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Capítulo I
(v. 1- 3)
Introdução
Este comentário à carta de Efésios constitui-se um
exercício de leitura e interpretação bíblica.
Este estudo não é focado em questões como: qual a
data de escrita desta carta, ou se a palavra 'aos efésios' não se
encontra nos melhores manuscritos, etc. Tais questões tem a sua
importância, porém não influência diretamente na leitura e
interpretação da carta.
As divisões que adotamos para o estudo do texto
decorre dos principais contexto, nos quais os temas estão inseridos. Por
exemplo: quando Paulo nomeia os cristãos de santos e fiéis, destacamos
que o contexto é apresentação e identificação dos destinatários da
carta.
Se os destinatários da carta residiam em Éfeso, ou
não, é um ponto de menor importância. O que propomos aqui é explicar a
condição do estar em Cristo e responder questões como: Eles eram santos, ou somente eram tidos por santos?
E muitas outras.
Boa leitura!
Apresentação Pessoal
1 Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos
santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:
Paulo, o escritor da carta, identifica-se aos
seus destinatários e não deixa dúvidas quanto à sua autoria.
Esta carta possui uma
característica diferente das outras. Paulo não precisa defender o seu
apostolado. Ele simplesmente demonstra que pela vontade de Deus
tornou-se apóstolo de
Cristo.
Geralmente
Paulo se apresenta como servo de Cristo em suas outras cartas, mas nesta se apresenta como apóstolo Fl 1. 1; Rm 1. 1.
Cabe salientar que a carta aos
efésios é auto-explicativa, principalmente quanto aos elementos
apresentados na introdução. Observe:
Sobre o seu apostolado Paulo esclarece
que foi feito ministro do evangelho segundo a operação do poder de Deus Ef 3. 7. Paulo demonstra que tal poder foi manifesto em Cristo quando
Deus o ressuscitou dentre os mortos Ef 1. 19- 20.
Compare Gl 1. 1 com Ef 1. 1:
“Paulo, apóstolo de Jesus
Cristo, pela vontade de Deus...” Ef 1. 1;
“Paulo,
apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por
Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)” Gl 1.
1.
Paulo identifica os destinatários da
carta chamando-os de santos e fiéis em Cristo, os cristãos que estavam em Éfeso.
Santidade e fidelidade advêm do
'estar'
em Cristo. 'Em Cristo' é a condição de existência da nova criatura,
conforme Paulo escreveu aos cristãos em Coríntios:
“Assim que, se
alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já
passaram; eis que tudo se fez novo” II Co 5. 17.
'Em Cristo' os cristãos são santos e
fiéis, ou seja, santos e fiéis são as características pertinentes à nova criatura
“E vos revistais do novo
homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade”
Ef 4. 24. 'Em Cristo' é
um recurso se estilo, onde a idéia completa 'estar em Cristo para ser
uma nova criatura'
passa a ser resumida em.
“...aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:” Ef
1. 1 e 4.
A
fidelidade expressa neste versículo não possui relação com a fidelidade
descrita em Ef 6. 21. Quanto ao exercício de um ministério ou serviço, o
cristão demonstra a sua fidelidade através de esforço próprio, condição
pertinente a poucos cristãos. Já a condição de 'santidade' e
'fidelidade' somente é possível em Cristo, e esta condição é pertinente
a todos cristão.
Saudações
2 A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor
Jesus Cristo!
Aos
cristãos Paulo deseja graça e paz da parte de Deus.
Graça remete ao favor
imerecido de Deus. Paz, é aquela que excede a todo entendimento, pela
qual os cristãos foram reconciliados com Deus.
Com relação a escrita, verifica-se que em sua apresentação e saudação
Paulo utiliza a primeira pessoa do singular do caso reto “Eu”.
Ao passar a louvar a Deus por bênçãos recebidas, Paulo utilizar
a primeira pessoa do plural, fato que inclui todos os cristãos como
alvos das bênçãos divina “Nós”.
Observe que o prefácio e a saudação possuem um contexto
diferente do versículo três em diante. Nos versículo um e dois, temos: a
apresentação do remetente da carta, os destinatários da carta e a
saudação. Do versículo três em diante, Paulo passa a louvar a Deus por
bênçãos recebidas.
Louvor e
Adoração
3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos
abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em
Cristo;
Os
versículos três em diante devem ser analisados do ponto de vista de quem
faz uma adoração a Deus “Bendito o Deus e Pai...” (v. 3).
Quem
adora, adora por aquilo que recebeu das mãos de Deus ou por reconhecer a sua grandeza.
Do versículo três até o versículo doze, o contexto é de agradecimento por
bênçãos recebidas.
A estrutura do texto da carta é
semelhante ao Salmo 103. Da mesma forma que Davi bendiz ao Senhor, Paulo
também bendiz. O salmista bendiz ao Senhor pelos benefícios recebidos, e
a partir do versículo três passa a enumerar as bênçãos
recebidas.
O apóstolo Paulo também bendiz
ao Senhor e passa a enumerar as bênçãos recebidas nos versículos quatro
a doze.
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares
celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da
fundação do mundo, para que fossemos santos e irrepreensíveis diante
dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus
Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”
Ef 1. 3- 5.
“Bendize,
ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu
santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de
nenhum de seus benefícios. Ele é o que perdoa todas as tuas
iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime
a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de
misericórdia” Sl 103. 1- 4.
O contexto é de adoração, e toda
e qualquer declaração de Paulo deve ser analisada com base na adoração.
Sobre a adoração é necessário
observarmos que só há duas maneiras pelas quais se adora a Deus.
A primeira maneira é agradecer,
fazendo referência aos benefícios recebidos. A segunda maneira é fazendo
referência aos atributos de Deus. Não há outras maneiras de adoração além destas
duas, ou seja, que o homem possa render adoração ao Senhor.
O salmista Davi utiliza estas
duas maneiras de adoração:
“Bendize,
ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu
santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de
nenhum de seus benefícios. Ele é o que perdoa todas as tuas
iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime
a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de
misericórdia” Sl 103. 1- 4.
“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR! SENHOR Deus meu,
tu és magnificentíssimo; estás vestido de glória e de
majestade. Ele se cobre de luz como de um vestido, estende
os céus como uma cortina. Põe nas águas as vigas das suas câmaras;
faz das nuvens o seu carro, anda sobre as asas do vento. Faz
dos seus anjos espíritos, dos seus ministros um fogo abrasador”
Sl 104. 1- 4.
O salmo 103 faz referência aos benefícios
concedidos por Deus, e o salmo 104 faz referência aos atributos de Deus.
O apóstolo Paulo adota a linha de
adoração demonstrada no salmo 103:
“Bendito o Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo,
o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares
celestiais em Cristo” Ef 1. 3. Adoração
ou reconhecimento
pelos benefícios recebidos.
Após verificarmos o contexto na
qual estão inseridas as declarações de Paulo, analisaremos dois elementos
presentes neste versículo:
a) bênçãos espirituais, e;
b) regiões celestiais.
-
Há um contraste significativo entre o
que é espiritual e o que é material. O apóstolo Paulo descreveu as
nuances destes dois ambientes aos cristãos em Coríntios.
a) Primeiro se estabelece o que é natural,
e depois o que é espiritual I Co 15. 46;
b) Tudo que é concernente a Cristo é
espiritual, e tudo o que é concernente a este mundo é material I Co 10. 4;
c) Aqueles que nascem de Deus são
espirituais, e passam a ser casas espirituais I Pd 2. 5;
Jesus ao falar a Nicodemos
demonstrou que o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do
Espírito, é espírito. Analisando Jo 3. 6 com Jo 1. 12- 13, percebe-se que
somente após a regeneração o homem passa a ser espiritual.
·
A relação entre benção e
graça.
“Um santo, no N.T., não é uma
pessoa sem pecado, mas um pecador salvo” Scofield, C. I., Bíblia de
Scofield com Referências, nota de roda pé Ef 1. 1.
Em uma mensagem de cunho evangelístico é
plenamente aceitável a colocação: ‘Deus salva o pecador’. Isto é fato, Deus
veio resgatar o que estava perdido “Esta é uma palavra fiel, e
digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os
pecadores, dos quais eu sou o principal” I Tm 1. 15.
Agora, em uma mensagem de
ensinamento se utiliza a mesma linguagem? Não! Jesus ao falar a Nicodemos
apregoa o seguinte: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de
novo, não pode ver o reino de Deus” Jo 3. 3.