A Ceia

 

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A Instituição da Ceia

Lemos em Mateus 26 que, no primeiro dia da festa dos pães amos, os discípulos queriam saber de Jesus onde haveriam de preparar a páscoa Mt 26: 17. Jesus indicou uma casa pertencente a um homem que ficava na cidade.

Os discípulos foram e prepararam a páscoa, e à tarde, Jesus assentou-se à mesa com os doze. Durante a degustação da páscoa, Jesus anunciou que seria traído, e os discípulos com pesar perguntavam: “Por acaso sou eu Senhor?” Mt 26. 22.

Foi quando Jesus disse que, aquele que metesse a mão juntamente com ele no prato, este o havia de trair. Judas, o que traiu, perguntou: “Por acaso sou eu, Rabi?”, e Jesus respondeu: “Tu o disseste”.

Enquanto todos comiam o preparado para a páscoa, Jesus pegou o pão e abençoando, partiu-o e deu aos seus discípulos. Depois, Jesus pegou o cálice, deu graças, e deu-o aos seus discípulos, dizendo:  "Bebei dele todos..." Mt 26: 27.

Enquanto Mateus focou-se nos arranjos para se comemorar a páscoa, Lucas fixou-se no desejo de Jesus em participar juntamente com os seus discípulos daquela última páscoa Lc 22. 15.

Lucas demonstra que ao se assentar à mesma com os discípulos, Jesus mencionou o desejo de comer àquela antes do seus sofrimento. Que em seguida, pegou o cálice e deu graça, e mandou que o repartisse entre eles.

Após repartido o cálice, Jesus deu graças pelo pão e o repartiu entre os discípulos. Ao final da ceia, fez com o cálice da mesma forma que foi feito com o pão, explicou o significado do cálice Lc 22: 19- 20.

Enquanto comiam a páscoa Mc 14. 18, Jesus falou-lhes da traição e em um determinado momento pegou o pão e o abençoou. Em seguida parti-o e deu aos discípulos dizendo: “Tomai, comei, isto é o meu corpo” Mc 14. 22

Da mesma forma Jesus lhes anunciou: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos” Mc 14. 24.

Isto foi posto para entendermos o que estava ocorrendo na igreja de Coríntios. Devemos observar atentamente os moldes em que se deu a ceia ministrada por Jesus.

Na noite em que foi traído, Jesus e os discípulos estavam comendo o cordeiro da páscoa. Em dado momento da festa, Jesus pegou o pão e o abençoou e distribuiu aos discípulos dizendo: “Tomai, comei, isto é o meu corpo”.

Isto demonstra que, como a primeira ceia ministrada por Cristo se deu em meio à festa dos pães asmos, quando era necessário sacrificar a páscoa, os cristãos primitivos, quando se reuniam para comemorar e anunciar a morte do Senhor Jesus, acabavam por fazer uma grande refeição.

A dissensão que estava ocorrendo na igreja de Corinto era decorrente da refeição que faziam antes de comemorarem a morte de Cristo.

Observe que Jesus após cear tomou o pão, ou seja, após comer o cordeiro pascoal que foi preparado pelos discípulos no dia dos pães asmos, é que foi instituído o cerimonial em sua memória.  Foi durante a páscoa que Jesus tomou o cálice e o pão, abençoando-os Lc 22. 7.

Podemos depreender dos textos a seguinte ordem nos eventos narrados:

a) Preparação para a páscoa;

b) Jesus assenta-se à mesa com todos os discípulos;

c) Diferente de outras páscoas, Jesus pega o recipiente que continha o vinho, deu graça, e entregou aos discípulos para que repartissem entre eles Lc 22: 17;

d) Depois, Jesus pegou o pão, deu graças e o partiu. Entregou aos seus discípulos o pão dizendo: "Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim" Lc 22: 19;

e) Após a ceia, da mesma forma que foi feito com o pão, Jesus procedeu com o cálice. Pegou o cálice e disse: "este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado por vós" Lc 22: 20.

Não podemos confundir a ceia referente à páscoa, da ceia que hoje se comemora à morte de Cristo. Da mesma forma que, antes de comemorarem a morte de Cristo, os cristãos de Corinto estavam se reunindo para se banquetearem, porém, ignoravam aqueles que nada tinham.

 

Recapitulando os Ensinamentos

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão” (v. 23).

Paulo passa a recapitular o que havia ensinado aos cristãos.

O que Paulo havia ensinara, era o que recebera de Cristo.

Paulo havia ensinado os cristãos que Jesus, na noite em que fora traído, tomou o pão e tendo dado graças, o partiu e disse:

 

“E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim”(v. 24).

Jesus manda os discípulos pegarem e comerem o pão, e lhes apresenta o motivo: o pão repartido por eles representava o corpo de Cristo, que foi entregue por todos.

Este cerimonial foi instituído em memória de Jesus e da sua obra pela igreja. Jesus aponta o objetivo pela qual deveriam pegar e comer do pão: manter viva a memória do seu nome.

 

“Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (v. 25);

Após Cristo terem comido do cordeiro pascoal juntamente com os discípulos (depois de cear), ele pegou o cálice, que momento antes fora repartido entre os discípulos, deu graças Lc 22. 17, e disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue”.

O testamento anterior foi invalidado quando Cristo instituiu o novo.

O cristãos deve entender que a base de tudo esta no testamento no sangue de Cristo, e não no homem. É Cristo a garantia de salvação, e não os nossos atos.

 

 

Claudio Crispim

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