A Carta aos

HEBREUS

 

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Capítulo I (v. 2- 4)

2 A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. 3 O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; 4 Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.

O escritor deixa o enredo da carta e passa a falar da pessoa de Cristo. Ele abre um parêntese na escrita da carta para explicar quem é Jesus aos cristãos Hebreus.

Se entrevistássemos o escritor da carta aos Hebreus, e perguntássemos: Quem é Jesus? A resposta estaria nos versículos dois a quatro Hb 1. 2- 4. Se pedíssemos que o escritor apresentasse argumentos em favor das suas alegações acerca de Jesus, elas estariam expostas nos versículo seis a quatorze Hb 1. 6-14.

Este é um recurso que na língua portuguesa denominamos aposto explicativo.

O escritor apresenta nove declarações sobre a pessoa de Jesus. Cada declaração não dependente da declaração seguinte para dar consistência a idéia.

Sobre a pessoa de Jesus o escritor da carta aos Hebreus faz as seguintes declarações:

  • Herdeiro de tudo – “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” Rm 8. 17 – Jesus, como Filho de Deus é herdeiro de todas as coisas;

  • Fez o mundo – “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” Cl 1. 16 – Tudo foi criado por Jesus, o Filho amado;

  • Resplendor da glória de Deus – “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” Tt 2. 13 – Jesus é o resplendor da glória de Deus;

  • Expressa imagem de Deus – “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” Cl 1. 15; “...para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” II Co 4. 4 – Jesus, o verbo de Deus;

  • Sustenta todas as coisas – “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” Cl 1. 17 - Todas as coisas subsistem por Cristo;

  • Purificou os cristãos dos seus pecados – “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” Cl 1. 14 – Livrou aqueles que creram de todos os pecados;

  • Assentou-se a destra de Deus – “O qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências” I Pe 3. 22 – Demonstra o poder de Cristo após a ressurreição;

  • É mais excelente que os anjos – “Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro” Ef 1. 21 – Em todos os tempos o nome de Cristo é sobresselente;

  • Herdou um nome excelente – “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” Is 9. 6 – Jesus é o nome sobre todos os nomes.

Observe que todos os outros apóstolos comungam da mesma opinião que o escritor da carta aos Hebreus.

Após fazer este breve comentário acerca da pessoa de Cristo, o escritor passa a demonstrar de onde ele tirou as considerações acima.

A base para a crença dos cristãos está nos escritos do Novo Testamento. Para os apóstolos e para o escritor da carta aos hebreus as bases para as suas afirmações acerca da pessoa de Cristo estão contidas no Antigo Testamento.

Através do vínculo que os escritores do Novo Testamento faz com o Antigo Testamento podemos perceber, de maneira clara, que o Deus do Antigo Testamento, é o mesmo Deus do Novo Testamento. Que o Antigo Testamento é divinamente inspirado por Deus, e seus livros contém as bases do Novo Testamento.Este não subsiste sem aquele!

A bíblia é um composto de livros em torno de uma idéia única: Deus revelando-se a humanidade!

 

A mesma estrutura de texto que temos na carta aos Hebreus, encontramos em Colossenses, quando Paulo fala sobre Jesus. Observe: Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” Cl 1. 14- 19.

Paulo demonstra que Cristo é a imagem de Deus; o primogênito de toda criação; que nele foi criada todas as coisas; tudo foi criado por Cristo; Ele é antes de todas as coisas; tudo subsiste por ele; etc.

Tanto Paulo quanto o escritor aos Hebreus utilizam uma estrutura de composição de textos semelhante, informando os leitores a respeito de Cristo. Compare Cl 1. 14- 19 com Hb 1. 2- 4.

Mas, na carta aos Colossenses temos outro texto a comparar com a carta aos Hebreus. Observe:

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” Cl 2. 8- 15.

 

Apesar das estruturas de textos serem semelhantes em Hb 1. 3- 4; e Cl 1. 14- 19, o enfoque dos escritores e o contexto são diferentes.

A estrutura dos textos abaixo nos permite verificar que as afirmações que se seguem desempenham funções semelhantes na composição do texto de Hebreus e Colossenses. Compare:

“Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade ” Cl 2. 9, e;

A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que elesHb 1. 3- 4, e;

O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele... Cl 1. 14- 19.

Estes três trechos desempenham a mesma função: são afirmações a respeito da pessoa de Cristo.

Paulo fez várias afirmações a respeito de Jesus Cl 1. 14- 19, da mesma forma que o escritor da carta aos Hebreus também fez várias afirmações Hb 1. 3- 4, porém, em Cl 2. 8- 15 temos uma única afirmação sobre Jesus, e o restante do texto traz um enfoque e um contexto diferente do que vimos em Hb 1. 3- 4 e Cl 1. 14- 19.

A diferença nos textos decorre do enfoque dos escritores.

Enquanto Paulo procura demonstrar a nova condição dos homens em Cristo Cl 2. 8- 15, o escritor aos Hebreus procura demonstrar que o Cristo que antes conheciam, que foi feito menor que os anjos por causa da paixão da morte, agora, assentado está à destra do Poder nas alturas Hb 1. 3- 4.

Em Hebreus o contexto é de exortação “Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas” Hb 2. 1, e em Colossenses o contexto é de conscientização E estais perfeitos nele (...) estais circuncidados (...)  sepultados com ele (...) nele também ressuscitastes” Cl 2. 9- 15.

Os cristãos alcançam a plenitude em Cristo Cl 2. 10, porém os colossenses não tinham consciência do que possuíam; Os cristãos Hebreus ouviram a palavra de Deus várias vezes, porém deveriam ser diligentes, para que em tempo algum se desviassem da verdade do evangelho.

Por possuir vários contextos, a carta de Paulo aos Colossenses evidencia de maneira clara as diferenças que um mesmo texto trás, quando se observa e analisa o contexto.

 

 

Claudio Crispim

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