Paulo demonstrou que Deus nos
elegeu para sermos santos e irrepreensíveis e nos predestinou para filhos por
adoção, segundo a sua vontade. Este versículo aponta o motivo pelo qual
Deus abençoou os cristãos com as bênçãos da eleição e predestinação.
Por que Deus elegeu? Por que
Deus predestinou? Para louvor e glória da sua graça!
Sobre o que este versículo
trata? Sobre a salvação de Deus. “Porque a graça de Deus se
há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”
Tt 2. 11.
Não foi a eleição e a predestinação que
nos fez agradáveis a Deus, e sim a sua graça.
A graça de Deus que se
manifestou por meio do evangelho foi direcionada aos pecadores e
os fez agradáveis a Deus, tornando-nos agradáveis a si, Deus nos abençoa
com eleição e predestinação. Se a graça de Deus é que nos fez agradáveis
(que nos salvou), não há como afirmar que a salvação depende da eleição
e da predestinação.
Em Cristo, Deus nos fez seus
filhos por meio do evangelho, e a predestinação e eleição são referências
à
garantia divina.
A salvação foi realizada por
meio de Cristo (Amado), conduzindo muitos filhos a Deus (para si mesmo).
Conclui-se que a salvação é
por meio da graça, e não o resultado de uma escolha. Deus trouxe
salvação a todos os homens de maneira graciosa, sem qualquer referência
a uma 'predestinação' de alguns ‘privilegiados’ à salvação.
7 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das
ofensas, segundo as riquezas da sua graça,
Paulo retroage quanto à
exposição das verdades contidas no evangelho: Primeiro ele bendiz a Deus
pelas bênçãos recebidas para depois falar da graça recebida por meio do
evangelho.
A ordem correta é:
1.
A riqueza da graça por
meio do evangelho (salvação) (v. 7);
2.
A redenção pelo sangue
(v. 7);
3.
Ser feito agradável a
Deus em Cristo (Regeneração) (v. 6);
4.
Adquirir a filiação por
adoção (Predestinação) (v. 5);
5.
Ser santo e
irrepreensível perante Deus (Eleição) (v. 4).
Em Cristo o cristão teve a redenção por
meio do seu sangue. É difícil aparecer nas cartas de Paulo frases que
expliquem a idéia presente na frase anterior de forma direta. Este
versículo foge à regra. A redenção por meio do sangue de Cristo é o
mesmo que remissão das ofensas
"...no qual temos a redenção,
a remissão dos pecados" Cl 1: 14.
Comprados e libertos por Cristo.
Todas as bênçãos recebidas é por meio,
ou segundo as
riquezas da graça de Deus.
Como a redenção e a remissão é
segundo as riquezas da graça de Deus Ef 1: 7, a eleição e a
predestinação também o é:
"... para louvor e glória da
sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado" Ef 1: 6.
A Eleição, a Predestinação, a Redenção e a
Remissão são bênçãos de Deus dadas gratuitamente segundo as riquezas
da graça de Deus. Elas são dadas, ou seja, concedidas a todos
quantos crêem. Não é uma escolha.
8 Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e
prudência;
A graça de Deus abundou por
meio de Cristo, ou seja, tal graça foi derramada profundamente sobre os
cristãos em sabedoria e prudência. Como em sabedoria e prudência
(entendimento)?
9 Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito, que propusera em si mesmo,
Além da
riqueza da salvação, concedida gratuitamente, Deus revelou o mistério da
sua vontade, o que nos concede sabedoria e entendimento das coisas
celestiais.
A riqueza da salvação faz
parte do propósito eterno de Deus, e após nos inteirarmos do propósito
divino revelado em sabedoria e entendimento, verifica-se que a salvação
não é um fim em si mesma.
Há no propósito eterno de Deus (que
propusera em si mesmo) um objetivo maior do que simplesmente salvar. Ou
seja, Deus salva o homem para levá-lo a cumprir um propósito revelado, o
que torna este propósito plenamente compreensível pelo homem.
Beneplácito é consentimento, ou seja,
aprovação! “E nos
predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo,
segundo o beneplácito de sua vontade (...) Descobrindo-nos o
mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera
em si mesmo” Ef 1. 5 e 9.
Se é segundo o que Deus aprovou
(consentiu), está demonstrada a garantia de Deus quanto aquilo que ele
nos revelou. Deus aprovou e consentiu fazer todas as coisas em Cristo.
10 De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na
dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as
que estão na terra;
Deus nos
'fez' agradáveis por meio de Cristo com o objetivo maior de reunir em
Cristo todas as coisas. Deus reunirá em Cristo todas as coisas, tanto as
que estão nos céus como as que estão na terra Ef 3. 9.
'nos fez herança' ou 'nos
fez agradáveis' refere-se a nova criação, onde Deus concede
poder àqueles que crêem para serem feitos (criados) filhos de Deus.
11 Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido
predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas,
segundo o conselho da sua vontade;
Em Cristo
fomos feitos herança! E Paulo demonstra de que maneira os cristãos foram
feitos herança: por meio da Predestinação. Os cristãos foram
predestinados conforme o propósito de Deus e segundo a vontade de Deus
feitos herança. Como?
Além dos filhos de Deus terem
direito à herança, também fomos feitos herança, fomos feitos propriedade
de Deus conforme esclarece o versículo quatorze
“Mas vós sois a geração
eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para
que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz” I Pe 2. 9;
“Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos
homens”.
O salmista diz que os filhos são herança do Senhor que o homem
recebe, porém, ao gerar em Cristo filhos para si, Deus nos constituí
'herança' para si
"Eis
que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu
galardão" Sl 127: 3.
12 Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que
primeiro esperamos em Cristo;
Qual a
diferença entre o versículo seis e doze?
“Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez
agradáveis a si no Amado” (v. 6);
“Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que
primeiro esperamos em Cristo” (v. 12).
O
versículo seis mostra que as bênçãos
que acompanham a salvação em Cristo constituem-se de per si louvor e gloria
à graça de Deus.
Já o versículo doze demonstra
que Deus levou a efeito a sua vontade com o objetivo de sermos para
louvor da sua glória.
Observe que o louvor difere da
adoração. Paulo adora, ou bendiz ao Senhor pelas bênçãos recebidas,
porém estas mesma bênçãos constituem-se em louvor à graça e glória
de Deus. Este é Deus quem promove, e aquele refere-se ao
reconhecimento do homem. Adoração e louvor diferem quanto à
essência.
A obra de Deus (que faz do
pecador homens criados em verdadeira justiça e santidade), é que
enaltece (verdadeiro louvor) a glória do Senhor! Mas, o ato misericordioso de arrancar o
pecador das garras do pecado, concedendo-lhe bênçãos espirituais,
promove louvor à sua tão maravilhosa graça proposta no evangelho.
Sobre quem o apóstolo estava
falando? Incrédulos ou crentes? A resposta é clara: nós os que primeiro
esperamos em Cristo! Só aquele que espera na graça revelada em Cristo
serve de louvor à glória e graça de Deus. O descrente não serve a este
propósito.
Há uma mudança de
contexto do versículo treze em diante.
O apóstolo Paulo passa da
adoração a Deus à conscientização dos cristãos.