'Amei a Jacó e odiei a Esaú'

 

 

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Malaquias

 

O motivo do peso do Senhor

 

É histórica a obstinação do povo de Israel em não atender o seu Deus. Desde que foram tirados do Egito, o povo sempre oscilou em seus caminhos perante o Senhor.

 

Parecia um ciclo vicioso: o povo pecava, Deus os repreendia e eles se arrependiam “Porque conheço a tua rebelião e a tua dura cerviz; eis que, vivendo eu ainda hoje convosco, rebeldes fostes contra o SENHOR; e quanto mais depois da minha morte?” Dt 31:27.

 

O peso, ou a sentença de Deus para um determinado povo, geralmente é proferido quando a medida de transgressão de um povo é completa.

 

O povo de Israel se arrependia quando estava em dificuldade, mas o livro de Malaquias evidencia um novo comportamento do povo frente a mensagem divina.

 

Eles deixaram de considerar os seus pecados, e passaram a questionar a mensagem entregue pelos seus profetas.

 

O peso do Senhor é contra a condição pecaminosa que estavam e por passarem a questionar a mensagem do Senhor.

 

O povo restaurado do cativeiro tornou-se mais reclusos em seus pecados. Este é o motivo do peso do Senhor. 

 

Verificamos que a mensagem de Deus é específica ao povo de Israel e que só alguns aspectos da mensagem dizem respeito a toda humanidade. Verificamos também que Israel foi comissionado para uma missão, o que não dá direito a salvação.

 

Por último, nos inteiramos do motivo pelo qual Deus declara a sua sentença contra Israel.

 

Deus declara o seu amor

 

Os cinco primeiros versículos do livro de Malaquias tratam especificamente do amor de DEUS para com o seu povo.

 

A mensagem do livro destina-se ao povo de Israel, mas como o amor de Deus também é direcionado a toda humanidade, estes cinco versículos nos ajudarão a compreender alguns aspectos deste amor.

 

No novo testamento lemos o seguinte:

 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3. 16.

 

Do livro de Malaquias extraímos a seguinte afirmação:

 

Eu vos tenho amado, diz o SENHOR” Ml 1. 2.

 

Analisaremos a declaração de amor que Deus fez ao povo de Israel com base no versículo seguinte:

 

“Agora, pois, seja o temor do SENHOR convosco; guardai-o, e fazei-o; porque não há no SENHOR nosso Deus iniqüidade nem acepção de pessoas, nem aceitação de suborno” II Cr 19. 7.

 

           

Este versículo nos revela três verdades que são imutáveis. Se estas verdades são inalteradas, elas servem de base para a nossa análise.

 

Em Deus não há:

 

a)     Pecado, pois Ele é santo;

b)     Acepção de pessoas;

c)      Ele não aceita suborno (não corrompe o direito).

 

Deus é santo, pois a ninguém oprime. Ou seja, Deus não pode ser tentado pelo mal “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” Tg 1. 13.

 

É nestes termos que se revela a santidade de Deus: apesar de sua soberania, Deus não oprime as suas criaturas.

 

Segue-se que este princípio refere-se a todos, pois ele não faz acepção de pessoas. Independente de origem, raça, nação, comportamento, etc. Deus não faz acepção. Trata a todos de igual modo.

 

É da natureza divina a retidão, a justiça e o juízo. Deus não corrompe o direito de ninguém, e aliado a isso, ele não faz acepção de pessoas.

 

Estas são verdades eternas que não podem ser mudadas. Não importa o povo a época, as pessoas, o comportamento dos homens, por que: Deus não faz acepção de pessoas, e ama a todos os homens.

 

Da mesma maneira que Deus ama a todos os homens indistintamente, Deus amava a cada um dos integrantes do povo de Israel Dt 4. 37; 7. 7- 8; 10. 15; 23. 5.

 

Este é o primeiro parâmetro que utilizaremos para analisar a afirmação de Deus: “Eu vos tenho amado...”.

 

Da mesma forma que Deus amou ao povo de Israel, ele amou o mundo, isto porque ele não faz acepção de pessoas. Precisaremos deste raciocínio para interpretar o restante do texto.

 

A afirmação de Deus é categórica ao povo de Israel: “Eu vos tenho amado”. Esta afirmação não pode ser tomada de forma relativa, ou de maneira parcial. O amor de Deus é pleno conforme Ele mesmo afirma.

 

A queixa de um povo

 

Esta foi a resposta leviana do povo: “Em que nos tem amado?” Ml 1. 2.

 

É plausível a pergunta do povo de Israel?

 

Uma nação decadente como conseqüência direta de seus pecados pergunta sem ao menos observar os grandes feitos de Deus no passado.

 

“Oh geração! Considerai vós a palavra do SENHOR: Porventura tenho eu sido para Israel um deserto? Ou uma terra da mais espessa escuridão? Por que, pois, diz o meu povo: Temos determinado; não viremos mais a ti?” Jr 2. 31

 

A declaração de amor que Deus fez ao povo é uma resposta às queixas constantes do povo de Israel. Eles constantemente diziam: “Em que nos amaste?” Com esta pergunta o povo queria que fosse revelado onde Deus demonstrou o seu amor, visto que a condição do povo era miserável e deprimente frente às outras nações.

 

A queixa constante “Em que nos amastes” é que traz a declaração divina: “Eu vos amei, diz o Senhor”.

 

Deus dá provas do seu amor

 

A pergunta: “Não era Esaú irmão de Jacó? Disse o SENHOR” nos dá os elementos essenciais para compreendermos o amor de Deus para com o homem.

 

Da relação fraternal entre Esaú e Jacó destacamos os seguintes elementos que devem ser analisados:

 

1.      Esaú e Jacó: filhos de Isaque;

2.      Ambos nasceram milagrosamente;

3.      Eram gêmeos;

4.      A primogenitura;

5.      A linguagem utilizada.

 

Só é possível compreendermos a prova de amor que Deus apresenta após analisarmos minuciosamente estes cinco elementos que existem na relação fraternal de Esaú e Jacó. 

 

A história

 

Deus prometeu a Abraão que dele faria uma grande nação e que nele seriam benditas todas as nações da terra “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra! Gn 12. 2- 3.

 

Apareceu o Senhor novamente e prometeu a Abraão que a sua semente daria as terras de Canaã “E apareceu o SENHOR a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera” Gn 12. 7.

 

Até aqui Deus prometeu a Abraão que dele seria feito uma grande nação, que eles possuiriam a terra de Canaã e que de Abraão todas as famílias da terra seriam benditas.

 

Mas, algo preocupava Abraão: ele não tinha filhos.

 

Ele questionou o Senhor: “O Senhor Deus, o que me darás, se continuo sem filhos?” Gn 15. 2.

 

Abraão apresentou o seu servo damasceno Eliézer como solução por não ter um filho, foi então que Deus prometeu: “...aquele que das tuas entranhas sair será o teu herdeiro”. Abraão creu, e isto foi lhe imputado como justiça.

 

Por que a fé de Abraão foi lhe imputada como justiça?

 

A explicação é simples: Se Abraão creu que Deus é poderoso para dar-lhe o que prometeu (neste caso um filho de suas entranhas), é porque ele cria na providência divina. Como a salvação nada mais é do que a providência divina a toda humanidade, Abraão foi justificado.

 

Logo em seguida, Sara, a mulher de Abraão, quis ter um filho por meio da sua escrava egípcia, Hagar. Foi quando nasceu Ismael.

 

Novamente Deus aparece e reitera as suas promessas a Abraão, e ele apresenta Ismael diante do Senhor, pois se achava velho para ter um filho Gn 17.17- 18.

 

Deus cumpriu a sua promessa e Isaque nasceu.

 

Mas, Sara viu o filho da escrava zombando de seu filho e mandou Abraão despedir a escrava com o seu filho; Abraão ficou ressabiado, pois Ismael, segundo a sua concepção, era o seu primogênito. Deus disse a Abraão: “Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência” Gn 21. 12.

 

A promessa de Deus não se refere à descendência carnal de Abraão, como foi o caso de Ismael e os filhos das concubinas de Abraão Gn 25. 5- 6. A promessa se concretizou na descendência proveniente da própria promessa - Isaque.

 

A promessa de Deus diz respeito a Isaque, e não a Ismael.

 

Os filhos de Abraão e de Isaque haveriam de herdar a terra porque Deus prometeu. Haveria de adquiri-la por meio da fé? Não! Eles tinham direito a terra prometida, pois Deus a concedeu a descendência de Abraão por promessa.

 

Mas, e quanto à salvação? Eles haveriam de adquirir a salvação pelo simples fato de serem descendência e herdeiros de Abraão “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos...” Rm 9. 7. Herdar a terra prometida é o mesmo que alcançar a salvação de Deus? Não!

 

A promessa de salvação feita por Deus refere-se aos que crêem no descendente de Abraão, que é Cristo “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” Gl 3. 16.

 

Paulo complementa: “Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência Rm 9. 8.

 

Para ser filho da promessa o homem precisa crer na providência divina, e então será justificado como foi o patriarca Abraão Jo 1. 11- 12.

 

Deus havia prometido a Abraão que em Isaque seria chamada a sua descendência Gn 21. 12. Quando a Abraão e Sara parecia impossível terem um filho, nasceu Isaque.

 

De Isaque nasceram Esaú e Jacó, ambos herdeiros.

 

Observe que tanto Esaú quanto Jacó tinham plenos direitos de herdarem de Isaque.

 

Ao fazer referência ao termo ‘herdar’, estamos fazendo referencia a um direito terreno. Já a promessa faz referencia a bens eternos.

 

Claudio Crispim

 

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