A Carta de Paulo aos

Colossenses

 

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Capítulo 2 (v. 6- 11)

 

Viver e Andar em Espírito

6 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele,

Este versículo arremata a idéia do versículo anterior e o complementa.

Para uma melhor interpretação dos escritos das cartas de Paulo, faz-se necessário que o leitor observe todos os pronomes, as conjunções, os conectivos, etc.

Observe este versículo como exemplo.

“Como, pois, recebestes....” ou, “Portanto, assim como recebestes...” refere-se a uma conjunção conclusiva. Com base em elementos apresentados no versículo anterior, Paulo conclui a idéia e apresenta um novo elemento:

Dados anteriores: “...da vossa fé em Cristo” – A fé é a maneira pela qual recebemos a Cristo, ou antes, somos recebidos por Ele.

Conclusão: “...recebestes o Senhor Jesus Cristo...” receberam a Cristo, ou antes, foram recebidos por Ele por meio da fé.

Nova idéia: “...assim também andai nele,...” O apóstolo concita aqueles que foram recebidos por Cristo a que andassem nele! Como? Por meio da fé!

Observe que ‘também’ é uma locução conjuntiva aditiva enfática, ou seja, o termo da oração ‘também’ refere-se a um elemento anterior: a fé. Da mesma forma que por meio da fé os cristãos haviam recebido a Cristo, também, por meio da fé, deveriam andar em Cristo Cl 1. 10.

A idéia deste versículo ecoa por quase todas as carta de Paulo:

"Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele" (v. 6), contém a mesma idéia expressa aos Gálatas: "Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito" Gl 5: 25.

Aquele que recebe a Cristo, passa a viver no Espírito, e quem recebeu a Cristo, deve andar nele ou andar no Espírito.

Um resumo claro desta verdade encontra-se na carta aos Efésios: "Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz" Ef 5: 8.

 

7 Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças.

Eles deveriam andar arraigados e edificados em Cristo.

Este versículo não apresenta todos os elementos sobre como andar em Cristo. Para isso necessitamos de outras cartas para melhor definir o que é andar em Cristo “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” Gl 5. 25.

Enquanto 'viver no Espírito' fala da nova vida adquirida por meio de Cristo, o 'andar em Espírito' fala de questões comportamentais pertinentes àqueles que são recebidos por filhos de Deus. Este conceito é melhor abordado na carta aos Gálatas.

“Por isso não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade” II Pd 1. 12. Os cristãos deveriam estar confirmados na fé, ou seja, na presente verdade.

Eles não deveriam demover daquilo que foram ensinados, sendo sempre agradecidos a Deus.

 

8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;

O contexto muda para exortação.

‘Tende cuidado’ – Esta exortação tem muito a dizer! Por que há a necessidade de cuidado? O que ocorre se alguém for feito presa de outrem? Como o apóstolo apresenta um cuidado a ser observado, isto demonstra há riscos em um cristão tornar-se presa de outrem.

Paulo aponta dois tipos de argumentação que poderá levar os cristãos a serem presas se não tiverem o devido cuidado: filosofia e vãs sutilezas.

Para o apóstolo, a filosofia é segundo a tradição dos homens, ou segundo os princípios pertinentes ao mundo. Tais princípios poderiam ser introduzidos sutilmente no seio da igreja local, comprometendo os seus integrantes. Vemos este perigo quando falsos cristãos tentam conciliar filosofia oriental com o evangelho de Cristo.

Paulo procurou divisar 'tradições dos homens' de 'rudimentos do mundo' é que produzem a filosofia humana. Não há mal naquilo que a tradição humana produz, no entanto, se o homem pensa que conhecerá Deus ou que pode alcançar a salvação por meio dela, ai sim, estará completamente enfatuado em sua mente carnal.

Já com relação às coisas pertinentes a salvação, é segundo Cristo, mistério de Deus revelado aos homens. Só através da revelação divina podemos conhecer a Deus, e Cristo nos revelou o Pai.

 

9 Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;

Paulo retoma a idéia do versículo seis “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus (...) Porque nele habita corporalmente a plenitude da divindade”, conforme foi exposto nos versículos 15 a 22 do capitulo 1.

 

10 E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;

Por meio de filosofias e vãs sutilizas alguém estava prometendo aos cristãos algo que não era segundo Cristo. Mas Paulo demonstra que 'em Cristo' os cristãos já eram perfeitos. Eles estavam oferecendo algo, segundo a tradição dos homens e segundo os rudimentos do mundo que auxiliasse os cristãos a chegarem o mais próximo da perfeição.

Paulo demonstra que em Cristo eles já eram perfeitos, e portanto, não precisavam daqueles ensinamentos.

 

11 No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne, a circuncisão de Cristo;

O apóstolo Paulo passa a demonstrar a perfeição alcançada em Cristo, que é a cabeça de todo principado e potestade.

O primeiro elemento da perfeição a se considerar: a circuncisão de Cristo.

Enquanto a circuncisão de Moisés era feita por meio de mãos de homens, a circuncisão de Cristo não é operada por mãos humanas.

Em Cristo eles foram circuncidados com uma circuncisão que despojou toda  a carne, e não só o prepúcio. A circuncisão de Cristo é perfeita, pois se ocupa com toda a carne, e não só com aspectos cerimoniais da lei.

A circuncisão de Cristo é perfeita, pois pode alcançar tanto homens quanto as mulheres; gregos e romanos; escravos e livres, etc. Em Cristo podemos cumprir o que determina a lei:

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” Dt 10. 16;

“Circuncidai-vos ao SENHOR, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo, e arda de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras” Jr 4. 4.

 

 

Claudio Crispim

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