A Carta de Paulo aos

Colossenses

 

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Capítulo 1 (v. 12- 17)

 

Bendizendo por Bênçãos Eternas

12 Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;

Paulo deixa de falar na primeira pessoa do singular “Graças damos (Paulo e Timóteo) a Deus...” Cl 1: 3- 11, e passa a falar na primeira pessoa do plural: “Dando graças ao pai que nos (Paulo e os cristãos) fez idôneos...” Cl 1: 12- 14.

Esta é uma das regras essenciais na interpretação de cartas: é preciso atenção para identificar quando o escritor da carta isola-se da ação que estava descrevendo.

Quando Paulo diz: “Damos graças a Deus”, ele esta demonstrando que ele e Timóteo agradeciam a Deus, e nesta ação os cristãos não estão inclusos. Nesta carta, o apóstolo apresenta as suas ações e a de Timóteo do verso três ao onze.

Do versículo doze em diante, Paulo passa a descrever a ação de Deus que contemplo a todos os cristãos. Paulo inclui na narrativa os cristãos, Timóteo e ele mesmo Cl 1: 12- 14. Paulo demonstra o que Deus concedeu a ele e a todos os irmãos em Cristo.

Deus fez os cristãos idôneos, ou seja, Deus já os criou com capacidade plena para serem participantes da herança dos santos. Quando os cristãos creram na mensagem do evangelho, eles receberam poder para serem feitos filhos de Deus Jo 1: 12, e quando foram criados, foram criados em verdadeira justiça e santidade Ef 4: 24. Desta maneira Deus fez (criou) um novo homem (os cristãos) em Cristo.

As novas criaturas (os cristãos) vieram à existência com direito pleno à herança guardada nos céus, não necessitando estar debaixo de tutores ou curadores como era próprio a lei Gl 4: 1-2.

Participar da herança dos santos na luz, é uma das maneira de se falar em Deus. Como filhos da Luz, os cristãos passaram a ser herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo Ef 5: 8. Sendo filhos de Deus, os cristãos passaram a ter herança em Deus, ou seja, na Luz.

A condição de 'santos' decorre da nova natureza adquirida na regeneração. Os cristãos, por crerem em Cristo, receberam poder de Deus para serem feitos filhos, nascidos de semente incorruptível. Por serem novas criaturas em Cristo e participantes da natureza divina II Pe 1: 4, pois receberam a plenitude em Cristo Cl 2: 10, são os eleitos de Deus: santos e irrepreensíveis.

 

13 O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor;

Deus tirou Paulo, Timóteo e todos os cristãos, ou seja, o próprio Deus resgatou todos os que creram do domínio das trevas e transportou-os para o reino de seu Filho. Paulo designa Jesus como Filho do seu 'amor'.

O que ocorreu com os cristãos também ocorreu com o apóstolo: todos foram resgatados do poder das trevas e transportados para o reino de Cristo. A única diferença entre Paulo e os cristãos esta no serviço que ele desempenhava: ministério apostólico Cl 1: 25.

Este ministério difere da idéia de 'ministério apostólico' que hoje em dia tem se divulgado e que muitos tem se auto comissionando e intitulando.

 

14 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;

Através do 'Filho do amor de Deus' é que os cristãos obtiveram a redenção por meio do seu sangue.

Paulo acrescenta uma explicação, demonstrando que a obra da redenção é completa: os cristãos foram comprados por um alto preço, e postos em liberdade.

Em cartas direcionadas as igrejas que Paulo visitou não encontramos ressalvas conforme as apresentadas nesta carta. Nesta carta Paulo apresenta duas ressalvas explicativas sobre a idéia apresentada. Com relação a linguagem empregada, podemos dizer que a necessidade de ressalvas é quase dispensável, mesmo quando o evangelho foi anunciado por outra pessoa (Epafras), como é o caso da igreja de colossos.

Por que se fez necessário Paulo dizer que a redenção pelo sangue de Cristo é remissão dos pecados? Porque ele fez referência a atos que a lei mosaica regulava. Esta 'transação' refere-se à retomada do direito de posse de bens perdidos pelas famílias hebraicas.

A redenção é ato de parente capaz, que efetuaria tudo o que fosse exigido pelo credor. A redenção do parente era de pessoas e herança, ou fazer as vezes de marido quando um parente morresse sem deixar descendente Lv 25: 25- 49 Rt 3: 12- 13.

Quando o cristão crê em Cristo, e passa a ser participante da carne e do sangue de Cristo, torna-se um dos descendentes de Abraão por intermédio do corpo de Cristo, e ao mesmo tempo adquire a filiação divina, sendo um dos filhos de Abraão por intermédio da fé.

Aquilo que alguns dos judeus disseram a Cristo, somente os cristãos podem dizer: "Somos descendentes de Abraão, e jamais fomos escravos de ninguém" Jo 8: 31. Através do Descendente, que é Cristo, os homens que crêem passam à condição de descendentes do pai Abraão, pois tornaram-se participante da carne e do sangue do Descendente.

De igual modo, por meio da fé, o crente adquire a filiação divina ao ressurgir com Cristo dentre os mortos, tornando-se filhos de Abraão (filhos de Deus). O novo homem criado em Cristo, este sim, nunca foi escravo de ninguém. São de fato filhos de Deus!

Quando Paulo faz referência à redenção, não o faz em relação a bens materiais, mas a bens futuros, demonstrando que os cristãos foram adquiridos e libertos do poder do pecado.

 

15 O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

O contexto da carta muda deste versículo até o versículo vinte.

O apóstolo introduz nestes seis versículo um aposto explicativo semelhante ao da carta aos Hebreus, demonstrando quem é o Filho do amor de Deus - Jesus.

Jesus é a imagem do Deus invisível – O Deus que habita em luz inacessível aos olhos dos homens revelou-se através da pessoa de seu Filho. Sobre esta verdade o apóstolo João testemunhou: “E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” Jo 1: 14; II Co 4: 3- 4; Hb 1: 3;

Jesus, o primogênito de toda a criação – Para entender este versículo, deve-se verificar o que Paulo diz acerca de Adão, o primeiro homem: “...Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir Rm 5: 14. Através deste versículo, somos informados que Cristo é 'aquele que havia de vir', e que Adão foi criado segundo a imagem de Cristo. Antes mesmo de haver mundo, Cristo é o cordeiro de Deus! Desta forma, segue-se que: “O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o ultimo Adão em Espírito vivificante” I Co 15: 45. “O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu” I Co 15: 47. Sendo que, se Adão era a imagem de Cristo (daquele que havia de vir), conclui-se que Cristo é o primogênito de toda a criação.

Cristo é o primeiro gerado (primogênito) de toda a criação de Deus. Todos os outros seres do universo (anjos, arcanjos, querubins, serafins, homens, etc) foram criados por Deus. Cristo difere de todas as criaturas por ser o primeiro gerado de Deus.

Enquanto Adão foi criado alma vivente, Jesus foi gerado espírito vivificante "Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu" I Co 15: 45- 47.

Alguns questionam  a passagem de Gênesis, onde está registrado que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, e alegam que, sendo Deus Espírito, qual a imagem de Deus que foi concedida a Adão?. A resposta torna-se evidente por meio da leitura deste versículo: Adão foi criado a imagem do Cristo de Deus Rm 5: 14.

 

16 Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.

Em Cristo, o Senhor, foram criadas todas as coisas que há no céu e na terra. Desde tronos, dominações, principados, potestades, as coisas visíveis e as invisíveis I Co 15: 47.

O Salmo 102: 25- 27 fazem referência a Cristo, o criador de todas as coisas Hb 1: 10- 11.

17 E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.

Paulo faz referência à divindade de Cristo da mesma forma que o escritor aos Hebreus: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder...”
Hb 1: 3.

 

 

Claudio Crispim

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