A Carta de Paulo aos

Colossenses

 

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Pág. 10

Capítulo 3 (v. 6- 11)

 

6 - Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;

Este versículo é pequeno, mas a idéia que ele contém é grandiosa e complexa.

“Pelas quais coisas...”

Quais coisas? A resposta é: “a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria”.

A ira de Deus virá sobre os filhos da desobediência por eles andarem nas práticas que foram enumeradas, mas a condenação é proveniente da natureza que participam por serem descendentes de Adão.

Não são as 'tais coisas' que trouxe condenação sobre todos os homens, e sim, a origem deles em Adão. A ira diz do julgamento de obras que se dará no Tribunal do Trono Branco.

O versículo possui dois elementos distintos que devem ser alvo de análise: a ira de Deus e os filhos da desobediência.

 

1.      Os filhos da desobediência

Os filhos da desobediência são os filhos de Adão, ou seja, os filhos da desobediência tiveram origem na desobediência de Adão “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores...” Rm 5. 19. Se os filhos da desobediência tiveram origem na desobediência de Adão, segue-se que pelo juízo de Deus eles já estão condenados “E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação...” Rm 5. 16.

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” Jo 3. 18. Mas aqueles que crêem podem dizer conforme o apóstolo Paulo: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” Rm 8. 1.

Observem que sobre os filhos da desobediência pesa uma condenação, não porque praticam as coisas pelas quais vem a ira de Deus, mas porque são filhos segundo a desobediência de Adão, filhos nascido: “... do sangue,(...) da vontade da carne, (...) e da vontade do homem...” Jo 1. 13.

Sobre os filhos da desobediência pesa uma condenação, e por mais que se procure ter uma vida regrada é impossível livrar-se de tal condenação se não for por meio da cruz de Cristo.

 

2.      A ira de Deus

“Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus Rm 2. 5

Este tema é um pouco complicado, e por isso, é preciso iniciar o comentário através de Rm 2. 5.

Paulo alerta que as pessoas com o coração impenitente entesouram ira para um dia específico. Será o dia da ira e o dia da manifestação do juízo de Deus.

Desde que Jesus veio ao mundo está a manifestar-se aos homens a justiça de Deus, mas haverá um dia marcado para manifesta-se o juízo de Deus. Desde que o homem pecou foi estabelecido o juízo de Deus e o homem está sob condenação, mas isto não é manifesto. Mas, no dia em que Deus manifestar a sua ira, também haverá de manifestar-se o juízo e quando se deu este juízo. Neste dia todos os homens verão qual é a condenação para aqueles que estão sob juízo.

O juízo de Deus trouxe condenação Rm 2. 16, e a justiça de Deus concede justificação Rm 1. 17.

Isto posto, já é possível falar de alguns princípios que são pertinentes à ira de Deus.

 

“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” I Ts 5. 9.

A ira de Deus fala de punição. Além de o incrédulo estar condenado por ser filho da ira, ou filho da desobediência em Adão (perdição), ele também estará sujeito à ira em decorrência de suas obras, isto porque ‘Deus recompensará a cada um segundo as suas obras’ Rm 2. 6.

Para os filhos da luz há o tribunal de Cristo, e para os filhos da desobediência haverá o Grande Trono Branco.

“A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção” Rm 2. 7.

Como interpretar Rm 2. 7? Observe:

“Com perseverança em fazer o bem” é um termo acessório da oração, ou seja, é um aposto.

Aposto é um termo acessório de uma oração que tem a função de ampliar, explicar, desenvolver ou resumir a idéia contida numa oração ou em parte dela.

A oração sem este termo integrante ficaria redigida assim: “A vida eterna aos que (...) procuram glória, honra e incorrupção”. A vida eterna não é alcançada por aqueles que praticam o bem, antes ela é alcançada por aqueles que procuram glória, honra e incorrupção, sendo que tais coisas só se encontram em Cristo.

Agora, após ter encontrado incorrupção em Cristo, o homem deve perseverar em fazer o bem, pois haverá de receber o bem e o mal que houver feito por meio do corpo no tribunal de Cristo.

Observe que a idéia exposta no versículo sete é complementada no versículo oito: 

“Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade” (v. 8);

A indignação e a ira de Deus recairá sobre aqueles que não obedeceram a verdade do evangelho, e que portanto são contenciosos e desobedientes à verdade. A ira de Deus permanece por serem arredios ao evangelho, e não por não praticarem o bem com perseverança.

Mas, se não obedeceram ao evangelho, estes haverão de receber tribulação por também terem obrado o mal, e para isso não há acepção de pessoas.

Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;

Concluindo:

A ira de Deus virá sobre aqueles que não se abstêm das vis concupiscências deste mundo, ira que recai sobre os filhos da desobediência de Adão.

 

7 - Nas quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas.

Este versículo contém a mesma idéia que Ef 5. 8:

“Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz Ef 5. 8

‘Em outro tempo’ refere-se ao tempo em que por natureza se era filho da desobediência, ou seja, éreis trevas.

‘Nas quais’ refere-se ao comportamento desprezível que os filhos das trevas possuem.

Após comparar os elementos que compõe os dois versículos, verifica-se que ‘andar’ fala de questões comportamentais, e ‘viver’ fala de qual natureza o homem pertence (luz ou trevas; carne ou Espírito).

“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” Gl 5. 25.

Aqueles que, após nascerem da água e do Espírito, passaram a viver em Espírito, e, por tanto, são espirituais, também deve andar, ou seja, a ter um comportamento a altura de sua nova natureza.

Em outro tempo andávamos em concupiscências, pois vivíamos segundo o pecado. Por natureza éramos trevas, e andávamos como filhos das trevas.

Hoje é diferente: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” Rm 6. 4.

Ao cremos em Cristo, morremos com ele e ressurgimos e passamos a viver uma nova vida por meio de Cristo.  Como fomos ressuscitados e vivemos em novidade de vida, devemos também andar em novidade de vida.

 

8 - Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.

Paulo convoca os cristãos a experimentarem um novo patamar na conduta cristã.

Antes andávamos segundo o curso do mundo, mas agora há o dever de desfazermos de tudo: ira, cólera, malicia, etc. O cristão deve se despojar, desfazer de tudo que era pertinente a velha criatura.

A velha criatura foi morta na cruz de Cristo, e não mais vive, mas Cristo vive em nós Gl 2. 20. Segue-se que agora devemos nos desfazer das coisas que pertenciam ao velho homem.

 

9 - Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos,

A mentira é um tipo de comportamento pertinente ao velho homem, pois o novo homem é segundo a verdade do evangelho, o que nos torna livres. Livre do velho homem, da velha natureza, e despidos do comportamento desprezível segundo o pecado.

 

10 - E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;

Há uma nova ‘roupa’ para aqueles que estão em Cristo. O cristão se despiu e se vestiu do que é pertinente ao novo homem “E vos revestistes do novo...”.

Este novo homem se renova para o conhecimento, segundo o que Paulo falou aos romanos: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” Rm 12. 2.

O novo homem é segundo a imagem de Deus! Como?

A transformação que ainda esta sendo submetidos os filhos de Deus é quanto ao entendimento, e isto sim é um processo, pois o objetivo de Deus é que experimentemos a sua boa vontade.

Mas quanto a filiação, o novo homem é criado segundo Deus “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidadeEf 4. 24.

O novo homem é criado segundo o poder de Deus, e de Cristo temos recebidos a plenitude “E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade” Cl 2. 10.

Sendo Cristo a imagem de Deus “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” Cl 1. 15, novamente estabeleceu o propósito eterno de fazer convergir em Cristo todas as coisas, sendo nós os que cremos, feitos a imagem e semelhança de Deus “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” Gn 1. 26.

 

“Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” Hb 2. 10.

 

11 - Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos.

Qual é o único lugar que não há diferença entre os homens?

O corpo de Cristo consegue abrigar a todos os homens e ele não faz distinção entre os seus. Cristo passa a ser tudo em todos. Qualquer aspecto que se queira evidenciar, devemos considerar primeiramente a Cristo, o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confição Hb 3. 1.

 

 

Claudio Crispim

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