem falo): a aliança, o trato,
o testamento.
A aliança que um homem confirmou não pode ser
anulada ou acrescentada, que dirá a aliança estabelecida por Deus?
16 Ora, as
promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às
descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua
descendência, que é Cristo.
O apóstolo procura evidenciar qual a leitura
correta a se fazer da Escritura, ou seja, quando se lê que a promessa foi feita
a Abraão e à sua descendência, isto não quer dizer que todos os seus descendentes
seriam benditos em
Abraão.
Eles precisavam observar que a Escritura não fala
da descendência de Abraão como sendo muitos, mas de um descendente, alguém em
específico "A tua descendência tomará posse das cidades dos teus
inimigos, e em tua descendência serão benditas todas as nações..." Gn 22:
17- 18. A promessa de Deus a Abraão refere-se ao descendente, que é
Cristo.
Para que o homem possa ser participante das bênçãos de Abraão,
é preciso ter a mesma fé que teve Abraão, pois através da fé, os que crêem,
passam a ser participantes de Cristo, herdeiros de Deus e co-herdeiros de
Cristo "E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus,
e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com
ele sejamos glorificados" (Romanos 8: 17).
O cristão é descendentes de Abraão segundo a promessa quando está
em Cristo, isto é, quando é nova criatura. Ao crer no evangelho, o homem recebe
de Deus poder para ser feito, criado filho de Deus Jo 1. 12, recebendo de Deus em em Cristo
a natureza divina Cl 2. 10; II Pe 1: 4.
17 Mas digo isto:
Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em
Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a
invalida, de forma a abolir a promessa.
O apóstolo demonstra que a aliança de Deus com os homens foi confirmada por Deus
em Cristo (ou seja, no descendente). Mesmo a lei, que foi concedida por Deus ao
povo, tem poder para abolir ou invalidar a aliança estabelecida por Deus a
Abraão.
Todo evento posterior a aliança não pode invalidá-la,
ou seja, sendo a lei posterior a promessa, de maneira alguma ela poderia
invalidá-la.
18 Porque, se a
herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela
promessa a deu gratuitamente a Abraão.
O raciocínio é
simples! A lei e a promessa são excludentes: se a herança provém da lei,
automaticamente a outra é excluída.
Mas todos sabiam que a herança foi dada a Abraão
gratuitamente, sem qualquer vinculo com a lei, por causa da promessa.
19 Logo, para que é
a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a
posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi posta pelos
anjos na mão de um medianeiro.
Em ultima instância: qual a razão de ser da lei?
A lei foi estabelecida até que Cristo viesse ao mundo,
por quem a herança é concedida. Ele é o herdeiro da promessa.
Porém, a lei foi estabelecida para:
a) evidenciar a natureza de Deus;
b) servir de ‘aio’ para conduzir
os homens a Cristo;
c) ela torna evidente a na natureza pecaminosa do homem;
d) faz com que o homem perceba
que é impossível salvar-se a si mesmo.
Através da lei o homem se dá conta de que é pecador e da sua
impossibilidade de escapar da condenação estabelecida em Adão. Somente por
intermédio da cruz de Cristo o pecador
passa a ter acesso a Deus por um novo e vivo caminho, que é o corpo de Cristo.
Houve um evento na história do povo de Israel,
logo após terem sido resgatados do Egito, que esclarece o motivo da lei.
Deus determinou a Moisés que o povo fosse
reunido, porque Ele falaria ao povo Ex: 19: 9. Quando o povo viu os trovões e os
relâmpagos, e o barulho das buzinas, e o monte fumegando, temeram, e se
afastaram. Pediram a Moisés que ouvisse a voz de Deus e que a repassasse a eles
Ex 20: 19- 20.
O povo não confiou em Deus, antes temeram,
pensando que seriam mortos. Moisés, por sua vez, seguiu e adentrou nas densas
trevas, onde Deus estava. Mesmo após eles terem sido salvos do Egito, ainda não
confiavam em Deus. Que Deus seria este, que após resgatá-los da escravidão, os
mataria em seguida?
A lei foi concedida ao povo para que aprendessem
mais sobre a natureza divina. Elem precisavam aprender a confiar, e não temer. O
temor do Senhor é o principio da sabedoria, mas ter medo, demonstra falta de
confiança Naquele que é amor eterno Ex 21: 1.
O povo não confiava em Deus que lhes resgatara do Egito.
Eles
solicitaram a Moisés que intermediasse a conversa entre eles e Deus, e, por
isso, pereceram, visto que não confiaram em Deus.
Solicitaram a Moisés que falasse com eles, e proibiram que Deus
lhes falasse, com medo da morte. Moises demonstra que Deus veio ao
povo não para os matar, mas para provar, e se ouvissem a voz de Deus, viveriam
Ex 20: 19.
Com medo dos raios e trovoes, o povo se afastou
de Deus e se pos ao longe, demonstrando que não confiavam na palavra de Deus que
anteriormente foi dada: “Faço misericórdia...”, e nem mesmo consideram que, se
Deus os havia resgatado do Egito, era para os preservar em vida, e não para
matá-los Hb 12 .18- 28.
A lei foi dada até que viesse o descendente
(Cristo), a quem foi feita a promessa. Ela foi promulgada por causa das
transgressões do povo, e entregue a Moisés por mãos de um mensageiro de Deus At
7: 38. A lei não foi entregue por anjos, antes, Moisés a recebeu do Anjo
do Senhor, que falava com ele no monte Sinai e com os pais de Israel.
Não foram os anjos que entregaram a lei a Moisés,
e sim, o Anjo do Senhor, que é Cristo. Somente o Anjo do Senhor tem a semelhança
divina "Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a
semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o
meu servo, contra Moisés?" (Números 12: 8). Somente o Anjo do Senhor é
onipresente, e acampa ao redor dos que o temem e o livra "O anjo do SENHOR
acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (Salmos 34: 7).
A função de entrega da lei a Moisés coube ao Anjo
do Senhor, e não aos seus santos anjos, que são ministros de Deus e não possuem
a onipresença. É o Anjo do Senhor que se acampa ao redor dos que o temem.
Somente Ele deve ser temido, e não os anjos, que são ministros de Deus.
Moisés foi constituído como Mediador no processo
de entrega da lei ao povo, visto que o povo não confiou em Deus para ouvi-Lo Ex
19: 9.
20 Ora, o
medianeiro não o é de um só, mas Deus é um.
O medianeiro não foi estabelecido a favor de uma só pessoa,
antes de muitos, no entanto
Deus é um só, tanto na Antiga como na Nova aliança.
Com a vinda de Cristo, mudou-se o mediador Hb 12:
24. Enquanto Moisés "...foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para
testemunho das coisas que se haviam de anunciar" Hb 3: 5, (o que se havia
de anunciar é o evangelho de Cristo), ele
entregou ao povo a lei (aio), que teve a função de conduzir o povo a Cristo,
porém, o povo estava assombrado com a visão do monte Sinai ardente, tempestades,
trevas e ressoar das buzinas Hb 12: 18- 21.
Cristo é
mediador entre Deus e os homens, e dá acesso ao Pai. Por meio d'Ele os homens chegam-se
a Deus e tem entrada à Jerusalém Celestial e seus milhares de anjos. O homem passa a fazer
parte da universal assembléia e igreja dos primogênitos que ressurgiram com
Cristo dentre os mortos e estão inscritos nos céus Hb 12. 22- 28.
21 Logo, a lei é
contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, se fosse dada
uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido
pela lei.
Paulo espera que os leitores da sua carta respondessem que a lei não invalida a
promessa de Deus, visto que, a lei veio depois da promessa. A promessa é firme em
Deus, e não depende do homem. A lei, sendo posterior a promessa, apenas
evidencia que o homem esta aquém da natureza divina. Tudo o
que a lei determina depende do homem realizar.
Observe que o objetivo da promessa está intimamente ligado
à justiça
e à vivificação em Deus. A lei nada pode fazer pelo homem, visto que o homem é
que precisava
guardá-la.
De Deus temos a promessa de que por meio da fé Ele
vivifica e justifica, pois o justo viverá da fé. Primeiro o homem
alcança a vida que Deus lhe concede, e em seguida, é declarado justo. O que
remete à doutrina da justificação.