16 Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio
de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o
aumento do corpo, para sua edificação em amor.
A igreja (corpo) é de Cristo,
e por isso Paulo disse: "...do qual..." (v. 16). O cristão precisa crescer
em tudo, naquele que é o cabeça. De Cristo é o corpo que é constituído de
judeus, gregos, servos, livres, homens, mulheres, etc.
Enquanto todos os cristãos
(membros) estiverem bem ajustados (unidos) pelo auxílio de todas as juntas
(humildade, mansidão, longanimidade, amor, paz...), segundo a justa operação
de cada parte (cristãos), o corpo de Cristo permanecerá crescendo (aumento).
É Cristo quem promove o
crescimento do corpo em amor.
Observe que os versos 1 e 2 deste capítulo é uma conclusão com base
em elementos apresentados anteriormente. Paulo roga aos cristãos que
andem de modo digno da nova condição em Cristo, e os versículos 17 e
18 retrocedem a este pedido.
17 E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis
mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente.
O que Paulo rogou no início
da capítulo é segundo o Senhor, e não segundo um conhecimento ou
considerações do próprio apóstolo "Portanto, como prisioneiro do Senhor,
rogo-vos que andeis (...) E digo isto, e testifico no Senhor, para
que não andeis..." (vs. 1 e 17).
Os cristão devem portar de
modo digno da vocação que foram chamados e não devem andar como andam os
outros gentios que não conhecem a Cristo.
O modo que os incrédulos se
comportam não deve ser o mesmo modo dos cristãos. Enquanto os incrédulos
andam segundo a vaidade da mente (pensamentos), o cristão precisa renovar-se
quanto ao seu entendimento Ef 4: 23; Rm 12: 2.
18 Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus
pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração;
Apesar de Deus ter preparado
salvação poderosa para toda humanidade, o que Paulo descreve é uma
humanidade que segue à mercê de um pensamento fútil (vaidade de pensamento),
não compreendem as coisas de Deus (entenebrecidos no entendimento),
permanecem sob a condenação de Adão por desconhecerem que Deus já desfez a
inimizade, cravando-a na cruz Cl 2: 14.
O apóstolo Paulo descreve
minuciosamente o que ocorre em nossos dias ao escrever aos Coríntios: "Mas,
se o nosso evangelho ainda está encoberto, para os que se perdem está
encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos
incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de
Cristo, que é a imagem de Deus" II Co 4: 3- 4.
A ignorância dos incrédulos
decorre da cegueira espiritual que os diabo lhes impôs.
"Isto é, Deus estava em Cristo
reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em
nós a palavra da reconciliação" (II Coríntios 5: 19), ou seja, Deus
reconciliou consigo mesmo o mundo, e a palavra do evangelho é Deus clamando
através dos cristãos que os homens se reconciliem com Deus II Co 5: 19- 20.
O que mantêm os homens separados de Deus é
a ignorância que há neles, pela dureza de coração.
19 Os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à
dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza.
Por andarem na vaidade dos
seus pensamentos, os homens tornaram-se insensíveis e se entregaram a todo
tipo de perversão de costumes. Desregrados e licenciosos, com avidez cometem
todo tipo de impureza.
Como vimos anteriormente, não
é o andar em dissolução que levará o homem à condenação, visto que, todos os
homens sem Cristo estão sob a condenação em Adão.
A dissolução dos homens
somente aumenta a ira de Deus que será manifesta a todos impenitentes no dia
da manifestação do juízo de Deus Rm 2: 5. Os homens 'impenitentes' estão
julgados em Adão desde o Éden, porém, este juízo será manifesto aos
impenitentes somente no dia da ira, onde Deus recompensará a cada um segundo
as suas obras Rm 2: 6.
Observe que o dia da ira e da
manifestação do juízo de Deus são concomitantes. A retribuição segundo as
obras será o dia da ira, mas a manifestação do juízo de Deus refere-se ao
evento do Éden, onde todos os homens tornaram-se escusáveis.
20 Mas vós não aprendestes assim a Cristo,
Enquanto os incrédulos
continuam separados da vida de Deus pela ignorância que neles há, Paulo
demonstra que o conhecimento do evangelho é luz para os 'ignorantes'.
Observe a relação entre
aprender, ouvir, ensino e verdade que Paulo evidência.
Sobre este aspecto do
evangelho profetizou Isaias: "Ele verá o trabalho da sua alma, e ficará
satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará
a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si" Is 53: 11.
Os cristãos não aprenderam
de Cristo um andar em dissolução.
21 Se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como
está a verdade em Jesus;
O apóstolo é específico ao
falar da dissolução: não andeis mais como andam os outros gentios. Ao
especificar que os cristãos não devim andar como os gentios, isto demonstra
que: a) os judeus não viviam a mesma dissolução dos gentios, pois seguiam a
lei de Moisés. Os judeus tinham uma moral elevada se comparado a dos povos
gentílicos, e/ou; b) isto demonstra que a carta foi direcionada
exclusivamente a cristãos chamados dentre os gentios.
Se realmente os cristãos
ouviram e foram ensinados conforme a verdade em Jesus, saberiam que:
22 Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho
homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano;
O 'trato passado' refere-se a
natureza herdada de Adão, onde todos pecaram e foram destituídos da glória
de Deus. Observe que o 'trato' que Paulo faz referência é coisa do passado,
ou seja, refere-se a um outro tempo (noutro tempo ou outrora) Ef 2: 2 e 11.
Com relação ao trato passado
ele foi desfeito na cruz. Paulo aos Romanos demonstrou que o velho homem foi
crucificado com Cristo Rm 6: 6, e a carne do pecado desfeita.
Sobre o trato passado, o
apóstolo já havia demonstrado que os cristãos eram por natureza filhos da
ira Ef 2: 3, mas que, agora, todos foram vivificados com Cristo Ef 2: 5.
Para ser vivificado (ressuscitar) com Cristo, primeiro é preciso ter um
encontro com a cruz de Cristo e ser sepultado com Ele, sendo, portanto,
desfeita a carne do pecado, o velho homem com a sua natureza.
Uma vez que os cristãos eram
novas criaturas, criados em Cristo, deveriam despojar (privar da posse,
largar, abandonar) das coisas que pertenciam ao velho homem.
Despojar do velho homem é o
mesmo que não mais andar como andam os outros gentios, entenebrecidos no
entendimento. As coisas que pertenciam ao velho homem que foi crucificado
estão sujeitas à corrupção, por causa das concupiscências do engano.
23 E vos renoveis no espírito da vossa mente;
Enquanto os 'outros' gentios
seguem entenebrecidos no entendimento, os cristãos devem se renovar no
entendimento. Sobre este mister o apóstolo Paulo demonstrou que é necessário
aos cristãos se renovarem através do transformar pela renovação do
entendimento Rm 12: 2.
Isto porque, enquanto os
cristãos recebem uma nova vida, uma nova natureza, e passam a pertencer a
Deus, a única coisa que não lhes é muda (transformada) é a mente
(pensamentos e memória).
A transformação que faltava,
e que os cristãos necessitavam era o renovar pela transformação do
entendimento. Sobre este aspecto é que Paulo rogando a Deus desde o início
da carta Ef 1: 17 e 18; 3: 18.
24 E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado
em verdadeira justiça e santidade.
Enquanto o despojar do velho
homem é o não andar conforme os outros gentios Ef 4: 17, o revestir do novo
homem é andar de modo digno da vocação com que se foi chamado Ef 4: 1.
Analise os versículos
seguintes: Ef 4: 1 e 17 comparando-os com os versos 22 e 24.
Após lançar fora (despojar)
as 'roupas' do velho homem, que foi morto através da cruz de Cristo, o novo
homem precisa vestir-se adequadamente, utilizando as 'roupas' do novo homem.
O novo homem é criado por
Deus segundo o poder que opera naqueles que crêem no evangelho, sendo criado
em verdadeira justiça e santidade, sendo, portanto, filhos de Deus Jo 1: 12.
25 Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o
seu próximo; porque somos membros uns dos outros.
Os versículos anteriores
apresentaram o motivo pelo qual os cristãos devem proceder conforme o que
Paulo recomendou no verso 1 deste capítulo.
Após lançar fora os pertences
do velho homem (despojar), os cristãos deveriam revestirem-se do que é
pertinente ao novo homem Cl 3: 10. É por isso que se deve falar a verdade,
uma vez que todos os cristãos pertencem ao corpo de Cristo, sendo membros
uns dos outro.
Não é o falar a verdade que
concede a salvação, antes ela é adquirida através da nova criação, por meio
da fé no evangelho.
26 Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa
ira.
Neste verso, o apóstolo não
recomendou aos cristãos o ficar irado, antes ele cita o Salmo 4, verso 4,
que apresenta de modo prático, o que é revestir-se do (do que é pertinente)
novo homem.
Qual deve ser o comportamento
do Cristão? O Salmo 4 responde:
a) Clamor a Deus, que dá
alivio na angustia e exerce misericórdia (v. 1);
b) Por conhecer a Deus, saberá que Deus sempre ouve aquele que clama (v.
3);
c) A meditação é melhor que a ira, pois fará que aquele que confia em
Deus se deite em paz (v. 4 e 8);
d) Aqueles que vivem à Luz do Senhor saberá como proceder (v. 6).
27 Não deis lugar ao diabo.
O cristão não pode dar lugar
ao diabo, ou seja, aquele que veio matar, roubar e destruir não ter lugar na
vida do cristão, que não deve roubar, furtar, etc.
Os versos seguintes
demonstram que, se o cristão mantiverem tal conduta, estarão à ceder lugar
ao diabo.
28 Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe,
fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o
que tiver necessidade.
O evangelho não promove vida
fácil, ou facilidades para se viver.
29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que
for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a
ouvem.
As palavras do cristão deve
promover a edificação, e não a depreciação de quem quer que seja.
30 E não entristeçais o
Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.
Além de não dar lugar ao
diabo, o cristão não poder entristecer o Espírito Santo. O versículo
seguinte apresenta os elementos que entristece o espírito Santo de Deus,.
Paulo lembra os cristãos que
eles estão selados com o Espírito Santo da promessa, para o dia da redenção.
31 Toda a amargura, e ira,
e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós,
A unidade do Espírito no
vínculo da paz só é possível se for excluída toda e qualquer amargura, ira,
cólera, gritaria, blasfêmia, malícia, etc.
Qualquer um dos sentimentos e
comportamentos acima entristece o Espírito Santo, uma vez que o Espírito de
Deus é o Espírito de Paz, e não de confusão.
32 Antes sede uns para com
os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como
também Deus vos perdoou em Cristo.
Paulo recomenda a
benignidade, a misericórdia e o perdão.