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Capítulo III
(v. 1- 3)
A Missão
entre os Gentios
1 Por esta causa
eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios;
Qual causa?
A missão que foi confiada ao apóstolo de demonstrar aos
homens que a parede de separação entre gentios e judeus foi
derrubada. O fato de ter sido criado um novo homem em Cristo Jesus a
partir de dois povos (judeus e gentios)
“...para criar em si mesmo dos
dois um novo homem...” Ef 2. 15, tornou-se em motivo
para as prisões de Paulo.
A missão que foi delegada a
Paulo mantinha o apóstolo vinculado a Cristo através de uma lei
interna, visto que ele era cativo (prisioneiro) no entendimento
“...e levando cativo todo o
entendimento à obediência de Cristo” II Co 10. 15.
A idéia que Paulo expôs sobre
ser prisioneiro de Cristo é melhor explanada em I Co 9. 16- 19
“Porque, se anuncio o evangelho, não
tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e
ai de mim, se não anunciar o evangelho! E por isso, se o faço de boa
mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação
me é confiada. Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha
de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no
evangelho. Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de
todos para ganhar ainda mais”.
Paulo não quis ser só um
despenseiro, e sim, alguém que anunciava o evangelho de bom grado,
com o intuito de receber um prêmio maior. Para tanto, ele quis se
prender a causa.
A igreja de Cristo é um novo
corpo que une ‘gentios’ e ‘judeus’, e ambos têm acesso ao Pai em um
mesmo Espírito.
O remetente da carta se
identifica novamente “...eu,
Paulo...”; Ef 1. 1.
Paulo tinha conhecimento pleno
da sua condição em Cristo “...sou
prisioneiro de Jesus Cristo...”, e da missão.
Paulo procurou conscientizar os
cristãos gentios da sua luta através deste versículo.
Ele prossegue apresentando novos
elementos no transcorrer da carta, porém, sempre faz referência a
algo que já escreveu. Ex:
·
Apresentação pessoal
Ef 1. 1 e 3. 7;
·
Louvor a Deus
Ef 1. 3 e 3. 20- 21;
·
Regiões celestiais
Ef 1. 3 e 2. 6;
·
Mistério desvendado
Ef 1. 9 e 3. 6;
·
O Espírito Santo
Ef 1. 13 e 4. 30;
·
O poder de Deus
Ef 1. 19; 3. 7 e 3. 20;
·
O passado
Ef 2. 1 e 4. 17- 19;
·
Vivificar com Cristo
Ef 2. 1 e 2. 5;
·
Morada do Espírito
Ef 2. 22 e 3. 17, etc.
Esta
peculiaridade da carta aos Efésios a torna auto-explicativa.
2 Se é que
tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me
foi dada;
A conscientização (entendimento)
acerca da complexidade que havia por trás do ministério do apóstolo
Paulo só é possível àqueles que já ouviram acerca da graça de Deus.
Tal graça foi apresentada aos gentios por intermédio do apóstolo.
A mensagem que Paulo apregoava
era desconhecida tanto para os judeus como para os gentios. Somado a
isto, ele precisava apregoar o evangelho de maneira que convencesse
os judeus a abandonarem a idéia de que a salvação era exclusiva ao
povo de Israel, sem menosprezar os gentios.
Como conciliar homens que tinham
a cruz de Cristo como escândalo e loucura?
“Visto como na sabedoria de Deus o
mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar
os crentes pela loucura da pregação. Mas nós pregamos a Cristo
crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os
gregos” I Co 1. 21- 22.
Porém, Paulo pregava confiado em
Cristo que concedeu a missão de proclamar o evangelho, que é poder
de Deus e salvação para todo aquele que crê
“Porque a palavra da cruz é loucura
para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de
Deus” I Co 1. 18 compare
com “E qual a sobre excelente
grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a
operação da força do seu poder...” Ef 1. 19.
3 Como me foi este mistério manifestado pela
revelação, como antes um pouco vos escrevi;
A dispensação da graça de Deus
era um mistério que foi manifesto ao apóstolo Paulo por revelação.
Sobre este mistério, agora revelado, Paulo escreveu algumas coisas
no próprio corpo da carta Ef 2. 13-
22.