A Carta de Paulo aos

Gálatas

 

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Capítulo VI (v. 1 - 7)

 

Recomendações Finais 

1 IRMÃOS, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.

Paulo passa as recomendações finais aos cristãos que permaneciam firmes no evangelho que não é segundo os homens.

As recomendações são práticas. Após demonstrar o que é ser espiritual (viver no Espírito), e a necessidade de se andar no Espírito, Paulo admoesta que, caso alguém fosse surpreendido nalgum erro, os cristãos deveriam instruir o ofensor com amor.

O pedido de Paulo demonstra que o ofensor não teria o mesmo esclarecimento que os cristãos, ou não era espiritual, ou seja, nascido do Espírito.

Os cristãos eram espirituais, nascidos da vontade de Deus e por meio da sua palavra, que é semente incorruptível e poder. Por estarem de posse desta nova condição, os cristãos deveriam ser pacientes e tolerantes. Prontos a corrigir, porém, com mansidão.

Observe que, mesmo após alcançar a condição de espirituais em Cristo, o cristão é passível de ser tentado. O cristão deve vigiar, pois também pode incorre em erros.

 

2 Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.

Paulo recomenda aos cristãos o amor e as boas ações, visto que, aqueles que são nascidos de novo foram criados para as boas obras “... as quais Deus preparou para que andássemos nelas” Ef 2. 10.

Através do amor os cristãos cumprem a lei de Cristo, e não por meio da lei mosaica.

A obra de Deus dada aos homens é que creiam naquele que ele enviou Jo 6: 29, e não as obras da lei. Quem cumpre o mandamento de Deus, crê em Cristo, e ajuda os seus semelhantes em suas dificuldades, uma expressão de amor I Jo 3: 23.

 

3 Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo.

Aqui está a explicação da recomendação quanto a cumprir a lei de Cristo. Havia entre os cristão alguém que cuidava ser alguma coisa por cumprir algumas determinações da lei. Este versículo volta a abordar uma observação feita no início da carta: ‘...quem cuida ser alguma coisa...’ Gl 2. 6.

O judaísmo continham muitos elementos externo que tornava possível aos homens medirem uns aos outros, mas em Cristo, todas as diferenças acabaram, visto que Cristo é tudo em todos Gl 3. 28.

Compare Gl 2. 6, com Gl 3. 28 e com Gl 6. 3.

Aqueles que consideravam ser alguma coisa, e a realidade segundo o evangelho era que nada eram, estavam equivocados na sua carnal compreensão. Não tinham conhecimento da parte de Deus.

 

4 Mas prove cada um a sua própria obra, e terá glória só em si mesmo, e não noutro.

Paulo demonstra que aos cristãos não cabe impor carga uns aos outros, visto que, ninguém dentro da igreja é senhor de seu irmão.

A recomendação é para auxiliar na condução das cargas dos irmãos, e não impor-lhes carga (ordenanças).

Cada um deve julgar aquilo faz, e obter glória de suas próprias ações.

Paulo era consciente quanto ao gloriar-se. Ele tinha por glória as suas fraquezas "De alguém assim me gloriarei eu, mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas" (II Coríntios 12: 5).

 

5 Porque cada qual levará a sua própria carga.

Paulo é claro: cada um levará a sua própria carga! Não é uma demonstração, ou exercício de amor colocar cargas sobre o seu companheiro, se nem mesmo quem quer impor regras, não consegue levar.

O cristão deve auxiliar outros a levarem as suas cargas, porém, a carga não fica a cargo de quem esta auxiliando.

O não colocar tropeço ou empecilho aos companheiros já se constituí em ajuda.

 

6 E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui.

Este versículo deve ser interpretado segundo o estipulado por Paulo na carta aos II Co 12 .14. Quando Paulo recomenda que o instruído reparta todos os bens, possivelmente tenha falado de uma contribuição pecuniária. Mas a maior colaboração que um aluno pode dar a quem o instruí, é demonstrando o quanto aprendeu.

Há um leque muito grande de interpretação neste versículo, visto que, que instrui reparte conhecimento com o aluno, e este por sua vez, deve repartir também com outros, tomando por exemplo aquele que o instruiu.

 

7 Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

O que a humanidade considera como sendo justiça, a bíblia trata como sendo a lei da semeadura: tudo quando o homem semear, isto também ceifará.

Os homens questionam a justiça de Deus frente às turbações que ocorrem nesta vida: - Há, fulano matou, e onde está a justiça de Deus? Existem milhões de Crianças com fome, será que Deus é justo?

Estes esquecem que tudo quanto o homem semear, isto ceifará.

Durante o curso desta vida as pessoas colhem o que plantaram, e isto é justo.

Os cristãos devem saber que as obras dos homens sem Cristo serão julgadas no Tribunal do Trono Branco juízo final Ap 20. 11- 15. Aqueles que forem apresentados diante do Tribunal do Trono Branco, é porque estão debaixo de condenação. Estão condenados, uma vez que os seus nomes não estão inscritos no livro do cordeiro. Serão julgados pelas suas obras, da mesma forma que os que comparecerem ante o Tribunal de Cristo serão julgados.

O que o mundo não entende, é que a Justiça de Deus se revelada em Cristo, visto que, todos os homens por causa da queda de Adão estavam condenados. Em Adão toda a humanidade perdeu-se e ficou aquém da glória de Deus. Toda a humanidade estava perdida em delitos e pecados.

Muitos questionam quando Deus julgará o mundo, mas esquecem que o mundo já está debaixo de condenação “... certamente morrerás”. Quem não crê em Cristo, já esta condenado.

Diante de Deus o mundo está morto (jaz no maligno), pois pesa sobre ele o julgamento de Deus “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação” Rm 5. 18.

O juízo já veio para  condenação por uma ofensa! Os que esperam um julgamento final, devem perceber que este julgamento foi realizado no primeiro homem. Sobre este aspecto da justiça de Deus Jesus disse: “Quem crê nele não é condenado mas quem não crê já está condenado” Jo 3. 18.

Muitos esperam um julgamento para se defenderem, mas estes esquecem que já estão condenados!

Este versículo fala das ações de todos os homens sobre a face da terra. Tanto aqueles que são nascidos de novo, ou da velha criatura. Tudo o que fizerem, de bom ou mal, receberão a justa medida conforme a semente que plantaram II Co 5. 10 comparado com Ap 20. 12.

O homem colhe o fruto de suas decisões tanto aqui, quanto no mundo vindouro, tudo segundo à semente que foi semeada Rm 2. 6- 11.

Deus recompensará a cada um segundo as suas obras, pois ele não faz acepção de pessoas.

A recomendação: não erreis, foi feita aos cristãos. O apóstolo Tiago disse: "Todos tropeçamos em muitas coisas" Tg 3: 2. Isto demonstra que os cristãos, mesmo após a Regeneração são passíveis de erros.

Por que o cristão não deve errar? Porque tudo o que o homem faz, seja ele cristão ou não, será julgado por Deus em tribunais específicos.  

 

 

Claudio Crispim

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