Somente após quatorze anos, o
apóstolo Paulo deliberou ir a Jerusalém para novamente falar com os
apóstolos que conviveram com Cristo.
Paulo foi a Jerusalém acompanhado de
Barnabé e Tito.
2 E subi por uma
revelação, e lhes expus o evangelho, que prego entre os gentios, e
particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira
alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão.
Paulo deixa claro que
'subiu' a Jerusalém motivado por uma revelação.
O apóstolo Paulo aproveitou
a oportunidade, e fez uma exposição do evangelho que
pregava aos gentios. A exposição foi direcionada àqueles que eram
estimados pela igreja de Jerusalém.
Ele expôs o evangelho
que estava sendo pregado aos gentios com
o intuito de verificar se não havia nenhuma discrepância entre o
evangelho que estava anunciando, comparando com o evangelho exposto
pelos outros discípulos.
Paulo não queria
correr em vão, e estava disposto até mesmo a corrigir qualquer desvio ou
discrepância quanto ao que ele estava apregoando aos gentios. Esta exposição, ou
verificação, foi realizada durante o concílio em Jerusalém.
A
exposição de Paulo foi diante de alguns irmãos que ‘pareciam’ ter um maior destaque. Ele
demonstra que 'pareciam' ser, porque diante do evangelho de Cristo, a aparência do
homem não é levada em conta. O que tem valor diante de Deus, é a fé que opera pelo amor
(v. 6).
3 Mas nem ainda
Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a
circuncidar-se;
A atitude daqueles que ouviram a exposição do evangelho
apregoado aos gentios, demonstrou que o anunciado por Paulo estava em
conformidade com o evangelho apregoado pelos outros apóstolos de Cristo.
Aceitaram o apóstolo Paulo de bom
grado, e nem mesmo recriminaram a Tito, seu companheiro grego a
circuncidar-se. A atitude deles demonstrou de maneira clara que o
evangelho proclamado por Paulo estava em conformidade com
o evangelho anunciado pelos outros apóstolos e por Cristo.
A
expressão ‘nem mesmo’ demonstra que, se algum cristão precisava cumprir com alguma
determinação decorrente da lei, este alguém deveria ser Tito: ele era grego e incircunciso.
Caso os apóstolos de Jerusalém estivessem apregoando a circuncisão, o primeiro a
ser recriminado seria Tito, pois ele era grego e incircunciso.
4 E isto por causa
dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a
espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem
em servidão;
A exposição do evangelho que Paulo pregava
entre os gentios se fez necessário porque havia em Jerusalém falsos irmãos.
Os 'falsos irmãos'
são caracterizados por tentarem levar os servos de Cristo à servidão
da lei. Eles observavam a liberdade dos cristãos concedida por
Cristo (não observância da lei mosaica), para tentarem levar cativo
os cristãos incautos.
O objetivo de Paulo
ao demonstrar que expôs o evangelho de Cristo aos outros apóstolos,
e que em nada foi contestado, era dirimir qualquer dúvida
dos cristãos quanto as falsas doutrinas dos judaizantes, e defender
o seu apostolado.
5 Aos quais nem
ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do
evangelho permanecesse entre vós.
Paulo não se submeteu as determinações judaizantes,
nem mesmo por um instantes, por ser aquele um momento
estratégico e decisivo para a continuidade da verdade do evangelho At 15. 2 -5.
Estrategicamente, para a propagação do evangelho, Paulo fez com que Timóteo
submetesse à circuncisão, não foi circuncidado para salvação****, e sim para que eles obtivessem uma melhor abertura quanto
à proclamação do
evangelho At 16. 3. Porém, quanto da visita a Jerusalém, Paulo
demonstra que não devemos nos curvar, nem por uma hora, a ensinamentos errôneos.
Não podemos ser condescendestes a
erros que comprometam a verdade do Evangelho.
6 E, quanto àqueles
que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não
se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que
pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram;
Ao interpretar as cartas de Paulo, o leitor deve ter em mente que várias
vezes ele quebra a seqüência da narração principal, faz uma pequena abordagem em
um aspecto secundário a esclarecer, e em seguida, volta a discorrer
sobre o tema
central.
Exemplos típicos de quebra na narração encontra-se neste capítulo: o verso
dois deste capítulo é uma
continuação da narração histórica das viagens que Paulo realizou, sendo que o verso
três foi inserido somente para demonstrar que o evangelho por ele anunciado, foi
confirmado pelos outros apóstolos.
O verso três aparece isolado no
texto, e somente torna-se compreensível por causa do contexto geral
da carta. Já o verso quatro explica o porquê dele ter exposto o evangelho
anunciado aos gentios, aos cristãos de Jerusalém.
O verso cinco demonstra qual a atitude e posicionamento
de Paulo frente aos
judaizantes, e neste verso, ele volta a explicar porque classificou algumas
pessoas da igreja
de 'parecer ser alguma coisa'.
Paulo procurou, dentre os cristãos de
Jerusalém, aqueles que aparentemente detinham maior destaque, e expôs
o evangelho (v. 2). Porém, a aparência que era tida em destaque no
seio da igreja de Jerusalém, nada acrescentou a Paulo (v. 6).
A aparência destes cristãos, que eram
tidos em destaque, teve o seu valor a seu devido tempo. Paulo
refere-se a este 'outro' tempo como se dele nem se lembrasse mais.
Noutro tempo refere-se ao tempo em
que os cristãos ainda eram trevas, ao tempo em que os cristãos eram
considerados incircuncisos pelos da circuncisão. Noutro tempo
refere-se ao passado dos cristãos, quando andavam segundo o curso
deste mundo Ef 2: 11; 5: 8 e Cl 1: 21.
Aqueles que pareciam ter destaque na igreja
através da aparência que detinham (aparência do homem), não tiveram nada a
acrescentar à pregação de Paulo.
7 Antes, pelo
contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava
confiado, como a Pedro o da circuncisão
A mesma autoridade que Pedro teve entre os judeus
ao pregar o evangelho, os cristãos em Jerusalém reconheceram que Paulo
detinha ao comunicar a graça de Deus entre os gentios.
A autoridade de Paulo
tornou-se evidente aos irmãos de Jerusalém através da exposição .