A Carta de Paulo aos

Gálatas

 

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Pág. 20 

 

Capítulo V (v. 18- 26)

 

O Andar na Carne e o Andar no Espírito

18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.

Apesar da oposição carne e Espírito para que o cristão não faça a sua própria vontade, ele precisa esta consciente que é guiado pelo Espírito, e que não mais esta debaixo da lei.

Aquele que é nascido do Espírito, e que anda no Espírito, é guiado pelo Espírito, não precisando de tutor ou curador (não estais debaixo da lei). Isto porque a carne só pode disciplinar aqueles que vivem e andam segundo a carne. Como a lei não pode justificar o homem carnal, ela acaba por tornar evidente o estado de degradação que a velha natureza produz.

Para os libertos por Cristo, não há lei.

 

19 Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, 20 Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, 21 Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.

O que a carne produz está descrito acima, e a lei não consegue melhorar o que a carne produz. A lei acaba por evidenciar a condição da carne: a não sujeição a Deus.

 

22 Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. 23 Contra estas coisas não há lei.

O fruto, ou aquilo que o Espírito produz é descrito no verso acima.

É um erro considerar a palavra 'fruto' como se ela figurasse o fruto de uma árvore e as suas qualidades.

Fruto do Espírito refere-se aquilo que o Espírito produz no homem, ou antes, as obras que de antemão, Deus preparou para que o cristão andasse nela.

O que o Espírito produz não é contrário a lei, visto que a lei é espiritual.

 

24 E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.

O que o Espírito produz é de conhecimento dos cristãos, porém o mais importante é demonstrado neste verso: os que são de Cristo, ou seja, aqueles que lhe pertencem crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscência.

Os que pertencem a Cristo são de uso exclusivo de Deus (Santificados). Isto tornou-se possível porque o cristão conforma-se com Cristo na sua morte. A carne e tudo o que lhe é pertinente também foi crucificado: suas paixões e concupiscência.

Aqueles que não são de Cristo é porque não crucificaram a carne, e por isso não pertencem a Deus.

O apóstolo Paulo destaca para os cristão o evento da conformação com Cristo na sua morte,  para por um termino à discórdia entre os cristãos. Sendo a discórdia e a dissensão algumas da paixões da carne, Paulo quer destacar que  tudo pertencente a velha natureza foi cravada na cruz pela fé Gl 5: 15.

Este versículo reitera que o cristão não possui duas naturezas, isto porque, para se adquirir a nova natureza, em primeiro lugar é preciso aniquilar a antiga natureza, cravando-a na cruz Fl 3: 10.

Não há como o cristão satisfazer as concupiscências da carne, uma vez que o sofrera a circuncisão de Cristo, que é o despojar do corpo da carne. A carne com suas paixões e concupiscência foi cravada na cruz para os que crêem.

 

25 Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.

Quando criados pelo Espírito Eterno através da semente incorruptível, o cristão passa a viver pelo Espírito. Após tornar-se participante da vida que há em Deus, o cristão deve andar como servo da Justiça, ou seja, em Espírito. Se posse da natureza divina, resta ao cristão comportar-se como filho de Deus.

Não é o comportamento do homem que o faz agradável a Deus, antes, a paz com Deus é possível por intermédio de Cristo. No entanto, agora como filhos da luz, o cristão deve andar como filho da luz "Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz" (Efésios 5: 8).

Compare a redação do versículo 25 com o versículo 16.

 

26 Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.

Paulo encera o assunto que ele começo a desenvolver no versículo 15. As disputas provenientes da lei acabaram por aguçar um desejo de preeminência entre os cristão.

Paulo destaca que este comportamento é busca por uma glória vã. Esta cobiça somente estava irritando alguns, e criando inveja em outros.

Basta ao cristão andar como filho da luz, e não terá o comportamento descrito acima.

 

 

Claudio Crispim

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