8 (Porque aquele
que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão,
esse operou também em mim com eficácia para com os gentios),
Os irmãos
reconheceram o apostolado de Paulo, e que Deus operava por
intermédio de
Paulo da mesma forma que operava com Pedro.
O serviço de Paulo e
Pedro em prol do evangelho não se apoiou em homens, mais em Deus.
Deus operou eficazmente tanto com
Paulo
quanto com Pedro. A intrepidez de Pedro ao falar do evangelho aos da circuncisão
foi semelhante à de Paulo quando anunciava a mensagem do evangelho
aos gentios.
9 E conhecendo
Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça
que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e
com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à
circuncisão;
O relato de Paulo aos cristãos da Galácia demonstra
que o evangelho que ele anunciava nunca esteve divorciado do que era
apregoado pelos outros apóstolos.
Pedro, João e Tiago eram considerados como
colunas da igreja, e quando se inteiraram do serviço desenvolvido por Paulo
entre os gentios, não o recriminaram. Antes, estenderam-lhe a mão demonstrando que estavam e plena comunhão.
Com isso, estava claro que Tiago, Pedro e João também aceitaram o serviço
de Barnabé, que trouxe o apóstolo Paulo aos outros apóstolos At 9. 27. A comunhão foi estabelecida
e definiram duas frentes de evangelismo: os de Jerusalém iriam aos judeus e Paulo e
Barnabé aos gentios.
10 Recomendando-nos
somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer
com diligência.
A única recomendação a Paulo não se referia ao conteúdo do evangelho,
mas a administração de alguns bens direcionados aos pobres. Com isso fica
demonstrado que nenhum apóstolo de Jerusalém contestou o evangelho anunciado por Paulo.
Após receber a determinação dos pais da igreja com referência ao
cuidado com os pobres, Paulo
passou a cumpri-la a risca. Este cuidado fica demonstrado nas cartas aos Corintos, em
que ele busca incessantemente a ‘sinceridade do amor’ dos irmãos II Co 8. 8.
Todas as vezes que Paulo vai tratar do cuidado
que se deve ter com os pobres, ele interrompe a seqüência da
narração e introduz o tema desta forma: “Ora, quanto a coleta para os santos...
I Co 16. 1”; “E agora, irmãos.. II Co 8. 1”; “Ora, quanto a assistência... II Co
9. 1”.
Isto demonstra que as verdades do evangelho já havia
sido anunciado
pessoalmente, porém, havia a necessidade de se enfatizar em suas cartas a necessidade da
contribuição para sustento dos pobres, conforme a recomendação que recebera.
11 E, chegando
Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.
A chegada de Pedro a Antioquia deveria confirmar o evangelho pregado por
Paulo, entretanto, o comportamento dele não condizia com a verdade do evangelho.
Como o comportamento de Pedro
poderia influenciar o evangelho de Cristo, por ele ser uma das colunas da
igreja, Paulo não se conteve, e o resistiu, ou seja, repreendeu.
Paulo levantou-se contra a atitude de Pedro, mesmo ele sendo uma das
colunas da igreja. Aquele comportamento de Pedro, embora fosse normal para ele, poderia por
em risco a essência do evangelho.
Paulo se posicionou contra a atitude que
poderia trazer um entrave ao evangelho,
e não contra a pessoa de Pedro. Em momento algum houve uma disputa por posição.
12 Porque, antes
que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios;
mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles,
temendo os que eram da circuncisão.
Aqui está o
motivo da repreensão de Paulo a Pedro.
Pedro estava comendo com os gentios, e quando
percebeu que Tiago estava chegando com outros irmãos, e que estes irmãos eram da
circuncisão, um sentimento de temor tomou o coração de Pedro, que o fez
se apartar dos gentios, para se acomodar junto aos da circuncisão.
De maneira explicita, Pedro se retirou do meio
dos cristãos 'gentios' por temer os da
circuncisão.
13 E os outros
judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se
deixou levar pela sua dissimulação.
A dissimulação
de Pedro contagiou outros cristãos de origem judaica, de forma que até Barnabé se deixou levar.
Paulo toca em um assunto muito interessante: a questão comportamental. Não
podemos assumir uma postura que vá contra os princípios bíblicos. Se Deus não
faz acepção de pessoas, nós, como cristãos, devemos ter uma postura conforme os
princípios da escritura.
Nada
faz os homens
diferentes diante de Deus,
a não ser o novo nascimento.
14 Mas, quando vi
que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho,
disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como
os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem
como judeus?
Aqui há
vários exemplos a se seguir. Exemplos da parte de Paulo e da parte de Pedro:
-
Paulo saiu em defesa do evangelho,
sem buscar uma
posição ‘melhor’, ou de destaque na igreja;
-
A repreensão foi na frente de todos.
Paulo não fez um
comentário de cunho faccioso. Ele não queria um ambiente de fofocas;
-
A repreensão foi na presença de
todos, para que nenhum dos cristãos que presenciaram a
dissimulação saíssem com a idéia de que havia um distinção entre
judeus e gentios após a conversão;
-
A palavra foi dirigida a Pedro, o responsável por aquele clima de
dissimulação;
-
Pedro, um dos principais da igreja, foi bastante humilde para
aceitar a correção;
-
Pedro não utilizou o seu
prestígio para desculpar-se ou
agir arrogantemente;
-
O erro de Pedro fixa-se em uma
pequena questão comportamental, porém, se não fosse repreendida a tempo, tornar-se-ia um problema que
acabaria por afetar a sua
vida espiritual.
Há várias lições nestes versículos. A mais
importante é para que o
cristão não aceite passivamente idéias e comportamentos que não condizem com o
a verdade do evangelho.
Até mesmo os lideres devem aprender com Pedro a humildade, como servos de
Cristo.
Paulo argumenta: O que motivava alguém que
vivia como gentil, exigir que outros vivessem como judeu?