A Ceia

 

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Pág. 6

 

Os Indignos

 

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (v. 28).      

           

O versículo anterior só aponta a condição de indigno, mas não demonstra o que leva uma pessoa a condição de indigno de participar do pão e do cálice.

Paulo solicita aos cristãos que façam um auto-exame para que não se vejam em condenação, para depois apresentar o que de fato torna um homem indigno de ser participante do pão e do cálice (v. 29).

Paulo determina que o homem deva examinar-se a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Observe que Paulo demonstra que não é coerente que outros julguem os nossos atos “Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem?” I Co 10. 29b.

           

“Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor (v. 29).

Por que o homem deve examinar-se a si mesmo? Porque o que come indignamente, comem e bebe para a sua própria condenação. Ou seja, não é a proibição imposta por outra pessoa impedindo que alguém participe da ceia, que livrará o outro de ser culpado do corpo e do sangue de Cristo.

Quem participa do pão e do corpo indignamente, come e bebe para a sua própria condenação, ou seja, não há como outra pessoa impor regras e condições para que outra pessoa se torne digna.

Mas, o que tornava os cristãos de Corinto indignos de participarem da ceia?

Em uma primeira leitura do texto, a idéia que sobrevém são os erros diários! Muitos concluem que os erros são os responsáveis por tornar um cristão indigno de participar do pão e do cálice! Tremendo engano.

Paulo declara que se torna indigno de participar do pão e do cálice aquele que não discerne o corpo do Senhor, ou melhor, aquele que não sabe fazer uma apreciação do que é, ou no que constitui o corpo do Senhor.

Por não entenderem qual é o significado do corpo do Senhor, ou qual é o conceito que envolve a igreja de Cristo, alguns dos crentes de Corinto seriam culpados do corpo e do sangue de Cristo.

Isto porque o objetivo de quem participa da mesa do Senhor deve ser única e exclusivamente anunciar a morte de Cristo. Se alguém usa do cerimonial comemorativo estabelecido por Cristo de modo indevido, como estava sendo feito por alguns da igreja de Corinto, acaba por tornar-se culpado da morte de Cristo.

Ou seja, a condição daquele que se diz cristão e não compreende o que é o corpo de Cristo, a sua condição é pior que a do incrédulo "Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro" (II Pedro 2: 20).

Todos aqueles que se reuniam para participar do pão e do cálice já haviam escapado da corrupção do mundo, por meio da fé em Cristo. Porém, caso permanecessem fazendo distinções, divisões, menosprezando a igreja de Deus, isto demonstra que continuavam perdidos. Continuavam culpados da morte de Cristo.

Sobre estas pessoas o apóstolo Pedro disse: "Receberão a paga da injustiça. Tais homens têm prazer na luxuria à luz do dia. São nódoas e máculas, deleitando-se em suas mistificações, quando banqueteiam convosco" II Pe 2: 13.

O versículo 27 e uma conclusão da idéia exposta no versículo anterior “Portanto, (...) será culpado...” I Co 11. 27. Desta conclusão decorre dos elementos apresentados anteriormente:

1) Do que foi ensinado por Paulo (v. 23 a 26) ao descrever o que foi realizado por Cristo na noite em que foi traído, e;

2) Interposto aqui como exemplo de que forma os cristãos devem se portar quanto da solenidade comemorativa da morte de seu Mestre, que a ninguém descriminou na cerimônia.

A idéia geral desenvolvida por Paulo neste capítulo parte da constatação de que havia divisões quando das reuniões dos cristãos. Estas divisões tinham como elemento central o cerimonial comemorativo da morte de Cristo, que é a comunhão em seu corpo e sangue.

Paulo apresenta as  divisões: pressa ao tomar a própria ceia; uns com fome e outros embriagados; menosprezavam a igreja, envergonhado os que nada tinham.

Este tipo de comportamento era uma demonstração clara de menosprezo à igreja de Deus, uma vez que não estavam se importando com os domésticos da fé.

Paulo já havia ensinado que Cristo instituiu o cerimonial comemorativo de sua morte enquanto comiam à páscoa, sendo que todos participaram tanto da páscoa quanto do primeiro ato comemorativo da morte de Cristo.

Depois desta seqüência de idéias, o apóstolo chega a primeira conclusão: “... será culpado do corpo e do sangue do Senhor”. Neste versículo, ‘corpo’ e ‘sangue’ referem-se ao corpo de Jesus que fora entregue aos homens e não a igreja de Cristo. Observe:

“Pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice...” (v. 26)

Portanto, qualquer que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente...” (v. 27)

“... anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (v. 26)

“... será culpado do corpo e do sangue do Senhor” (v. 27)

O comer do pão e o beber do cálice foi instituído para anunciar a morte de Cristo até a Sua volta, e o cristão que come e bebe indignamente a ceia não esta anunciando a morte de Cristo, antes se tornou réu da morte de Cristo.

O apóstolo não esta falando da igreja, organismo vivo e poderoso, onde os seus membros são 'templo' e ‘moradas’ do Deus vivo, antes faz referência à morte de Cristo (corpo e do sangue).

Há uma culpa para os indignos, mas qual? O escritor aos hebreus nos dá uma idéia do que é ser culpado da morte de Cristo, e não participante de sua morte, como é necessário para se escapar da ira vindoura.

O homem é livre de condenação quando se torna participante da morte de Cristo, o que a ceia representa. Porém, se já não é participante do corpo, e as divisões demonstram isto, não eram participantes da morte, antes eram culpados do corpo e do sangue.

 

“Se voluntariamente continuarmos s no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo que há de devorar os adversários (...) De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?” Hb 10. 26 – 29.

O escritor aos Hebreus alerta que, aquele que foi inteirado plenamente das verdades contidas no evangelho, e mesmo assim decide permanecer no pecado (o pecado aqui refere-se a natureza herdada de Adão), não há mais que se oferecer sacrifícios pelos seus pecados (pecados aqui refere-se a conduta), pois o velho homem continua vivo e em inimizade com Deus.

Aqueles que não discernem o corpo de Cristo, que é a igreja, e que continuam a participar do pão e do cálice, estes são réus, merecedores de castigo. Quando a pessoa não diferencia o que é o corpo de Cristo, ele acaba sendo egoísta, causando divisões e dissensões, o que demonstra que ele não está ligado à cabeça da igreja, que é Cristo.

Quando alguém faz divisão na igreja, está conforme João disse: “Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas” I Jo 2. 9., ou seja, por não saber discernir o corpo do Senhor, permanece no pecado (não fazendo parte do corpo, que é a igreja e não se conformando com Cristo na sua morte), estes estão novamente “... crucificando para si mesmos o Filho de Deus, e expondo-o ao vitupério” Hb 6. 6.

Se estiverem crucificando para si o Filho de Deus, resta que são réus de juízo, e participam do pão e do cálice indignamente, para a própria condenação. São culpados da carne e do sangue.

 

 

Claudio Crispim

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