A Carta de Paulo aos

Gálatas

 

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Capítulo VI (v. 8- 18)

 

Recomendações Finais 

8 Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.

Paulo utiliza a mesma figura neste versículo, porém, a idéia deste versículo difere totalmente da idéia do versículo anterior:

  • Este versículo encera a discussão do versículo anterior, ou seja, quem semeia na carne, ceifará corrupção, e quem semeia no Espírito, ceifará vida eterna;

  • Carne e Espírito representam as naturezas do homem. Aquele que é nascido da carne, ceifará da sua natureza corrupção. E aquele que é nascido do Espírito, ceifará da sua natureza a vida eterna.

  • No versículo anterior, Paulo faz referência ao que o homem lança de sua sementeira: o bem e o mal, porém, neste versículo, Paulo destaca a natureza do homem.

Observe a distinção que há entre “aquilo que o homem semear”, que pode ser bem ou mal, e “o que semeia" pode estar na carne ou no Espírito”.

“O que semeia” traz a idéia do trabalhador e para quem ele trabalha: carne ou Espírito. “Aquilo que o homem semear” traz a idéia do tipo de semente que o homem se propõe a semear: bem ou mal.

Observe: aquele que semeia, que trabalha, ou que produz na sua carne, ceifará corrupção. Ou seja, o homem que semeia na carne, semeia bem ou mal, e ceifará corrupção. Tudo aquilo que o homem semear (bem ou mal), da semente plantada haverá uma colheita, mas receberá o salário que é proveniente do seu senhor. Para os que estão na carne, ou que semearam na carne, o único salário será corrupção: a morte, pois este é o salário do pecado.

Aquele que semear no Espírito, ceifará vida eterna. Ou seja, o que semeia no Espírito (novo homem), poderá plantar bem ou mal, e ceifará a vida eterna por Cristo, que é o seu Senhor. O salário de Cristo é gozo, paz e vida no Espírito Santo, mesmo que, diante do Tribunal de Cristo o homem salvo receba a devida retribuição decorrente do bem e do mal que houver feito pelo meio do corpo.

Observe a distinção que Paulo estabelece na sua escrita: por meio do corpo refere-se aos erros que os homens estão sujeitos, e por meio da carne refere-se ao princípio que gera homens para a perdição. 

Este versículo é complexo por encerrar um ciclo de discussão.

Aqueles que estão na carne, ou que vivem segundo a carne, não são sujeitos a lei de Deus. Estão presos pela lei, visto que a lei está enferma por causa da carne Rm 8. 3. A lei tornou-se enferma porque, por ela o pecado achou ocasião e escravizou a carne. Segue-se que, tudo aquilo que o homem produzir segundo a carne (bem ou mal), estará produzindo para o seu senhor, o pecado. E como salário terá a morte: “...da carne ceifará corrupção”.

Mas aqueles que foram libertos da lei por meio do corpo de Cristo, tornam-se participantes do corpo de Cristo, pois morreram com ele, e a lei não mais pode alcançá-los. Estes nasceram da vontade de Deus e do Espírito conforme Jesus falou a Nicodemos. Tudo que fizer (semear ou trabalhar) no Espírito (bem ou mal) haverá de receber no tribunal de Cristo, e terá a vida eterna por Jesus, nosso Senhor!

Observe o que Paulo diz do tribunal de Cristo: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” II Co 5. 10.   

 

9 E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.

Temos três conceitos complementares a idéia anterior:

a) O cristão não deve se cansar de fazer o bem – Observe que não é automático ser espiritual e fazer o bem, visto que, mesmo sendo espiritual, o cristão esta sujeito a realizar o mal. Desta forma o cristão deve estar consciente de que receberá tudo que houver feito por meio do corpo no tribunal de Cristo. Paulo diz que o cristão não deve cansar em fazer o bem, ou seja, ele deve se aplicar em praticar o bem;

b) Há um tempo determinado para ceifar o bem – Muitos querem ceifar o bem hoje, mas, segundo o que Paulo demonstra, há um tempo para esta colheita. Hoje, parece que não há recompensa para o cristão quando semeia (semente boa), mas, quando do tribunal de Cristo, haverá de receber, além da vida eterna, o prêmio de ter feito o bem;

c) Há uma ressalva – Se não houvermos desfalecido. Quando Paulo fala do desfalecer, ele fala do desfalecer na fé, conforme alguns estavam passando deste para um outro evangelho. Ele não esta falando do desfalecer quanto ao fazer o bem, mas o desfalecer da fé. A idéia é a perseverança, a obra perfeita da fé que Tiago destaca em sua carta.

 

10 Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.

É um convite para que os cristãos se apliquem as boas obras. É preciso fazer o bem a todos, e principalmente aos domésticos da fé. Paulo ainda demonstra preocupação pelo fato de estarem devorando uns aos outros.

 

11 Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão.

Sem nos fixarmos aos motivos pelos quais Paulo escreveu com grandes letras, observe que, neste gesto, Paulo demonstra o seu cuidado com a autenticidade da sua carta.

 

12 Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.

Compare Gl 2. 6, Gl 3. 28, Gl 6. 3 e Gl 6. 12.

A boa aparência na carne refere-se ao cumprimento de alguns aspectos da lei de Moisés. Um exemplo de 'boa aparência' é a circuncisão.

Os judaizantes procuravam obrigar os cristãos à circuncisão com medo de serem perseguidos pelos judeus. Eles impunham estas obrigações com o fito de fugir de uma possível perseguição. 

 

13 Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne.

Aqueles que impunham a circuncisão, e que demonstravam 'boa aparência na carne' circuncidando-se, nem eles guardavam a lei. Eles queriam estar livres de perseguições por causa do evangelho, e ter algo para se gloriar II Co 11: 2.

Os judaizantes queriam ter algo em comum com os judeus, e que estavam empenhados em fazer 'prosélitos'.

O que é se gloriar segundo a carne? A resposta esta neste versículo: “São hebreus? Também eu; são israelitas? Também eu; são descendência de Abraão? Também eu” II Co 11. 22. 

 

14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

Paulo tem plena consciência que a sua glória esta na cruz de Cristo. O 'eu' do apóstolo, que era tão evidente no judaísmo, também foi crucificado com a sua velha natureza com Cristo.

O mundo estava morto para o apóstolo, e o apóstolo morto para o mundo. Nada do mundo era atraente para o apóstolo. Tanto o mundo quanto Paulo estavam mortos pela cruz de Cristo. Ele não mais vivia para o mundo e o mundo deixou de ter valor Gl 2. 20.

O que Paulo disse como sendo insensato em II Co 11: 22, ele espera que esta condição esteja longe dele.

 

15 Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.

Ser ou não circuncidado, não é o importante. A importância esta em ser uma nova criatura.

"...em Cristo", ou seja, estar em Cristo é ser uma nova criatura criada segundo Deus em verdadeira Justiça e Santidade Ef 4. 24.

 

16 E a todos quantos andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles e sobre o Israel de Deus.

Sobre aqueles que andam conforme o evangelho de Cristo, Paulo invoca a paz de Deus, a que excede a todo entendimento. A misericórdia revelada em Cristo, a causa dos cristãos não serem consumidos.

 

17 Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.

Paulo se gloria no que lhe é próprio: a cruz de Cristo! Paulo demonstra estar seguro de suas convicções. O que os judaizantes intentavam, não havia de demover o apóstolo da segurança do evangelho. Eles estavam somente inquietando o apóstolo.

Não havia como o apóstolo esquecer da marcas que trazia em seu corpo.

 

18 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito! Amém.

Paulo termina a carta com a saudação que lhe é peculiar: a graça de Cristo.

 

 

Claudio Crispim

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