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'Amei a Jacó e odiei a Esaú'
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Malaquias
Quando Abraão saiu do meio da sua parentela, ele adquiriu direito a uma possessão terrena para a sua descendência. Quando ele creu em Deus, ele adquiriu uma pátria celestial.
De sorte que, aqueles que crêem em Cristo são participantes da esperança celestial “De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” Gl 3. 9.
Como Deus na faz acepção de pessoas, todos aqueles que crêem conforme a fé que teve o Pai Abraão, estes serão benditos.
Ter fé como Abraão não dá direito a ninguém a promessa de ser uma grande nação, visto que esta promessa é exclusiva a Abraão e aos seus filhos: Isaque, Jacó, etc.
É certo que com Cristo padecemos (já morremos com Cristo). É certo que com Cristo já fomos glorificados (já ressurgimos com Cristo uma nova criatura). O ser glorificado em Romanos oito, dezessete, é diferente da glorificação futura.
“...se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” Rm 8. 17.
Se temos a certeza que padecemos com Cristo (mesmo não tendo subido ao madeiro cruento dos romanos), segue-se que Jesus ressurgiu dentre os mortos, glorificado, e nós ressurgimos com ele (mesmo que não alcançamos a glorificação futura).
“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” Rm 8. 17.
Como é certo que padecemos com Cristo e ressurgimos com Ele, também é certo que passamos a ter direito a herança dos santos na luz. Ter direito a herança dos santos só é possível após adquirir a filiação divina.
A nova criatura é herdeira de Deus e co-herdeira com Cristo. Cristo, o primogênito, e nós somos os irmãos que possuem o direito a herdar de Deus (na luz) “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” Jo 12. 36. “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz” Cl 1. 12.
João expõe uma verdade declarada por Cristo: Enquanto eles (a multidão) tinham a Cristo, deveriam crer nele, e então seriam filhos de Deus (da luz). Imediatamente após crerem em Cristo, os cristãos já eram idôneos para participar da herança dos santos.
Para aqueles que crêem em Cristo não é necessário esperar para ser participante da herança dos santos. Paulo demonstra que Deus já nos fez idôneos. O novo homem nasce de Deus pleno e de posse de direitos que lhe confere uma herança em Deus (....herança dos santos na luz).
“Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento” Hb 6. 17.
A promessa confere ‘direitos’. Promessa e direito estão intimamente vinculados. Não há como se estabelecer uma promessa sem criar um direito.
A promessa é graça. É dom gratuito por parte de quem a estabelece.
“Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão” Gl 3. 18.
O direito a herança foi dado gratuitamente por Deus a Abraão por meio da promessa. Não houve qualquer exigência ou condição a se satisfeita por Abraão que lhe fosse conferido o prometido.
O fato de Abraão ter saído do meio de sua parentela, acatando a ordem divina, não é o que lhe conferiu o direito a herdar de Deus. Antes, o direito foi conferido por meio da promessa.
“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” Gn 12. 1- 2.
Na promessa realizada por Deus a Abraão não há uma condição sequer a ser realizada por Abraão. Nos versículos anteriores temos uma ordem e uma promessa. Com efeito, Abraão saiu de sua parentela e levou consigo o seu sobrinho Ló, o que não invalidou a promessa.
“...todavia amei a Jacó, e odiei a Esaú”
Até este ponto foi analisado parte da declaração: “...amei a Jacó...”.
Analisaremos, agora, o restante da declaração: “...e odiei a Esaú”.
Como foi visto até agora, Deus não faz acepção de pessoas, ou seja, Ele ama a todos indistintamente.
O amor de Deus é narrado por Cristo desta forma:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3. 16.
Deus amou o mundo, e não algumas pessoas em específico. Deus não tem ninguém em preferência e faz justiça a todos sem distinção.
Mas, e a declaração: “...odiei a Esaú”?
Passemos a analisar a frase:
“...todavia amei a Jacó, e odiei a Esaú”
Outra tradução reza o seguinte:
“...todavia amei a Jacó, porem aborrecia a Esaú “
Londres: Trinitarian Bible Society, 7 Bury Place, W.C.I.; 1948
Como entender a declaração acima?
Conforme o que já estudamos, Deus amou a Jacó, ou seja, Deus agiu conforme o que era de direito a Jacó. Mesmo Jacó e Esaú sendo irmãos, Deus não teve nenhum dos dois em preferência, antes se ateve a fazer o que era de direito a Jacó.
Nisto se revela o amor de Deus: Ele é santo, não faz acepção de pessoas e não perverte o que é de direito.
Como ler a frase acima?
“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor (...) E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” Jo 4. 8 e 16.
A bíblia é clara: Deus é amor! É possível existir o ódio naquele que é amor eterno? Há dois sentimentos em Deus: amor e ódio?
Sabemos que Deus amou o mundo antes mesmo que houvesse mundo. Sabemos que Jesus é cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo, o que demonstra o amor de Deus.
“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” II Pe 3. 9.
“Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” I Tm 2. 4.
É um contra senso admitir que em Deus haja ódio. Visto que antes mesmo de trazer a existência as suas criaturas, ele já havia providenciado salvação poderosa para todos. O amor de Deus é demonstrado antes mesmo de haver mundo.
Todos os atos, todos os feitos contínuos de Deus foram feitos em amor. Todas as suas criaturas, e não importa a condição na qual elas estejam, são alvos doa amor de Deus.
“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” Rm 5. 8.
A pior condição do homem diante de Deus só consegue evidenciar o seu imenso cuidado e amor para com suas criaturas. Deus é amor eterno, e não há qualquer base para inferirmos que Deus tenha tido ódio de alguém.
· Verificando as traduções bíblicas, a correta é aquela que reza da seguinte forma: “Todavia amei a Jacó e a Esaú aborreci”. A frase CORRETA e aquela que adota a palavra ‘ABORRECI’ em lugar do ‘ODIEI’; · Só há uma ação divina demonstrada na frase: o amor. A frase não demonstra duas ações ou sentimentos em Deus. Deus amou a Jacó da mesma forma que Deus ama a toda humanidade. Caso Esaú tivesse o direito de primogenitura, Deus haveria de fazer frente ao que lhe era de direito; · A segunda parte da frase é conseqüência do ato realizado na primeira parte: Por Deus ter amado Jacó (dado o que era de direito a Jacó), como conseqüência direta Esaú ficou aborrecido.
A frase não demonstra que Deus estava aborrecido com Esaú. Caso Deus tivesse aborrecido com Esaú, a frase seria da seguinte forma: “Ameia a Jacó e me aborreci de Esaú”. No entanto, Malaquias demonstra que Deus amou a Jacó e o ato de dar o que era de direito a Jacó deixou Esaú aborrecido.
Onde há outro fato semelhante ao de Esaú na bíblia?
“E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um homem. E deu à luz mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar. E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou” Gn 4. 1- 8.
Todos os aspectos analisados até aqui são aplicáveis a Caim e Abel. Deus atentou para a oferta de Abel e isto causou um sentimento pernicioso em Caim. Tal sentimento não há em Deus e tão pouco Deus influenciou a Caim para ter tal sentimento.
Deus atentou para Abel e, em conseqüência, Caim ficou aborrecido. Da mesma maneira, Deus fez o que era de direito a Jacó, dando lhe a bênção, fato este que levou Esaú a ficar aborrecido.
Compare a narrativa do que ocorreu com Esaú e com Caim:
“Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste?”
“E Esaú odiou a Jacó por causa daquela bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai; e matarei a Jacó meu irmão” Gn 27. 41.
A bênção que Deus dera a Jacó deu causa ao ódio no coração de Esaú. Diante desta semelhança entre o que ocorreu com Caim e Esaú, verifica-se que por Deus ter dado o que era de direito a Jacó, Esaú se aborreceu.
Ao demonstrar o seu amor, que é conforme a justiça, Deus deu o que era de direito a Jacó e conseqüentemente aborreceu a Esaú.
Voltemos ao texto de Malaquias:
“Eu vos tenho amado, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado? Não era Esaú irmão de Jacó? disse o SENHOR; todavia amei a Jacó, E odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto. Ainda que Edom diga: Empobrecidos estamos, porém tornaremos a edificar os lugares desolados; assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, e eu destruirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o SENHOR está irado para sempre” Ml 1. 1- 5
. Claudio Crispim
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