12 Dando graças ao Pai
que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;
Paulo
deixa de falar na primeira pessoa do singular “Graças
damos (Paulo e Timóteo) a Deus...”
Cl 1: 3- 11, e passa a falar na primeira pessoa do plural: “Dando
graças ao pai que nos (Paulo e os cristãos) fez idôneos...” Cl 1: 12-
14.
Esta
é uma das regras essenciais na interpretação de cartas:
é preciso atenção para identificar quando o escritor
da carta isola-se da
ação que estava descrevendo.
Quando Paulo diz: “Damos graças a Deus”,
ele esta demonstrando que ele e Timóteo agradeciam a Deus, e nesta
ação os cristãos não estão inclusos. Nesta carta, o apóstolo
apresenta as suas ações e a de Timóteo do verso três ao onze.
Do versículo doze em
diante, Paulo passa a descrever a ação de Deus que contemplo a todos
os cristãos. Paulo inclui na narrativa os cristãos, Timóteo e ele
mesmo Cl 1: 12- 14. Paulo demonstra o que Deus concedeu a ele
e a todos os irmãos em Cristo.
Deus fez os cristãos
idôneos, ou seja, Deus já os criou com capacidade plena para serem
participantes da herança dos santos. Quando os cristãos creram na
mensagem do evangelho, eles receberam poder para serem feitos filhos de Deus Jo
1: 12, e quando foram criados, foram criados em verdadeira justiça e
santidade Ef 4: 24. Desta maneira Deus fez (criou) um novo homem (os
cristãos) em Cristo.
As novas
criaturas (os cristãos) vieram à existência com direito
pleno à herança guardada nos céus, não necessitando estar
debaixo de tutores ou curadores como era próprio a lei Gl 4: 1-2.
Participar da herança
dos santos na luz, é uma das maneira de se falar em Deus.
Como filhos da Luz, os cristãos passaram a ser herdeiros de Deus e
co-herdeiros com Cristo Ef 5: 8. Sendo filhos de Deus, os cristãos
passaram a ter herança em Deus, ou seja, na Luz.
A condição de 'santos'
decorre da nova natureza adquirida na regeneração. Os cristãos, por
crerem em Cristo, receberam poder de Deus para serem feitos filhos,
nascidos de semente incorruptível. Por serem novas criaturas em
Cristo e participantes da natureza divina II Pe 1: 4, pois receberam
a plenitude em Cristo Cl 2: 10, são os eleitos de Deus: santos e
irrepreensíveis.
13 O qual nos tirou da
potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu
amor;
Deus
tirou Paulo, Timóteo e todos os cristãos, ou seja, o próprio Deus resgatou todos os que creram do
domínio das trevas e transportou-os para o reino de seu Filho. Paulo
designa Jesus como Filho do seu 'amor'.
O
que ocorreu com os cristãos também ocorreu com o apóstolo:
todos foram resgatados do poder das trevas e transportados para o reino de
Cristo. A única diferença entre Paulo e os cristãos esta no serviço que ele
desempenhava: ministério apostólico Cl 1: 25.
Este ministério difere
da idéia de 'ministério apostólico' que hoje em dia tem se divulgado
e que muitos tem se auto comissionando e intitulando.
14 Em quem temos a
redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;
Através do
'Filho do amor de Deus' é que os cristãos obtiveram a redenção por meio do
seu sangue.
Paulo
acrescenta uma explicação, demonstrando que a obra da redenção é
completa: os cristãos foram comprados por um alto preço, e postos em liberdade.
Em
cartas direcionadas as igrejas que Paulo visitou não encontramos
ressalvas conforme as apresentadas nesta carta. Nesta carta Paulo apresenta duas
ressalvas explicativas sobre a idéia apresentada.
Com relação a linguagem empregada, podemos dizer que a necessidade de ressalvas
é quase dispensável, mesmo quando o evangelho foi
anunciado por outra pessoa (Epafras), como é o caso da igreja de colossos.
Por
que se fez necessário Paulo dizer que a redenção pelo sangue
de Cristo é remissão dos pecados? Porque ele fez referência a
atos que a lei mosaica regulava. Esta 'transação' refere-se à
retomada do direito de posse de bens perdidos pelas famílias hebraicas.
A redenção é ato de
parente capaz, que efetuaria tudo o que fosse exigido pelo credor. A
redenção do parente era de pessoas e herança, ou fazer as vezes de
marido quando um parente morresse sem deixar descendente Lv 25: 25-
49 Rt 3: 12- 13.
Quando o cristão crê
em Cristo, e passa a ser participante da carne e do sangue de
Cristo, torna-se um dos descendentes de Abraão por intermédio do
corpo de Cristo, e ao mesmo tempo adquire a filiação divina, sendo
um dos filhos de Abraão por intermédio da fé.
Aquilo que alguns dos
judeus disseram a Cristo, somente os cristãos podem dizer:
"Somos
descendentes de Abraão, e jamais fomos escravos de ninguém" Jo 8:
31. Através do Descendente, que é Cristo, os homens que crêem passam
à condição de descendentes do pai Abraão, pois tornaram-se
participante da carne e do sangue do Descendente.
De igual modo, por
meio da fé, o crente adquire a filiação divina ao ressurgir com
Cristo dentre os mortos, tornando-se filhos de Abraão (filhos de
Deus). O novo homem criado em Cristo, este sim, nunca foi escravo de
ninguém. São de fato filhos de Deus!
Quando
Paulo faz referência à redenção, não o faz em
relação a bens materiais, mas a bens futuros, demonstrando que os
cristãos foram adquiridos e libertos do poder do pecado.
15 O qual é imagem do
Deus invisível, o primogênito de toda a criação;
O
contexto da carta muda deste versículo até o versículo vinte.
O apóstolo introduz
nestes seis versículo um aposto explicativo semelhante ao da carta
aos Hebreus, demonstrando quem é o Filho do amor de Deus - Jesus.
Jesus
é a imagem do Deus invisível – O Deus que habita em luz
inacessível aos olhos dos homens revelou-se através da pessoa de
seu Filho. Sobre esta verdade o apóstolo João testemunhou:
“E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, e
vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai,
cheio de graça e de verdade” Jo 1: 14; II Co 4: 3- 4; Hb 1:
3;
Jesus,
o primogênito de toda a criação – Para entender este
versículo, deve-se verificar o que Paulo diz acerca de Adão, o
primeiro homem: “...Adão, o qual é
a figura daquele que havia de vir” Rm 5: 14. Através deste
versículo, somos informados que Cristo é 'aquele que havia de
vir', e que Adão foi criado
segundo a imagem de Cristo. Antes mesmo de haver mundo, Cristo é o cordeiro de
Deus! Desta forma, segue-se que: “O primeiro
homem, Adão, foi feito alma vivente; o ultimo Adão em
Espírito vivificante” I Co 15: 45. “O
primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é
do céu” I Co 15: 47. Sendo que, se Adão era a imagem
de Cristo (daquele que havia de vir), conclui-se que Cristo é o
primogênito de toda a criação.
Cristo é o primeiro gerado
(primogênito) de toda a criação de Deus. Todos os outros seres do universo
(anjos, arcanjos, querubins, serafins, homens, etc) foram criados por Deus.
Cristo difere de todas as criaturas por ser o primeiro gerado de Deus.
Enquanto Adão foi
criado alma vivente, Jesus foi gerado espírito vivificante
"Assim está também escrito: O primeiro homem,
Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito
vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural;
depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o
segundo homem, o SENHOR, é do céu" I Co 15: 45- 47.
Alguns
questionam a passagem de
Gênesis, onde está registrado que Deus criou o homem a sua imagem
e semelhança, e alegam que, sendo Deus Espírito, qual a imagem de
Deus que foi concedida a Adão?. A resposta torna-se evidente por meio
da leitura deste versículo: Adão foi criado a imagem do Cristo de Deus Rm
5: 14.
16 Porque nele foram
criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e
invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam
potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.
Em Cristo, o Senhor, foram criadas todas as coisas
que há no céu e na terra. Desde tronos, dominações, principados,
potestades, as coisas visíveis e as invisíveis I Co 15: 47.
O Salmo 102: 25- 27 fazem referência a Cristo, o
criador de todas as coisas Hb 1: 10- 11.
17 E ele é antes de
todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.
Paulo
faz referência à divindade de Cristo da mesma forma que o escritor aos
Hebreus: “O qual, sendo o resplendor da sua
glória, e expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas
pela palavra do seu poder...”
Hb 1: 3.