As
‘boas novas’ do evangelho anunciadas por Cristo aos homens é única.
Qualquer outra mensagem que destoe da palavra anunciada por Cristo é
anátema.
O Propósito Eterno
A mensagem do evangelho foi
estabelecida antes dos tempos eternos (na eternidade), segundo o
eterno propósito de Deus de fazer convergir em Cristo todas às
coisas, para que em tudo Ele seja proeminente
"Em esperança
da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes
dos tempos dos séculos"
(Tito 1: 2);
"De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na
dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus
como as que estão na terra"
(Efésios 1: 10); "E ele é a cabeça
do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos,
para que em tudo tenha a preeminência"
(Colossenses 1: 18).
O eterno
propósito de Deus é convergir em Cristo todas às coisas, para que em
tudo Cristo seja preeminente. Ora, Deus revelou o mistério da sua
vontade através da mensagem do evangelho. Mistério que estava oculto
em Deus por causa do beneplácito (consentimento, aprovação) proposto
em Cristo, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo.
Ao escrever
aos cristãos em Éfeso, Paulo fala acerca deste evangelho:
“A mim, o menor
de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os
gentios, por meio do evangelho, as riquezas insondáveis de Cristo, e
demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os
séculos esteve oculto em Deus, que a tudo criou”
(Efésios 3: 8- 9).
Deus é eterno.
O Verbo encarnado é eterno. O propósito é eterno. A promessa é
eterna. Assim que, todas as promessas de Deus cumprem-se em Cristo
"Porque
todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém,
para glória de Deus por nós"
(II Coríntios 1: 20).
O propósito
eterno de Deus não pode ser frustrado porquê:
-
O Verbo de Deus ao ser
introduzido no mundo tornou-se o unigênito de Deus (João 1: 14 e
18) e o primogênito de toda a criação (Colossenses 1: 15;
Hebreus 1: 6) – O único Filho (unigênito) de Deus também é
designado o ‘primeiro gerado’ (primogênito) de Deus, diferente
dos outros seres, que foram criados;
-
Ao ressurgir dentre os
mortos, Cristo tornou-se o primogênito dentre os mortos
(Colossenses 1: 18) – Primeiro gerado dentre os mortos; isto
porque todos os que crêem no evangelho a semente incorruptível,
são de novo gerados segundo Deus (I Pedro 1: 3);
-
Através de seu corpo, a
igreja, Ele trouxe muitos filhos a Deus (Hebreus 2: 10),
tornando-se primogênito entre muitos irmãos (Romanos 8: 29).
Na eternidade,
Deus (El Eloim) estabeleceu um propósito eterno: a preeminência de
Cristo. Para isto, fizeram um acordo que, ao ser introduzido o Verbo
de Deus no mundo, seria estabelecida a relação Pai e Filho, e por
isso o profeta anunciou:
"Eu lhe
serei por pai, e ele me será por filho"
(II Samuel 7: 14). Ora, temos uma relação estabelecida entre as
pessoas da divindade.
Quando o Verbo
se fez carne soou o decreto:
“Tu és meu
Filho, eu hoje te gerei”
(Salmos 2: 7). Embora feito menor que os anjos (Hebreus 2: 9), por
causa da paixão da morte, foi dado ordem aos seres angelicais:
“E todos
os anjos de Deus o adorem”
(Hebreus 1:
6).
Mas, para que
Cristo em tudo tivesse preeminência, segundo o beneplácito da
vontade de Deus, convinha que fosse consagrado através da aflição na
morte, para aniquilar o que tinha o império da morte, o diabo
(Hebreus 2: 14).
Hoje e sempre,
Jesus é Senhor nos céus e na terra, para a glória de Deus Pai. Os
anjos vêem no propósito eterno de Deus a sua multiforme sabedoria, e toda a criação está na expectativa da manifestação dos
filhos de Deus que revelará a todos a condição de primogênito entre muitos
irmãos que Cristo conquistou na cruz (Romanos 8: 19).
Em resumo, o
propósito de Deus é sujeitar todas as coisas a Cristo, e acima de
todas as coisas que foram sujeitas, Ele foi constituído como a
cabeça do corpo, que é a igreja – a plenitude de Cristo que enche
tudo em todos (Efésios 1: 22- 23).
Na ordem
crescente: todas as coisas foram sujeitas a Cristo (principado,
domínio, autoridade, poder, etc). Acima destas coisas foi dada a
condição de cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ora, o seu corpo
está acima de tudo o que foi posto abaixo dos seus pés.
Convergindo todas as Coisas
Ao implementar
(por em prática, dar execução) o Propósito Eterno, temos:
“Façamos o
homem a nossa imagem e semelhança”
(Genesis 1: 26).
A imagem que
foi dada ao homem é proveniente de Cristo
“... Adão, o
qual é a figura daquele que havia de vir”
(Romanos 5: 14), e a semelhança que foi concedida é o domínio sobre
a terra
“... domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus,
sobre os animais domésticos, sobre a terra, e sobre todos os répteis
que se arrastam sobre a terra”
(Genesis 1: 26).
Tudo que há em
Deus foi concedido ao homem por semelhança: domínio, liberdade e uma
natureza perfeita. Porém, Adão não deu crédito à palavra de Deus e
atentou contra a sua própria vida quando comeu da árvore do
conhecimento do bem e do mal.
Através da
ofensa de Adão veio o juízo e a condenação para todos os homens
(Romanos 5: 18). Adão tornou-se a porta larga que dá acesso ao
caminho largo que conduz à perdição. Através do nascimento em Adão
todos os homens tornaram-se destituídos da glória de Deus.
A Escritura
demonstra que o homem é pecador, sem esperança no mundo, morto
diante de Deus. Esta condição não é proveniente da moral ou do
comportamento humano, antes da natureza herdada de Adão. É por isso
que Paulo diz:
“Pois assim
como a morte veio por um homem (...) Pois assim como todos morreram
em Adão...”
(I Coríntios 15: 21- 22).
Sobre Adão
Jesus disse:
“Pois larga é a
porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os
que entram por ela”
(Mateus 7:
13). Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho espaçoso que
conduz à perdição, e muitos são os que entram por Adão, exceto
Cristo, o unigênito de Deus. É por isso que Ele disse ‘muitos’, e
não ‘todos’ que entram por ela.
Ora, se a
porta estreita que é Cristo, o último Adão, por quem os homens são
vivificados, o primeiro Adão é a porta larga por quem os homens
entram no caminho de perdição (I Coríntios 15: 45).
Como Adão
tornou-se pecador, destituído da vida que há em Deus, os seus filhos
tornaram-se iguais a ele
“Qual o
terreno, tais são também os terrenos...”
(I Coríntios 15: 48). É por isso que os homens são chamados de
filhos da ira e filhos da desobediência.
Não importa a
conduta, a moral, a religião, os sacrifícios, a origem dos homens
nascido segundo Adão, todos entraram pela porta larga ao nascer e
seguem para a perdição. Diante de Deus um homem com todas as
qualidades morais e intelectuais como era o caso de Nicodemos é
igual a alguém sem méritos, como era o caso da mulher samaritana.
Mas, em sua
infinita graça e amor, Deus enviou o seu Filho Unigênito ao mundo
para salvá-lo de condenação em Adão, que é anterior à sua vinda. É
por isso que Ele disse:
"E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo;
porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo"
(João
12: 47).
Isto demonstra
que Jesus não veio julgar os homens porque todos já estavam sob
condenação. Ele veio salvar porque todos entraram pela porta larga e
trilhavam o caminho de perdição.
É por isso que
Ele disse:
“Entrai pela
porta estreita”
(Mateus 7: 12), ou seja, entrar pela porta estreita é o mesmo que:
“Necessário vos é nascer de novo”
(João 3: 7). Entrar pela porta estreita é uma necessidade que só é
possível através do novo nascimento.
Nicodemos
perguntou:
“Como pode um
homem nascer sendo velho?”
(João 3: 4).
Ora, para o homem é impossível nascer de novo! É por isso que a
bíblia demonstra que o homem é escravo do pecado, perdido, não pode
salvar-se a si mesmo.
Mas, através
do chamado do evangelho que diz: ‘Entrai pela porta estreita’ ou
‘Vinde a mim, vos que estais cansados e oprimidos’ é oferecido
salvação poderosa a todos os homens. O convite é universal, pois
Deus amou o mundo, e deseja que nenhum homem se perca (João 3: 16; I
Timóteo 2: 5).
Cristo morreu
em resgate por todos os homens (I Timóteo 2: 6), e não por alguns.
Deus amou a todos os homens, e não só por alguns. É por isso que
Jesus disse:
“Muitos são
chamados, mas poucos escolhidos”
(Mateus 22: 14). Por que ‘muitos’ são chamados, e não ‘todos’?
Porque nem todos ouviram a mensagem do evangelho.
O chamamento
do evangelho é universal por destinar-se a todos os homens, porém,
muitos não ouviram esta maravilhosa mensagem. Ex: os aborígenes,
índios, povos da Ásia e da África, povos da America antes das
grandes viagens, etc. Paulo mesmo diz:
“Mas
para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a
Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus”
(I Coríntios 1: 24).
No momento da
pregação do evangelho surgem os chamados, que são muitos, e
pertencentes a todos os povos, porém, os escolhidos são poucos.
Quem são os escolhidos? Ora,
como são poucos os escolhidos e poucos os que entram pela
porta estreita, temos que os escolhidos são aqueles que nasceram
de novo e entraram pela porta estreita, que é Cristo.
Há somente um evangelho que
foi anunciado pelos apóstolos. Qualquer outro evangelho é anátema.
Esta mensagem de boas novas
é direcionada a todos os homens, pois isto foi anunciado:
"Glória a Deus nas alturas, Paz na terra,
boa vontade para com os homens"
(Lucas 2: 14). A boa vontade de Deus é para com todos os homens, e
não somente alguns.
Qualquer
evangelho que vete a graça de Deus para todos os homens
indistintamente é anátema. Qualquer evangelho que estabelece
diferentes níveis de graça é anátema. Qualquer evangelho que
considere que Deus ama alguns homens em detrimento de outro é
anátema. Qualquer evangelho que nega a universalidade e eficácia da
mensagem do evangelho é anátema.
O Convite à Salvação
Ora, a bíblia
demonstra a impossibilidade dos homens salvarem-se a si mesmo pelas
suas obras ou méritos pessoais. Por mais regrado e cheio de méritos
que o homem seja, ele entrou por Adão, a porta larga, e trilha um
caminho de perdição.
Por mais que
os homens criem regras, vivam despojados das coisas desta vida,
reneguem os prazeres, façam justiça, estejam resignados a sofrerem a
injustiça, etc. continuam trilhando um caminho de perdição.
É por isso que
Paulo demonstra que através do seu poder, Deus pega o barro (homem)
de uma mesma massa e faz vasos honra e desonra. Todos os homens
(barro) são provenientes de uma mesma massa, mas em Adão são feitos
vasos para desonra, e em Cristo, são feitos vasos para honra
(Romanos 9: 21- 24).
Paulo
demonstra que os cristãos são vasos para honra para dar a conhecer
as riquezas da sua misericórdia. Os cristãos foram chamados dentre
todos os povos através da mensagem do evangelho, pois antes de ser
feito vaso para honra, éramos todos vasos de desonra, vasos de ira,
preparados para a perdição (Efésios 2: 4- 7).
Antes os
cristãos eram trevas (vasos de ira preparados para a perdição),
agora são luz no Senhor (vasos para honra)
“Pois outrora
éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor”
(Efésios 5: 8).
Que obra ou
dignidade há da parte do homem em ser feito vaso para honra?
Nenhuma! Da mesma forma que não há obra ou dignidade por parte
daquele que foi feito vaso para desonra.
Ora, se quem
nasce de Adão entra pela porta larga que dá acesso ao caminho largo
que conduz a perdição, que obra, ação, bem ou mal fez quem foi feito
vaso para ira destinado a destruição? Isto demonstra que, embora o
homem não tenha nascido, nem feito bem ou mal, para que o propósito
eterno de Deus segundo a eleição permaneça firme, os nascidos em
Adão serão vasos para desonra.
De igual modo,
os já nascidos de Adão precisam nascer de novo. E não importa a
obra, mérito ou condição do homem, para que o propósito de Deus
segundo a eleição continue firme, os nascidos em Cristo são vasos
para honra.
Onde está a
jactância? Onde há mérito? Onde há dignidade? Onde há obra?
O evangelho de
Cristo é:
-
Boas novas de salvação –
Mensagem de Deus a todos os homens perdidos por causa da
condenação de Adão;
-
Gratuito – é um convite
incondicional a todos os homens, independente das suas ações e
condições morais;
-
Para os
pecadores – o público alvo da mensagem do evangelho é todos os
pecadores, pois Deus não faz acepção de pessoas; o amor de Deus
é segundo a sua justiça, ou seja, ele não tem ninguém em
preferência;
-
Oferecido – Deus oferece
salvação, livre de qualquer imposição. A graça do evangelho é
segundo a sua santidade, ou seja, Ele a ninguém oprime
“O Todo
Poderoso está além do nosso alcance, ele é exaltado em poder; em
sua justiça e grande retidão ele ninguém oprime”
(Jó 37: 23). Embora todo poder (soberania), Deus é justiça e
retidão, ou seja, Ele não oprime a nenhuma de suas criaturas;
-
Incondicional – Deus não
exige obras ou méritos por parte dos pecadores para salvá-los.
Do mesmo modo que sem obra ou méritos os pecadores foram feitos
vasos para desonra (vasos para ira e destruição), ao salvá-los,
Ele faz vasos para honra aparte das obras ou dos méritos e
utiliza a mesma massa;
-
É poder – A salvação
decorre do poder criativo de Deus segundo a sua palavra (bara –
só Deus ‘bara’ através da palavra). Ora, todos que recebem a
Cristo, ou que crêem na mensagem do evangelho, recebem poder
para serem feitos (criados) filhos de Deus segundo a sua vontade
(Jo 1: 12- 13); o homem não tem poder para operar a sua própria
salvação. Somente o poder que faz paralítico andar é que pode
dar vida ao novo homem
"Ora, para que
saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de
perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo:
Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa"
(Lucas 5: 24);
-
É graça – É um presente
de Deus aos homens. Não é imposta aos homens a tal ‘graça
irresistível’, pois ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor
será salvo’ (Joel 2: 32). Somente invoca os necessitados, os
pobres de espírito, os que necessitam de socorro, e não aqueles
que tem algo a oferecer. Quem ouvir as boas novas e invocar a
Deus será salvo, porém,
Deus não obriga ninguém a invocá-lo para em seguida salvar.
Como invocarão
a Deus? Ele sujeitará o homem subvertendo a sua vontade? Não! Se
assim fosse, não haveria a necessidade de o homem esperar em Deus
(confiar); não haveria a necessidade da pregação; pra que ouvir ou
pregar? Por que Isaias questiona a Deus “Quem creu na nossa
pregação?”, se Ele impõe a sua vontade?
O evangelho de
Cristo não é um ramo do fatalismo, concepção filosófica que
considera serem o mundo e os seus acontecimentos produzidos de modo
irrevogáveis. Ora, a concepção calvinista e a arminianista, em
última análise, são fatalistas, pois alguns homens estão fadados à
perdição, e outros, mesmo que não invoquem a Deus, à salvação.
O fatalismo
fazia parte da cultura grega antiga e do estoicismo grego romano.
Certas idéias ‘pseudo’ cristãs fundam-se na idéia da ‘divina
providência’ ou no ‘determinismo’, ramo equivalente ao fatalismo.
Ora, sabemos
que se fé é impossível agradar a Deus. Agradá-lo ou aproximar-se
dele constitui-se em mérito por parte do homem? (Hebreus 11: 6). É
preciso ser salvo para depois invocar a Deus? A bíblia recomenda
invocar para ser salvo, mas se o homem primeiro é salvo para depois
invocar a Deus, já não é preciso invocá-lo (Joel 2: 32).
O evangelho da
graça não é regeneração para crer (invocar), antes é invocar (crer)
para regeneração (salvação).
Propósito Segundo a Eleição
Como os vasos para
honra fazem parte do propósito eterno de Deus de fazer convergir em
Cristo todas as coisas?
A preeminência de
Cristo está em Ele ser o primogênito de toda a criação, primogênito
dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos (Colossenses 1:
15 e 18; Romanos 8: 29).
Mas, para que
Jesus fosse constituído por Deus primogênito entre muitos irmãos,
fez-se necessário Deus constituir filhos para si. Para ele
constituir filhos para si, fez-se necessário Cristo morrer e
ressurgir, tornando-se primogênito dentre os mortos.
Para Cristo
tornar-se primogênito dentre os mortos, fez-se necessário participar
da carne e do sangue, tornando se o Unigênito de Deus, o primogênito
de toda criação.
Para tornar-se o
primogênito de toda criação, o Unigênito de Deus, o Verbo que se fez
carne e que habitou entre nós teve que deixar a Sua glória.
Isto demonstra que,
na eternidade, antes de virem à existência, os homens já eram
alvos do eterno propósito de Deus, visto que, para Cristo ser
primogênito entre muitos irmãos, Deus constituiu dentre os
homens regenerados filhos para si. Ora, é impossível ser primogênito
sem que haja outros irmãos.
Mas, como Deus
constitui dentre os homens filhos para si? Todos que entrarem pela
porta estreita, que é Cristo, são salvos da condenação anterior
proveniente da queda de Adão, a porta larga por onde entram todos os
homens. A todos que conhecem a Deus, ou antes, que são conhecido
dele através do evangelho (Gálatas 4: 9), além da salvação serão
semelhantes a Cristo
"Amados, agora
somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de
ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes
a ele; porque assim como é o veremos"
(I João 3: 2).
Ora, a salvação em
Cristo é oferecida através da mensagem do evangelho a todos os
homens
"Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a
todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar"
(Atos 2: 39), porém, todos que são salvos em Cristo não têm outro
destino: são filhos de Deus, herdeiros de Deus e co-herdeiros de
Cristo, o primogênito entre muitos irmãos
"E, se nós
somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e
co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que
também com ele sejamos glorificados"
(Romanos 8: 17).
É por isso que
Paulo relata que Deus predestinou os cristãos. Ele demonstra que foi
segundo a vontade e beneplácito de Deus que os cristão foram
predestinados a serem filhos.
O erro surge
quando alguém considera que Deus predestinou dentre não crentes
alguns para salvação. O que Paulo nos demonstra é que Deus
estabeleceu qual seria o destino eterno dos cristãos, uma vez que
eles estavam em Cristo.
Paulo escreve a
cristãos e não a incrédulos. Ele reafirma: em amor Deus nos
(Paulo e os cristãos de Éfeso) predestinou para sermos filhos
(Efésios 1: 5). Ora, os santos que estavam em Éfeso é que
tornaram-se filhos, e não os descrentes.
Ora, muitos homens
do passado foram salvos pela fé em Deus, porém, eles não fazem parte
do corpo de Cristo. Somente os membros do corpo de Cristo, a igreja,
que além da salvação não terão outro destino, a não ser, serem filhos
de Deus. Este destino reservado por Deus antes dos tempos dos
séculos à igreja é por causa do eterno propósito de Deus, pois os
salvos em Cristo são filhos para que Cristo seja o primogênito entre
muitos irmãos.
Não encontramos na
bíblia predestinados à salvação, antes predestinados a serem filhos.
Ao longo da história da humanidade encontramos salvos antes da lei,
salvos dentre o povo de Israel, salvos na grande tribulação e salvos
no milênio, porém, nenhum destes salvos são predestinados a serem
filhos.
Todos os salvos ao
longo dos séculos, os anjos, os principados, autoridades e poderes
estão sujeitos a Cristo, ou seja, debaixo dos seus pés. Porém, acima
de todas estas coisas temos a igreja, o corpo de Cristo, e Ele é a
cabeça da igreja (Efésios 1: 22).
É por isso que ao
falar da predestinação e da eleição, Paulo estabelece a condição:
‘em Cristo’.
1º) 'em Cristo' é a
condição de existência da nova criatura
"Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é" (II
Coríntios 5: 17);
2º) Somente a nova
criatura é filho de Deus, santa e irrepreensível, e por isso todas
as vezes que Paulo fala da predestinação ou da eleição ele
estabelece: 'em Cristo', 'no Amado', 'nele', etc. (Efésios 1: 3- 13);
3º) Deus
determinou antes do séculos, que a nova criatura gerada segundo a
sua vontade (Espírito) e palavra (água) seria filho por Adoção (João
1: 12 e 3: 5), por Cristo Jesus, e;
4º) Cristo
torna-se primogênito entre muitos irmãos, segundo o propósito eterno
de convergir em Cristo todas as coisas, quando Deus cria (bara) a
nova criatura, concedendo ao homem um novo coração e um novo
espírito (Salmo 51: 10; Efésios 4: 24).