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Capítulo I
(v. 4)
Quando o apóstolo Paulo diz que
Deus nos elegeu, ele utiliza o verbo no pretérito perfeito, o que
indica algo concluído, ou que os cristãos estão de posse da bênção.
Isto demonstra que os cristão estão de posse da nova condição:
eleitos, ou seja, os cristãos já usufruem da condição para
qual foram eleitos: santos e irrepreensíveis.
Paulo não quis demonstrar um processo
de escolha, onde alguns são escolhidos e outros não. Paulo queria
enfatizar as garantias decorrentes do evangelho. Para demonstrar as
garantias decorrentes do evangelho, ele demonstra que os cristãos são
os eleitos
de Deus (santos e fiéis). Aqueles que nascem da vontade
de Deus, já nascem santos e irrepreensíveis, ou seja, de posse da bênção
divina.
Se Paulo estivesse fazendo referência
neste versículo a uma possível escolha dentre aqueles que ainda estão vendidos
ao pecado (velho homem), ele faria referência a graça de Deus, que foi
direcionada a todos os homens. “Estando nós ainda mortos
em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça
sois salvos)” Ef 2. 5.
Mas não, ele fala de bênçãos recebidas,
o que é pertinente àqueles que estão em Cristo, e que, portanto, já são
regenerados e são filhos de Deus.
É pela graça que o pecador alcança a
salvação, e não por meio das bênçãos concedidas
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das
ofensas, segundo as riquezas da sua graça...”
Ef 1. 7.
A graça é para a salvação, mas a
eleição não é para a salvação; a eleição é para aqueles que se encontram
em Cristo (nos elegeu em + ele = em Cristo).
a)
Antes da fundação do
mundo: Paulo apresenta a
data em que se deu a eleição: antes que o mundo fosse fundado. Esta
declaração de Paulo não pode ser interpretada extensivamente. Observe
que em momento algum ele fala da presciência de Deus. Não é porque a
eleição foi realizada antes da fundação do mundo que podemos arrematar
que a eleição decorre da presciência de Deus. Os atributos de Deus não
podem ser considerados isoladamente, mas a informação que Paulo nos
deixou nesta parte do versículo restringe-se ao tempo em que Deus
realizou a eleição.
b)
para que fossemos santos
e irrepreensíveis diante dele...: A eleição foi realizada com um
objetivo pré-definido: a santidade e irrepreensibilidade dos cristãos!
Ou seja, a escolha de Deus resultou em semelhança com o Filho de Deus,
pois recebemos em Cristo plenitude de Deus Cl 2: 9- 10.
Santidade e irrepreensibilidade são características pertinentes à nova
criatura, conforme o que atesta o apóstolo Paulo:
“E vos revistais do novo
homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e
santidade” Ef 4. 24.
O velho homem não pode ser eleito para ser
'santo e irrepreensível' pelos seguintes motivos:
-
Somente a graça de
Deus através da mensagem do evangelho destina-se aos homens sem Cristo. A
luz de Deus enviada ao mundo tem o objetivo de alcançar
aqueles que 'habitavam as regiões das trevas';
-
Não há como ser
santo e irrepreensível sem antes ter um encontro com Cristo.
Todos os homens necessitam nascer de novo, e isto somente é possível após morrer com Cristo.
-
O velho homem é culpável,
nasceu sob a égide do pecado, é inimigo de Deus, planta que o Pai não
plantou, vaso destinado a ira, filho da desobediência,
filho da ira. Como este homem pode ser escolhido para
ser santo e irrepreensível? A bíblia demonstra que este
homem e a sua natureza devem morrer e ser sepultado,
para que nova criatura possa ressurgir dentre os mortos.
-
O
velho homem é nascido da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue,
ou seja, é nascido de semente corruptível, é árvore não
plantada por Deus, e a árvore não plantada por Deus
precisa ser arrancada.
-
Santidade
e irrepreensibilidade é condição do novo homem criado em
Cristo, o que demonstra que o homem, enquanto pecador,
não é escolhido para a santidade. Somente após aceitar a
graça de Deus por meio do evangelho, ser gerado de novo
da semente incorruptível, ser uma planta plantada pelo
Pai, ele assume a posição de eleito em Cristo. Somente após a regeneração é que o
homem alcança a bênção de ser santo e irrepreensível.
A bênção de Deus destina-se aos cristãos (nova criatura) que foram
gerados em Cristo. Estes são de novo gerados da semente
incorruptível, que é a palavra de Deus, por crerem no evangelho, que
é poder de Deus, receberam poder para serem feitos filhos de Deus.
São vasos para honra. São plantas nascidas da semente incorruptível
e plantados por Deus.
Deus não escolhe para a salvação,
antes, os que aceitam a graça de Deus que se revela no evangelho são eleitos para serem santos e
irrepreensíveis. A eleição dos que agora são cristãos, segundo Paulo, foi realizada em Cristo Is
42: 1, e
todos aqueles que estão em Cristo recebem a condição de eleitos:
santos!, ou seja, foram eleitos para serem santos, e não
eleitos para serem salvos.
Ressurgir com Cristo dentre os
mortos (mortos em delitos e pecados) uma nova criatura com a
condição de filho de Deus é bênção, pois somente os filhos são
participante da natureza divina
"Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas,
para que por elas fiqueis participantes da
natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela
concupiscência há no mundo" (II Pedro 1: 4)!
Somente após escapar da corrupção
que há no mundo (condenação em Adão) pelo seu glorioso convite e
amor demonstrado em Cristo, é que Deus concede ao homem tudo o que
diz respeito à vida e piedade (todas as bênção espirituais), nos
tornando participantes da natureza divina (filiação, santidade e
irrepreensibilidade).
Este é o motivo de Paulo
estar louvando a Deus: Ele e os destinatários da carta haviam recebido
todas as bênçãos espirituais, e alcançaram uma nova condição: a de
serem santos e irrepreensíveis.
Estamos falando de dois
momentos na vida do homem que teve um encontro com Cristo: o velho e o
novo homem.
Como vimos até agora, há o
velho e o novo homem; há a velha e a nova natureza; só é possível ver o
reino de Deus após nascer de novo, e; que o novo homem é criado segundo
Deus.
Resta analisarmos também os
termos: eleição e eleitos.
A palavra
eleição
nos remete aos seguintes aspectos:
A palavra escolha ou eleição
aponta um processo para algum fim.
Está é a idéia presente neste
termo: alguém só é escolhido para um objetivo pré-definido.
Se retirarmos qualquer
elemento pertinente ao processo de escolha, não existe escolha. Observe:
a)
se não houver um objetivo
pré-definido a executar não existe escolha;
b)
se não houver alguém a
ser escolhido, não haverá escolha;
c)
se não houver um critério
para a escolha, não haverá escolha, e;
d)
se houver a escolha
haverá o antes e o depois.
Já a palavra
eleito
nos remete ao seguinte aspecto:
Eleito é a posição que alguém
adquire após o processo de eleição.
Antes da eleição não há
pessoas na posição de eleitas, só há candidatos. Após a eleição é que
haverá os eleitos.
Quando se faz referência a
condição de eleito se está evidenciando aspectos como: exercício da
posição alcançada e as garantias que envolve a condição.
Quando Paulo escreveu que Deus
nos elegeu, ele quer demonstrar que em Cristo estamos na condição de
eleitos, e que já estamos gozando da irrepreensibilidade e da santidade.
Já estamos de posse da bênção, e por isso mesmo ele bendiz a Deus que nós
abençoou.
Temos duas palavras e dois
conceitos diferentes a analisar.
Ao analisarmos os quatro aspectos que
compõem a idéia em torno da palavra eleição, teremos o quadro seguinte:

Se pensarmos que a eleição bíblica é
segundo o esquema gráfico acima, incorreremos em erro! Por que? Porque
daremos ênfase aos aspectos que envolve o conjunto “A”.
Por Paulo estar louvando a Deus pelas
bênçãos recebidas, isto demonstra que ele quer evidenciar os aspectos
que envolvem o conjunto daqueles que foram eleitos, ou seja, os eleitos.
A existência do conjunto “B” é o que motivou Paulo a bendizer a Deus
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo...”
Ef 1. 3.