A
promessa de Deus a Abraão constitui-se um testamento, e ninguém
o anula ou pode acrescentar coisa alguma Gl 3: 15. As promessas
foram feitas a Abraão e ao seu descendente, que é Cristo Gl 3:
15.
Deus prometeu fazer de Abraão uma grande nação e que nele seriam
benditas todas as famílias da terra Gl 3: 8. Porém, havia um
tempo estabelecido por Deus para que a promessa fosse levada a
efeito, e para isso havia a necessidade da vinda do Descendente
Gl 4: 4.
Os descendentes de Abraão embora tivessem a promessa, não podiam
herdá-la, enquanto não viesse o Descendente, por quem a adoção
de filho é concedida. Eles estavam reduzidos a servidão, debaixo
da lei, e em nada diferiam dos gentios.
Os gentios acabaram por receber a filiação divina através do
descendente, quando resgatados, e passaram a condição de filhos
de Abraão por meio da fé. A bênção de Abraão chegou aos gentios
através do descendente, que é Cristo.
Mas, o testamento confirmado a Abraão não fez distinção entre os
descendentes de Abraão e os gentios. Embora os descendentes de
Abraão estivesse sob tutores e curadores até o tempo determinado
por Deus, eles em nada diferiam dos gentios, pois Deus não faz
acepções de pessoas.
Para adquirir a condição de filhos de Deus, é preciso crer no
descendente, por quem é a promessa e a herança, e nisto não há
distinção entre gentios e judeus Gl 3: 26.
Se os judeus pensavam estar em uma condição privilegiada por
serem 'meninos', Paulo demonstra que em nada diferiam dos
escravos, e que eles não tinha direito à herança.
Todos quantos crêem em Cristo são de novo gerados, criados
idôneos para participar da herança dos santos na luz. Não são
meninos, e não precisam de tutores e curadores.
Os judeus que têm a adoção de filhos, ou seja, a promessa da
herança, devem crer em Cristo, o descendente para que
sejam resgatados da lei. pela fé em Cristo, os descendentes de
Abraão que foram reduzidos à escravidão por causa da lei, são
alçados a idoneidade, deixando de ser servos, com direitos
plenos à herança.
Desta forma, não há gentios ou gregos, pois todos são
descendentes, ou melhor, filhos de Abraão, herdeiros conforme a
promessa, pela fé em Cristo Gl 3: 26
6 E, porque sois
filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que
clama: Aba, Pai.
Os judeus eram
descendentes de Abraão e tinham a adoção de filhos (herança em
testamento), porém não tinham em seus corações o Espírito do
Descendente que clama: Aba, Pai.
Como entender a
colocação seguinte: os que
são da fé são filhos de Deus (filhos de Abraão) Gl 3: 6. Os
descendentes de Abraão refere-se aos seus filhos segundo a carne Jo
8: 37, ou seja, a descendência de Abraão não concede aos judeus a filiação
divina. João Batista disse que não basta dizer temos por Pai a
Abraão, antes precisavam mudar de conceitos acerca de como se
alcança a filiação divina, uma vez que até mesmo das pedras Deus
pode constituir filhos para si MT 3: 9.
Todos os cristãos são
filhos de Deus (ou, filhos de Abraão) pela fé em Cristo, e por fé
não há distinção quanto às origens carnais, podendo ser judeu ou
gentil Gl 3: 26. Ou seja, todos quantos crêem, se revestem
de Cristo, por serem batizados em Cristo. Para ser batizado em
Cristo é preciso fazer parte da carne e do sangue, tornando-se um em
Cristo. Desta maneira, os cristãos além de serem filhos de Abraão
(filhos de Deus), são descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a
promessa "E, se sois de Cristo, então sois descendentes de
Abraão, e herdeiros conforme a promessa" Gl 3: 29.
Por participar da
carne e do sangue do Descendente pela fé (Cristo) os gentios
tornam-se filhos de Abraão (filhos de Deus), e também
descendentes de Abraão . Desta
maneira não há distinção alguma entre gentios e judeus.
Os judeus eram
descendentes de Abraão por terem vínculo de sangue (adoção de
filhos), mas não eram filhos de Deus (filhos de Abraão), por não
terem recebido pela fé a promessa do Espírito, o seja, o Espírito do
Descendente, que clama: Aba, Pai (v. 6).
Os que 'estavam sob a
lei' (judeus) e aceitaram a Cristo pela fé,
são filhos de Deus, pois receberam do Santo Espírito em seus corações.
7 Assim que já não
és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus
por Cristo.
Conforme o que foi exposto anteriormente, o apóstolo conclui: "Assim que já não
és mais servo...". A que Paulo direcionou esta conclusão? Aos herdeiros que em
nada diferiam dos escravos quando eram 'meninos'.
Paulo lembra os cristãos que não
precisavam mais de tutor. Que a condição de 'menino' é coisa do
passado. Que estavam livres da lei. Em Cristo os cristãos judeus
passaram a condição de
filhos, idôneos e participante da herança dos santos na luz Cl 1. 12.
Observe que, quando o apóstolo enfatiza que os cristãos são herdeiros, ele quer
demonstrar a total garantia de que, como filhos, temos uma herança por meio da promessa.
8 Mas, quando não
conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses.
Paulo
lembra-os da condição passada: por não conhecerem a Deus, todos os cristãos serviam
também aos que não eram
deuses! Paulo apela para algo que talvez ainda não houvessem esquecido.
9 Mas agora,
conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como
tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de
novo quereis servir?
Paulo
demonstra estar inconformado com a situação.
Após terem conhecido a Deus, como
poderiam tornar a se submeter aos preceitos da lei? Como poderia alguém idôneo voltar a ser tutelado? Como uma pessoa idônea poderia aceitar a estar novamente
sob os cuidados de outrem?
Era de se estranhar
que eles
quisessem voltar a estar debaixo da lei com os seus rudimentos fracos e
pobres após conhecerem a Deus, ou antes serem conhecidos por Ele.
10 Guardais dias, e
meses, e tempos, e anos.
Voltar aos rudimentos
era o mesmo que guardar dias, meses, tempos e anos. Seria este
o caminho que levaria a Deus? O que levava os cristãos a rejeitarem a Cristo, que perante
eles foi apresentado crucificado?
11 Receio de vós,
que não haja trabalhado em vão para convosco.
Paulo estava
receoso com a maneira que os cristãos estavam se portando com relação ao
evangelho de Cristo, mas nutria uma esperança de não ter trabalhado em vão.
12 Irmãos, rogo-vos
que sejais como eu, porque também eu sou como vós; nenhum mal me
fizestes.
Paulo invoca
um sentimento de amizade pessoal. Embora estivessem propensos a seguirem um
pseudo-evangelho, Paulo não estava rancoroso, pois a atitude deles
não era uma afronta pessoal, eles não tinham
feito mal ao apóstolo.
Paulo demonstra que a atitude deles em estar
se afastando do evangelho trazia mal a eles próprios e não ao apóstolo.