A Carta aos

HEBREUS

 

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |

 

Pág. 3

Capítulo I (v. 5- 14)

Continuemos o comentário à carta:

 

5 Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?

6 E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

7 E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo.

8 Mas, do Filho, diz: O Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. 9 Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.

10 E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. 11 Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.

13 E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?

14 Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

 

O escritor da carta aos Hebreus faz sete citações do Antigo Testamento para dar base as declarações que ele fez acerca da pessoa de Jesus.

Por ele ter afirmado que Jesus foi “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles”, o escritor da epistola, através de uma argumentação lógica e em conjunto com as citações, demonstra que o A. T. é a base de apoio para as suas afirmações.

O escritor argumenta que o que foi registrado acerca de Jesus não se refere a anjos. O que foi predito acerca do Messias, jamais foi dito de um ser angelical.

Segue as citações do Antigo Testamento feita pelo escritor da carta aos Hebreus: 

  • Tu és meu Filho, Hoje te gereiSl 2. 7 – O salmo dois é eminentemente messiânico, e demonstra a Filiação divina do Cristo. O Messias prometido foi gerado de Deus. Não há registro no Antigo Testamento de que algum ser celestial tenha recebido uma declaração divina semelhante à recebida por Jesus. Só ele foi gerado de Deus, enquanto os anjos foram criados. Jesus é o unigênito de Deus.
  • Eu lhe serei por Pai, E ele me será por FilhoII Sm 7. 14 – Não há registro de que Deus tenha estabelecido a relação de Pai e Filho com algum ser celestial; por isso a argumentação: “Porque, a qual dos anjos ele disse jamais?”
  • E todos os anjos de Deus o adorem provavelmente uma citação do Salmo 97. 7 “Prostrai-vos diante dele, todos os deuses” – A nenhum ser foi dado a honra de receber adoração; Com relação a argumentação que antecede a citação do versículo, deve-se observar que, “E outra vez...” refere-se a argumentação anterior: “Porque, a qual dos anjos disse jamais...”. Ou seja, Ele já havia demonstrado que aos anjos jamais foi dito o que foi destacado dos salmos, e que outra vez ficaria demonstrado que sobre os anjos, jamais foi dito que alguém deveria adorá-los; Ele estava demonstrando novamente (E outra vez), através de outra citação do A. T. (v. 6), que, quando no mundo foi introduzido o primogênito de Deus, que todos deveriam adorá-lo;
  • Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo Sl 104. 4 - Quando a bíblia faz uma citação que contém algo a respeito dos seres celestiais, é bem clara a função que desempenham diante de Deus: são ministros de Deus.
  • “O Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros” Sl 45. 6- 7 – Sobre Jesus, o Filho de Deus, o Salmo quarenta e cinco declara que Ele é Deus; que possui um reinado que dura pelos séculos dos séculos; a qual dos anjos foi dito o que está no salmo 45?
  • “Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. 11 Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” Sl 102. 25- 26 – O Salmo 102 é citado porque diz que no princípio Ele (Jesus) fundou a terra; Jesus, o Senhor que fundou a terra, e que os céus são obras de suas mãos; são provas irrefutáveis acerca da divindade de Cristo;

  • “Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?” Sl 110. 1Alguma vez foi dito a um anjo que se assentasse a mão direita do Todo Poderoso? Jamais!
  • O escritor da carta aos Hebreus conclui com base nas citações do Antigo Testamento: “Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?”.

     

    Após a exposição do escritor ao hebreus de quem é Jesus, o Filho de Deus, o escritor volta a compor o texto da carta, o que veremos no comentário ao próximo capítulo.

     

     

    Comentário versículo à versículo do capítulo primeiro da carta aos Hebreus

     

    Alguns leitores já estavam acostumados aos comentários versículo a versículo, e não podíamos nos furtar a não disponibilizar tal comentário.  

    1 - Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,  

    O escritor informa o leitor da carta que Deus falou no passado usando profetas, e esta mensagem era direcionada aos pais ('pais' refere-se a todo o povo hebreu), e Deus utilizou-os de várias formas para trazer a sua mensagem ao povo como: visões, profecias, cânticos e a lei.

    Deus continua falando aos homens, porém, com um diferencial: antes falou por mensageiros, nos últimos dias através do Filho.

     2 - A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.

    Deus utilizou o seu próprio filho Jesus Cristo para falar ao povo, ou Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo.

    Certa vez, Jesus conversando com os fariseus, foi indagado sobre a sua autoridade. Se esta autoridade era proveniente dele mesmo ou de Deus, e Ele lhes propôs está parábola: Um proprietário plantou uma vinha e arrendou a vários trabalhadores e de tempos em tempos mandava os seus servos verificarem como estava a vinha, e nenhum destes servos era respeitado, nem ouvido. Por último, o proprietário enviou seu filho na esperança que este fosse respeitado, mas arrastaram o herdeiro e o mataram. Na parábola o proprietário representa Deus, a vinha à nação de Israel, os trabalhadores os lideres do povo, e o filho a pessoa de Cristo.

    Esta parábola ilustra de forma contundente o cuidado de Deus  ao trazer uma mensagem à humanidade por intermédio de seu Filho.

    Últimos dias referem-se aos dias do escritor, que se estende aos cristãos de hoje Mt 20.1-16; 3. 17. 

    3 - O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;

    Cristo foi constituído por Deus herdeiro de tudo, e através d'Ele o mundo que habitamos foi feito. Cristo é o próprio resplendor da glória de Deus, a sua Imagem exata, uma vez que sustenta todas as coisas pelo poder de sua palavra.

    Sabemos que Jesus foi enviado para purificação dos pecados dos homens, e para isso, tomou a forma humana. Muitos viram o Unigênito do Pai, porém não se deram conta da magnitude da pessoa de Cristo, o que motivou o escritor a evidenciar estas características do Filho de Deus aos leitores.

    Aquele Cristo que tanto era falado pelos apóstolos havia feito o mundo e sustenta todas as coisas com o seu poder. O escritor amplia a visão dos seus leitores demonstrando que aquele Jesus que eles tiveram contato, Ele mesmo havia feito a purificação dos pecados deles e de todos quantos crerem, tornando evidente a Divindade de Cristo. Só Deus tem o poder de perdoar pecados.

    O homem que entre eles andara, agora estava assentado a destra de Deus nas alturas, assumindo o seu lugar de direito. Estas declarações aos cristãos Hebreus são muito significativas do ponto de vista histórico e teológico.


    4 - Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.

    Alguns pecavam em fazer um comparativo entre a pessoa de Cristo e os anjos, e este capítulo procura desfazer esta confusão, demonstrando que o Filho não era um ser angelical, mas o próprio Criador.

    Textos citados pelo escritor da carta evidenciam que o Messias ao deixar a forma humana ascendeu aos céus sentando-se à destra de Deus, tornando-se mais excelente que os anjos (como homem ele era menor, por causa da paixão da morte).

    Ao voltar aos céus e herdar a glória que antes possuía, Jesus adquiriu um nome mais excelente.

    Entre Deus e os Anjos há a relação Criador e criatura. No céu não há relação de parentesco entre os anjos, como Cristo bem esclareceu. Lá não se casa e nem se dá em casamento. Não há como um ser angelical assumir a posição de Filho Mt 22.30.

    Jesus assumiu a posição de Filho quando introduzido no mundo. Do momento em que Cristo foi introduzido neste mundo é que passou a vigorar a relação estabelecida na eternidade: Eu lhe serei por Pai e tu me será por Filho.

      
    5 - Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele
    me será por Filho?

    O escritor da carta passa a demonstrar aos cristãos que Deus jamais disse a um Anjo “Tu és meu Filho”, sendo que o decreto é específico ao seu próprio Filho Jesus, que foi gerado pelo Espírito Santo.

    Observando o Sl 2.7, é como se o Filho possuísse como garantia de sua filiação neste mundo uma lei (decreto) do seu Pai, chamando-o de Filho. O texto citado na carta refere-se à passagem na qual o profeta Natã entrega uma mensagem a Davi dizendo que o seu "descendente" edificaria uma casa a Deus, e em contra partida, Deus estabeleceria o reino do descendente para sempre.

    Em certo momento da profecia, Deus declarou que haveria de ser Pai de um dos descendentes de Davi, e que o descendente lhe seria por Filho.

    Dentro destas duas passagens apresentadas (v. 5), entendemos que na eternidade houve um acordo entre as pessoas da divindade (sendo elas iguais entre si em poder, glória e majestade) o Deus único, por quem foi feito o mundo.

    A relação que se estabeleceu entre as pessoas da divindade na eternidade é que, uma das pessoas haveria de ser o Pai (Lhe serei por Pai) e o outro o Filho (Tu me serás por Filho).

    Se assim considerarmos, quando da concepção e nascimento de Jesus se estabeleceu o tempo chamado "hoje". Ou seja, Cristo sendo Deus assumiu o lugar de Filho ao ser gerado e introduzido no mundo, selando a relação que se estabeleceu na eternidade.

    Na carne ele é o descendente de Davi, porém, é o Unigênito do Pai por existir antes dos séculos dos séculos. O Primeiro gerado de Deus, diferente de Adão e dos anjos.

    Na glória, Deus e Cristo são iguais em todos os atributos pertinentes a divindade Jo 10.30, entre nós, Cristo cumpriu o papel proposto na relação que o versículo demonstra “Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho”.


    6 - E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

    Ao assumir o lugar de Filho Unigênito aqui na terra, foi dada uma ordem aos Principados e Potestades Celestiais para renderem adoração ao Emanuel, o Deus Conosco, que foi dado em resgate de muitos.

    Verificamos a adoração do anjos quando do nascimento de Cristo. Os anjos em coro entoaram louvores ao Filho Lc 2.14. Quando da glorificação do cordeiro, ele foi recebido com louvores no céu Ap 5.11-12. A ordem de adoração complementa a idéia de um selo da relação que foi estabelecida entre as pessoas da divindade na eternidade, entre Pai e Filho, que se concretizou a partir do dia chamado “hoje”, ou seja, quando da concepção no ventre de Maria Sl 97.7.

       
    7 - E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos ventos, de seus ministros labareda de fogo.

    Os anjos são comissionados para tarefas específicas, ou para realizar uma missão, muito diferente da determinada para o Filho. Eles somente foram designados para adoração e trabalho em prol dos santos.


    8 - Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. 9 - Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.

    O salmista ao profetizar acerca do Filho, chama-o de Deus, com um reino que perdurará pela eternidade, em consonância com o texto de Isaías que o proclama Deus Forte e Pai da Eternidade.

    O reino de Cristo tem por base a eqüidade, o amor e a justiça. É evidenciado no seu reino o repúdio ao pecado e à transgressão. Em decorrência destes atributos Deus unge a Cristo com óleos de alegria.


    10 - E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. 11 - Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 - E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.

    O escritor da carta aos Hebreus cita o Sl 102. 25- 26 para demonstrar o poder criativo inerente à pessoa de Cristo, demonstrando que, Ele lançou os fundamentos da terra e as colunas que sustem os céus. A terra envelhece e há um tempo determinado para o seu fim, porém, de Jesus, o mesmo Salmo diz que Ele permanecerá, será o mesmo sempre, com existência que não se extinguirá.

    A terra terá o seu fim, e vemos que Jesus terá participação efetiva na criação do novo céu e da nova terra Ap 21. 1- 8.


    13 - E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?

    Não há um anjo se quer que o Senhor tenha convidado para se assentar juntamente com Ele no trono.

    Dentre as inúmeras seitas que conhecemos, não há uma que se insurja contra os anjos. Geralmente elas surgem de alguma declaração em particular de supostos 'anjos' que lhes apareceram.

    É certo que muitas seitas surgiram com o fito de negar a divindade de Jesus.

    14 - Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

    Os anjos são espíritos que agem sob ordem e são enviados de Deus para servir os que herdarão a salvação. São todos eles espíritos ministradores, para servir aqueles que herdarão a salvação: Os que crêem no nome do Filho.

     

     

 

Claudio Crispim

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |

www.ibiblia.net
Copyright© 2006. All rights reserved.