6 -
Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;
Este versículo é pequeno, mas a idéia que ele contém é
grandiosa e complexa.
“Pelas quais
coisas...”
Quais coisas? A resposta é: “a prostituição, a impureza, a afeição
desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria”.
A ira de Deus
virá sobre os filhos da desobediência por eles andarem nas práticas que foram
enumeradas, mas a condenação é proveniente da natureza que participam por serem
descendentes de Adão.
Não são as 'tais coisas' que trouxe
condenação sobre todos os homens, e sim, a origem deles em Adão. A
ira diz do julgamento de obras que se dará no Tribunal do Trono
Branco.
O versículo
possui dois elementos distintos que devem ser alvo de análise: a ira de Deus e
os filhos da desobediência.
1.
Os filhos
da desobediência
Os filhos da
desobediência são os filhos de Adão, ou seja, os filhos da desobediência tiveram
origem na desobediência de Adão “Porque, como pela
desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores...” Rm 5.
19. Se os filhos da desobediência tiveram origem na desobediência de Adão,
segue-se que pelo juízo de Deus eles já estão condenados
“E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que
pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação...”
Rm 5. 16.
“Quem crê nele não é condenado; mas
quem não crê já
está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”
Jo 3. 18. Mas aqueles que crêem podem dizer conforme o apóstolo Paulo:
“Portanto, agora nenhuma condenação há para os
que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o
Espírito” Rm 8. 1.
Observem que
sobre os filhos da desobediência pesa uma condenação, não porque praticam as
coisas pelas quais vem a ira de Deus, mas porque são filhos segundo a
desobediência de Adão, filhos nascido: “... do sangue,(...) da vontade da carne,
(...) e da vontade do homem...” Jo 1. 13.
Sobre os
filhos da desobediência pesa uma condenação, e por mais que se procure ter uma
vida regrada é impossível livrar-se de tal condenação se não for por meio da
cruz de Cristo.
2.
A ira de
Deus
“Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente,
entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus”
Rm 2. 5
Este tema é
um pouco complicado, e por isso, é preciso iniciar o comentário através de Rm 2. 5.
Paulo alerta
que as pessoas com o coração impenitente entesouram ira para um dia específico.
Será o dia da ira e o dia da manifestação do juízo de Deus.
Desde que
Jesus veio ao mundo está a manifestar-se aos homens a
justiça de Deus, mas haverá um dia marcado para manifesta-se
o juízo de Deus. Desde que o homem pecou foi
estabelecido o juízo de Deus e o homem está sob condenação, mas isto não é
manifesto. Mas, no dia em que Deus manifestar a sua ira, também haverá de
manifestar-se o juízo e quando se deu este juízo. Neste dia todos os homens verão qual é a condenação para
aqueles que estão sob juízo.
O juízo de
Deus trouxe condenação Rm 2. 16, e a justiça de Deus concede justificação Rm 1.
17.
Isto posto, já é possível falar de alguns princípios que são pertinentes à ira de Deus.
“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a
aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” I Ts 5. 9.
A ira de Deus
fala de punição. Além de o incrédulo estar condenado por ser filho da ira, ou
filho da desobediência em Adão (perdição), ele também estará sujeito à ira em
decorrência de suas obras, isto porque ‘Deus recompensará a cada um segundo as
suas obras’ Rm 2. 6.
Para os
filhos da luz há o tribunal de Cristo, e para os filhos da desobediência haverá
o Grande Trono Branco.
“A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem,
procuram glória, honra e incorrupção” Rm 2. 7.
Como
interpretar Rm 2. 7? Observe:
“Com perseverança em fazer o bem” é um termo
acessório da oração, ou seja, é um aposto.
Aposto é um termo acessório de uma oração que tem
a função de ampliar, explicar, desenvolver ou resumir a idéia contida numa
oração ou em parte dela.
A oração sem
este termo integrante ficaria redigida assim: “A vida eterna aos que (...)
procuram glória, honra e incorrupção”. A vida eterna não é alcançada por aqueles
que praticam o bem, antes ela é alcançada por aqueles que procuram glória, honra
e incorrupção, sendo que tais coisas só se encontram em Cristo.
Agora, após
ter encontrado incorrupção em Cristo, o homem deve perseverar em fazer o bem,
pois haverá de receber o bem e o mal que houver feito por meio do corpo no
tribunal de Cristo.
Observe que a
idéia exposta no versículo sete é complementada no versículo oito:
“Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos,
desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade” (v. 8);
A indignação e a ira de Deus recairá sobre aqueles que não
obedeceram a verdade do evangelho, e que portanto são contenciosos e
desobedientes à verdade. A ira de Deus permanece por serem arredios ao
evangelho, e não por não praticarem o bem com perseverança.
Mas, se não
obedeceram ao evangelho, estes haverão de receber tribulação por também terem
obrado o mal, e para isso não há acepção de pessoas.
Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos
da desobediência;
Concluindo:
A ira de Deus virá
sobre aqueles que não se abstêm das vis concupiscências deste mundo, ira que
recai sobre os filhos da desobediência de Adão.
7 - Nas
quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas.
Este versículo contém a mesma idéia que Ef 5. 8:
“Porque
noutro tempo
éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor;
andai
como filhos da luz” Ef 5. 8
‘Em outro tempo’ refere-se ao
tempo em que por natureza se era filho da desobediência, ou seja, éreis trevas.
‘Nas quais’ refere-se ao comportamento
desprezível que os filhos das trevas possuem.
Após comparar os elementos que compõe os dois versículos,
verifica-se que ‘andar’ fala de questões comportamentais, e ‘viver’ fala de qual
natureza o homem pertence (luz ou trevas; carne ou Espírito).
“Se
vivemos
em Espírito, andemos
também em Espírito” Gl 5. 25.
Aqueles que, após
nascerem da água e do Espírito, passaram a viver em Espírito, e, por tanto, são
espirituais, também deve andar, ou seja, a ter um comportamento a altura de sua
nova natureza.
Em outro tempo
andávamos em concupiscências, pois vivíamos segundo o pecado. Por natureza
éramos trevas, e andávamos como filhos das trevas.
Hoje é
diferente: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo
batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela
glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” Rm 6.
4.
Ao cremos em
Cristo, morremos com ele e ressurgimos e passamos a viver uma nova vida por meio
de Cristo. Como fomos ressuscitados e vivemos em novidade de vida, devemos
também andar em novidade de vida.
8 - Mas
agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da
maledicência, das palavras torpes da vossa boca.
Paulo convoca os cristãos a experimentarem um novo patamar na
conduta cristã.
Antes andávamos
segundo o curso do mundo, mas agora há o dever de desfazermos de tudo: ira,
cólera, malicia, etc. O cristão deve se despojar, desfazer de tudo que era
pertinente a velha criatura.
A velha
criatura foi morta na cruz de Cristo, e não mais vive, mas Cristo vive em nós Gl
2. 20. Segue-se que agora devemos nos desfazer das coisas que pertenciam ao
velho homem.
9 - Não
mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus
feitos,
A mentira é um tipo de comportamento pertinente ao velho
homem, pois o novo homem é segundo a verdade do evangelho, o que nos torna
livres. Livre do velho homem, da velha natureza, e despidos do comportamento
desprezível segundo o pecado.
10 - E
vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem
daquele que o criou;
Há uma nova ‘roupa’ para aqueles que estão em Cristo. O
cristão JÁ se despiu e
JÁ se vestiu do que é pertinente ao novo
homem “E vos revestistes do
novo...”.
Este novo homem se renova para o conhecimento, segundo o que
Paulo falou aos romanos: “E não sede conformados com
este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para
que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” Rm 12. 2.
O novo homem é
segundo a imagem de Deus! Como?
A transformação que
ainda esta sendo submetidos os filhos de Deus é quanto ao entendimento, e isto
sim é um processo, pois o objetivo de Deus é que experimentemos a sua boa
vontade.
Mas quanto a
filiação, o novo homem é criado segundo Deus “E vos
revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e
santidade” Ef 4. 24.
O novo homem
é criado segundo o poder de Deus, e de Cristo temos recebidos a plenitude
“E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo
o principado e potestade” Cl 2. 10.
Sendo Cristo
a imagem de Deus “O qual é imagem do Deus invisível, o
primogênito de toda a criação” Cl 1. 15, novamente estabeleceu o
propósito eterno de fazer convergir em Cristo todas as coisas, sendo nós os que
cremos, feitos a imagem e semelhança de Deus “E disse
Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” Gn 1.
26.
“Porque convinha que aquele, para quem são todas as
coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória,
consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles”
Hb 2. 10.
11 - Onde
não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou
livre; mas Cristo é tudo em todos.
Qual é o
único lugar que não há diferença entre os homens?
O corpo de
Cristo consegue abrigar a todos os homens e ele não faz distinção entre os seus.
Cristo passa a ser tudo em todos. Qualquer aspecto que se queira evidenciar,
devemos considerar primeiramente a Cristo, o apóstolo e sumo sacerdote da nossa
confição Hb 3. 1.