A Carta de Paulo aos

Efésios

 

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Capítulo I (v. 13- 23)

Observe o recurso utilizado por ele para continuar a carta quando muda de contexto.

Até o versículo doze Paulo utiliza a primeira pessoa do plural (nós) demonstrando a unidade dos cristãos; ao passar a conscientização, Paulo utiliza a segunda pessoa do plural (vós).

Paulo tinha convicção do que ele havia recebido em Cristo (salvação e bênçãos), e queria que os cristãos de Éfeso também possuíssem esta certeza. Daí o fato de ele utilizar a segunda pessoa do plural na narrativa.

Conscientização sobre a Nova Condição

13 Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.

 

Nele, digo, em quem também fomos feitos herança... (v. 11); Primeira pessoa do plural.

Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade... (v. 13). Segunda pessoa do plural. 

Paulo passa a conscientizar os cristãos sobre a nova condição adquirida por meio de Cristo.

O que ocorre é simples: após ouvir a palavra do evangelho, e crer em Cristo, a palavra da verdade torna-se o evangelho da salvação. Todos que ouvem e crêem são salvos em Cristo.

Paulo dá veracidade às suas argumentações: fostes selados, ou seja, tudo que ocorre com o Cristãos é autentico, conforme o Espírito Santo prometido atesta “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” Rm 8. 16.

 

14 O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.

 

Penhor: garantia, segurança, ou a coisa que constitui essa garantia. Penhor fala de direito real sobre algo vinculado a uma dívida, surgindo como garantia do pagamento de tal dívida.

O Espírito Santo é garantia da nossa herança, ou seja, Ele é garantia, Ele se constitui a nossa garantia do direito real que possuímos ao sermos recebidos por filhos.

         “...fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida...” (v. 13- 14).

O próprio Consolador enviado se interpõe como garantia da herança que recebemos. O penhor deve ter valor equivalente à dívida contraída, e nós que estamos em Cristo já recebemos o que é superior a própria herança: o Espírito Santo de Deus! Que garantia! Que segurança!

Os cristãos foram selados com o Espírito Santo da promessa, o que é superior a própria herança. Mas, por que fomos selados? A resposta é: Para redenção da possessão adquirida por Deus.

Aqui, redenção significa libertação futura! Os cristãos foram selados para uma libertação futura, conforme o versículo seguinte: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção” Ef 4. 30.

A redenção deste versículo (Ef 4: 30) difere da redenção apontada no verso 7. Enquanto a Redenção do versículo sete é bênção alcançada, a deste versículo refere-se ao grande dia da Redenção.

   

Pedidos em Oração 

15 Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, 16 Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações:

 

Depois das garantias apresentadas até o versículo quatorze para aqueles que estão em Cristo, Paulo comunica aos cristãos que não cessava de agradecer a Deus por  ouvir da fé que havia nos cristãos em Éfeso e que eles amavam os santos de Deus,  Ef 1. 3.

Este versículo demonstra o quanto os cristãos foram tocados pela mensagem do evangelho. Observe que, através da oração de Paulo fica demonstrado que eles estavam cumprindo o mandamento de Deus, conforme atesta o apóstolo João: "Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo, e,   segundo o mandamento que nos ordenou" I Jo 3: 23.

A fé dos cristãos era conforme o mandamento 'que nos ordenou', ou seja, 'a fé que entre vós há no Senhor Jesus'. O amor deles era 'para com todos os santos', ou seja, eles amavam segundo o mandamento ordenado: 'amemos uns aos outros'.

Há um paralelo sem igual entre o que João expõe, e o que Paulo observa entre os cristãos de Éfeso.

Paulo não só agradecia, mas também lembrava constantemente dos cristãos quando em oração. Por que Paulo não se esquecia de orar a Deus pelos cristãos? A resposta está no versículo seguinte:

 

17 Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação;

 

Do versículo três ao versículo quatorze Paulo agradece e conscientiza os cristãos das bênçãos já recebidas. Deste versículo em diante Paulo pede a Deus algumas coisas que os cristãos em Éfeso ainda não possuíam. Se Paulo ora fazendo esta petição, é porque ele considera uma necessidade premente a ser satisfeita. Apesar de já serem idôneos e participantes das bênçãos eternas pela união com Cristo, havia a necessidade de sabedoria e revelação (espiritual).

Paulo não pede para si, mas pelos os cristãos de Éfeso, que lhes fossem dado sabedoria e revelação. Por meio de Cristo os cristãos conheciam a Deus, ou antes, foram conhecidos por Ele Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” Gl 4. 9.

Paulo, ao falar ‘espírito’ de sabedoria e revelação, estabelece aí distinção entre a sabedoria humana e a sabedoria que só é alcançada quando revelada pelo Espírito Santo de Deus.

 

18 Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;

 

A sabedoria e a revelação vinda de Deus dá luz ao entendimento do novo homem gerado em Cristo.

Por mais que Paulo procurasse conscientizar os cristãos das bênçãos recebidas, o pleno esclarecimento só é alcançado em plenitude através do conhecimento de Deus "...em seu conhecimento..." (v. 17). Conhecimento aqui não é 'saber', ou estar 'ciente de'.

O 'conhecimento' que Paulo faz referência é equivalente ao homem conhecer uma mulher. Ou seja, quando a bíblia diz que um homem conheceu uma mulher, é porque os dois se tornaram um. Diz de conhecimento íntimo e inviolável.

Paulo demonstra que só é possível alcançar sabedoria e revelação (espiritual) em  (Seu) conhecimento de Deus. Somente após a Regeneração, onde se dá a união entre Deus e os homens, e não antes, é que será concedido ao homem o espírito de sabedoria e revelação Gl 4: 9.

A sabedoria e revelação "espiritual" somente é possível alcançar após estar unido ao Santo na Regeneração. 

Paulo deseja que os cristãos tenham conhecimento de três coisas:

·        Qual a esperança da vocação divina;

·        Quais as riquezas da glória da sua herança dos santos, e;

·        Qual a sobre excelente grandeza do poder de Deus.

O restante da carta segue comentando esses três pedidos, em especial a grandeza do  poder de Deus.

 

O Poder de Deus

19 E qual a sobre excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,

 

O poder de Deus operou em nós de maneira sobre excelente, e isso à semelhança do que foi demonstrado em Cristo.

 

20 Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus.

 

Deus manifestou a força do seu poder ao ressuscitar a Cristo dentre os mortos. E aqueles que crêem em Cristo, também ressurgem para uma viva esperança através do poder de Deus.

 

21 Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;

 

Paulo passa a escrever sobre certos aspectos que envolvem a ressurreição de Cristo e a sua glorificação.

Cristo foi posto a destra da Majestade nos céus; ele galgou posição acima de todo principado, poder, potestade, domínio e de todo nome.

Ao vir ao mundo, Jesus se despiu de sua glória e assumiu a condição de servo. Segundo a operação da força do poder de Deus, Jesus galgo o caminho de regresso a glória e conquistou nome sobremodo excelente acima de todo e qualquer poder.

Ao assumir a condição de servo, Cristo alçou posição sobre modo excelente "Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele" (Mateus 11: 11).

 

22 E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja,

 

Deus sujeitou todas as coisas a Cristo, e O constituiu cabeça da igreja. A coroação de Cristo esta em Ele ser cabeça da igreja, ou o primogênito dentre muitos irmãos.

 

23 Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.

A igreja é o corpo de Cristo. O mesmo poder que atuou na ressurreição de Cristo, atua nos cristãos. Estes constituem-se o corpo, e aquele a cabeça, para que em tudo, Ele tenha a preeminência.

Se há alguma coisa a ser realizada, Cristo já realizou por todos. Recebemos de Cristo a plenitude de Deus, ou seja, a igreja é em suma a plenitude de Deus: Ele cumpre tudo em todos Cl 3: 11; I Co 12: 6 e 15: 28.

 

“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade”

 Cl 2. 9- 10.

 

 

Claudio Crispim

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