8 Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu
dons aos homens.
Este versículo decorre da argumentação do
versículo anterior, ou seja, o apóstolo apresenta o Salmo 68: 18 para
demonstrar que a graça concedida a cada cristão é segundo a medida do dom de
Cristo, e não segundo as características peculiares a cada cristão.
Paulo demonstra que o Salmo 68, verso 18
refere-se a Cristo, o único homem dentre os homens que subiu ao alto. Sobre
esta 'façanha' do Cristo, o livro de Provérbios também contém a seguinte
citação: "Quem subiu ao céu e desceu? (...) Qual o seu nome e o nome do seu
Filho, se é que o sabes" Pv 30: 4.
Moisés ao falar ao povo de Israel também fez
referência ao 'subir ao alto': "Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá
por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos"
Dt 30: 12.
A forma como Paulo introduziu este verso
demonstra que o Salmo 68, verso 18, refere-se a obra redentora de Cristo, ou
seja, quando Cristo subiu ao alto após a ressurreição, a graça de Deus foi
concedida a cada um dos homens.
Sabemos que Cristo subiu aos céus e
assentou-se à destra da Majestade nas alturas, porém, o que significa 'levou
cativo o cativeiro'? Muitos entendem que o cativeiro refere-se a um lugar
onde os salvos na Antiga Aliança permaneciam após a morte. É plausível esta
idéia?
Observe que o fato de Cristo ter levado
cativo o cativeiro é que concedeu-lhe autonomia de conceder dons (graça) aos
homens. Isto por si só demonstra que o 'cativeiro' não é um lugar.
Sabendo que Cristo subiu ao alto após
ressurgir dentre os mortos, e que a graça de Deus é efetiva sobre aqueles
que ressurgem com Ele, isto demonstra que o cativeiro refere-se à morte em
Adão.
A humanidade era cativa da morte e tinha o
pecado como seu aguilhão por causa da desobediência de Adão. Ao ressurgir
dentre os mortos, Cristo estabeleceu um novo e vivo caminho pelo qual os
homens têm acesso a Deus. O cativeiro foi levado cativo, ou seja, o opressor
(morte) da humanidade foi vencido.
É na morte e na ressurreição de Cristo que a
graça (dons) de Deus é concedida aos homens, ou seja, 'levar cativo o
cativeiro' refere-se à vitória de Cristo sobre a morte.
9 Ora, isto ele subiu que é, senão que também antes tinha
descido às partes mais baixas da terra?
Para aqueles que ainda não
haviam entendido o que o Salmo queria expor, Paulo demonstra que 'subir'
refere-se ao caminho inverso que levou o Cristo até as entranhas da terra.
Para aqueles que já tinham
entendido que Cristo desceu, habitou entre os homens, assumiu a condição de
servo, foi fiel até a morte e desceu à sepultura, 'subir' significa de
pronto o retorno à glória que Jesus tinha antes de haver mundo, junto com o
Pai.
O que se observa neste verso
é que Paulo fez referência somente à morte física de Cristo, sem qualquer
alusão ao Hades. Este trecho da carta concorda com o exposto no Salmo 16:
"Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a
minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem
permitirás que o teu Santo veja corrupção. Far-me-ás ver a vereda da vida;
na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias
perpetuamente" Sl 16: 9- 11.
O Salmo 16 apresenta o
Messias confiante e alegre quanto ao destino do seu corpo e alma: o corpo
não ficaria sujeito à corrupção e a alma não ficaria abandonada no Hades.
Por fim, o Salmo demonstra
que o destino final do Messias é o alto, assentado à mão direita de Deus.
10 Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de
todos os céus, para cumprir todas as coisas.
O apóstolo demonstra que o
mesmo Jesus que desceu à sepultura, é o mesmo que ressurgiu e subiu aos
céus.
Este versículo apresenta a
mesma idéia dos versículos 20 à 21 do capítulo 1 da carta aos Efésios "...
que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e fazendo-o
assentar-se à sua mão direita nos céus, acima de todo principado, e
autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia..." Ef 1: 20-
21.
11 E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para
profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e
doutores,
Se houver dúvidas sobre a
argumentação apresentada neste capítulo, leia também I Coríntios 12: 1- 11,
que trata das mesmas questões apresentadas aos cristãos de Éfeso.
Os cristãos que compreendem,
que para guardar o vínculo da paz é preciso SUPORTAR uns aos outros em amor,
primeiramente compreenderam que a salvação (graça) foi concedida segundo à
medida da graça de Cristo, e não conforme os dons concedidos.
Os apóstolos não receberam
uma graça maior que os profetas, da mesma forma que os pastores e doutores
não são inferiores e graça, se comparado aos apóstolos. Todos os cristãos,
não importando o dom que tenham recebido, receberam de Cristo graça segundo
uma mesma medida.
Ao distribuir diferentes dons
à igreja, isto não quer dizer que Deus teve alguém em preferência, antes, o
objetivo dos diferente dos concedidos é o aperfeiçoamento dos santos "Mas um
só, e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, distribuindo
particularmente a cada um como quer" I Co 12: 11.
12 Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do
ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Demonstramos anteriormente
que o novo homem em Cristo é prefeito, ou seja, todos os cristãos são
perfeitos em Cristo. Mas, que entender através deste verso, se ainda é
necessário o aperfeiçoamento dos santos? É possível aperfeiçoar a condição
de 'santo'?
Em primeiro lugar é
necessário observar o contexto do verso acima, que fixa-se em demonstrar
qual deve ser o comportamento de cada membro do corpo de Cristo. Desta
forma, perceber-se que, o que precisa ser aperfeiçoado é o comportamento dos
cristãos, e não a condição alcançada em Cristo: santo.
Somente faz parte do corpo de
Cristo aqueles que uma vez creram (uma só fé) e conformaram-se com Cristo na
sua morte, e ressurgiram uma nova criatura através do poder de Deus. Este
novo homem gerado em Cristo é santo e irrepreensível diante de Deus, sendo,
portanto, perfeitamente santo.
A condição de santidade não
precisa ser aperfeiçoada, uma vez que quem santifica é Deus, e a sua obra é
prefeita e completa. Agora, o aperfeiçoamento daqueles que adquiriram uma
nova condição diante de Deus (santo) diz respeito ao exercício do
ministério.
A condição de santo não
precisa de aperfeiçoamento, mas a atuação ou comportamento quanto a
incumbência de edificar o corpo de Cristo (igreja), precisa de
aperfeiçoamento. Visando o aperfeiçoamento no desempenho do ministério é que
foi comissionado alguns dos membros do corpo de Cristo à condição de
apóstolo, profeta, evangelista, pastores, doutores, etc.
Um pastor não desempenha a
função de promover a santificação, pois quem santifica é Cristo. Porém, a
função precípua de um pastor deve ser com relação ao exercício do
ministério.
Deus deu aos homens graça
sobre graça sem medida Ef 4: 8, porém, concedeu a alguns em particular a
responsabilidade de conduzir o povo adquirido, a nação santa, a geração
eleita e o sacerdócio real I Pe 2: 9. O aperfeiçoamento que o apóstolo Paulo
faz referência é quanto ao comportamento daqueles que anunciam as grandezas
de Deus.
13 Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento
do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de
Cristo,
Ao falar da edificação do
corpo de Cristo, Paulo inclui-se na exposição "...todos cheguemos...".
Ou seja, não é proveito para o corpo de Cristo que somente o apóstolo
alcançasse o pleno conhecimento de Cristo. antes, é preciso que todos
alcancem à unidade da fé, ou seja, que todos tenham um mesmo parecer acerca
da esperança proposta.
Como é certo um só Senhor e
uma só fé do qual todos são participantes em um só corpo e um só Espírito,
todos precisam alcançar também a unidade do que professam.
Quando os cristãos foram de
novo criados pela fé em Cristo, alcançaram a perfeição em Cristo. Desta
perfeição decorre a idoneidade para participar da herança dos santos na luz
Cl 1: 12. Porém, a condição de homem perfeito somente é possível àqueles que
tem as faculdades mentais perfeitamente exercitadas no pleno conhecimento de
Cristo Jesus.
Os cristãos já haviam
adquirido a condição de santos, justificados, irrepreensíveis, idôneos,
filhos, etc. Porém, ainda faltava o espírito de sabedoria e revelação, o que
Paulo rogava a Deus que fosse concedido aos cristãos desde o início da carta
"...o Pai da glória, vós dê em seu conhecimento (...) Oro para que, estando
arraigados e fundados em amor possais perfeitamente compreender, com todos
os santos, qual seja a largura..." Ef 1: 17 e 3: 16.
A condição de filhos,
herdeiros, santos, justos, irrepreensíveis, inculpáveis, foi alcançada por
meio da fé, porém, o que ainda precisavam alcançar a perfeita compreensão, o
que confere aos cristãos a perfeita varonilidade, à medida da estatura da
plenitude de Cristo.
O que muitos compreendem ser
santificação 'progressiva', a bíblia apresenta como o transformar pela
renovação do entendimento Rm 12: 2.
14 Para que não sejamos mais meninos, inconstantes, levados em
roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com
astúcia enganam fraudulosamente.
O cristão que ainda não tem
os olhos do entendimento iluminados, que não compreende qual a esperança da
sua vocação e quais as riquezas da glória da herança de Cristo, são nomeados
por Paulo de 'meninos' "Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede
meninos na malícia, e adultos no entendimento" (I Coríntios 14: 20).
Observe que, apesar dos
cristãos já serem idôneos para participar da herança dos santos, muitos
deles ainda eram meninos no entendimento. Quando a bíblia fala de
aperfeiçoamento dos santos, ela diz da instrução necessária aos cristãos
para que cheguem a medida da estatura de Cristo "Desejai afetuosamente, como
meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por
ele vades crescendo" (I Pedro 2: 2).
O objetivo de se alcançar o
pleno conhecimento é para que os cristãos caminhassem a carreira proposta
sem a necessidade de apoio. Enquanto 'meninos no entendimento', os cristãos
seriam inconstantes, sujeitos a serem levados por ventos de doutrinas.
Qualquer outra doutrina
diversa da doutrina do evangelho de Cristo surge do engano dos homens. Por
estarem enfatuados na sua carnal compreensão, criam doutrinas de homens, e
com astúcia induzem os incautos ao erro.
15 Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo
naquele que é a cabeça, Cristo,
Paulo demonstra que é
necessário ao cristão corrigir o rumo de sua vida "Antes..." (v. 15), ou
seja, seguindo a verdade (que é Cristo), em amor. Aqueles que foram
agraciados com a nova vida precisam crescer em tudo. Crescer em Cristo,
naquele que é a cabeça, significa crescer no conhecimento do Filho de Deus.