A Carta de Paulo aos

Gálatas

 

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |

 

Pág. 6 

 

Capítulo II (v. 15- 21)

 

A fé em Cristo

15 Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios.

Paulo construiu aqui, uma frase que demonstra a falsa superioridade dos judeus.

Por natureza os da circuncisão eram judeus e pecadores. Sem contradição alguma, pois todos os homens pecaram em Adão.

A condição de judeu é determinada pela filiação em Abraão (natural), e não por Deus. Da mesma forma que a condição de pecadores não decorre de Deus, mas da natureza decaída herdada de Adão.

 

16 Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.

Paulo enfatiza um saber comum a todos cristãos: o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Cristo!

Todos os cristãos creram em Cristo para serem justificados, uma vez que era de conhecimento que pelas obras da lei ninguém é justificado.

Como a lei não pôde justificar, é Cristo quem justifica.

 

17 Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma.

Todos os cristãos professavam que eram salvos (justificados) pela fé em Cristo (v. 16), o que leva a concluir que todos buscaram a Cristo para serem justificados.

Os cristãos estavam professando uma verdade, mas demonstravam que não entendiam o que era ser justificado em Cristo.

Como os cristãos haviam procurado justificação em Cristo por meio da fé, e não por intermédio das obras da lei, é certo que eles haviam deixado de ser pecadores. Não é razoável ser justificado em Cristo, e ao mesmo tempo permanecer sendo pecador.

Um judeu por natureza é pecador, e se permanecer separado da vida que há em Deus, será achado pecador. Mas, qualquer homem que se refugiar em Cristo, for ainda achado pecador, é o mesmo que dizer que Cristo está sendo ministro do pecado. Que contradição!

O apóstolo não está falando de comportamento, de condutas errôneas, mas da cadeia, ou da natureza que prende todos os homens que não tem a Cristo como Senhor.

Paulo é bem claro: Se após estar em Cristo, o cristão ainda permanecer sendo pecador, ou seja, de posse da velha natureza herdada em Adão, Cristo haveria de ser ministro do pecado.

Só em expor este raciocínio, Paulo interpõe uma ressalva: De maneira nenhuma! Ou seja, o cristão deixa de ser pecador.

Este fato é atestado também pelo apóstolo João: “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado. Porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” I Jo 3. 9. Por que o cristão não peca? Porque o homem que creu em Cristo compartilha da natureza divina II Pe 1: 4.

Se qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, todos quantos não são nascidos de Deus cometem pecado.

Para ser nascido de Deus é preciso ter a semente de Deus, isto demonstra que aqueles que não tem a semente de Deus (a palavra do evangelho), são nascidos da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue Jo 1: 13.

Paulo queria que os cristãos compreendessem que, se mesmo após serem justificados em Cristo, ainda estivessem necessitados da lei para serem justificados, ainda estavam em pecado, e Cristo estaria assumindo o papel de ministro do pecado.

É Certo que Cristo morreu pelos cristãos, sendo eles (nós) ainda pecadores. Quando o homem aceita a Cristo, ainda está na condição de pecador.  Depois de aceitá-lo, porém, vive um novo tempo de paz, amor e justiça, pois é uma nova criatura em Cristo Jesus.

'Noutro tempo' éramos pecadores, hoje, estamos assentados nas regiões celestiais em Cristo. A condição do Cristão hoje difere totalmente em essência, da condição de outrora.

 

18 Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor.

Este versículo é significativo para a compreensão da salvação.

Paulo estava alertando que, caso os cristãos voltassem a seguir a lei, estariam se constituindo transgressores.

Não era Cristo que estava lançando fora os cristãos, antes, eles mesmos estavam lançando mão de conceitos errôneos, que os levaria de volta a perdição.

O versículo evidencia que em momento algum a salvação de Deus deixa de ser efetiva na vida do crente. A salvação em Cristo é poderosa e eterna, e desde que permaneça em Cristo, o homem jamais se perderá. Porém, se este mesmo homem voltar a edificar o que antes havia destruído, voltará a ser transgressor diante de Deus.

O homem deve crer em Deus para ser salvo, porém, a fé tem uma obra: a perseverança, conforme disse Tiago.

Aqueles que estão perante o Pai, jamais serão lançados fora, mas se o homem recuar,  há de trazer sobre si perdição.

Se a salvação fosse segundo a idéia da ‘predestinação’ anunciada pelos reformadores, ou decorresse de um destino previamente traçado, conforme a mentalidade humana atina, não haveria a necessidade de alertar os cristãos quanto aos possíveis desvios. Paulo não precisaria falar em perseverança na fé proposta, e nem mesmo haveria a necessidade de defender o evangelho.

O que foi destruído por meio da fé em Cristo, e que Paulo fala de sua reedificação? A carne do pecado por meio do corpo de Cristo. Como e quando ocorre a destruição da carne? Quando se morre com Cristo, conformando-se com o seu sofrimento, morte e sepultamento. Em outro lugar Paulo fala da circuncisão de Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Que é o desfazer-se por completo da carne, e não só do prepúcio Cl 2: 11- 13.

Paulo argumentou que, se torno a edificar o que destruí, acabo por tornar transgressor, ou seja, o homem volta a condição de antes, pecador e sob o domínio do pecado.

Quando se morre com Cristo e ressurge com ele, a inimizade com Deus é desfeita através da carne do seu corpo, isto é, pelo novo e vivo caminho Hb 10: 20.

 

19 Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.

Paulo demonstra que, perante a lei, ele estava morto, e que não possuía vínculo algum com ela, visto que o apóstolo já havia morrido com Cristo.

O objetivo de não mais cumprir a lei era o de viver para a Deus, e não para a lei.

Observe que a própria lei isentava o apóstolo quanto a sua submissão, visto que ele estava morto para a lei.

 

20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

Paulo se considerava morto, uma vez que foi crucificado com Cristo. Observe que a nossa crucificação é com Cristo, ou seja, juntamente com ele, e não a parte dele.

Mesmo que milhares de pessoas morreram crucificados, a nossa morte não tem relação alguns com elas. Há argumentações que tentam demonstrar que a nossa morte é lenta, conforme a morte de algumas pessoas que foram crucificadas à época de Cristo. Outros tentam demonstrar que alguns cristãos ainda não morreram, devido ao fato de que alguns condenados pelo governo Romano eram tirados da cruz pelos seus familiares, permanecendo vivos, mas tidos como mortos.

Seja anátema tal ensinamento! Cristo diz: “...se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmo” Jo 6. 53; II Tm 2. 11; II Co 5. 14; I Co 15. 36. É preciso ser participante da carne e do sangue, ou seja, morrer com Cristo, e não 'aparte' d'Ele.

Todos aqueles que crêem que Cristo morreu em favor dos pecadores, tornam-se participantes da morte de Cristo e recebem poder para serem feitos filhos de Deus: nascidos não da vontade da carne, do sangue ou da vontade do varão, mas de Deus.

A idéia de que a morte do cristão se dá aos moldes da crucificação Romana não é consistente, visto que a nossa morte é conforme a morte do Santo Cristo: “Para conhecê-lo, e a virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme a sua morte” Fl 3. 10.

“Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é por ventura Cristo ministro do pecado? De maneira alguma” v. 17.

 

“Se procuramos ser justificados por Cristo é para que não sejamos pecadores, mas se fomos achados pecadores mesmo após estarmos com Cristo, Ele tornar-se-ia ministro do pecado. Visto que Cristo não é ministro do pecado, nós não podemos ser mais tido por pecadores”

Se estamos em Cristo e ainda continuamos sendo pecadores e necessitados da lei, só resta desesperança.

O 'Eu' que Paulo utiliza nos versos 19 e 20 é figurativo, ou seja, representa o velho homem de Paulo. 'Eu' pela lei estou morto, ou, 'eu' estou crucificado com Cristo. Quando Paulo fala da sua pessoa, ele enfatiza com a palavra 'mesmo', ou seja: "Eu mesmo' II Co 8: 13; Rm 9: 3.

Paulo (eu) estava morto, e não mais vivia, ou seja, agora, Cristo vivia nele. Por se uma nova criatura, o que é o mesmo que estar em Cristo, segue-se que Cristo vivia em Paulo.

A vida que Paulo passou a viver na carne, apoiava-se em Deus, diferente da vida de outrora, que se apoiava na lei e nas tradições de seus pais.

 

21 Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.

Deus é fiel e jamais retira a sua salvação de sobre os seus servos A graça de Deus, de maneira alguma será retirada, visto que ele é fiel e poderoso para suster os seus servos Rm 8. 31- 39. Em Deus a salvação é eterna! Deus jamais encolherá a sua mão quanto ao propósito de salvar.

Mas esta passagem é peculiar: Deus é fiel e poderoso para cumpri o que prometeu, mas é possível ao homem aniquilar a graça de Deus?

Paulo argumenta que Ele não aniquilaria a graça recebida, visto que não mais se utilizava da lei para se justificar. Se Paulo não anula a graça, verifica-se que o homem pode rejeitar a graça de Deus quando lança mão da lei para se justificar “...da graça tendes caído” Gl 5. 4.

Paulo vai além: se alguém considerar que a justiça vem da lei, está dizendo que a morte de Cristo foi em vão.

O verso 21 soma-se ao 18: Se torno a edificar aquilo que destruí, anulo a graça de Deus! 

 

 

 

Claudio Crispim

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |

www.ibiblia.net
Copyright© 2006. All rights reserved.