A Carta de Paulo aos

Colossenses

 

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Capítulo 1 (v. 9- 11)

Para uma melhor compreensão das cartas paulinas é necessário observar o seguinte: o apóstolo Paulo agradece a Deus por aquilo que os cristãos já receberam, e quando ele ora pelos cristãos é solicitando a Deus por algo que eles ainda não haviam recebido.

Esta característica repete-se na carta aos Filipenses, Efésios, Tessalonicenses, etc:

“...não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações...” Ef 1: 16;

“Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós (...) E esta é a minha oração: que o vosso amor aumente...” Fl 1: 2- 11;

“Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações” I Ts 1: 2.

Quando Paulo agradece a Deus, geralmente agradece por elementos pertinentes à esperança proposta em Cristo, tais como: regeneração, justificação, santificação, eleição, predestinação, etc “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz...” Cl 1: 12.

Mas, quando Paulo ora pelos cristãos, é em razão de elementos que eles ainda não haviam alcançado. Observando esta e outras cartas, verifica-se que os pedidos de Paulo em oração a Deus geralmente refere-se a conhecimento Cl 1: 9; Ef 1: 17; Fl 1: 9.

 

Pedidos em Oração

9 Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual;

Epafras anunciou a Paulo e Timóteo o ‘amor no Espírito’ dos cristãos em Colossos Cl 1: 4, o que motivou Paulo a orar continuadamente em favor deles.

Paulo não cessou de orar a Deus desde que recebeu notícias acerca dos cristãos,o que demonstra a preocupação do apóstolo por causa do que ainda lhes faltava.

Na oração o apóstolo pede a Deus que eles fossem cheios do conhecimento da vontade divina em toda sabedoria e inteligência espiritual (v. 9).

Por que Paulo orou para que eles fossem cheios do conhecimento da vontade de Deus? Qual o objetivo de eles obterem este conhecimento? Por que a sabedoria e a inteligência devem ser espirituais?

Estar cheios do conhecimento da vontade de Deus daria as condições necessárias para que os cristãos pudessem: 

a)      andar dignamente diante do Senhor;

b)      agradar a Deus em tudo;

c)      para frutificarem em toda a boa obra, e;

d)      crescer no conhecimento de Deus.

 

Estes eram os objetivos pelos quais Paulo orava a Deus, e que os cristãos precisavam alcançar.

Só é possível conhecer a vontade de Deus se o homem tiver sabedoria e inteligência espiritual. Por que Paulo emprega o adjetivo 'espiritual' à sabedoria e a inteligência? Para diferenciar a sabedoria e a inteligência proveniente do evangelho do conhecimento e da sabedoria secular.

É possível verificar esta maneira de Paulo tratar das coisas concernente ao evangelho quando lemos I Co 2: 1- 16.

Paulo evangelizava certo de que estava anunciando poder de Deus para os que crerem, o que não era feito com base em conhecimento humano “...não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria (...) a minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana (...) Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens... ” I Co 2: 1- 5, mas com sabedoria e inteligência espirituais, segundo o que o Espírito Santo lhe ensinava I Co 2: 13.

Paulo classifica a inteligência e a sabedoria como sendo espirituais para diferenciar da sabedoria humana.

“... e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou Cl 3: 10; compare com:

“ ... que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual Cl 1: 9; compare com:

"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e prefeita vontade de Deus Rm 12: 2.

Renovar, transformar, ser cheio do conhecimento refere-se aos mesmos elementos, visto que, o objetivo é vestir o novo homem do que lhe é pertinente. O novo homem precisa experimentar a boa, agradável e prefeita vontade de Deus, e que pode andar dignamente diante de Deus, agradando-lhe em tudo.

 

10 Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;

Estes elementos são novamente apresentados em Cl 3: 8- 11, e melhor explicado.

Este versículo trata das questões comportamentais pertinentes aos novos cristãos. Os cristão foram criados em Cristo idôneos para participar da herança dos santos, porém, deveriam moldar o comportamento. Precisavam andar como filhos da Luz, uma vez que já eram filhos da Luz Ef 5: 8.

Desde que ouviu de Epafras que havia cristãos em colossos, Paulo passou a agradecer a Deus por eles também serem participantes da esperança reservada nos céus. Porém, o apóstolo passa a orar para que eles adquirissem uma nova maneira de viver, ou seja, que andassem dignamente diante do Senhor “Assim como bem sabeis de que modo vos exortamos e consolamos, a cada um de vós, como o pai a filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” I Ts 2: 11- 12; Cl 1: 10; “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo...” Fl 1: 27.

A preocupação de Paulo era para que eles agradassem a Deus em tudo, e que frutificassem em toda a boa obra. O escritor aos hebreus expõe esta mesma idéia em uma única frase: “Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Jesus Cristo...” Hb 13: 21.

Através do conhecimento da vontade de Deus os cristãos andariam por modo digno do evangelho, agradando a Deus e frutificando em toda a boa obra Ef 2. 10, e cresceriam no conhecimento de Deus.

Observe que o crescimento do cristão ocorre no conhecimento, uma vez que já alcançou a maioridade em Cristo: já é participante da herança dos santos na luz. 

 

11 Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo;

Para atingir o que foi exposto no versículo anterior, os cristãos deviam contar com 'toda a fortaleza' por parte de Deus. A fortaleza é segundo a força da glória de Deus. Somado à força divina, ele podiam contar com a paciência e longanimidade de Deus. Deus é longânimo e paciente com aqueles que foram recebidos por filhos.

O que lhes falta é chegar a perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

Deus criou o homem com capacidade de aprender e compreender, e através destas faculdades Deus que lhes preencher do seu conhecimento. Sendo Deus paciente e longânime, o cristão deve andar dignamente perante Ele, pois tem toda a fortaleza segundo a força da sua glória.

Na carta aos cristãos em Éfeso, o apóstolo também faz referência ao poder de Deus: “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder Ef 1. 19.

 

 

Claudio Crispim

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