'Amei a Jacó e odiei a Esaú'

 

 

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Malaquias

 

 

A promessa 

 

Da promessa sabemos que ela refere-se ao DESCENDENTE, que é Cristo, pois nele são benditas todas as famílias da terra.

 

“E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra Gn 12. 3.

 

“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” Gl 3. 16.

 

Observe que a promessa foi feita a Abraão e a sua descendência, que é Cristo; desta promessa fundamenta-se o evangelho, pois a Abraão foi anunciado o evangelho primeiramente Gl 3. 8.

 

O fato de em Abraão serem benditas todas as famílias da terra nos dá parâmetros para entendermos a base do evangelho.

 

Abraão creu em Deus, e isto lhe foi imputado como justiça.

 

Conclui-se que, como Deus não faz acepção de pessoas, aqueles que crerem na justiça de Deus (providenciada e demonstrada aos homens), serão justificados como o crente Abraão Gl 3. 6- 9.

 

A promessa é por graça, pois Abraão não realizou obra alguma que merecesse a justiça divina, mas ao crer que Deus poderia realizar tudo o que prometerá, foi justificado! Observe que Deus pode realizar muito mais do que aquilo que pensamos ou pedimos Ef 3. 20.

 

Abraão pensava em sua descendência quando recebeu a justiça de Deus.

 

Segue-se que a promessa diz respeito àqueles que são da fé, ou seja, daqueles que são filhos de Deus; daqueles que tem a mesma fé que teve Abraão.

 

Por outro lado, tanto Esaú quanto Jacó eram filhos de Abraão segundo a carne, e se a promessa fosse por descendência, ambos deveriam ser filhos da promessa. Mas não é assim a promessa Rm 9. 8. 

 

Herdeiros

 

Com relação a herdar de Isaque, Esaú e Jacó tinham direito.

 

Com relação à promessa ambos precisavam crer para alcançá-la, mas com relação à herança, ambos tinham direito.

 

Com relação ao direito a herança de Abraão, nem o jovem Damasceno, nem Ismael puderam herdar Gn 15. 2- 3 e 21. 10. Observe que aos filhos das concubinas Abraão deu presente, mas a Isaque, Abraão deu tudo que possuía Gn 25. 4- 5.

 

Abraão queria de várias formas constituir um herdeiro para si, mas Deus lhe prometeu que teria um filho de Sara sua mulher Gn 17. 19.

 

Nasceu Isaque que tornou-se herdeiro de Abraão, e nele também foi chamada a descendência de Abraão conforme a promessa.

 

Como Isaque era único não houve qualquer discórdia acerca das questões em torno da primogenitura. Com Esaú e Jacó tal discussão é diferente.

 

Esaú, Jacó e Isaque eram filhos de Abraão; Esaú, Jacó e Isaque eram herdeiros de Abraão; Isaque era descendente segundo a promessa, mas de Esaú e Jacó não podemos dizer o mesmo.

 

Da mesma maneira que Esaú e Jacó nasceram de uma estéril, o que demonstra um milagre de Deus, Isaque também nasceu. Mas ter direito a herança e nascer de uma concepção milagrosa não faz de ninguém filho da promessa.

 

Porém, há um elemento diferenciador: enquanto Isaque era filho único, Esaú e Jacó eram gêmeos. Deste fato surge o direito decorrente da primogenitura. 

 

A primogenitura 

 

Sobre a primogenitura a lei de Moisés diz o seguinte:

 

“Será que, no dia em que fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito. Mas ao filho da desprezada reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver; porquanto aquele é o princípio da sua força, o direito da primogenitura é dele” Dt 21. 16.

 

Segue-se que o direito de primogenitura já existia antes mesmo da lei; mas, a lei além de instituí-la, dá os parâmetros para executar a partilha da herança.

 

Em primeiro lugar precisa-se observar que, para existir o direito de primogenitura, há a necessidade de se ter filhos “...fizer herdar a seus filhos...”. Isto porque não há como se preitear o direito de primogenitura quando se é filho único, e este foi o caso de Isaque.

 

O primogênito é o filho da primeira gestação, e tal direito não havia como ser passado do irmão mais velho ao mais novo. Era um direito decorrente do nascimento.

 

Agora pergunto: Como Jacó conseguiu aprovação de Deus ao adquirir o direito de primogenitura de Esaú?

 

Observe que Esaú e Jacó não eram frutos de gestações diferentes. Eles nasceram quase que simultaneamente, e de um único parto. Não houve interrupção no parto de Esaú e Jacó.

 

Jacó nasceu ligado ao calcanhar de Esaú, o que sinaliza que não houve interrupção no parto. Isto demonstra que ambos tinham direitos à primogenitura.

 

Segue-se que se Jacó tivesse nascido de uma segunda gravidez seria impossível ele adquirir o direito de primogenitura.

 

Mas, como Esaú e Jacó eram provenientes de uma mesma gestação, e nasceram na seqüência, neste caso em específico foi possível a Jacó comprar o direito de primogenitura. 

 

            A linguagem

 

Outro fator importante a se observar quando se interpreta um texto está na linguagem utilizada pelo escritor. Observe:

 

“...não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito” Dt 21. 16.

 

Filho da amada refere-se aquele que o pai tem preferência; já o filho da desprezada refere-se àquele que tem o direito a primogenitura, mas que não tem a preferência do pai.

 

Desta maneira podemos concluir que o amor do homem é tendencioso. Um exemplo claro de amor tendencioso é o de Isaque: “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó” Gn 25. 28.

 

O amor do homem é sentimental. Basta que algo lhe agrade que estará favorecendo o seu semelhante. O homem no trato com os seus semelhantes geralmente tem preferência entre um e outro.

 

Esta passagem de Deuteronômio bem representa a maneira que o homem prefere um em detrimento de outro. Por gostar mais de uma de suas mulheres, o homem quando da partilha dos bens, acabava por favorecer o filho da mulher que ele mais amava.

 

Desta maneira Deus instrui o povo: Não darás a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada. O que Deus demonstra? Que era vetado favorecer um filho em detrimento do outro.

 

Deus ensina por meio da lei que é vetado negar o que é de direito a um filho. E quanto ao que ocorreu com Isaque e Esaú? Deus favoreceu a Jacó?

 

Da relação fraterna entre Esaú e Jacó destacamos os elementos enumerados anteriormente. Todos os elementos são implícitos da relação estabelecida: “Não era Esaú irmão de Jacó?”.

 

Há uma linguagem própria ao tema; há um direito que não pode ser negado; ambos eram herdeiros e nasceram de uma única gravidez, etc.

 

Todas as considerações em torno dos irmãos Esaú e Jacó nos leva a entender o amor de Deus, tanto para com Israel, como para a humanidade. 

 

Contudo, amei a Jacó...”

 

 

Quando Deus pergunta ao povo: “Não era Esaú irmão de Jacó?” é porque a resposta do povo serve de sustentação a argumentação seguinte.

 

A pergunta nos remete a um ‘sim’ como resposta. É necessário que consideremos a história que permeia a vida destes dois personagens, pois a pergunta divina nos remete a relação fraternal de Esaú e Jacó.

 

Eles não eram irmãos? Ou seja, eles não nasceram de Isaque? Ambos não eram filhos de Abraão? Eles não eram gêmeos? A resposta é sim! Esaú e Jacó eram irmãos.

 

Através deste argumento Deus prova que sempre amou o povo de Israel.

 

Como? Através dos cinco elementos anteriores podemos compreender de que maneira Deus amou a Jacó. 

Todavia amei a Jacó...”.

 

Jacó tornou-se alvo do amor de Deus, apesar de Esaú e Jacó serem irmãos.

 

Como? Como Deus amou a Jacó?

 

Passemos a resposta: 

 

Isaque, que tinha gosto por caça, amava a Esaú, pois ele era homem do campo e um perito caçador.

 

O gosto de Isaque e a qualidade de caçador de Esaú são fatores que combinados influenciaram o amor do patriarca.

 

“E cresceram os meninos, e Esaú foi homem perito na caça, homem do campo; mas Jacó era homem simples, habitando em tendas. E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó” Gn 25. 26- 27.

 

Isaque amava a Esaú. Observe que o amor de Isaque tinha em preferência Esaú; observamos um amor tendencioso.

 

Esaú era caçador e Jacó um homem sossegado que habitava em tendas. Segundo a visão e o sentimento de Isaque, Jacó não tinha as mesmas afinidades, o que o levou a preferir Esaú.

 

A bíblia registra várias vezes declarações de amor de Deus para com o seu povo Israel. Observe:

 

“E, porquanto amou teus pais, e escolheu a sua descendência depois deles, te tirou do Egito diante de si, com a sua grande força” Dt 4. 37;

 

“O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos;  Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito” Dt 7. 7- 8;

 

“Tão somente o SENHOR se agradou de teus pais para os amar; e a vós, descendência deles, escolheu, depois deles, de todos os povos como neste dia se vê” Dt 10. 15;

 

“Porém o SENHOR teu Deus não quis ouvir Balaão; antes o SENHOR teu Deus trocou em bênção a maldição; porquanto o SENHOR teu Deus te amava Dt 23. 5.

 

Ao ler os versículos acima, verifica-se que o amor de Deus para com o povo de Israel não é igual ao amor de Isaque para com os seus filhos.

 

O amor de Isaque era segundo o gosto que ele tinha pela caça; já o amor de Deus é segundo a sua vontade. Isaque amava a Esaú por causa da qualidade de caçador; Israel não tinha nenhuma qualidade, no entanto Deus ama a Israel Dt 9. 6.

 

Observe que a declaração de Deus a Israel vem atrelada ao amor para com os patriarcas e com a promessa que a eles foi realizada.

 

Deus amou aos pais e escolheu a descendência dos patriarcas Dt 4. 37. Não foram as qualidades do povo que fez surgir o amor de Deus, antes o amor de Deus para com os patriarcas é quem deu origem ao povo de Israel. Segue-se que Deus teve prazer em Israel e os escolheu porque os amava e para guardar a aliança feita com os pais Dt 7. 7- 8.

 

Deus reitera o seu amor para com Israel dizendo: Tão somente o Senhor se agradou de teus pais para os amar”; O fato de Deus se agradar dos patriarcas é que deu causa ao amor de Deus. Como?

 

Retornemos ao fato de Deus chamar o patriarca Abraão. Deus falou a Abraão: “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” Gn 12. 1- 3.

 

A proposta de bênção a Abraão partiu de Deus, ou seja, Deus se agradou de Abraão. Como Abraão correspondeu à proposta divina saindo da sua parentela, Deus passou a cumprir a sua proposta, o que demonstra o amor de Deus.

 

 

“O amor de Deus é demonstrado em santidade, retidão e justiça”

 

 

Claudio Crispim

 

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