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Capítulo II
(v. 4- 10)
4
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com
que nos amou,
No capítulo
anterior o apóstolo Paulo demonstrou que os cristãos haviam crido
segundo a operação da força do poder de Deus e que este mesmo poder
foi manifesto ao ressuscitar Jesus dentre os mortos
Ef 1. 19- 23.
Quando Paulo fala
do poder de Deus manifesto em Cristo, ele passa a descrever o que
aconteceu com Cristo após a ressurreição.
Logo em seguida,
Paulo passa a falar da ação de Deus sobre os cristãos: “Ele vos
vivificou...”. Mas, antes de falar da vivificação Paulo faz um
adendo e fala da condição do homem no pecado
Ef 2. 1- 3.
Agora, no versículo quatro Paulo volta ao tema que teve início no
capítulo um, versículo dezenove: vivificou!
Apesar da condição pecaminosa do homem, Deus é riquíssimo em
misericórdia. A expressão ‘riquíssimo em misericórdia’ se deve ao
grande amor demonstrado aos homens.
5 Estando nós
ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo
( pela graça sois salvos ),
Observe que a
morte decorre da ofensa.
O poder de Deus
que foi manifesto em Cristo ressuscitando-o dentre os mortos e por
meio deste poder os cristãos creram e foram vivificados
juntamente com Cristo.
“E qual a
sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos,
segundo a operação da força do seu poder” Ef 1. 19.
6
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares
celestiais, em Cristo Jesus;
Os cristãos foram
ressuscitados (vivificados) juntamente com Cristo
“Bendito
seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua
grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva
esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos"
I Pd 1. 3.
Cristo ao ressurgir assentou-se a destra de Deus nos céus e nos fez
assentar nos lugares celestiais.
Os cristãos foram
abençoados com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais
em Cristo; é o mesmo que estar assentado nos lugares celestiais
Ef 1. 3; 1. 20 e 2. 6.
7
Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua
graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.
O objetivo de
ressurgirmos com Cristo é específico:
“... mostrar
nos séculos vindouros as abundantes riquezas da
sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus”.
Cristo assentou-se
a destra de Deus acima de todo principado, autoridade, poder,
domínio e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas no
vindouro.
Jesus, além de
receber todo domínio e poder, também demonstrará nos séculos
vindouros as abundantes riquezas da graça de Deus.
8
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de
vós, é dom de Deus.
Pela graça somos
salvos, por meio da fé.
Paulo retorna ao
versículo dezenove do capítulo um: os cristãos haviam crido segundo
a operação da força do poder de Deus
"E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que
cremos, segundo a operação da força do teu poder"
Ef 1. 19.
A salvação é por
meio da fé segundo a força do poder de Deus. Como? A salvação é por
meio da fé segundo a pregação do evangelho:
“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois
é o poder
de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e
também do grego” Rm 1. 16;
E novamente:
“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para
nós, que somos salvos, é o poder de Deus” I Co 1. 18.
Desta
maneira conclui-se que:
“A fé vem pelo ouvir...”
.
A
salvação é graça, pois foi dada aos homens por promessa. Deus
prometeu salvação poderosa a todos os homens através do descendente
de Abraão
“Portanto,
é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa
seja firme
a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é
da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós..." Rm 4. 16;
Gl 3. 16.
Primeiro Deus
prometeu a Abraão o descendente e só após ouvir a promessa Abraão
creu, sendo a sua fé em Deus imputada como justiça. Foi por graça a
promessa. Abraão nada fizera e Deus lhe prometeu o descendente.
A
promessa é a graça de Deus dada aos homens por intermédio de Abraão
e do descendente, que é Cristo
“...
mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão" Gl 3. 18.
A promessa
foi concedida por Deus. A promessa é dom de Deus. Não foi o homem
que conquistou a salvação, mas Deus a deu gratuitamente.
9
Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
A salvação vem da
promessa e não das obras. Caso a salvação fosse concedida por meio
daquilo que produzimos, haveria motivo para alguém se posicionar de
maneira altiva: “Eu conquistei a minha salvação. Fiz por merecer”.
10
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas
obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
Não há como a
salvação ser pelas obras. Por que? Porquê somos feituras de Deus.
Observe a grandeza da exposição de Paulo: antes de conhecermos a
Cristo todas as nossas obras pertencia por direito ao pecado. Éramos
escravos do pecado, e por tanto, tudo o que produzíamos pertencia ao
pecado.
Por
mais que o homem trabalhe e se esforce em fazer boas obras, elas não
poderão salvá-lo, visto que tais obras não lhe pertencem.
Um
escravo não adquire bens. Um escravo não ajunta fortuna. Como é
possível a um escravo adquirir a própria liberdade se ele não possui
recursos? Tudo o que se produz pertence ao seu senhor! O escravo é
propriedade de seu senhor.
O
trabalhador escravo do pecado só tem um salário estipulado: a morte!
A
salvação não vem das obras porque há a necessidade de se nascer de
novo. O novo homem é criado em Cristo, e só a partir de então é que
se produz a boa obra.
A obra
realizada por meio da antiga natureza não é contada como algo
necessário para a existência da nova criatura. O salário que o
pecador recebe é morte.
A
vinda a existência da nova criatura fica na pendência única e
exclusiva do poder de Deus. Primeiro há a regeneração e após as
obras. Não há como inverter os fatores.
Não é
por obras, visto que o novo homem é criado em Cristo; todos os que
crêem recebem poder para serem feitos filhos de Deus com o objetivo
de produzirmos boas obras.
São
poucas as citações do antigo testamento, mas Paulo buscou em Isaias
esta última declaração:
“SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós
todas as nossas obras” Is 26. 12.
O profeta
vaticinou o recebimento da paz que excede a todo entendimento. Há
paz para aqueles que estão em Cristo Jesus, pois estes não
necessitam realizar qualquer obra para alcançar a salvação.
Tudo
que havia para ser feito foi realizado.
“Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo...” (v.
2);
“Não vem das obras (...) Porque somos feitura sua, criados em Cristo
Jesus...” (v. 10)
Por sermos
feituras de Deus, criados em Cristo, houve um outro tempo em que não
éramos feituras de Deus. Neste tempo a nova criatura (os cristãos)
nunca existiram.