7 Corríeis bem;
quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade? 8 Esta persuasão
não vem daquele que vos chamou.
O apóstolo elogia o posicionamento anterior que os irmãos possuíam: Corríeis
bem!. Eles estavam
correndo para alcançar o prêmio proposto "Prossigo para o alvo, pelo prêmio da
soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Filipenses 3: 14).
Mas, quem estava impedido a corrida? Observe que a corrida refere-se a
obediência à verdade do evangelho.
A persuasão que procura impedir a obediência ao evangelho, não vem de Cristo, ou
seja, daquele que havia chamado os cristãos.
Resta o alerta de Paulo em outra carta: “Ninguém vos prive do prêmio...” Cl 2. 18
9 Um pouco de
fermento leveda toda a massa.
Qualquer
tentativa de mesclar, um pouco que fosse, a lei com o evangelho, acaba por
comprometer a verdade do evangelho de Cristo. De maneira alguma a lei une-se ou
complementa o evangelho.
O que
serviu de ‘aio’ para que o homem pudesse se achegar a Cristo não pode tomar o lugar que só a Ele
pertence. A lei não substitui, e nem acompanha a graça de Cristo.
Esta verdade foi anunciada por Jesus, ao declarar que não se coloca vinho novo em odres
velhos, e que não se faz remendo com pano novo em vestidos velhos, quando
perguntaram sobre a prática dos jejuns Mt 9: 14- 17.
O evangelho de
Cristo é simbolizado pelo vinho novo, que é a nova aliança. Somente o novo
homem (odre novo) comporta o vinho novo, e ambos se conservam. O novo homem
gerado pelo Espírito e a
nova aliança sempre andarão juntos.
Não
há como inserir o vinho velho, ou a antiga aliança no novo homem! A lei
compromete a vida do novo homem gerado em Cristo Jesus.
Um pouco de fermento, ou seja, um pouco da doutrina dos fariseus compromete a
verdade do evangelho de Cristo "Então compreenderam que não dissera que se
guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus" (Mateus 16:
12).
10 Confio de vós,
no Senhor, que nenhuma outra coisa sentireis; mas aquele que vos
inquieta, seja ele quem for, sofrerá a condenação.
Paulo confiava
em Deus, que os cristãos não estariam pensando que era possível admitir um pouco
de fermento. "Confio de vós, no Senhor..." que dá o conhecimento necessário para que os irmãos não demovam do evangelho que fora anunciado.
Com base em Deus, Paulo confiava
que os irmãos manter-se-iam firmes naquilo que foram ensinados.
Aqui Paulo demonstra que alguém pertencente à igreja estava procurando mudar o
conteúdo do evangelho, com base em ensinamentos provenientes da lei mosaica. Qualquer que
fosse este agente do maligno, acabaria por sofrer a condenação.
Devemos refletir sobre a condenação que pesa sobre aqueles que inquietam os
filhos de Deus com um pseudo-evangelho.
Paulo não poupa críticas a quem estava a incomodar os cristãos, ressaltando não
importar-se com aparências, ou com quem quer que seja.
11 Eu, porém,
irmãos, se prego ainda a circuncisão, por que sou, pois, perseguido?
Logo o escândalo da cruz está aniquilado.
Possivelmente alguém estava espalhando entre os cristãos que o apóstolo Paulo
estava apregoando a necessidade da circuncisão.
Paulo questiona os seus leitores para fazê-los chegar a uma conclusão: qual o
motivo de Paulo continuar sendo perseguido? Não havia uma explicação plausível
para a perseguição do apóstolo, caso ele estivesse afirmando a circuncisão.
Os judaizantes aceitavam o evangelho de Cristo mesclado à lei, ou que bastava a
circuncisão para eles serem tolerantes quanto ao evangelho, isto demonstra que
estavam desconsiderando a determinação da lei, pois segundo a lei, todo homem
pendurado no madeiro é maldito.
Com este argumento Paulo demonstra que evangelho e lei não são conciliáveis.
Para os cristãos, o Cristo crucificado é poder de Deus e sabedoria de Deus, mas
para os judeus, Cristo é tido como escândalo I Co 22- 25.
A perseguição dos judeus contra Paulo não era somente pela circuncisão,
antes perseguiam-no por causa do escândalo da cruz.
12 Eu quereria que
fossem cortados aqueles que vos andam inquietando.
Outras traduções rezam que fossem 'cortados',
'desligados', ou 'que se mutilassem'.
"Oxalá até se mutilassem os que vos incitam à
rebeldia"
Não observamos na doutrina do evangelho a idéia de
exclusão, ou excomunhão.
Conhecendo o perfil doutrinário de Paulo,
verifica-se que ele sempre desejou levar todos os homens cativos a
obediência de Cristo "Destruindo os conselhos, e toda a altivez que
se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o
entendimento à obediência de Cristo" (II Coríntios 10: 5).
Porém, verifica-se que ele recomenda aos cristãos de
Corinto que não se associassem com as pessoas que se diziam irmãos,
mas que viviam em devassidão. Neste contexto, Paulo recomenda que um
dos cristãos fosse retirado do meio dos cristãos I Co 5: 2 e 13.
Durante a recomendação, Paulo expressa o desejo de
que o tal 'iníquo' fosse entregue a Satanás, com o intuito de que a
sua alma fosse salva I Co 5: 5, o que parece repetir-se neste verso.
A abordagem nos dois textos são diferentes, porém, o
objetivo final do apóstolo é o mesmo: que o espírito deles fossem
salvos no dia do Senhor.
A circuncisão é um tipo de mutilação. Quando Paulo
expressa a vontade de que se mutilassem, possivelmente tivesse em
vista a circuncisão de Cristo. Seria esta uma maneira dos pais do
evangelho expressar o desejo de que os judaizantes que recomendavam
a circuncisão se convertessem a Cristo?
Possivelmente Paulo tenha expressado neste versículo o desejo de que
os judaizantes fossem
circuncidados (mutilados) segundo a circuncisão de Cristo, que é o despojar do
corpo da carne Cl 2: 11.
O que reforça esta abordagem é o fato do verso
seguinte abordar as questões relativas à carne.
13 Porque vós,
irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade
para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.
O ciclo de
argumentos utilizados para demonstrar a liberdade daqueles que estão em Cristo
por meio do evangelho encerra-se neste
versículo, e concede um ligação para um novo assunto.
Os cristãos foram chamados à liberdade, ou seja, para uma nova condição. É um
chamado, e não uma escolha ou predestinação. Porém, os que foram chamados e
aceitam o 'convite', são contados entre os filhos de Deus, pois para isto são
predestinados. Os que vierem a Cristo são criados em verdadeira justiça e
santidade, sendo portanto, santos e irrepreensíveis, condição pertinente aos
eleitos de Deus.
O cristão é chamado para assumir uma nova condição, porém, esta nova posição em
Cristo não coaduna com os feitos da antiga condição. Deste ponto em diante Paulo introduz
uma abordagem que mescla a nova condição em Cristo e o comportamento deste novo
homem.
Paulo alerta que os cristãos não podem dar vazão àquilo em que a lei estabeleceu o seu domínio
sobre o homem:
a carne.
Todo e qualquer serviço que o cristão executa não tem a sua base, ou não esta
relacionado com a lei. O serviço do cristão vincula-se a lei do amor. Desta
maneira Paulo instrui: 'servi-vos em amor', diferente do que era posto na antiga aliança.
O serviço em amor não se sustenta em uma obrigação, ou não se faz acompanhar de
uma maldição, como era o caso da lei. Hoje, em Cristo, o cristão possui uma nova
natureza, que não procede de mandamentos, com plena liberdade de servir a Deus
em amor.
Submeter-se a um mandamento que lhe era contrário a
natureza é coisa de um outro tempo. Hoje, o crente possui uma nova natureza e um
novo mandamento, que é verdadeiro em Deus I Jo 3: 23.
14 Porque toda a
lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a
ti mesmo.
Para aqueles que valorizavam os mandamentos presentes na lei por questões
religiosas, morais e comportamentais, Paulo evidência no que consiste todo o
ordenamento moral da Antiga Aliança: numa só palavra: Amarás ao teu próximo como
a ti mesmo.
A essência moral da
lei é que dava forças ao discurso dos judaizantes, porém, Paulo demonstra que o
evangelho de Cristo resumia tudo em um só palavra.
O amor deve ser
a base de qualquer relacionamento, mas se não for segundo o mandamento que Deus
ordenou, é sem valia alguma I Jo 3: 23.
Mesmo libertos do
pecado, estando em plena liberdade, os cristãos estavam deixando se levar por
aspectos pertencente à natureza decaída: a carne “ocasião a carne” (v. 13). Como
isto é possível? Os
cristãos estavam em desavenças entre si (v. 15).
O
apóstolo deixa de falar daquilo que a lei não pode fazer pelo homem (justificar) e passa a
demonstrar que as idéias dos judaizantes estava causando
dissensão entre os cristãos.