A Carta de Paulo aos

Gálatas

 

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Capítulo IV (v. 6- 12)

 

A adoção

A promessa de Deus a Abraão constitui-se um testamento, e ninguém o anula ou pode acrescentar coisa alguma Gl 3: 15. As promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente, que é Cristo Gl 3: 15.

Deus prometeu fazer de Abraão uma grande nação e que nele seriam benditas todas as famílias da terra Gl 3: 8. Porém, havia um tempo estabelecido por Deus para que a promessa fosse levada a efeito, e para isso havia a necessidade da vinda do Descendente Gl 4: 4.

Os descendentes de Abraão embora tivessem a promessa, não podiam herdá-la, enquanto não viesse o Descendente, por quem a adoção de filho é concedida. Eles estavam reduzidos a servidão, debaixo da lei, e em nada diferiam dos gentios.

Os gentios acabaram por receber a filiação divina através do descendente, quando resgatados, e passaram a condição de filhos de Abraão por meio da fé. A bênção de Abraão chegou aos gentios através do descendente, que é Cristo.

Mas, o testamento confirmado a Abraão não fez distinção entre os descendentes de Abraão e os gentios. Embora os descendentes de Abraão estivesse sob tutores e curadores até o tempo determinado por Deus, eles em nada diferiam dos gentios, pois Deus não faz acepções de pessoas.

Para adquirir a condição de filhos de Deus, é preciso crer no descendente, por quem é a promessa e a herança, e nisto não há distinção entre gentios e judeus Gl 3: 26.

Se os judeus pensavam estar em uma condição privilegiada por serem 'meninos', Paulo demonstra que em nada diferiam dos escravos, e que eles não tinha direito à herança.

Todos quantos crêem em Cristo são de novo gerados, criados idôneos para participar da herança dos santos na luz. Não são meninos, e não precisam de tutores e curadores.

Os judeus que têm a adoção de filhos, ou seja, a promessa da herança, devem crer em Cristo, o descendente para que sejam resgatados da lei. pela fé em Cristo, os descendentes de Abraão que foram reduzidos à escravidão por causa da lei, são alçados a idoneidade, deixando de ser servos, com direitos plenos à herança.

Desta forma, não há gentios ou gregos, pois todos são descendentes, ou melhor, filhos de Abraão, herdeiros conforme a promessa, pela fé em Cristo Gl 3: 26

 

 

6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Os judeus eram descendentes de Abraão e tinham a adoção de filhos (herança em testamento), porém não tinham em seus corações o Espírito do Descendente que clama: Aba, Pai.

Como entender a colocação seguinte: os que são da fé são filhos de Deus (filhos de Abraão) Gl 3: 6. Os descendentes de Abraão refere-se aos seus filhos segundo a carne Jo 8: 37, ou seja, a descendência de Abraão não concede aos judeus a filiação divina. João Batista disse que não basta dizer temos por Pai a Abraão, antes precisavam mudar de conceitos acerca de como se alcança a filiação divina, uma vez que até mesmo das pedras Deus pode constituir filhos para si MT 3: 9.

Todos os cristãos são filhos de Deus (ou, filhos de Abraão) pela fé em Cristo, e por fé não há distinção quanto às origens carnais, podendo ser judeu ou gentil Gl 3: 26. Ou seja, todos quantos crêem, se revestem de Cristo, por serem batizados em Cristo. Para ser batizado em Cristo é preciso fazer parte da carne e do sangue, tornando-se um em Cristo. Desta maneira, os cristãos além de serem filhos de Abraão (filhos de Deus), são descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa "E, se sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa" Gl 3: 29.

Por participar da carne e do sangue do Descendente pela fé (Cristo) os gentios tornam-se filhos de Abraão (filhos de Deus), e também descendentes de Abraão . Desta maneira não há distinção alguma entre gentios e judeus.

Os judeus eram descendentes de Abraão por terem vínculo de sangue (adoção de filhos), mas não eram filhos de Deus (filhos de Abraão), por não terem recebido pela fé a promessa do Espírito, o seja, o Espírito do Descendente, que clama: Aba, Pai (v. 6).

Os que 'estavam sob a lei' (judeus) e aceitaram a Cristo pela fé, são filhos de Deus, pois receberam do Santo Espírito em seus corações.

 

7 Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.

Conforme o que foi exposto anteriormente, o apóstolo conclui: "Assim que já não és mais servo...". A que Paulo direcionou esta conclusão? Aos herdeiros que em nada diferiam dos escravos quando eram 'meninos'.

Paulo lembra os cristãos que não precisavam mais de tutor. Que a condição de 'menino' é coisa do passado. Que estavam livres da lei. Em Cristo os cristãos judeus passaram a condição de filhos, idôneos e participante da herança dos santos na luz Cl 1. 12.

Observe que, quando o apóstolo enfatiza que os cristãos são herdeiros, ele quer demonstrar a total garantia de que, como filhos, temos uma herança por meio da promessa. 

 

8 Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses.

Paulo lembra-os da condição passada: por não conhecerem a Deus, todos os cristãos serviam também aos que não eram deuses! Paulo apela para algo que talvez ainda não houvessem esquecido.

 

9 Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?

Paulo demonstra estar inconformado com a situação.

Após terem conhecido a Deus, como poderiam tornar a se submeter aos preceitos da lei? Como poderia alguém idôneo voltar a ser tutelado? Como uma pessoa idônea poderia aceitar a estar novamente sob os cuidados de outrem?

Era de se estranhar que eles quisessem voltar a estar debaixo da lei com os seus rudimentos fracos e pobres após conhecerem a Deus, ou antes serem conhecidos por Ele.

 

10 Guardais dias, e meses, e tempos, e anos.

Voltar aos rudimentos era o mesmo que guardar dias, meses, tempos e anos. Seria este o caminho que levaria a Deus? O que levava os cristãos a rejeitarem a Cristo, que perante eles foi apresentado crucificado?

 

11 Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco.

Paulo estava receoso com a maneira que os cristãos estavam se portando com relação ao evangelho de Cristo, mas nutria uma esperança de não ter trabalhado em vão.

 

12 Irmãos, rogo-vos que sejais como eu, porque também eu sou como vós; nenhum mal me fizestes.

Paulo invoca um sentimento de amizade pessoal. Embora estivessem propensos a seguirem um pseudo-evangelho, Paulo não estava rancoroso, pois a atitude deles não era uma afronta pessoal, eles não tinham feito mal ao apóstolo.

Paulo demonstra que a atitude deles em estar se afastando do evangelho trazia mal a eles próprios e não ao apóstolo.

 

 

Claudio Crispim

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