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Capítulo II
(v. 3)
Os desejos da carne
"Não
pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons"
Mt 7. 18.
Os fariseus faziam boas obras perante os olhos de seus semelhantes,
entretanto, por rejeitarem a Cristo, continuavam sob o pecado de
Adão e tudo o que produziam era segundo a sua natureza pecaminosa.
Jesus ilustra a condição dos fariseus através da relação fruto -
árvore. É pertinente a natureza as árvores boas produzirem frutos
bons e as árvores más produzirem frutos maus.
Por mais que os fariseus procurassem fazer as obras estipuladas na
lei, não conseguiam realizar o bem, visto que a natureza deles era
má. Eles não haviam nascido de novo e, por tanto, eram filhos da ira
e tudo o que produziam eram frutos para a morte
Rm 7. 5.
Jesus dá o veredicto:
“Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo” Mt 7.
19.
Não há exceção. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e
lançada ao fogo.
Quando Jesus falou a Nicodemos, ele demonstrou que para ver o reino
dos céus necessariamente o homem precisa nascer de novo, e neste
aspecto também não há exceção.
Todos as fariseus diziam: “Senhor, Senhor...”, mas, nem todos que
assim dizem entrarão no reino dos céus, visto que estes não fazem a
vontade de Deus.
Os fariseus não
entrariam nos céus por não crêem naquele que Deus enviou,
pois esta é a vontade do Pai
“E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou
não credes vós” Jo 5. 38; “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de
Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” Jo 6. 29.
O que determina a
qualidade do fruto é a natureza da árvore. Se alguém crê em Cristo,
o seu fruto é bom. Como os fariseus não criam em Cristo, eles
permaneciam em seus pecados, e por tanto, os seus frutos eram maus
“Por
isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não
crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados" Jo 8. 24.
João Batista disse
aos fariseus que lhes era necessário produzirem frutos dignos de
arrependimento. Frutos dignos de arrependimentos são boas obras?
Não! As obras que os fariseus faziam eram superiores a maioria do
povo, no entanto, eles não produziam frutos dignos de arrependimento
“Porque
vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e
fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”
Mt 5. 20.
João Batista
alerta:
“E
também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore,
pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo" Mt 3.
10. Todas
as árvores que não produzem bom fruto devem ser cortadas e
destruídas.
Em contra partida,
todos os que têm um encontro com Cristo também morrem para poderem
ressurgir. Estes ressurgem e fazem parte da oliveira verdadeira e
dão bom fruto
“Eu
sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá
muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" Jo 15. 5.
Os fariseus vieram
ao mundo em pecado, e por tanto, andavam no desejo da carne. Eram
filhos da ira, filhos da desobediência, filhos de Adão por natureza
“Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos
de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na
verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira,
fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” Jo
8. 44, ou
se preferir, filhos do diabo.
Os fariseus por não nascerem de novo andavam segundo o curso deste
mundo, ou seja, andavam nos desejos da carne
“Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste
mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que
agora opera nos filhos da desobediência”.
Os fariseus eram
árvores não plantadas pelo Pai, como Jesus disse:
"Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada" Mt
15: 13.
Fazendo a vontade da carne
"E tornarem
a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade
dele estão presos" II Tm 2. 26.
As obras da carne
são de conhecimento:
“Porque as
obras da carne são manifestas, as quais são: adultério,
prostituição, impureza, lascívia...”
Gl 5. 19.
A humanidade num
todo andava segundo os desejos da carne: mortos em delitos e
pecados. E as obras da humanidade seguia a sua natureza perniciosa
“Não
há quem faça o bem, não há nem um só" Rm 3. 12b.
A
pratica pecaminosa é uma constante na vida dos homens, pois fazem a
vontade da carne. Fazem a vontade da carne, pois ela não é sujeita a
lei de Deus “Porquanto
a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita
à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser" Rm 8. 7.
Fazendo
a vontade do pensamento
Qual era o pensamento dos escribas e fariseus? Eles pensavam que
eram filhos de Abraão, e que, portanto, eram filhos de Deus.
E o que João
Batista disse?
“E
não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a
Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode
suscitar filhos a Abraão" Mt 3. 9.
Os homens sempre presumem de si mesmo que é preciso fazer algo para
alcançar a salvação. O jovem rico é um exemplo:
“Bom
Mestre, que farei
para herdar a vida eterna?" Mc 10. 17.
O homem sempre presume de si mesmo que para agradar a Deus é
necessário fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Este é um dos
maiores erros do pensamento humano.
Certa feita Jesus
foi interpelado sobre o que deveriam fazer para fazer a obra de
Deus:
“Disseram-lhe, pois:
Que faremos para executarmos as obras de
Deus?” Jo 6. 28.
Os pensamentos do homem se estruturam na religião, na justiça
própria, no conhecimento humano e na consciência.
“Os quais mostram a obra da lei escrita em
seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os
seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” Rm 2.
15.
Paulo ao escrever aos Romanos demonstrou que a obra que deriva da
lei sempre esteve presente no coração dos homens. Os gentios, mesmo
não tendo a lei de Moisés, sempre praticaram as obras da lei
naturalmente.
Por que? Porquê os homens sempre se guiaram por meio de seus
pensamentos tendo como parâmetro a consciência.
Desta maneira os
homens seguem o que presumem
“Há
um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os
caminhos da morte" Pv 14. 12.
A vontade do homem é guiada pelas obras da lei. Muitos não se salvam
por meio da crença em Cristo por se guiarem através da consciência e
do pensamento. Estes se sentem seguros por estarem pautados na
própria consciência (quer acusando ou defendendo), e continuam
perdidos em decorrência da concupiscência do engano.
Aqueles que segue a vontade do pensamento acabam por se sentirem
‘certinhos’ e com direito a salvação. Estes pensam que a salvação se
dá por meio de boas obras e procuram respaldo e orientação em suas
consciências. Ledo engano! Caem no engano do diabo.
O desejo da carne
é que o homem faça a vontade da carne e do pensamento.
Já a vontade do Espírito é que façamos a vontade do Espírito.
A luta entre carne
e Espírito é para que não façamos a nossa vontade
“...para que
não façais o que quereis”,
antes, devemos fazer a vontade de Deus, que é crer naquele que Ele
enviou, e que nos amemos segundo o seu mandamento.
“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem
algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o
bem” Rm 7. 18.
Quando o apóstolo Paulo diz:
“... na minha carne, não habita bem algum...”,
ele faz referência ao desejo da carne. Não há bem algum na
natureza decorrente da queda e condenação de Adão. Através da queda
de Adão os homens passaram a ser filho da ira, filho da
desobediência, e não há bem algum nesta natureza.
Quando Paulo diz:
“...com efeito o querer está em mim...”,
ele faz referência a vontade do pensamento, o que é
pertinente a todos os homens. Todos os homens querem e procuram
fazer o bem, mas se não nascerem de novo é impossível fazerem o bem,
visto que a carne não é sujeita a lei e Deus.
Quando Paulo diz que:
“...não consigo realizar o bem”,
ele faz referência a vontade da carne que decorre do desejo
da carne.
O pecado de Adão tornou todos os homens escravos do pecado. Por mais
que o homem queira realizar o bem, isto só fica na vontade. Por que?
Porquê tudo aquilo que o escravo produz, produz para o seu senhor.
Há outra ilustração desta verdade: a árvore má não pode produzir
bons frutos, isto porquê bons frutos não derivam de uma má árvore.
“... e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também”
A natureza de filhos da ira foi transmitida a todos os homens por
meio da ofensa de Adão. Não podemos nos esquecer que filhos de Adão,
filhos da desobediência e filhos da ira fazem referência a
transgressão no Éden.
Faz-se necessário observarmos a estrutura de texto que Paulo
construiu.
Observe a gravura abaixo:








No capítulo primeiro da carta, Paulo faz referência a
operação do poder de Deus sobre aqueles que creram
(v. 19).
Em seguida Paulo demonstra que o poder de Deus foi manifesto em
Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos.
É característica própria às cartas de Paulo fazer um
adendo contendo aspectos importantes acerca de Cristo.isto.
Na carta aos Efésios Paulo descreve a ação do poder de
Deus em estabelecer a glória que Jesus tinha antes de haver mundo
Ef 1. 20- 23; Jo 17. 5.
Na carta aos Colossenses Paulo descreve a pessoa de Cristo, a imagem
do Deus invisível
Cl 1. 15- 20.
Em seguida Paulo traz a lembrança dos leitores a
condição passada
Ef 2. 1.
Paulo demonstra que Deus vivificou os cristãos e a condição
pecaminosa na qual se encontravam.
Do versículo quatro em diante Paulo passa a descrever o
que o poder de Deus fez aos cristãos. Observe que a estrutura de
texto que Paulo utiliza para descrever a ação divina na vivificação
dos cristãos é semelhante ao que foi realizado em Cristo na
ressurreição.