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Capítulo III
(v. 4- 8)
4 Por isso,
quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de
Cristo,
Paulo espera que os leitores
percebam o quanto ele compreendia o evangelho, o mistério de Cristo
que agora foi revelado aos homens.
O versículo 6 detalha a extensão
da compreensão do apóstolo Paulo.
5 O qual noutros
séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem
sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas;
O mistério acerca da pessoa de
Cristo ainda não havia sido revelado aos homens, porém, agora, o
Espírito Santo de Deus revelou tal segredo aos santos apóstolos e
profetas.
É interessante observar que a
revelação de Deus se deu aos apóstolos e aos profetas
“Porque todos os profetas e a lei
profetizaram até João” Mt 11. 13. É diferente a abordagem
feita em Efésios da feita por Cristo em Mateus.
Quando Cristo falou acerca dos
profetas, Ele disse que: “...os
profetas e
a lei
profetizaram até João”. Ou seja, tanto os profetas quanto a
lei apontavam para a vinda de Cristo em carne, e o profeta João
Batista foi o último a profetizar acerca da vinda do Messias em
carne Mt 3. 11.
Os profetas, da qual Jesus fez
referência, profetizavam acerca de algo que não lhes era plenamente
compreensível. Da mesma maneira a lei, que é uma profecia acerca do
Cristo, mas que não era plenamente compreendida pelo povo.
A abordagem de Paulo é diferente
da abordagem feita por Jesus.
Paulo fala do mistério que foi
revelado aos apóstolos e profetas. O mistério revelado é que os
gentios também são herdeiros da promessa por meio do corpo de
Cristo.
A revelação do mistério que
estava oculto se deu aos apóstolos (como é o caso do apóstolo
Paulo), e aos profetas (como é o caso de algumas pessoas que foram
nomeadas como profetas) “E,
demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por
nome Agabo” At 21. 10.
A lei e os profetas falavam da
vinda do Messias em carne, mas não deixava claro que através de
Cristo os gentios e judeus formariam um só corpo. Porém, agora, o
mistério foi revelado, e os apóstolos e os profetas passaram a
compreender a grandeza do evangelho.
Os profetas que profetizaram
acerca da vinda do Messias duraram até João. Os profetas que Paulo
faz referência profetizaram muitas coisas aos apóstolos e a igreja,
e estes não estão inclusos no alerta de
Mt 3. 11; “E, achando discípulos,
ficamos ali sete dias; e eles pelo Espírito diziam a Paulo que
não subisse a Jerusalém” At 21. 4.
6 A saber, que
os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da
promessa em Cristo pelo evangelho;
Este versículo demonstra a
compreensão do apóstolo acerca do mistério que foi revelado.
O mistério que esteve oculto e
que agora foi revelado aos apóstolos e profetas é que os
gentios são co-herdeiros e membros de um mesmo corpo.
Por meio do evangelho os gentios
tornaram-se participantes da promessa feitas a Abraão.
A promessa foi feita a Abraão, e
por meio de Cristo os gentios tornam-se participantes da promessa
“... e em ti serão benditas todas as famílias da terra” Gn
12. 3.
7 Do qual fui
feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a
operação do seu poder.
Este versículo complementa a
apresentação inicial do apóstolo.
Paulo identificou-se como
apóstolo de Cristo pela vontade de Deus
Ef 1. 1, e aqui ele
complementa que foi feito ministro do evangelho, segundo o dom da
graça de Deus que a ele foi dado, segundo a operação do seu poder.
Verifica-se que o contexto
continua sendo o poder de Deus. No capítulo um, versículo dezenove,
o apóstolo orou a Deus para que os irmãos se conscientizassem “da
suprema grandeza do seu poder” Ef 1.
19.
O poder de Deus foi manifesto em
Cristo ao ressuscitá-lo dentre os mortos e em nós, ao nos vivificar
dos mortos Ef 2. 5- 6. E, pelo
mesmo poder, Paulo foi feito ministro do evangelho, apóstolo dos
gentios.
8 A mim, o
mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre
os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de
Cristo,
Paulo demonstra conhecer a sua
real condição perante Deus quando diz ser o mínimo de todos os
santos.
A graça de Deus concedeu
salvação ao apóstolo, porém, também lhe foi dada à incumbência de
anunciar o evangelho aos gentios.
Mas, há algo neste versículo que
nos chama atenção: o mínimo de todos os santos. Desde a
apresentação inicial da carta, o apóstolo nomeia os destinatários de
santos “...aos santos que estão em Éfeso...” Ef 1. 1; “...para
sermos santos e irrepreensíveis....” Ef 1. 4; “...e o vosso amor
para com todos os santos” Ef 1. 15; “...quais as riquezas da glória
da sua herança nos santos” Ef 1. 18; “...mas concidadãos dos santos,
e da família de Deus” Ef 2. 19; “...como agora tem sido revelado
pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” Ef 3. 5, etc.
Estes versículo apresentam uma condição
dos cristãos perante Deus, e não somente um título de tratamento
entre os irmãos.