A Carta de Paulo aos

Efésios

 

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Capítulo II (v. 1)

 

No passado, todos estavam mortos em ofensas e pecados, e hoje, os cristãos estão vivos em Cristo.

Há uma tênue diferença entre ofensa e pecado. Esta diferença é facilmente percebida ao lermos o capítulo cinco da carta aos Romanos.

Se observarmos as referências bíblicas, veremos que ofensa geralmente aponta para o pecado decorrente de Adão E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação" Rm 5. 16.

A ofensa em Adão (um só que pecou) trouxe juízo e condenação sobre toda a humanidade. Já o dom gratuito de Deus veio de muitas ofensas para a justificação.

A ofensa de Adão deixou a humanidade diante de Deus na condição de mortos. Por que? Por quê a determinação divina a Adão foi clara: Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" Gn 2. 17.

Na determinação divina vem incluso a lei, o juízo e a condenação: Não comerás – a lei; No dia em que dela comerdes – o juízo foi estabelecido no momento que comeram do fruto proibido; certamente morrerás – a sentença é morte.

Em decorrência desta condenação Jesus declara: Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" Jo 3. 18. Se aquele que não crê já está condenado é porquê este homem já passou pelo juízo e condenação divino.

A morte pertinente ao velho homem é em decorrência da queda de Adão e resulta da condenação adquirida no Éden. 

Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça" Ef 1. 7;

Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados" Cl 1. 14.

Paulo coloca uma nota explicativa nas frases acima: A redenção pelo sangue é remissão das ofensas e dos pecados! 

“Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” Ef 2. 5.

Geralmente a palavra ofensa vem em conexão com a condição de morto diante de Deus.

A palavra ‘pecado’ acaba por abranger duas perspectivas: a ofensa em Adão e a conduta do homem: “E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas" Cl 2. 13.

A vivificação em Cristo ocorre quando se é perdoada as ofensas, onde se risca o escrito de dívida que pesa sobre os homens.

“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” Cl 2. 14.

Só é possível a vivificação em Cristo quando se tem um encontro com a cruz de Cristo. É necessário morrermos com Cristo para que possamos ressurgir uma nova criatura livre da ofensa e dos pecados. 

"Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado" I Jo 1. 7.

Andar em trevas é o mesmo que não praticar a verdade. A prática da verdade só é possível quando andamos, nos comportamos na luz.

Observe a exposição de João: Quando se diz que possui comunhão com Deus e não se pratica a verdade, anda-se em trevas e se é mentiroso.

‘Mas...’, ou seja, se andamos na luz é o mesmo que dizer que temos comunhão com Deus, segue-se que o sangue de Cristo purifica o homem de todo o pecado.

O pecado aqui está no singular. João não faz referência a conduta pecaminosa através da palavra pecado. A conduta pecaminosa é abordada através da expressão “andarmos em trevas”.

Quando se tem comunhão com Deus (se anda na luz), é porquê o sangue de Jesus já nos purificou de todo o pecado (da morte decorrente das nossas ofensas).

Aquele que tem comunhão com Deus anda na luz; quem não tem comunhão anda em trevas. Este princípio é semelhante ao da árvore: A árvore boa só produz bons frutos e a árvore má só produz frutos segundo a sua espécie.

 

           

Está tradução em português arcaico nos auxilia em muito na absorção da idéia bíblica. Se dissermos que temos comunhão com Deus e andamos em trevas, somos mentirosos e não fazermos o que é verdadeiro. Por outro lado, se na luz andamos é o mesmo que dizer que temos comunhão com Deus, fato que nos leva a estar livre de pecado.

Alguém pode pensar que o versículo compõe uma gradação para alcançarmos a libertação do pecado. Primeiro teríamos que andar na luz; Segundo, ter comunhão com os irmãos, e então o sangue de Cristo nos purificaria dos pecados.

A comunhão com os irmãos nunca poderá nos livrar de pecados, antes é a comunhão com Deus por meio do sangue de Cristo que nos tornou livres. A comunhão é um dos aspectos da nova vida com Deus que demonstra efetivamente que estamos na prática da verdade.

A ofensa de Adão é específica e nenhum outro homem teve ou terá a possibilidade de transgredir a mesma maneira de Adão No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir" Rm 5. 14.

Não há a possibilidade de pecarmos à semelhança da transgressão de Adão por vários motivos: Adão antes de pecar era santo e perfeito diante de Deus; A determinação de não comer da árvore do conhecimento só foi feita a Adão; o ambiente onde Adão estava era perfeito, etc.

Pecado envolve questões como conduta. A ofensa refere-se ao pecado de Adão, pelo qual todos os homens pecaram. O sangue de Cristo foi derramado para que fossemos redimidos da ofensa que herdamos de Adão Ef 1. 7.

Desta forma a palavra ‘pecado’ é genérica e abrange tanto as ofensas quanto o pecado de conduta: Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados" Cl 1. 14.

A remissão dos pecados refere-se a toda transgressão contra Deus. Ou seja, a remissão engloba tanto o pecado em Adão, que subjugou toda a humanidade, quanto às condutas errôneas dos homens que haverão de ser julgadas perante o Grande Tribunal do Trono Branco.

           

 

 

Claudio Crispim

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