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'Amei a Jacó e odiei a Esaú'
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Malaquias
O amor do homem é demonstrado em favoritismo pessoal.
Já o amor de Deus é demonstrado em justiça. Como pode ser isso?
“Não era Esaú irmão de Jacó? disse o SENHOR; todavia amei a Jacó ...”
Esaú e Jacó eram irmãos, mas apesar da relação fraternal entre os gêmeos, Deus amou a Esaú.
De que maneira Deus amou a Jacó?
Deus favoreceu Jacó em detrimento de Esaú? Isto seria amor? Não haveria acepção?
É isto que a relação fraternal evidenciada demonstra:
a) Deus é santo; b) Não faz acepção de pessoas; c) Não perverte o direito.
Quem era Jacó?
A bíblia descreve Jacó como sendo um homem de personalidade sossegada. O estilo de vida de Jacó era o de habitar em tendas.
A bíblia também descreve o nascimento de Jacó: um milagre! Raquel era estéril, mas concebeu após Isaque ter orado insistentemente ao Senhor. Raquel concebeu gêmeos e durante o parto Jacó saiu grudado ao calcanhar de seu irmão Gn 25. 26.
Jacó durante a sua mocidade se mostrou oportunista comprando o direito de primogenitura do seu irmão Gn 25. 29- 34.
Quando Isaque procurou abençoar os seus filhos, Jacó foi sutil e recebeu a bênção que antes pertencia a seu irmão Gn 27. 35.
Diante da história de Jacó, pode-se afirmar que Deus só amou Jacó?
Não! Por quê? Porque Deus é santo e não faz acepção de pessoas! Deus amou e ama a todos os homens de igual modo.
Tanto Esaú quanto Jacó foram alvos do amor de Deus.
Mas, por que a bíblia diz que ‘Deus amou a Jacó’, se ele ama a todos? Por que Deus não perverte o direito, e um exemplo claro é a declaração: Deus não aceita suborno.
Jacó adquiriu legalmente o direito de primogenitura, e em decorrência do direito adquirido, Jacó foi ‘amado’ do Senhor. Ou seja, Deus concedeu a Jacó o que lhe era de direito.
Responda as perguntas seguintes acerca da declaração de Deus:
• Deus amou mais a Jacó do que Esaú? Não! • Jacó era melhor que Esaú? Não! • Jacó foi abençoado em decorrência da sua fé? Não! • Deus favoreceu a Jacó em detrimento de Esaú? Não!
No caso de Esaú e Jacó não entra em voga questões pessoais como qualidades, moral, comportamento e vontade, antes o fator em evidência é o direito adquirido.
O amor de Deus foi revelado quando foi concedido a Jacó o que lhe era de direito.
Neste ponto entram em questão os cinco elementos enumerados no início da análise:
• A linguagem; • O direito de primogenitura; • O direito de herdar; • A promessa, e; • A história.
A linguagem utilizada por Malaquias para anunciar o sentimento divino é totalmente pertinente a linguagem bíblica.
Quando o profeta Malaquias transmite ao povo a seguinte mensagem: “Todavia amei a Jacó...”, a declaração é realizada em uma linguagem própria a idéia que se procurou transmitir.
A bíblia registra que Isaque amou a Esaú, mas de que forma?
Com base em preferências pessoais! A bíblia registra que Isaque amava a Esaú pelo simples fato dele gostar de caça “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó” Gn 25. 28.
Se dependesse de Isaque a bênção decorrente do direito de primogenitura seria dada a Esaú Gn 27. 1- 4.
Note que antes de abençoar a Esaú, Isaque queria satisfazer uma necessidade pessoal.
Seguindo o mesmo estilo de linguagem, a lei mosaica demonstra que o amor do homem não deve ser de acordo com uma preferência pessoal “Será que, no dia em que fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito” Dt 21. 16.
A linguagem utilizada pelos dois versículos com relação ao amor aponta para preferência pessoal. Desta maneira a palavra ‘amor’ tem no seu bojo a idéia de gosto e preferência.
Observe que a expressão ‘filho da amada’ refere-se aquele filho que o pai tem preferência em decorrência de algum gosto em especial.
Como a bíblia registra que em momento algum se deve favorecer alguém que não tenha o direito, a análise da declaração: ‘Todavia amei a Jacó’, deve demonstrar que em Deus não há qualquer tipo de favoritismo pessoal.
Em momento algum Deus teve preferência ou favoreceu Jacó em detrimento de Esaú.
Deus amou a Jacó, ou seja, a linguagem utilizada e analisada dentro do contexto demonstra que Deus concedeu o que era de direito a Jacó.
Homem decide-se com base em gostos pessoais, e Deus se compraz naquilo que é justo e reto. A ‘preferência’ de Deus é a justiça.
A relação fraternal entre Esaú e Jacó foi utilizada para retratar de que forma está estabelecido o amor de Deus para com o povo de Israel.
Lembre-se que a mensagem divina é para o povo de Israel: “Eu vos tenho amado, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado?”. Ou seja, por meio da mensagem entregue por Malaquias Deus procurou demonstrar ao povo de Israel que eles estavam sob o cuidado divino devido a promessa feita aos pais “Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais” Dt 7. 7- 8.
A mensagem é simples: Deus faz o que é justo ao preservar o povo de Israel (este é o amor de Deus), isto porque de maneira alguma Ele voltará atrás no juramento que fez aos pais.
Ao ler a história de Israel, muitos reputam que Deus sempre favoreceu o povo de Israel em detrimento dos outros povos.
Mas assim não é! Por quê? A resposta é simples: Deus não faz acepção de pessoas; Deus não aceita suborno e Ele é Santo.
Deus havia prometido aos pais, que de Israel faria uma grande nação, e por intermédio do cumprimento desta promessa que se revela o cuidado e o amor de Deus para com Israel.
Claudio Crispim
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