A Carta de Paulo aos

Gálatas

 

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Capítulo III (v. 1- 7)

 

A Inconstância dos Gálatas

 

1 Ó INSENSATOS gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós?

O outro evangelho apresentado aos Gálatas é classificado por Paulo como sendo obra de um fascínio. A insensatez de alguns cristãos os deixou subjugados. Eles foram alvos de um encantamento, subjugados pelos olhos, visto que, apoiaram-se na 'boa aparência' daqueles que estavam a transtornar o evangelho de Cristo Gl 5: 12.

A inconstância dos Gálatas era proveniente de uma insensatez.

Paulo estava perplexo, e quis saber quem havia fascinado os cristãos a  se desviarem da verdade do evangelho, principalmente porque Cristo foi apresentado a eles como crucificado.

Cristo crucificado é motivo bastante para ninguém apoiar-se na aparência de outrem. A grande maravilha encontra-se no Cristo crucificado, onde o crente deve fixar a atenção. Esta deve ser a fixação do cristão, e não a aparência, que perante Deus nada é Jo 12: 32. Por isso, o apóstolo chamou-os de insensatos.

 

2 Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?

Paulo questiona: De que maneira eles haviam recebido o Espírito de Deus? Seria por acaso por meio da lei? Ou seria por meio da fé? Paulo anseia por uma resposta de seus leitores.

A resposta à pergunta de Paulo seria suficiente para elucidar o quanto os Gálatas estavam equivocados (Só quisera saber isso).

 

3 Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?

Paulo demonstra que, por causa da insensatez, os gálatas haviam regredido. Estavam perdendo aquilo que já haviam alcançado: começaram pelo Espírito e acabariam na carne.

Eles haviam começaram uma nova vida por meio do Espírito de Deus, e agora, estavam submetendo-se à escravidão da carne.

 

4 Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão.

Paulo procura envolve-los sentimentalmente. Ele traz a lembrança dos cristãos o quanto haviam sofrido por causa do evangelho.

O sofrimento também foi em vão?

 

5 Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, fá-lo pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?

Aquele quem concede o Espírito é Deus. Tal dádiva é concedida por meio da fé, e não da lei.

É Deus quem concede do Seu Espírito e faz maravilhas. É certo que na lei o homem somente encontra obrigações. Mas, através da pregação, ou do que é anunciado pela fé, a ação fica a cargo de Deus, que é poderoso para fazer abundar no homem a sua graça "E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra" (II Coríntios 9: 8).

Perceba que na lei o homem encontra uma determinação: "Portanto os meus estatutos e os meus juízos guardareis, pois o homem que os cumprir, por eles viverá" Lv 18: 5.

Na pregação da fé o homem depara-se com a promessa daquele que é fiel e poderoso em realizar. Enquanto o homem não consegue viver a altura da lei, através da oferta da graça, o homem consegue abundar em toda a boa obra.

 

6 Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

Paulo evoca a autoridade da Escritura. Se não davam ouvido ao apóstolo dos gentios, que pelo menos considerassem a Escritura.

Abraão foi justificado por meio da fé porque creu na promessa daquele que é poderoso para cumprir.

 

7 Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão.

Os leitores das cartas de Paulo citavam a Escritura de cor (A. T.), mas precisavam saber que, somente os que crêem são feitos filhos de Deus.

Somente os que crêem, conforme o Pai Abraão, recebem a filiação divina, ou seja, são contados como filhos de Abraão Jo 1: 12.

Não podemos esquecer que, ser filho de Abraão, para os seguidores da lei, era o mesmo que ser filho de Deus Jo 8: 39- 41.

João Batista ao verificar que os escribas e fariseus que vinham ao batismo continuavam se arrogando na condição de filho de Deus pelo fato de serem descendentes de Abraão, alertou: “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por Pai a Abraão; porque eu digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão” Mt 3. 9.

Sobre este aspecto Jesus declarou que os fariseus eram filhos do diabo, visto que presumiam ser filhos de Deus em decorrência de serem descendente de Abraão (para eles a filiação decorre do sangue) Jo 8. 44.

Eles eram descendentes de Abraão Jo 8. 37, mas não eram filhos de Deus, visto que, ainda continuavam vendidos como escravos ao pecado Jo 8. 34. Sendo escravos do pecado, em decorrência da filiação em Adão, os fariseus eram de fato, filhos do diabo, e não de Deus Jo 8. 44.

 

 

Claudio Crispim

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