8 Porque o que
semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia
no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.
Paulo utiliza a
mesma figura neste versículo, porém, a idéia deste versículo difere totalmente da
idéia do
versículo anterior:
-
Este
versículo encera a discussão do versículo anterior, ou seja, quem semeia na carne,
ceifará corrupção, e quem semeia no Espírito, ceifará vida eterna;
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Carne e Espírito representam as
naturezas do homem. Aquele que é nascido da carne, ceifará da
sua natureza corrupção. E aquele que é nascido do Espírito,
ceifará da sua natureza a vida eterna.
-
No versículo anterior, Paulo faz
referência ao que o homem lança de sua sementeira: o bem e o mal,
porém, neste versículo, Paulo destaca a natureza do homem.
Observe a distinção
que há entre “aquilo que o homem semear”, que pode ser bem ou mal, e “o que semeia"
pode estar na carne ou no Espírito”.
“O que semeia” traz a
idéia do trabalhador e para quem ele trabalha: carne ou Espírito. “Aquilo que o homem semear” traz
a idéia do tipo de semente que o homem se propõe a semear: bem ou mal.
Observe: aquele que semeia, que
trabalha, ou que produz na sua carne, ceifará corrupção. Ou seja, o homem que
semeia na carne, semeia bem ou mal, e ceifará corrupção. Tudo aquilo que o homem semear (bem
ou mal), da semente plantada haverá uma colheita, mas receberá o salário que é
proveniente do seu
senhor. Para os que estão na carne, ou que semearam na carne, o único salário
será corrupção: a morte, pois este é o salário do pecado.
Aquele que semear no
Espírito, ceifará vida eterna. Ou seja, o que semeia no Espírito (novo homem),
poderá plantar bem ou mal, e ceifará a vida eterna por Cristo, que é o seu
Senhor. O salário de Cristo é gozo, paz e vida no Espírito Santo, mesmo que,
diante do Tribunal de Cristo o homem salvo receba a devida retribuição
decorrente do bem e do mal que houver feito
pelo meio do corpo.
Observe a distinção que Paulo
estabelece na sua escrita: por meio do corpo refere-se aos erros que
os homens estão sujeitos, e por meio da carne refere-se ao princípio
que gera homens para a perdição.
Este versículo
é complexo por encerrar um ciclo de discussão.
Aqueles que estão na
carne, ou que vivem segundo a carne, não são sujeitos a lei de Deus. Estão
presos pela lei, visto que a lei está enferma por causa da carne Rm 8. 3. A lei
tornou-se enferma porque, por ela o pecado achou ocasião e escravizou a carne. Segue-se que, tudo aquilo que o
homem produzir segundo a carne (bem ou mal), estará produzindo para o seu
senhor, o pecado. E como salário terá a morte: “...da carne ceifará corrupção”.
Mas aqueles que
foram libertos da lei por meio do corpo de Cristo, tornam-se participantes do
corpo de Cristo, pois morreram com ele, e a lei não mais pode alcançá-los. Estes
nasceram da vontade de Deus e do Espírito conforme Jesus falou a Nicodemos. Tudo
que fizer (semear ou trabalhar) no Espírito (bem ou mal) haverá de receber
no tribunal de Cristo, e terá a vida eterna por Jesus, nosso Senhor!
Observe o que Paulo
diz do tribunal de Cristo: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de
Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo,
ou bem, ou mal” II Co 5. 10.
9 E não nos
cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não
houvermos desfalecido.
Temos três conceitos
complementares a idéia anterior:
a) O cristão não
deve se cansar de fazer o bem – Observe que não é automático ser espiritual
e fazer o bem, visto que, mesmo sendo espiritual, o cristão esta sujeito a realizar o mal.
Desta forma o cristão deve estar consciente de que receberá tudo que houver feito por meio do corpo no tribunal
de Cristo. Paulo diz que o cristão não deve cansar em fazer o bem, ou seja, ele deve
se aplicar em praticar o bem;
b) Há um
tempo determinado para ceifar o bem – Muitos querem ceifar o bem hoje, mas,
segundo o que Paulo demonstra, há um tempo para esta colheita. Hoje, parece que não há recompensa
para o cristão quando semeia (semente boa), mas, quando do tribunal de Cristo, haverá de
receber, além da vida eterna, o prêmio de ter feito o bem;
c) Há uma
ressalva – Se não houvermos desfalecido. Quando Paulo fala do desfalecer, ele
fala do desfalecer na fé, conforme alguns estavam passando deste para um outro
evangelho. Ele não esta falando do desfalecer quanto ao fazer o bem, mas o
desfalecer da fé. A idéia é a perseverança, a obra perfeita da fé que Tiago
destaca em sua carta.
10 Então, enquanto
temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos
da fé.
É um convite para que
os cristãos se apliquem as boas obras. É preciso fazer o bem a
todos, e principalmente aos domésticos da fé. Paulo ainda demonstra
preocupação pelo fato de estarem devorando uns aos outros.
11 Vede com que
grandes letras vos escrevi por minha mão.
Sem nos fixarmos aos motivos pelos quais Paulo
escreveu com grandes letras, observe que, neste gesto, Paulo demonstra
o seu cuidado com a autenticidade da sua carta.
12 Todos os que
querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a
circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da
cruz de Cristo.
Compare Gl 2.
6, Gl 3. 28, Gl 6. 3 e Gl 6. 12.
A
boa aparência na carne refere-se ao cumprimento de alguns aspectos da lei
de Moisés. Um exemplo de 'boa aparência' é a circuncisão.
Os judaizantes procuravam obrigar os
cristãos à circuncisão com medo de serem perseguidos pelos judeus.
Eles impunham estas obrigações com o fito de fugir de uma possível
perseguição.
13 Porque nem ainda
esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos
circuncideis, para se gloriarem na vossa carne.
Aqueles que
impunham a
circuncisão, e que demonstravam 'boa aparência na carne' circuncidando-se, nem eles guardavam a lei.
Eles queriam estar livres de
perseguições por causa do evangelho, e ter algo para se gloriar II Co 11: 2.
Os judaizantes queriam ter algo em
comum com os judeus, e que estavam empenhados em fazer 'prosélitos'.
O que é se gloriar
segundo a carne? A resposta esta neste versículo: “São hebreus? Também eu; são israelitas?
Também eu; são descendência de Abraão? Também eu” II Co 11. 22.
14 Mas longe esteja
de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo,
pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.
Paulo tem plena consciência que
a sua glória esta na cruz de Cristo. O 'eu' do apóstolo, que era tão evidente no
judaísmo, também foi crucificado com a sua velha natureza com Cristo.
O mundo estava morto para o apóstolo,
e o apóstolo morto para o mundo. Nada do mundo era atraente para o
apóstolo. Tanto o mundo quanto Paulo estavam mortos
pela cruz de Cristo. Ele não mais vivia para o mundo e o mundo deixou de ter
valor Gl 2. 20.
O que Paulo disse como sendo
insensato em II Co 11: 22, ele espera que esta condição esteja longe
dele.
15 Porque em Cristo
Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas
sim o ser uma nova criatura.
Ser
ou não circuncidado, não é o importante. A importância esta em ser
uma nova
criatura.
"...em Cristo", ou
seja, estar em Cristo é ser uma nova criatura criada segundo Deus em verdadeira Justiça e Santidade Ef 4. 24.
16 E a todos
quantos andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles e
sobre o Israel de Deus.
Sobre aqueles que andam
conforme o evangelho de Cristo, Paulo invoca a paz de Deus, a que excede a todo
entendimento. A misericórdia revelada em Cristo, a causa dos cristãos não serem consumidos.
17 Desde agora
ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor
Jesus.
Paulo se gloria no que lhe é próprio: a cruz de
Cristo! Paulo demonstra estar seguro de suas convicções. O que os
judaizantes intentavam, não havia de demover o apóstolo da segurança
do evangelho. Eles estavam somente inquietando o apóstolo.
Não havia como o
apóstolo esquecer da marcas que trazia em seu corpo.
18 A graça de nosso
Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito! Amém.
Paulo termina
a carta com a saudação que lhe é peculiar: a graça de Cristo.