Sobre a alegoria apresentada por Paulo aos cristãos nas regiões da Galácia, não
podemos esquecer que ela é focada em Sara e Agar.
Deus prometeu a Abraão que faria dele
uma nação numerosa, e que nele todas as famílias da terra seriam
benditas.
De Abraão a Escritura diz que ele
teve dois filhos: Ismael e Isaque.
Os judeus consideravam serem
descendentes de Abraão segundo a linhagem de Isaque. Por Isaque
nascer segundo a promessa de Deus, eles acreditavam serem filhos de
Deus, por serem filhos de Abraão e Isaque.
Paulo, porém, traz a lume o grande
mistério desta passagem, e que os judaizantes não atinavam: foi Abraão que teve
filhos, e não Deus Gl 4: 22.
Ismael, um dos filhos de Abraão, foi
gerado segundo a carne, segundo a vontade de Sara e Abraão. Com
relação ao sangue, Ismael era filho de uma escrava, Agar, que
somente podia gerar filhos para escravidão.
Diferente de Ismael, Isaque foi
gerado segundo
a promessa de Deus Gl 4: 23.
É preciso observar que tanto Ismael
como Isaque foram filhos de Abraão. O filho decorrente da promessa também era filho do pai Abraão,
ou seja, filho nascido da
vontade da carne, do sangue e da vontade de Abraão, porém, segundo a promessa de Deus.
Por que é preciso fazer esta
distinção? Porque somente a mulher de Abraão, Sara, estava impossibilitada de gerar
por causa da avançada idade. Observe que mesmo após a morte de Sara,
Abraão teve concubinas e filhos Gn 25: 1- 4.
Mesmo após serem justificados pela fé,
todos os filhos de Abraão foram gerados segundo a
carne. Somente o Descendente, que é Cristo, nasceu segundo a vontade de Deus e
através do Espírito de Deus. Até mesmo Isaque, nascido segundo a
promessa, através da operação do poder de Deus, era filho segundo a
carne, segundo a vontade e sangue de Abraão.
Isaque era descendente de Abraão
(filho), porém, para se tornar filho de Abraão (filho de Deus),
precisou ter a mesma fé que teve o Pai Abraão, pois somente por meio
da fé o homem alcança a filiação divina.
A promessa de Deus a Abraão repousa sobre o Descendente, que é Cristo,
o filho Unigênito de Deus, e
os seus filhos segundo a carne (descendentes) não são filhos de
Deus.
Mas, o que Paulo procurou evidenciar através
da alegoria
fixa-se sobre as pessoas de Sara e Agar. Paulo apresenta as duas
mulheres, Sara e Agar como sendo alegoria das duas alianças de Deus:
a lei e a graça.
Deus prometeu uma nação numerosa e
que todas as famílias da terra seriam benditas em Abraão. Mas, a
alegoria não se fixa a promessa feita a Abraão, e sim, a promessa feita a
Sara.
A promessa feita a Sara, e que Paulo
evidência nesta alegoria diz: "EU a abençoarei, e dela te darei um filho" Gn 17:
16, e 18: 10; "O Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe
fez como havia prometido" Gn 21: 1. Na alegoria apresentada por Paulo,
o que deve ser destacado é a promessa de Deus à Sara.
Da promessa
feita à Sara não surgiram filhos a Deus, como os judaizantes
acreditavam, antes Deus disse a Abraão: "... em Isaque será chamada
a tua descendência" Gn 21: 12, que é Cristo.
A filiação divina decorre da promessa
feita a Abraão, e é proveniente do Descendente, e não de Isaque. A
promessa de Deus a Sara destaca-se pelo fato de ter sido concedido
a ela poder para conceber um filho, embora avançada em idade "Pela
fé, também, a própria Sara recebeu poder de conceber um filho, mesmo
fora da idade, porque teve por fiel aquele que lhe havia feito a
promessa" Hb 11: 11.
Só através do Descendente, que é
Cristo, torna-se possível gerar filhos para Deus. Filhos
nascidos, não da carne, nem do sangue, e nem da vontade do varão, mas da vontade
de Deus Jo 1: 12. Para que
os filhos de Deus sejam gerados, há a necessidade de nascerem da palavra
e do Espírito de
Deus. Nascer de Deus só é possível por meio da pregação do evangelho que é
semente incorruptível e poder de Deus pela fé em Cristo.
A alegoria demonstra que Agar
vincula-se ao monte Sinai, que corresponde à cidade de Jerusalém
atual, visto que ela e Ismael habitaram antes de todos os israelitas
no deserto de Parã Gn 21: 21.
Como os judaizantes se gloriavam da
lei, e da cidade de Jerusalém, Paulo demonstra que o único que teve
possessão desde os pais, foi Ismael, o filho de Abraão com a
escrava.
Da mesma forma que Ismael é alegoria
para os que vivem sob a lei e estavam reduzidos à escravidão, Isaque
também é alegoria para o cristão Gl 4: 28.
Os cristãos são filhos da promessa
como Isaque, pelos motivos seguintes:
-
Ambos nasceram por promessa.
Isaque pela promessa feita a Abraão e Sara, e o Cristão pela
promessa feita a Abraão,
que se cumpriu no Descendente;
-
Isaque não teve e os cristãos não
têm possessão permanente, uma vez que morreram na fé;
-
Isaque confessou e os cristãos
confessam que são peregrinos e estrangeiros na terra;
-
Tanto Isaque, quanto os cristão
desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial Hb 11: 13- 16.
Sara e Agar é alegoria das duas
alianças: graça e lei respectivamente. Agar e seu filho alcançaram
possessão no deserto de Parã, que fica na região do monte Sinai.
Especificamente refere-se a um monte da Arábia, que é a Jerusalém
atual.
Todos os que estão debaixo da
lei são escravos, pois são nascidos segundo a carne, e procuram uma
possessão terrena. Já os que nascem da promessa, são filhos de
Abraão pela fé em Cristo, e desejam uma possessão melhor, a
Jerusalém que é livre, e é de cima Gl 4: 26.
Os judaizantes se esquecem da palavra
de Sara que protesta contra os filhos da escrava Agar: "...o filho
desta escrava não herdará com o meu filho Isaque" Gn 21: 10.
Os judeus acreditavam que eram filhos
de Deus por ser Isaque filho da promessa. Porém, não observaram que
Isaque era filho da promessa que foi feita à Sara, e que a promessa de
filiação divina somente é possível pela fé em Deus, que prometeu o
seu Filho, o Descendente.
Não podemos esquecer-nos da comparação
estabelecida: "Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa como
Isaque" (v. 28). Isaque nasceu da promessa feita à Sara, e o
Cristão por meio da promessa feita a Abraão. Desta forma somos
filhos da promessa como Isaque, o que se entende
alegoricamente. Por quê? Porque Isaque nasceu segundo a promessa,
fidelidade e poder de Deus, e os cristãos através da união com o
Descendente. Nascem também segundo a promessa feita a Abraão, pois
Deus é fiel e concede a sua palavra, que é poder de Deus para todos
quantos crêem, para serem feitos filhos de Deus Jo 1: 12; Rm 1: 16.
O cristão é filho da promessa como
Isaque, e não em Isaque, como os que esperavam ser justificados pela
lei compreendiam.
(leia o texto A Regeneração)