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Capítulo II
(v. 11- 22)
Os versículos seguintes são conclusivos. Todo arcabouço
doutrinário demonstrado nos versículos anteriores é
utilizado como base para tocar o pensamento dos leitores.
Com base nos elementos doutrinários Paulo conclui:
“Portanto...”
Gentios e Judeus
11 Portanto,
lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e
chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão
feita pela mão dos homens;
O apóstolo
reiterou aos seus leitores que eles haviam sido vivificados dentre
os mortos.
Até o versículo
anterior o apóstolo expõe questões de ordem doutrinária. Deste
versículo em diante Paulo utiliza-se das questões doutrinárias para
tratar do relacionamento entre gentios e judeus que se tornaram
cristãos.
Os cristãos
gentios não deveriam esquecer que ‘noutro tempo’ eles eram gentios
na carne, ou seja, noutro tempo eles não pertenciam a Deus. Ser
gentio na carne refere-se à descendência, a origem do indivíduo
quando separado da comunidade de Israel.
Deus estabeleceu
uma distinção entre gentio e judeu quando escolheu Abraão e lhe fez
promessa. Esta distinção tinha a finalidade de preservar a linhagem
que introduziria Cristo ao mundo.
Porém os judeus
não entenderam este contexto e se achavam melhores que os outros
povos simplesmente por terem o rito da circuncisão. Tinham na
circuncisão um elemento de salvação, visto que, através dela,
avocavam a filiação de Abraão com direito a promessa.
Por isso os judeus
nomeavam os gentios de incircuncisos. Os judeus nomeavam os gentios
de ‘incircuncisão’ e se auto-intitulavam de ‘circuncisão’.
Com a
classificação feita por Paulo entendemos que os judeus são carnais,
visto que eles não aceitaram a Cristo
“... pelos que
na carne ...”.
A circuncisão dos
judeus é caracterizada por Paulo de:
“... feita pela mão dos homens”,
para diferenciar da circuncisão realizada por Cristo
Cl 2. 11.
12 Que
naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de
Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e
sem Deus no mundo.
Paulo
aponta cinco situações diferentes em que se encontravam os gentios:
a)
Sem Cristo;
b)
Separados da comunidade de Israel;
c)
Estranhos às alianças da promessa;
d)
Não tendo esperança, e;
e)
Sem Deus no mundo.
Neste versículo Paulo refere-se ao ‘outro’ tempo através da
afirmação: “naquele tempo”. A qual tempo o apóstolo se refere? A
outro tempo, o que é diferente quando se refere ao passado.
Paulo enumera estas cinco situações de maneira peculiar: no tempo em
destaque, os cristãos ainda eram incrédulos. As situações enumeradas
por Paulo retroagem no tempo: os gentios estavam sem Cristo,
condições sanadas quando creram na mensagem do evangelho.
Somado a situação de não terem Cristo, os gentios também estavam à
parte da comunidade de Israel como conseqüência de não serem
participantes das alianças.
Anterior a tudo isto, os gentios não tinham esperança, visto que a
humanidade perdeu o vínculo com Deus em Adão.
13
Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo
sangue de Cristo chegastes perto.
Porém, no tempo
presente, o agora, os cristãos estavam em Cristo. O estar em Cristo
remete a nova natureza, visto que aqueles que estão em Cristo, são
novas criaturas
“Assim que,
se alguém está em Cristo, nova criatura é; as
coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” II Co 5. 17.
“...vós, que antes
estáveis longe...” refere-se aos gentios.
O
sangue de Cristo aboliu o pecado que fazia a separação entre Deus e
os homens, e a lei, que fazia separação entre judeus e gentios.
Desta maneira os gentios se achegaram a Deus.
14
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e,
derrubando a parede de separação que estava no meio,
Cristo é a paz de
Deus dada aos homens. Os que receberam a paz de Deus passam a fazer
parte do grupo que Paulo intitula como sendo ‘nós’. Jesus é a
nossa paz, visto que por meio da igreja ele uniu judeus e gentios em
um único corpo
Ef 3. 6.
15
Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que
consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo
homem, fazendo a paz,
Na carne de Cristo
foi desfeita a inimizade entre os homens e Deus. Sabemos que a lei
só pode disciplinar a carne, sem valor algum para o espiritual.
Conforme esta verdade, Cristo ofereceu a sua carne na morte, e com
ela desfez a lei dos mandamentos.
Todos
quantos crêem em Jesus também se desfazem da carne e tornam-se
espirituais, pois se conformam com Cristo na as morte
Cl 2. 11, e
não mais estão sujeitos a lei, pois ela só tem poder sobre aqueles
que vivem na carne.
Ao
destruir a barreira de inimizade, Cristo criou em si mesmo dos dois
povos um novo homem, e estabeleceu a paz.
16 E
pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as
inimizades.
Reconciliar ambos
judeus e gentios com Deus é o mesmo que matar com a cruz as
inimizades. A cruz é o elemento reconciliador dos homens com Deus.
Por quê? Porque por meio dela o homem morre para o mundo e é criado
um novo homem que vive para Deus.
17
E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que
estavam perto;
Paulo demonstra
que Jesus não fez acepção ao anunciar o evangelho da paz. Ele
anunciou aos gentios e aos judeus.
18
Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.
Por que a paz?
Porque por Jesus tanto judeu quanto gentio tem acesso a Deus em um
mesmo Espírito. Alguém poderia contestar onde estaria a paz
evangelizada, e Paulo aponta a paz no acesso a Deus por ambos os
povos.
19
Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos
dos santos, e da família de Deus;
Antes,
os gentios eram estrangeiros e forasteiros. Em Cristo os gentios
tomaram a posição de cidadãos e pertencentes à família de Deus.
20
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que
Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;
O
apóstolo aponta a solidez na quais os elementos que foram adquiridos
em Cristo sustentam a condição anterior. Cristo é a pedra onde
podemos construir um edifício a Deus
“Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual
foi posta por cabeça de esquina” At 4. 11.
21
No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no
Senhor.
Em
Cristo, a principal pedra da esquina, está sendo construído um só
edifício, e ele ‘todo’ cresce bem ajustado, para habitação de Deus.
22
No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em
Espírito.
Paulo
aponta para os gentios demonstrando que eles também estavam
incluídos no edifício destinado a morada de Deus em Espírito.
O
elemento 'união' é essencial para a construção deste edifício.