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Capítulo I
(v. 4- 5)
Ao dar ênfase aos aspectos que
envolvem o conjunto “A” estaremos preso as seguintes questões:
Por que eu sou escolhido e fulano não?; Quais as garantias de
que eu sou um eleito? Qual o critério que Deus utilizou para
escolher? Qual o objetivo de Deus escolher só alguns, e o
restante não?
Analisando os atributos
de Deus surgem mais estes questionamentos: Qual o critério utilizado para que Deus
para escolher alguns que devem ser santos e irrepreensíveis se ele
ama a todos? O que faz diferente os pecadores diante de Deus, se
para Ele não há acepção de pessoas?
“Porque, para com
Deus, não há acepção de pessoas”
Rm 2. 11.
A bíblia nos informa que Deus
ama a humanidade como um todo
“Porque Deus amou o
mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3. 16.
Como conciliar os dois
versículos acima com a idéia que Deus escolhe dentre os perdidos
as pessoas que serão salvas?
Observe que é diferente afirmar
que Deus elegeu 'algumas pessoas para serem salvas', do que Paulo
escreveu: Deus nos elegeu 'para sermos santos e irrepreensíveis',
e não para sermos salvos. É pela graça que o homem é salvo, e
não pela eleição.
A afirmação do apóstolo
de que os cristãos foram eleitos refere-se especificamente a condição que eles
alcançaram após a Regeneração: foram criados segundo Deus em
verdadeira justiça e santidade.
A visão dos
Reformadores é que Deus escolhe
dentre a humanidade perdida (escolha entre ‘a’ e ‘b’), pessoas para
serem salvas, o que contraria a idéia presente na graça de Deus:
"Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé", e não por
eleição. A Eleição é para ser santo e irrepreensível, condição que é
pertinente àqueles que já estão diante de Deus.
E como se deu a eleição dos
salvos? “Que
nos salvou, e
chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas
obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi
dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”
II Tm 1. 9. 
















Observe o desenho acima para
entender o que Paulo escreveu aos cristãos:
Ao escrever a Timóteo, o
apóstolo Paulo demonstra que primeiramente Deus nos salvou por
sua maravilhosa graça. A salvação é por meio do evangelho, que é
poder de Deus, e não por meio da eleição II Tm 1: 8. Somente após a
salvação ocorre a eleição. A condição de santos e irrepreensíveis é
pertinente aos salvos.
Ao falar que
Deus nos salvou, é o mesmo que dizer: estamos salvos, da mesma maneira ao falar ‘nos
elegeu’, significa que somos eleitos, ou seja, que estamos de
posse das bênçãos concedidas. Bendito seja Deus!
Isto demonstra que ao escrever
aos cristãos em Éfeso Paulo procurou enfatizar a condição de
eleitos de Deus, na qual eles passaram a ser santos e
irrepreensíveis. Por isso ele inicia o
tópico adorando a Deus pelas bênçãos recebidas.
Paulo demonstra que antes mesmo
de existirmos, Deus já havia providenciado por meio de Cristo
bênçãos espirituais, e que agora eles estavam de posse destas
bênçãos.
Deus não faz acepção de
pessoas, o que demonstra que todos aqueles que são recebidos por
filhos passam a ter as mesmas condições que o Filho amado.
Também são eleitos.
Por fim, verifica-se que os
salvos é que são eleitos. Não há como os perdidos serem eleitos.
Só os salvos é que são santos e irrepreensíveis diante de Deus.
Observe as análises:
a)
Quem são os
eleitos? Paulo responde: nós! Como Paulo fala de algo que
ocorreu no passado (elegeu), segue-se que hoje os cristãos estão
na condição de eleitos: são santos e irrepreensíveis, pois para isso
foram eleitos. Quando Paulo fala que ‘nos
elegeu’, ele demonstra que os cristãos (os salvos, aqueles que
nasceram de novo), é que são os eleitos, e não aquele que ainda
se encontra no pecado. Temos definido aqui quem foi eleito: os
cristãos por estarem em Cristo.
b)
Qual o objetivo
pelo qual Deus ‘nos elegeu’? Paulo responde: para que fossemos
santos e irrepreensíveis. Os perdidos não foram escolhidos para
este mister, mas os cristãos é que foram eleitos para serem
santos e irrepreensíveis diante de Deus (nos elegeu! ‘Nos’ quem?
...nós, os que primeiro esperamos em Cristo). Aqueles que não
esperam em Cristo não são os eleitos de Deus
“...nós os que
primeiro esperamos em Cristo”
(v. 12).
c)
Qual o critério
da escolha dos que estão em Cristo? A pessoa de Cristo. Os
cristãos foram escolhidos com base em Cristo. Cristo é o eleito
de Deus antes mesmo da fundação do mundo
“Eis aqui o meu
servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a
minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos
gentios”
Is 42. 1.
Cristo é o santo de Deus; Ele é o justo. O cristão, por ser
participante de Cristo, passa a ser santo e irrepreensível diante
de Deus. Cristo é a base da nossa eleição, e por ele ser a base,
não havia a necessidade de existirmos, mas a escolha já estava
definida: todos os que nascerem de Deus passam a ser santos e
irrepreensíveis. O cristão nem mesmo existia quando se definiu
quem haveria de receber a condição de eleito, e agora, após serem conhecidos por Deus
os ‘novos homens’ passam a ser santos e irrepreensíveis.
d)
Antes da fundação
do mundo já estava definida a eleição; não há mérito por parte
dos eleitos, visto que nem mesmo existiam. Com relação a quando
ocorreu a eleição só a pessoa de Cristo participou, os méritos
estavam nele; após
nascermos de Deus, nós nos tornamos participantes das bênçãos
restritas aos filhos de Deus: somos santos e irrepreensíveis.
O apóstolo Paulo, em momento
algum aponta uma escolha entre os perdidos para a salvação.
Antes ele aponta que os cristãos são escolhidos para a
condição de santos e justos diante de Deus.
Se Deus nos elegeu no passado
em Cristo, hoje somos eleitos, estamos de posse das
prerrogativas para qual fomos eleitos.
Basta nascer de novo por meio
de Cristo que o homem estará na condição de eleito de Deus.
Sobre o propósito eterno de
Deus ao escolher a Cristo, veremos nos próximos versículos.