A Carta de Paulo aos

Colossenses

 

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Capítulo 2 (v. 18- 23)

Regras de Homens

 

18 Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão,

Paulo ordena: ninguém vos domine! Quando Paulo disse ninguém, é ninguém mesmo. Não há exceção!

Qualquer um que venha com teorias e idéias que estabeleça algum domínio sobre o cristão, e Paulo dá exemplo, deve ser descartado. Estes alegam uma pretensa humildade e ou que se deva prestar culto aos anjos; estabelecem o domínio sobre os outros alegando terem visões, no entanto, estes possuem uma mente carnal.

A compreensão destas pessoas que tende a dominar os outros cristãos é segundo um entendimento carnal, seguem enfatuado segundo os rudimentos do mundo e segundo as tradições dos homens.

Para estabelecer este tipo de domínio eles procuram demonstrar que ainda falta alguma coisa para se alcançar a perfeição. Para isso faz-se necessário privar o cristão daquilo que já possui, mas ninguém pode privar o cristão daquilo que já recebeu em Cristo: somos perfeitos, pois recebemos a plenitude em Cristo.

 

19 E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus.

Aquele que está de posse de uma compreensão carnal não está ligado à cabeça, que é Cristo. De Cristo todo o corpo cresce em aumento de Deus. Observe que o corpo de Cristo cresce provido e organizado por juntas e ligaduras. Esta forma de ilustrar as verdades bíblicas é bem utilizada nesta carta e na carta de Efésios.

Enquanto a carta aos Gálatas possui várias citações do antigo testamento, esta não apresenta nenhuma citação direta.

 

20 Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como:

Paulo chama os cristãos à responsabilidade: estais mortos quanto aos rudimentos do mundo e por que ainda se submetiam a ordenanças da lei? Se eles estavam se submetendo a lei, isto significava que ainda se comportavam como se vivessem no mundo.

 

21 Não toques, não proves, não manuseies?

O cristão não pode ser sobrecarregado de ordenanças como se dependesse delas para viver para Deus. O homem vive para Deus segundo a sua palavra, e não segundo aquilo que pretensos juízes estipulam para a vida do próximo.

Se alguém acredita que terá vida em Deus simplesmente porque não toca certas coisas, ou porque não prova certos alimentos e prazeres, ou porque não manuseia certos objetos, está completamente enfatuado em sua mente carnal.   

 

22 As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens;

A filosofia demonstra que tudo que há em baixo dos céus perece pelo uso, e por que alguns ainda estabelecem regras firmadas nestes princípios humanos?

 

23 As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.

 

As regras e as doutrinas dos homens possuem aparência, mas não são efetivas para o que se pretende. Parece sabedoria, apresenta uma devoção voluntária, aparenta humildade, parece que o homem está disciplinando o corpo, mas todas estas coisas só conseguem satisfazer a carne, o próprio ego humano.

Muitos querem por meio do jejum ‘alcançar’ uma ‘espiritualidade’, mas o ser espiritual só é possível em Cristo por meio da fé. Só é possível ser espiritual quando nascemos de Deus, e não da vontade do homem.

Alguns procuram disciplinar o corpo como forma de se crescer ‘espiritualmente’, como muitas religiões a pregoam: os espíritas afirmam que podemos alcançar a condição de espíritos elevados; os budistas acreditam que podem alcançar um estágio de perfeição espiritual; as religiões orientais apregoam que é possível ao homem, por meio de uma disciplina rígida e de meditações alcançar a ‘espiritualidade’.

Mas não é assim o evangelho de Cristo. Não adianta ter uma devoção voluntária, antes é necessário nascer de novo. Como exemplo temos Nadabe e Abiu que voluntariamente foram oferecer incenso “E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara” Lv 10:1.

Davi voluntariamente foi buscar a arca da aliança, e a forma com que estavam conduzindo a arca não foi aceito por Deus II Sm 6. 2- 9. Não é desta voluntariedade que Deus faz referência.

A voluntariedade do cristão é segundo o que pediu o salmista: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário” Sl 51. 12. Um espírito voluntário depende de Deus, que o sustêm.

O crescimento que é factível ao cristão é o crescer na graça e no conhecimento conforme assevera o apóstolo Pedro “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” II Pe 3. 18.

A aparência de humildade, a disciplina com relação ao corpo físico, a devoção como o celibato, tem aparência de sabedoria, mas não satisfaz o que Jesus disse a Nicodemos: todo homem necessariamente precisa nascer de novo.

 

 Para saber mais, leia comentário ao Capítulo 4 da carta aos Efésios.

 

Claudio Crispim

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